sábado, 29 de agosto de 2009

Ginga

Ginga (em português, Galáxia) é um novo sucesso da cantora japonesa MISIA (não confundir com a cantora portuguesa de fado Mísia), eleito como tema oficial do Ano Internacional da Astronomia 2009 no Japão. O meu filho Gonçalo de 3 anos de idade, ficou deslumbrado com a música e com o respectivo vídeo criado com imagens geradas por computador, fornecidas pelo Observatório Nacional Astronómico do Japão, e onde figura uma das réplicas dos telescópios de Galileu produzidas pelo Comité Japonês do AIA2009. Vale a pena ver e ouvir Ginga.

ISRO perde contacto com Chandrayaan-1

A agência espacial indiana ISRO perdeu anteontem ao início da noite, o contacto via rádio com a sonda Chandrayaan-1. Em órbita lunar desde Outubro de 2008, a sonda indiana tinha como principais objectivos mapear os recursos minerais da Lua e construir um mapa tridimensional da sua superfície. Após dois dias sem resposta por parte da Chandrayaan-1, a ISRO deu por encerrada a sua primeira missão científica inteiramente planeada e executada na Índia.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

As noites de Galileu

Iniciaram-se os preparativos para as Noites de Galileu, um projecto chave do Ano Internacional da Astronomia 2009 que promete agitar as noites de 22 a 24 de Outubro com diversas actividades ligadas à Astronomia. À semelhança das 100 horas de Astronomia, as Noites de Galileu vão ser celebradas em todo o mundo, com milhares de eventos espalhados pelos cinco continentes. Adultos e crianças serão encorajadas a participar nas sessões de rua de observação do céu nocturno, que terão como foco principal as maravilhas celestes observadas por Galileu à 400 anos. Quem quiser registar um evento poderá fazê-lo através do sítio do projecto.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Uma magnífica criação

O segundo telescópio construído por Galileu, um dos poucos que sobreviveram até aos dias de hoje.
Crédito: Istituto e Museo di Storia della Scienza, Florença.

Hoje é um dia de celebração para a Astronomia. À 400 anos, a 25 de Agosto de 1609, Galileu apresentava ao Senado de Veneza um instrumento científico que viria a revolucionar todo o conhecimento humano acerca do Universo: o telescópio. Impressionados com as potencialidades do novo instrumento, os senhores da República Veneziana premiaram Galileu com a duplicação do salário e tornaram vitalícia a sua cátedra na Universidade de Pádua, criando condições para que continuasse as suas pesquisas no céu nocturno, e melhorasse a qualidade e o poder de ampliação das suas lunetas. Parabéns, Galileu!

domingo, 23 de agosto de 2009

Uma longa marcha em Fra Mauro

Em Fevereiro de 1971, os astronautas da missão Apollo 14, Alan Shepard e Edgar Mitchell exploraram as terras altas de Fra Mauro, uma formação de colinas localizada a sul de Mare Imbrium, que se crê tenha sido formada por ejecta desta gigantesca bacia de impacto.

A missão rendeu cerca de 43 Kg de rochas e solos lunares de valor científico inestimável, e serviu para testar pela primeira vez, um pequeno carrinho de mão destinado ao transporte de material e amostras durante as duas EVA's (acrónimo inglês de actividade extra-veicular) na superfície lunar. A criteriosa escolha do local de alunagem permitiu ainda aos astronautas a obtenção de amostras de rocha ao longo do campo de ejecta da cratera Cone, uma profunda cratera de impacto situada a pouca distância do módulo lunar.

Este exercício realizado durante a segunda EVA da missão, produziu um conjunto de amostras representativas de uma secção estratigráfica completa das camadas geológicas subsuperficiais lunares expostas pelo impacto. A longa jornada que deveria ter sido concluída no bordo da cratera de 370 metros de diâmetro foi, no entanto, um duro teste de resistência para os astronautas na Lua.

Munidos de mapas pouco detalhados e com poucos pontos de referência que pudessem servir de orientação na monótona paisagem de Fra Mauro, Alan Shepard e Edgar Mitchell tiveram imensas dificuldades em encontrar o seu objectivo. Com reservas de oxigénio limitadas e com os batimentos cardíacos acelerados pela longa subida, os desapontados astronautas regressaram ao módulo lunar pouco antes de concluírem a caminhada até à cratera Cone. Na época, os responsáveis pela missão puderam apenas especular acerca da distância a que os dois astronautas teriam ficado do seu objectivo.

