Mosaico de imagens captadas pela sonda Cassini a 16 de Abril de 2010, mostrando estruturas em forma de leque no anel F de Saturno. É possível observar pequenos aglomerados brilhantes associados às descontinuidades do anel.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.
A equipa de imagem da missão Cassini parece ter encontrado uma verdadeira fábrica de pequenas luas no anel F de Saturno. Imagens recentemente captadas sugerem que as estruturas em forma de leque talhadas pelas perturbações gravitacionais da lua pastora Prometeu, possam estar a comprimir pequenos agregados de partículas de gelo do anel em objectos mais consistentes, que podem atingir até 20 Km de diâmetro! Uma parte desses objectos acabam destruídos a cada encontro próximo com Prometeu; no entanto, alguns conseguem sobreviver, tornarem-se mais densos e atrair mais material na sua superfície.
Leiam aqui o comunicado (em inglês) da equipa de imagem da Cassini.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Explosão de vida no Mar Báltico
Uma florescência de cianobactérias cobrindo o Mar Báltico, numa imagem captada a 11 de Julho de 2010 pelo Medium Resolution Imaging Spectrometer (MERIS), um dos instrumentos científicos a bordo do satélite Envisat.
Crédito: ESA.
As florescências de cianobactérias são fenómenos tendencialmente sazonais, que ocorrem no Mar Báltico, geralmente após as florescências primaveris de diatomáceas e de dinoflagelados (constituintes comuns da comunidade fitoplanctónica da região). Resultam da associação de um particular conjunto de condições ambientais que favorecem a proliferação de cianobactérias filamentosas fixadoras de azoto atmosférico. Fazem parte desse conjunto: a baixa salinidade das águas do Mar Báltico (favorável à proliferação da maioria das cianobactérias planctónicas, pouco tolerantes a águas com elevada salinidade); a diminuição drástica da concentração de nitratos nos meses de Verão (resultante, essencialmente, da explosão populacional primaveril de diatomáceas e de dinoflagelados); a manutenção de concentrações elevadas de fosfatos (nutrientes essenciais para a proliferação das cianobactérias); e o aumento da temperatura e da insolação da água (as cianobactérias são organismos fotossintéticos que crescem preferencialmente a temperaturas mais amenas).
São duas as espécies cianobacterianas que geralmente dominam as florescências no Mar Báltico: a espécie não tóxica Aphanizomenon flos-aquae e a espécie potencialmente produtora de toxinas (hepatotoxinas e neurotoxinas) Nodularia spumigena.
Aspecto macroscópico de uma florescência de Aphanizomenon flos-aquae numa albufeira do Alentejo.
Crédito: Sérgio Paulino.
Aspecto microscópico dos feixes de filamentos de Aphanizomenon flos-aquae, numa amostra colhida numa albufeira do Alentejo (ampliação 100X).
Crédito: Sérgio Paulino.
Cada vez mais vulgares e prolongadas nos meses de Verão, as florescências de cianobactérias potencialmente tóxicas são fenómenos extremamente nefastos para as economias do Mar Báltico, uma vez que ditam o encerramento de praias na região, e limitam a pesca nas zonas afectadas. Com vista a minimizar o seu impacto na vida das populações locais, as autoridades dos países bálticos têm beneficiado desde 2002 da monitorização contínua destes fenómenos, a partir de uma rede de satélites de observação que inclui o satélite europeu Envisat.
Crédito: ESA.
As florescências de cianobactérias são fenómenos tendencialmente sazonais, que ocorrem no Mar Báltico, geralmente após as florescências primaveris de diatomáceas e de dinoflagelados (constituintes comuns da comunidade fitoplanctónica da região). Resultam da associação de um particular conjunto de condições ambientais que favorecem a proliferação de cianobactérias filamentosas fixadoras de azoto atmosférico. Fazem parte desse conjunto: a baixa salinidade das águas do Mar Báltico (favorável à proliferação da maioria das cianobactérias planctónicas, pouco tolerantes a águas com elevada salinidade); a diminuição drástica da concentração de nitratos nos meses de Verão (resultante, essencialmente, da explosão populacional primaveril de diatomáceas e de dinoflagelados); a manutenção de concentrações elevadas de fosfatos (nutrientes essenciais para a proliferação das cianobactérias); e o aumento da temperatura e da insolação da água (as cianobactérias são organismos fotossintéticos que crescem preferencialmente a temperaturas mais amenas).
