Imagem de um crescente de Marte processada pelo astrofotógrafo alemão Peter Wellmann a partir de 4 imagens captadas pela câmara VMC da Mars Express a 09 de Outubro de 2008.
Crédito: ESA/Peter Wellmann.
Já vos tinha mostrado aqui um pequeno filme construído com imagens captadas pela Visual Monitoring Camera (VMC), uma câmara de baixa resolução instalada na Mars Express com o único propósito de monitorizar a separação da sonda Beagle 2, e que desde 2007 foi reabilitada para fornecer visões globais invulgares do planeta vermelho. Como a VMC não é um instrumento científico, a ESA disponibliza com regularidade na internet as versões não processadas das imagens obtidas pela pequena câmara, para que possam ser utilizadas por amadores no processamento e montagem de belíssimos retratos de Marte. Como estímulo à participação, a equipa da VMC (a mesma responsável pelo controlo da trajectória da Mars Express) tem publicado alguns dos melhores trabalhos no blog dedicado a este projecto.
A imagem que aqui vos trago foi divulgada numa dessas publicações. É, sem dúvida, uma das mais belas visões do planeta vermelho obtidas através das lentes da VMC. Distribuídas ao longo de um crescente surgem algumas das mais proeminentes estruturas geológicas de Marte banhadas pela luz dos primeiros raios solares matinais. São discerníveis ao centro, em linha de sul para norte, Arsia Mons, Pavonis Mons e Ascraeus Mons, três dos quatro gigantescos vulcões-escudo que dominam a região de Tharsis. Olympus Mons, o maior vulcão marciano, encontra-se quase imperceptível junto à linha que delimita a face iluminada de Marte. A leste de Tharsis surge uma bela visão do sistema de vales profundos Valles Marineris submerso numa densa neblina branca.
sábado, 18 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Nos ombros de um gigante
Saturno e a pequena lua Mimas numa composição em cores aproximadamente naturais, construída com imagens captadas no dia 8 de Setembro de 2010 pela sonda Cassini, através de filtros de luz visível (azul, verde e vermelho).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.
A pequena lua Mimas quase que passa despercebida quando observada ao lado do gigantesco planeta Saturno. Captadas na semana passada, as imagens utilizadas na construção desta composição a cores fizeram parte de um conjunto de observações da atmosfera saturniana realizadas pela sonda Cassini em diferentes comprimentos de onda. Aparentemente serena em luz visível, a atmosfera de Saturno revela-se muito mais dinâmica na faixa do infravermelho (ver, por exemplo, aqui).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.
A pequena lua Mimas quase que passa despercebida quando observada ao lado do gigantesco planeta Saturno. Captadas na semana passada, as imagens utilizadas na construção desta composição a cores fizeram parte de um conjunto de observações da atmosfera saturniana realizadas pela sonda Cassini em diferentes comprimentos de onda. Aparentemente serena em luz visível, a atmosfera de Saturno revela-se muito mais dinâmica na faixa do infravermelho (ver, por exemplo, aqui).
Lua e Vénus juntos no céu diurno
A Lua e Vénus pouco antes do pôr-do-Sol no dia 11 de Setembro. A imagem foi contrastada para tornar mais óbvios alguns pormenores da superfície da Lua.
Crédito: Sérgio Paulino.
A Lua e Vénus encontraram-se ontem, ao fim do dia, para oferecer um belo espectáculo celeste. O intenso brilho de Vénus permitia a sua fácil localização junto ao crescente da Lua, mesmo antes do pôr-do-Sol! Infelizmente, as pilhas da minha máquina digital falharam antes de poder registar mais pormenores deste encontro. Deixo-vos aqui a melhor das três imagens que consegui obter.
Em alguns locais do hemisfério sul, o encontro dos dois objectos deu lugar a uma ocultação (vejam aqui imagens do fenómeno).
Crédito: Sérgio Paulino.
A Lua e Vénus encontraram-se ontem, ao fim do dia, para oferecer um belo espectáculo celeste. O intenso brilho de Vénus permitia a sua fácil localização junto ao crescente da Lua, mesmo antes do pôr-do-Sol! Infelizmente, as pilhas da minha máquina digital falharam antes de poder registar mais pormenores deste encontro. Deixo-vos aqui a melhor das três imagens que consegui obter.
Em alguns locais do hemisfério sul, o encontro dos dois objectos deu lugar a uma ocultação (vejam aqui imagens do fenómeno).
sábado, 11 de setembro de 2010
2010 RK53: outro intruso nos domínios da Terra
Animação composta por 4 imagens obtidas através de um telescópio reflector de 0,25 m, com exposições de 30 segundos cada, mostrando a rápida passagem no céu do asteróide 2010 RF12, nas primeiras horas do dia 8 de Setembro.