Paisagem lunar no flanco da cratera Cone.
Crédito: JSC/NASA.

Rocha Saddle, formação rochosa em forma de sela de cavalo, situada perto do bordo da cratera Cone.
Crédito: JSC/NASA.

As recentes imagens do local de alunagem da Apollo 14 obtidas pela sonda americana Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), esclarecem no entanto, ao fim de 38 anos, o quanto perto os dois americanos estiveram de concluírem com sucesso a sua caminhada até à cratera Cone. Os rastos deixados pelas suas pegadas e pelas rodas do carrinho de mão que transportaram em direcção à cratera, páram subitamente a cerca de 30 metros do bordo; demasiado perto para maior frustração de Alan Shepard e Edgar Mitchell, mas sem reflexo no valor científico das amostras recolhidas.

Imagem anotada do local de alunagem da Apollo 14, obtida recentemente pela sonda LRO. Os rastos da longa caminhada dos astronautas até à cratera Cone encontram-se evidenciados por pequenas setas brancas.
Crédito: NASA/Goddard Space Flight Center/Arizona State University (anotações: Sérgio Paulino).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Recinto Megalítico de S. Cristovão

O Verão é tipicamente uma estação propícia à merecida pausa das férias. Este ano o meu itinerário de férias teve paragem obrigatória em S. Pedro de Paus, freguesia do Concelho de Resende, local de origem da minha família paterna. Situado na margem sul do Rio Douro, o pequeno concelho nortenho é uma das portas de entrada no Alto Douro Vinhateiro, região classificada em 2001 pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade. Inserido numa região essencialmente rural, com raízes anteriores à nacionalidade, Resende constitui um local aprazível para quem deseja umas férias tranquilas em comunhão com a natureza e com as velhas tradições.
Nas últimas duas décadas, o concelho viu o seu vasto património histórico enriquecido com uma série de importantes descobertas arqueológicas que muito engrossaram os conhecimentos existentes acerca do Megalitismo do Norte de Portugal. A área em redor do monte de S. Cristóvão, uma das mais altas elevações da Serra de Montemuro, demonstrou ser uma região particularmente rica em monumentos megalíticos, na sua maioria pequenos dólmenes encobertos por montículos artificiais de terra, designados por tumuli ou mamoas. Conhecido pelo magnífico miradouro situado a mais de 1.100 metros de altitude, o espaço em redor sempre me seduziu pela sua paisagem agreste, onde entre tojo, urze e outros pequenos arbustos rasteiros, se escondem perdizes, lebres e licranços, e por onde milhafres, falcões e raposas patrulham as encostas em busca das suas presas.

Vista do miradouro de S. Cristovão sobre o vale do Ribeiro Bestança. Ao fundo são visíveis o Douro e a Serra do Marão.
Crédito: Sérgio Paulino.

Dólmen I de S. Cristovão, uma das nove mamoas descobertas no planalto existente entre o monte de S. Cristovão e Feirão.
Crédito: Sérgio Paulino.

Como desde cedo me interessei pelo Megalitismo da Península Ibérica, foi com particular entusiasmo que tomei conhecimento da existência de monumentos megalíticos em S. Cristóvão. Inspirado pela beleza da paisagem, decidi aproveitar a estadia em S. Pedro de Paus para revisitar uma das mamoas de S. Cristóvão, o Dólmen 1 de S. Cristóvão, e para observar de perto e em pormenor um enigmático conjunto de menires, localizado a poucas centenas de metros da capela de S. Cristóvão. Depois de alguma pesquisa, percebi que este segundo monumento constitui uma descoberta arqueológica notável dada a sua singularidade entre os monumentos megalíticos conhecidos no Norte de Portugal. Implantado num anfiteatro natural orientado para nascente, o denominado Recinto Megalítico I de S. Cristóvão é composto por cerca de 40 monólitos graníticos erectos, envolvidos por uma estrutura de sustenção lítica que define um espaço aproximadamente oval, com uma área superior a 1.000 m2 e com uma largura de cerca de 40 metros. A sua complexidade inscreve-o nos monumentos megalíticos de tipo cromeleque, estruturas extremamente raras a norte do Rio Tejo.

Monólito granítico no Recinto Megalítico I de S. Cristovão.
Crédito: Sérgio Paulino.


Estrutura de sustenção lítica do tipo calçada existente no interior do recinto.
Crédito: Sérgio Paulino.