São duas as espécies cianobacterianas que geralmente dominam as florescências no Mar Báltico: a espécie não tóxica Aphanizomenon flos-aquae e a espécie potencialmente produtora de toxinas (hepatotoxinas e neurotoxinas) Nodularia spumigena.
Aspecto macroscópico de uma florescência de Aphanizomenon flos-aquae numa albufeira do Alentejo.
Crédito: Sérgio Paulino.
Aspecto microscópico dos feixes de filamentos de Aphanizomenon flos-aquae, numa amostra colhida numa albufeira do Alentejo (ampliação 100X).
Crédito: Sérgio Paulino.
Cada vez mais vulgares e prolongadas nos meses de Verão, as florescências de cianobactérias potencialmente tóxicas são fenómenos extremamente nefastos para as economias do Mar Báltico, uma vez que ditam o encerramento de praias na região, e limitam a pesca nas zonas afectadas. Com vista a minimizar o seu impacto na vida das populações locais, as autoridades dos países bálticos têm beneficiado desde 2002 da monitorização contínua destes fenómenos, a partir de uma rede de satélites de observação que inclui o satélite europeu Envisat.
domingo, 18 de julho de 2010
Ontario Lacus, um grande lago em Titã
Uma visita virtual a Ontario Lacus, um grande lago de hidrocarbonatos líquidos localizado a curta distância do pólo sul de Titã. Animação produzida a partir de imagens de radar obtidas pela sonda Cassini a 22 de Junho de 2009, a 8 de Julho de 2009 e a 12 de Janeiro de 2010.
Crédito: NASA/JPL.
É extraordinária a forma como as paisagens de Titã nos são tão familiares. Abaixo da densa atmosfera alaranjada, um pouco por toda a superfície, extensas redes de canais serpenteiam em direcção a gigantescas bacias, algumas delas preenchidas por grandes massas de hidrocarbonatos líquidos (essencialmente, misturas líquidas de metano, de etano e de outros hidrocarbonatos simples). Em alguns desses lagos, os cientistas têm identificado praias, baias, vales inudados e deltas de rios, estruturas em tudo semelhantes às suas congéneres terrestres.
O vídeo que aqui vos trago mostra algumas dessas estruturas nas margens de Ontario Lacus, o maior dos lagos de hidrocarbonatos identificados no hemisfério sul de Titã. Com cerca de 235 quilómetros de comprimento e cerca de 20.000 km² de extensão, Ontario Lacus ocupa uma área ligeiramente inferior à do Alentejo. É uma massa líquida extremamente dinâmica, com fortes evidências da contínua acção de processos erosivos ao longo das suas margens (ver artigo aqui).
Recentemente, investigadores da missão Cassini identificaram o recuo das margens de Ontario Lacus em cerca de 10 Km, uma descida do nível do lago em cerca de 1 metro por ano, ao longo de 4 anos (ver artigo aqui). Esta descoberta é mais uma forte evidência da existência de um ciclo hidrológico do metano em Titã, que sazonalmente, à semelhança do que se passa na Terra com a água, faz variar o nível das grandes massas líquidas da lua.
Crédito: NASA/JPL.
É extraordinária a forma como as paisagens de Titã nos são tão familiares. Abaixo da densa atmosfera alaranjada, um pouco por toda a superfície, extensas redes de canais serpenteiam em direcção a gigantescas bacias, algumas delas preenchidas por grandes massas de hidrocarbonatos líquidos (essencialmente, misturas líquidas de metano, de etano e de outros hidrocarbonatos simples). Em alguns desses lagos, os cientistas têm identificado praias, baias, vales inudados e deltas de rios, estruturas em tudo semelhantes às suas congéneres terrestres.