Crédito: Associazione Friulana di Astronomia e Meteorologia.
Aparentemente, 2010 RX30 e 2010 RF12 não foram os únicos asteróides a visitar a Terra na passada quarta-feira. Segundo os dados preliminares publicados no Minor Planet Electronic Circular, um terceiro objecto ligeiramente maior que 2010 RF12 terá passado a cerca de 76.300 km da superfície terrestre, pelas 23:30 UTC (00:30 de 9 de Setembro, pela hora de Lisboa). Provisoriamente designado 2010 RK53, este pequeno objecto terá sido descoberto ontem de manhã por astrónomos do programa americano de vigilância de NEOs (objectos próximos da Terra) Catalina Sky Survey. Como a sua aproximação à Terra foi realizada de um ponto no céu muito próximo do Sol (a apenas 34º de elongação), zona proíbida para qualquer telescópio óptico terrestre, não foi possível uma detecção mais precoce.
Estima-se que exista uma população de mais de 50 milhões de objectos com diâmetros na ordem dos 10 metros a cruzar a órbita terrestre. Em média, a Terra é atingida por estes objectos a cada 10 anos. A grande maioria desintegra-se na atmosfera terrestre, sem causar qualquer dano na superfície.
Crédito: Associazione Friulana di Astronomia e Meteorologia.
Aparentemente, 2010 RX30 e 2010 RF12 não foram os únicos asteróides a visitar a Terra na passada quarta-feira. Segundo os dados preliminares publicados no Minor Planet Electronic Circular, um terceiro objecto ligeiramente maior que 2010 RF12 terá passado a cerca de 76.300 km da superfície terrestre, pelas 23:30 UTC (00:30 de 9 de Setembro, pela hora de Lisboa). Provisoriamente designado 2010 RK53, este pequeno objecto terá sido descoberto ontem de manhã por astrónomos do programa americano de vigilância de NEOs (objectos próximos da Terra) Catalina Sky Survey. Como a sua aproximação à Terra foi realizada de um ponto no céu muito próximo do Sol (a apenas 34º de elongação), zona proíbida para qualquer telescópio óptico terrestre, não foi possível uma detecção mais precoce.
Estima-se que exista uma população de mais de 50 milhões de objectos com diâmetros na ordem dos 10 metros a cruzar a órbita terrestre. Em média, a Terra é atingida por estes objectos a cada 10 anos. A grande maioria desintegra-se na atmosfera terrestre, sem causar qualquer dano na superfície.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Terra visitada por dois asteróides
Trajectória dos asteróides 2010 RX30 e 2010 RF12 durante a sua passagem no interior da órbita da Lua, a 08 de Setembro de 2010.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.
A Terra recebe hoje a visita de 2010 RX30 e de 2010 RF12, dois pequenos asteróides descobertos no passado domingo por Andrea Boattini, astrónomo do programa americano de vigilância de NEOs (objectos próximos da Terra) Catalina Sky Survey. 2010 RX30 passou esta manhã a cerca de 248 mil quilómetros da superfície terrestre, enquanto que 2010 RF12 deverá aproximar-se da Terra dentro de poucas horas (pouco depois das 22 horas, hora de Lisboa), a apenas 79 mil quilómetros de distância! Ambos são objectos do grupo Aten (asteróides com órbitas cujo semi-eixo maior é menor que o da órbita da Terra), com diâmetros estimados muito pequenos (respectivamente, 7 a 25 metros e 5 a 15 metros).
Actualização: Os dois asteróides deverão brilhar a magnitude 14 no seu ponto de maior aproximação à Terra (não serão visíveis a olho nú). Quem quiser observar ou fotografar estes objectos deverá recorrer a um bom telescópio amador. Podem encontrar aqui uma página (em inglês) inteiramente dedicada à observação destes dois asteróides.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.
A Terra recebe hoje a visita de 2010 RX30 e de 2010 RF12, dois pequenos asteróides descobertos no passado domingo por Andrea Boattini, astrónomo do programa americano de vigilância de NEOs (objectos próximos da Terra) Catalina Sky Survey. 2010 RX30 passou esta manhã a cerca de 248 mil quilómetros da superfície terrestre, enquanto que 2010 RF12 deverá aproximar-se da Terra dentro de poucas horas (pouco depois das 22 horas, hora de Lisboa), a apenas 79 mil quilómetros de distância! Ambos são objectos do grupo Aten (asteróides com órbitas cujo semi-eixo maior é menor que o da órbita da Terra), com diâmetros estimados muito pequenos (respectivamente, 7 a 25 metros e 5 a 15 metros).
