quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Bailado de pequenas luas

Photobucket
O movimento de quatro pequenas luas de Saturno captado pela sonda Cassini no passado dia 27 de Julho de 2010, numa sequência de 22 imagens.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/animação de Sérgio Paulino.

A sonda Cassini observou na semana passada dois trânsitos envolvendo as pequenas luas saturnianas Prometeu, Jano e Epimeteu. A sequência inicia-se com a passagem de Jano sobre o pólo norte de Prometeu, seguida da sua ocultação pela lua Epimeteu. O bailado das três é seguido timidamente por Pandora Atlas, quase imperceptível na orla exterior da ansa mais distante do anel F na orla exterior do anel A.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Três planetas no crepúsculo

Os três planetas Vénus, Marte e Saturno juntos nos céus de Lisboa, ao início da noite de ontem.
Crédito: Sérgio Paulino.

Vénus, Marte e Saturno têm estado durante as últimas semanas a convergir no céu crepuscular para formar um pequeno triângulo entre as constelações do Leão e da Virgem. Quem quiser observar este belo trio, pode usar Vénus como guia para encontrar rapidamente os outros dois planetas (Vénus brilha neste momento próximo de magnitude aparente de -4,2, enquanto que Saturno e Marte brilham, respectivamente, com magnitudes aparentes de 1,1 e 1,5).
Vénus estará em conjunção com Marte a 23 de Agosto e a 29 de Setembro; e com Saturno a 10 de Agosto.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Apenas mais uma colina em Cydonia

Imagem captada pela Mars Reconnaissance Orbiter a 5 de Abril de 2007 (resolução 25 cm/pixel), mostrando o topo de uma mesa na região de Cydonia.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Desde a sua descoberta nos anos 70, a "Face de Marte" tem alimentado um role de especulações relativas à sua natureza artificial e à sua relação com outras estruturas vizinhas supostamente construídas por uma antiga civilização extraterrestre. Surpreendentemente, apesar de ter sido repetidamente fotografada por diferentes sondas, em diferentes ângulos de iluminação e em resoluções muito superiores às das primeiras imagens onde foi identificada, a estrutura continua a ser entendida por muitos como uma evidência flagrante da existência de vida inteligente em Marte.

Imagem obtida a 25 de Julho de 1976 pela sonda Viking 1, mostrando a curiosa colina em forma de face. A resolução das imagens da "Face" obtidas pelas sondas Viking oscila entre os 43 e os 889 m/pixel.
Crédito: NASA/JPL.

A nova imagem recentemente obtida pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter mostra de forma inegável a verdadeira natureza da "Face de Marte". Com cerca de 1,5 km de comprimento, a estrutura rochosa é apenas... mais uma das muitas colinas que se elevam nas planícies de Cydonia; provavelmente, um belo exemplo de uma antiga cúpula de lava erodida na forma de um planalto isolado ou mesa.

domingo, 25 de julho de 2010

SDO observa espectaculares filamentos no Sol

Photobucket
Um filamento magnético eleva-se acima da superfície solar nesta sequência de imagens captadas a 24 de Julho de 2010 pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA), a bordo do Solar Dynamics Observatory (SDO), através do canal de 171 Å (Fe IX).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/animação de Sérgio Paulino.

O Solar Dynamics Observatory continua a produzir fabulosas imagens da actividade fervilhante da atmosfera solar. Ontem observou uma série de espectaculares filamentos magnéticos na coroa solar, incluindo, este que aqui vos trago. Elevando-se a dezenas de milhares de quilómetros acima da superfície do Sol, a estrutura tubular deste filamento reúne em si milhões de toneladas de plasma denso e relativamente frio. Os investigadores têm estudado em pormenor estas estruturas de forma a determinar o seu efeito na atmosfera solar circundante.

Neptuno sofreu um impacto de um cometa

O planeta Neptuno numa imagem captada pela sonda Voyager 2 durante a sua aproximação ao gigante gelado em 1989.
Crédito: NASA/JPL.

Investigadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, descobriram fortes evidências de um impacto de um cometa na atmosfera de Neptuno, à cerca de 200 anos atrás. A descoberta baseia-se em dados colhidos com o instrumento PACS (Photodetector Array Camera and Spectrometer), em funcionamento a bordo do telescópio espacial Herschel, e no muito que se aprendeu com o impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter em 1994.
A atmosfera dos quatro planetas exteriores do Sistema Solar é composta essencialmente por hidrogénio e hélio, com vestígios de água, dióxido de carbono e monóxido de carbono, moléculas que podem ser detectadas na radiação infravermelha emitida pelos planetas. Em Neptuno, os investigadores encontraram uma distribuição anómala de monóxido de carbono. Aparentemente, a estratosfera possui concentrações mais elevadas deste gás do que a camada atmosférica inferior, a troposfera. Segundo Paul Hartogh, investigador principal do programa científico da missão Herschel, "(...) as concentrações de monóxido de carbono deveriam ser semelhantes nas duas camadas atmosféricas ou decrescer com a altitude", pelo que a distribuição observada em Neptuno só poderá ter uma origem exterior.
Em 1994, o impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter foi observado pelas sondas Galileo, Voyager 2 e Ulysses, o que permitiu aos cientistas reunir extensa documentação referente a estes fenómenos. Na altura, os astrónomos aprenderam que os impactos de cometas na atmosfera dos gigantes gasosos deixam vestígios de água, dióxido de carbono, monóxido de carbono, ácido cianídrico e dissulfeto de carbono, gases que se vão distribuindo pela estratosfera ao longo das décadas. Ora, tendo em conta estes dados, as concentrações de monóxido de carbono observadas na estratosfera de Neptuno sugerem uma origem num impacto cometário que, pelo padrão de distribuição, terá ocorrido à dois séculos atrás, curiosamente, décadas antes da descoberta de Neptuno.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Planetas telúricos em maioria entre os exoplanetas detectados pelo telescópio Kepler

Segundo o astrónomo Dimitar Sasselov, os planetas telúricos representam a maioria dos exoplanetas detectados pelo telescópio Kepler. O anúncio foi feito recentemente durante uma palestra no TED, onde Sasselov falou acerca dos primeiros resultados da missão Kepler, da vida no Universo e da importância da descoberta de vida fora da nossa biosfera.
É importante sublinhar que estes resultados nada nos dizem acerca da habitabilidade dos planetas detectados; apenas sugerem que os planetas com dimensões semelhantes às da Terra são mais abundantes na nossa Galáxia que os gigantes gasosos.
Podem assistir à palestra (em inglês) aqui:

Lutécia, o maior asteróide alguma vez visitado

Diagrama mostrando todos os asteróides e cometas visitados por sondas até Julho de 2010 (escala: 100 metros por pixel na versão com a máxima resolução).
Crédito: montagem de Emily Lakdawalla. Todas as imagens de NASA/JPL/Ted Stryk excepto: Matilde: NASA/JHUAPL/Ted Stryk; Šteins: ESA/OSIRIS team; Eros: NASA/JHUAPL; Itokawa: ISAS/JAXA/Emily Lakdawalla; Lutécia: ESA/equipa OSIRIS/Emily Lakdawalla; Halley: Russian Academy of Sciences/Ted Stryk; Tempel 1: NASA/JPL/UMD; Wild 2: NASA/JPL.

A equipa da missão Rosetta encontra-se, certamente, neste momento, a analisar a montanha de dados recolhida pela sonda europeia durante o seu encontro com o asteróide 21 Lutécia, pelo que ainda não tenho as tão aguardadas novidades relativas à sua natureza e composição. Enquanto esperamos, deixo-vos esta espectacular montagem de imagens de pequenos corpos do Sistema Solar, realizada pela Emily Lakdawalla (autora do blog da Sociedade Planetária). Nela estão contidos todos os asteróides e cometas visitados por sondas à mesma escala, para que possam comparar as respectivas dimensões. Reparem como Lutécia é gigantesco quando comparado com os outros objectos!