O vídeo que aqui vos trago mostra algumas dessas estruturas nas margens de Ontario Lacus, o maior dos lagos de hidrocarbonatos identificados no hemisfério sul de Titã. Com cerca de 235 quilómetros de comprimento e cerca de 20.000 km² de extensão, Ontario Lacus ocupa uma área ligeiramente inferior à do Alentejo. É uma massa líquida extremamente dinâmica, com fortes evidências da contínua acção de processos erosivos ao longo das suas margens (ver artigo aqui).
Recentemente, investigadores da missão Cassini identificaram o recuo das margens de Ontario Lacus em cerca de 10 Km, uma descida do nível do lago em cerca de 1 metro por ano, ao longo de 4 anos (ver artigo aqui). Esta descoberta é mais uma forte evidência da existência de um ciclo hidrológico do metano em Titã, que sazonalmente, à semelhança do que se passa na Terra com a água, faz variar o nível das grandes massas líquidas da lua.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Astronomia no Verão no OAL
O magnífico edifício do Observatório Astronómico de Lisboa.
Crédito: Sérgio Paulino.
Inicia-se amanhã, ao fim da tarde, as Actividades de Verão no Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), uma iniciativa que terá lugar na Tapada da Ajuda todas as sexta-feiras até ao dia 10 de Setembro. As actividades a desenvolver ficarão distribuídas em dois blocos: uma visita guiada ao OAL focada no rico património existente no interior do edifício; e sessões de observação astronómica com telescópios instalados no exterior. A participação nas actividades carece de inscrição prévia, e é limitada a um número máximo de participantes. Consultem esta página para mais informações.
Crédito: Sérgio Paulino.
Inicia-se amanhã, ao fim da tarde, as Actividades de Verão no Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), uma iniciativa que terá lugar na Tapada da Ajuda todas as sexta-feiras até ao dia 10 de Setembro. As actividades a desenvolver ficarão distribuídas em dois blocos: uma visita guiada ao OAL focada no rico património existente no interior do edifício; e sessões de observação astronómica com telescópios instalados no exterior. A participação nas actividades carece de inscrição prévia, e é limitada a um número máximo de participantes. Consultem esta página para mais informações.
Encontro histórico Apollo-Soyuz foi há 35 anos
Representação artística do encontro entre as cápsulas Apollo e Soyuz na órbita terrestre.
Crédito: NASA.
Separados desde o final da Segunda Guerra Mundial por conflitos políticos profundos e pela constante luta pela supremacia ideológica e tecnológica, americanos e soviéticos realizaram em Julho de 1975, uma missão tripulada conjunta, que iria abrir as portas a futuras cooperações entre as agências espaciais das duas nações. Designada Apollo Soyuz Test Project (ASTP), a missão tinha como objectivo principal demonstrar que duas cápsulas de construção distinta poderiam acoplar em segurança em plena órbita terrestre. Munidos de um espírito de colaboração sem precedente entre americanos e soviéticos, responsáveis e colaboradores da missão prepararam diligentemente as duas cápsulas para o grande evento.
A 17 de Julho de 1975, dois dias após o seu lançamento, a Apollo e a Soyuz concretizaram a primeira de duas acoplagens bem sucedidas. Durante pouco menos de 48 horas, astronautas e cosmonautas trabalharam e conviveram de forma saudável, até à desacoplagem definitiva entre as duas cápsulas, a 19 de Julho.
Numa demonstração da verdadeira dimensão humana e cultural da missão, os cinco tripulantes derrubariam em poucas horas barreiras culturais e linguísticas aparentemente intransponíveis entre povos que, na altura, se mantinham em constante tensão militar há pelo menos 30 anos.
Os membros do Apollo Soyuz Test Project: os astronautas Thomas P. Stafford, Vance D. Brand e Donald K. Slayton (à esquerda), e os cosmonautas Alexei Leonov e Valeri Kubasov (à direita).