Actualização: Os dois asteróides deverão brilhar a magnitude 14 no seu ponto de maior aproximação à Terra (não serão visíveis a olho nú). Quem quiser observar ou fotografar estes objectos deverá recorrer a um bom telescópio amador. Podem encontrar aqui uma página (em inglês) inteiramente dedicada à observação destes dois asteróides.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Viagem ao centro do Sistema Solar
Representação artística da nova sonda solar da NASA, a Solar Probe +, durante uma das suas múltiplas passagens pelo planeta Vénus.
Crédito: JHU/APL.
A NASA anunciou na semana passada as equipas de investigação e os respectivos instrumentos que irão a bordo da sonda Solar Probe +, assinalando assim o começo da fase de desenvolvimento da missão.
Com lançamento previsto para 30 de Julho de 2018, a Solar Probe + embarcará numa viagem épica a uma das últimas fronteiras ainda inexploradas do Sistema Solar: a atmosfera da nossa estrela, o Sol. No decorrer da sua missão, a sonda realizará sucessivas medições in situ no interior da coroa solar, com vista a responder a questões fundamentais da física solar, em particular: porquê é que a coroa solar é muito mais quente que a fotosfera, e como é que o vento solar é acelerado?
Estão programadas na missão 24 órbitas à volta do Sol, com periélios sucessivamente mais próximos da superfície solar. As últimas 3 órbitas levarão a sonda a apenas 6 milhões de quilómetros de distância do Sol (aproximadamente 8,5 vezes o raio do Sol). A essa distância, a Solar Probe + encontrará um dos ambientes mais hostis do Sistema Solar - uma região do espaço preenchida com um fluxo contínuo de partículas e poeira aquecidos a cerca de 2.000 ºC. Para sobreviver a estas condições, a sonda contará com um escudo protector de carbono capaz de proteger os vários instrumentos científicos das elevadas temperaturas e radiação.
Crédito: JHU/APL.
A NASA anunciou na semana passada as equipas de investigação e os respectivos instrumentos que irão a bordo da sonda Solar Probe +, assinalando assim o começo da fase de desenvolvimento da missão.
Com lançamento previsto para 30 de Julho de 2018, a Solar Probe + embarcará numa viagem épica a uma das últimas fronteiras ainda inexploradas do Sistema Solar: a atmosfera da nossa estrela, o Sol. No decorrer da sua missão, a sonda realizará sucessivas medições in situ no interior da coroa solar, com vista a responder a questões fundamentais da física solar, em particular: porquê é que a coroa solar é muito mais quente que a fotosfera, e como é que o vento solar é acelerado?
Estão programadas na missão 24 órbitas à volta do Sol, com periélios sucessivamente mais próximos da superfície solar. As últimas 3 órbitas levarão a sonda a apenas 6 milhões de quilómetros de distância do Sol (aproximadamente 8,5 vezes o raio do Sol). A essa distância, a Solar Probe + encontrará um dos ambientes mais hostis do Sistema Solar - uma região do espaço preenchida com um fluxo contínuo de partículas e poeira aquecidos a cerca de 2.000 ºC. Para sobreviver a estas condições, a sonda contará com um escudo protector de carbono capaz de proteger os vários instrumentos científicos das elevadas temperaturas e radiação.
sábado, 4 de setembro de 2010
Dione, um pequeno mundo gelado
Um crescente de Dione num mosaico construído com imagens captadas pela sonda Cassini a 03 de Setembro de 2010 (norte voltado para a esquerda).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.
A Cassini realizou ontem uma passagem não programada pela lua de Saturno Dione. O encontro a cerca de 39.310 km de distância permitiu a captação de um conjunto de imagens das regiões mais a norte do hemisfério mais distante de Saturno, algumas das quais as melhores alguma vez captadas da região do pólo norte de Dione.
Construído com imagens obtidas durante a aproximação da Cassini, o mosaico que aqui vos trago, mostra parte de Padua Chasmata, um conjunto de desfiladeiros que rasga o hemisfério anti-saturniano de Dione, na direcção norte-sul. Ao centro podem observar, ainda, as crateras Acestes (junto a outra grande cratera, ainda sem nome) e Ascanius (uma grande depressão em perfil).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.
A Cassini realizou ontem uma passagem não programada pela lua de Saturno Dione. O encontro a cerca de 39.310 km de distância permitiu a captação de um conjunto de imagens das regiões mais a norte do hemisfério mais distante de Saturno, algumas das quais as melhores alguma vez captadas da região do pólo norte de Dione.
Construído com imagens obtidas durante a aproximação da Cassini, o mosaico que aqui vos trago, mostra parte de Padua Chasmata, um conjunto de desfiladeiros que rasga o hemisfério anti-saturniano de Dione, na direcção norte-sul. Ao centro podem observar, ainda, as crateras Acestes (junto a outra grande cratera, ainda sem nome) e Ascanius (uma grande depressão em perfil).
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