Dadas as características particulares do local onde se insere o recinto, parece óbvia a interpretação da equipa de arqueólogos da Universidade do Porto, responsável pelas várias escavações realizadas no local desde 1994, que sugerem possíveis ligações do monumento à arqueoastronomia. Esta hipótese foi confirmada pelo especialista Professor Michael Hoskin durante a sua visita ao local (ver artigo aqui), reconhecendo no recinto um possível local onde à milhares de anos as populações da região realizariam previsões dos solstícios de Inverno. A mesma equipa de arqueólogos viria a descobrir posteriormente, um segundo recinto (o Recinto Megalítico II de S. Cristovão) com características semelhantes, num local um pouco distante do primeiro. Situado numa depressão de terreno orientada para poente, este segundo monumento megalítico (o qual não consegui encontrar) parece partilhar as mesmas funções com o primeiro.
Lamentavelmente, durante a minha visita ao Recinto Megalítico I pude verificar algum desleixo na conservação do monumento. Lanço aqui um apelo às entidades responsáveis (em particular, à Câmara Municipal de Resende) para cortarem a densa vegetação que envolve as estruturas pétreas, vedarem o recinto, e colocarem sinalização na estrada e placas informativas junto ao local, para que os visitantes possam facilmente encontrar e aceder ao monumento.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O triplo asteróide 1994CC

Imagens de radar do asteróide 1994CC e das suas duas luas, obtidas pelo radiotelescópio de Goldstone, a 12 de Junho de 2009.
Crédito: NASA/JPL/GSSR.


Uma equipa de cientistas liderados por Marina Brozovic e Lance Benner, ambos investigadores da NASA, descobriram recentemente o segundo sistema triplo na população de NEO’s (objectos com órbitas próximas da Terra). Fazendo uso do radiotelescópio de Goldstone, a equipa obteve uma série de imagens de radar do asteróide (136617) 1994CC durante a sua aproximação ao nosso planeta no passado mês de Junho, identificando dois pequenos objectos na órbita de um corpo central com cerca de 700 metros de diâmetro. Análises preliminares sugerem que as duas pequenas luas terão pelo menos 50 metros de diâmetro.
A descoberta foi confirmada por observações independentes realizadas no Observatório de Arecibo, em Porto Rico. Os dados obtidos nos dois observatórios vão agora ser utilizados pela equipa de cientistas no estudo dos parâmetros orbitais e das características físicas dos três componentes.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Perseidas 2009

Agosto é o mês da chuva de meteoros das Perseidas. Popularmente conhecidas por Lágrimas de S. Lourenço, em homenagem ao santo festejado a 10 de Agosto, as Perseidas ocorrem regularmente todos os anos entre meados de Julho e finais de Agosto. O fenómeno tem a sua origem na entrada a grande velocidade de pequenos meteoróides nas camadas superiores da atmosfera terrestre. A maioria são pequenos pedaços de rocha do tamanho de grãos de areia, que se tornam incandescentes devido à compressão e aquecimento da atmosfera na sua frente. A origem destes enxames de meteoróides é o cometa Swift-Tuttle, um cometa periódico cuja cauda cruza a órbita do nosso planeta.
Este ano o espectáculo poderá ser particularmente interessante, uma vez que a Terra terá um dos primeiros encontros com um denso filamento de poeiras cometárias libertado pelo cometa no ano 1610. A este facto junta-se a ocorrência de uma concentração anormalmente elevada de meteoróides, causada por perturbações gravitacionais do planeta Saturno no enxame principal. A feliz coincidência dos dois efeitos poderá produzir uma chuva com um máximo de 200 meteoros por hora, cerca do dobro da intensidade média observada em anos anteriores. Espera-se que o pico de actividade ocorra em pleno dia, entre as 09:00 e as 10:00 (hora de Lisboa) do dia 12 de Agosto.
Aos potenciais interessados neste evento sugere-se que escolham nas próximas noites um local longe das luzes da cidade (no campo ou na praia), estendam uma manta no chão, e pacientemente observem o céu a nordeste em direcção à constelação de Perseu, evitando olhar directamente para a Lua (que estará relativamente perto do ponto radiante na noite de maior actividade), sob pena de perderem a preciosa visão nocturna, necessária para visualizar os meteoros menos brilhantes.

Imagem representando o céu nocturno em direcção a nordeste, pelas 02:00 da madrugada (hora de Lisboa) do dia 12 de Agosto. Posicionada próxima do ponto radiante, a Lua poderá criar algumas dificuldades na observação de meteoros menos brilhantes, mesmo em locais com pouca poluição luminosa.
Crédito: Sérgio Paulino/Stellarium 0.10.0.