Crédito: NASA.
O astronauta Thomas P. Stafford e o cosmonauta Aleksei A. Leonov apertando as mãos após a acoplagem bem sucedida entre as cápsulas Apollo e Soyuz.
Crédito: NASA.
Crédito: NASA.
Separados desde o final da Segunda Guerra Mundial por conflitos políticos profundos e pela constante luta pela supremacia ideológica e tecnológica, americanos e soviéticos realizaram em Julho de 1975, uma missão tripulada conjunta, que iria abrir as portas a futuras cooperações entre as agências espaciais das duas nações. Designada Apollo Soyuz Test Project (ASTP), a missão tinha como objectivo principal demonstrar que duas cápsulas de construção distinta poderiam acoplar em segurança em plena órbita terrestre. Munidos de um espírito de colaboração sem precedente entre americanos e soviéticos, responsáveis e colaboradores da missão prepararam diligentemente as duas cápsulas para o grande evento.
A 17 de Julho de 1975, dois dias após o seu lançamento, a Apollo e a Soyuz concretizaram a primeira de duas acoplagens bem sucedidas. Durante pouco menos de 48 horas, astronautas e cosmonautas trabalharam e conviveram de forma saudável, até à desacoplagem definitiva entre as duas cápsulas, a 19 de Julho.
Numa demonstração da verdadeira dimensão humana e cultural da missão, os cinco tripulantes derrubariam em poucas horas barreiras culturais e linguísticas aparentemente intransponíveis entre povos que, na altura, se mantinham em constante tensão militar há pelo menos 30 anos.
Os membros do Apollo Soyuz Test Project: os astronautas Thomas P. Stafford, Vance D. Brand e Donald K. Slayton (à esquerda), e os cosmonautas Alexei Leonov e Valeri Kubasov (à direita).
Crédito: NASA.
O astronauta Thomas P. Stafford e o cosmonauta Aleksei A. Leonov apertando as mãos após a acoplagem bem sucedida entre as cápsulas Apollo e Soyuz.
Crédito: NASA.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Espanha na estratosfera
A camisola da selecção espanhola de futebol pairando 33 Km acima de Igualada, Espanha (em plena estratosfera), numa imagem captada a 9 de Julho de 2010, num balão de hélio lançado pela companhia espanhola Zero 2 Infinity (mais informações, ver aqui).
Crédito: Zero 2 Infinity.
Esta imagem espelha bem o sentimento do povo espanhol depois da Final do Mundial de Futebol da África do Sul, ontem à noite em Joanesburgo. Numa luta renhida com a selecção holandesa, a Espanha sagrou-se campeã mundial pela primeira vez na história da competição!
Crédito: Zero 2 Infinity.
Esta imagem espelha bem o sentimento do povo espanhol depois da Final do Mundial de Futebol da África do Sul, ontem à noite em Joanesburgo. Numa luta renhida com a selecção holandesa, a Espanha sagrou-se campeã mundial pela primeira vez na história da competição!
sábado, 10 de julho de 2010
Mais imagens de 21 Lutécia!
Já foram publicadas mais imagens do asteróide 21 Lutécia no blog da missão Rosetta. Vale a pena fazer uma visita! Entre as primeiras imagens de alta-resolução da superfície do asteróide vão encontrar esta espectacular imagem de Lutécia ao lado do planeta Saturno!
21 Lutécia e o distante planeta Saturno, numa imagem captada pelo sistema de imagem OSIRIS, a 36 mil quilómetros do asteróide, durante a fase de aproximação da sonda Rosetta à sua superfície.
Crédito: ESA 2010 MPS para a equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA.
21 Lutécia e o distante planeta Saturno, numa imagem captada pelo sistema de imagem OSIRIS, a 36 mil quilómetros do asteróide, durante a fase de aproximação da sonda Rosetta à sua superfície.
Crédito: ESA 2010 MPS para a equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA.
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