quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Equinócio de Outono

Pôr-do-sol junto ao monólito truncado, no Cromeleque dos Almendres, a 21 de Setembro de 2010, 2 dias antes do Equinócio do Outono (consultem aqui para obterem mais informações sobre o possível significado astronómico deste magnífico monumento megalítico).
Crédito: Sérgio Paulino.

Ocorre hoje pelas 04:09 (hora de Lisboa) o Equinócio, altura em que o Sol, no seu movimento anual aparente, cruzará o equador celeste em direcção a Sul. Esse instante marca o início do Outono no hemisfério norte, estação que se irá prolongar este ano por 89,85 dias até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de Dezembro às 23:38 (hora de Lisboa).
A palavra Equinócio deriva da expressão latina aequus nox, que significa "noite igual ao dia", uma alusão ao facto de nestas datas dia e noite terem igual duração.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Júpiter e Urano em oposição

O céu a leste na região de Lisboa, no dia 21 de Setembro de 2010, pouco antes das 21 horas (hora de Lisboa).
Crédito: Sérgio Paulino/Stellarium 0.10.0.

Júpiter tem dominado os céus durante todo o mês de Setembro. Se olharem para leste nas primeiras horas da noite podem encontrá-lo facilmente brilhando a magnitude -2,9. Amanhã atingirá a oposição, o ponto na sua órbita oposto ao do Sol quando observado a partir da Terra. Este ano esse ponto estará mais próximo do nosso planeta que em qualquer outro momento desde 1963 até 2022, pelo que poderão contar com um brilho cerca de 4% superior ao habitual durante as oposições. A acrescentar a este facto terão o recente desaparecimento da Cintura Equatorial Sul (CES), uma faixa de nuvens acastanhadas que normalmente adorna o hemisfério sul de Júpiter. Enriquecida em cristais de amónia nos últimos meses, a CES tornou-se consideravelmente mais reflectiva, o que acrescenta uns adicionais 4% de brilho à atmosfera do planeta.

O planeta Júpiter visto através do telescópio do astrónomo amador australiano Anthony Wesley, na noite de 30 de Agosto de 2010. Reparem na aparência anómala da Cintura Equatorial Sul.
Crédito: Anthony Wesley.

Muito próximo de Júpiter, terão o distante planeta Urano a atingir também a oposição amanhã. Urano é, neste momento, facilmente visível através de uns binóculos, brilhando com uma magnitude semelhante à das quatro maiores luas de Júpiter.
Durante a oposição, os dois planetas estarão muito próximos do ponto no céu que marca o equinócio vernal, o ponto exactamente oposto aquele em que Sol se posicionará no próximo dia 23 de Setembro (dia do equinócio de Outono). O par encontrará ainda a Lua cheia, na mesma região do céu, na próxima quinta-feira.
Em resumo: um conjunto de belos cenários celestes para esta semana.

domingo, 19 de setembro de 2010

Noite da Lua

A Lua gibosa pelas lentes da minha câmara na Noite Internacional de Observação da Lua.
Crédito: Sérgio Paulino.

Realizou-se ontem a primeira Noite Internacional de Observação da Lua, um evento a nível mundial que pretendeu juntar astrónomos profissionais e amadores, observatórios, centros de ciência, planetários e outros entusiastas da Astronomia na celebração da companheira celestial da Terra. A noite foi assinalada por diversas actividades em todo o mundo (incluindo Portugal), todas com o objectivo principal de convidar o público a observar a Lua e a aprender mais acerca da sua origem, da sua evolução e da sua exploração. Infelizmente, não pude participar em nenhuma dessas actividades. Ainda assim, nada me impediu de olhar (mais uma vez) para cima e fotografar este magnífico astro.
Já agora... A Lua estará cheia no dia 23 de Setembro pelas 10:17 (hora de Lisboa), cerca de 6 horas após o equinócio de Outono! Qual o significado desta coincidência? Nenhum. É apenas mais um pretexto para na próxima quinta-feira, sair para o exterior, olhar para o céu e apreciar a beleza do cosmos.

sábado, 18 de setembro de 2010

Neblina matinal em Valles Marineris

Imagem de um crescente de Marte processada pelo astrofotógrafo alemão Peter Wellmann a partir de 4 imagens captadas pela câmara VMC da Mars Express a 09 de Outubro de 2008.
Crédito: ESA/Peter Wellmann.

Já vos tinha mostrado aqui um pequeno filme construído com imagens captadas pela Visual Monitoring Camera (VMC), uma câmara de baixa resolução instalada na Mars Express com o único propósito de monitorizar a separação da sonda Beagle 2, e que desde 2007 foi reabilitada para fornecer visões globais invulgares do planeta vermelho. Como a VMC não é um instrumento científico, a ESA disponibliza com regularidade na internet as versões não processadas das imagens obtidas pela pequena câmara, para que possam ser utilizadas por amadores no processamento e montagem de belíssimos retratos de Marte. Como estímulo à participação, a equipa da VMC (a mesma responsável pelo controlo da trajectória da Mars Express) tem publicado alguns dos melhores trabalhos no blog dedicado a este projecto.
A imagem que aqui vos trago foi divulgada numa dessas publicações. É, sem dúvida, uma das mais belas visões do planeta vermelho obtidas através das lentes da VMC. Distribuídas ao longo de um crescente surgem algumas das mais proeminentes estruturas geológicas de Marte banhadas pela luz dos primeiros raios solares matinais. São discerníveis ao centro, em linha de sul para norte, Arsia Mons, Pavonis Mons e Ascraeus Mons, três dos quatro gigantescos vulcões-escudo que dominam a região de Tharsis. Olympus Mons, o maior vulcão marciano, encontra-se quase imperceptível junto à linha que delimita a face iluminada de Marte. A leste de Tharsis surge uma bela visão do sistema de vales profundos Valles Marineris submerso numa densa neblina branca.

domingo, 12 de setembro de 2010

Nos ombros de um gigante

Saturno e a pequena lua Mimas numa composição em cores aproximadamente naturais, construída com imagens captadas no dia 8 de Setembro de 2010 pela sonda Cassini, através de filtros de luz visível (azul, verde e vermelho).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

A pequena lua Mimas quase que passa despercebida quando observada ao lado do gigantesco planeta Saturno. Captadas na semana passada, as imagens utilizadas na construção desta composição a cores fizeram parte de um conjunto de observações da atmosfera saturniana realizadas pela sonda Cassini em diferentes comprimentos de onda. Aparentemente serena em luz visível, a atmosfera de Saturno revela-se muito mais dinâmica na faixa do infravermelho (ver, por exemplo, aqui).

Lua e Vénus juntos no céu diurno

A Lua e Vénus pouco antes do pôr-do-Sol no dia 11 de Setembro. A imagem foi contrastada para tornar mais óbvios alguns pormenores da superfície da Lua.
Crédito: Sérgio Paulino.

A Lua e Vénus encontraram-se ontem, ao fim do dia, para oferecer um belo espectáculo celeste. O intenso brilho de Vénus permitia a sua fácil localização junto ao crescente da Lua, mesmo antes do pôr-do-Sol! Infelizmente, as pilhas da minha máquina digital falharam antes de poder registar mais pormenores deste encontro. Deixo-vos aqui a melhor das três imagens que consegui obter.
Em alguns locais do hemisfério sul, o encontro dos dois objectos deu lugar a uma ocultação (vejam aqui imagens do fenómeno).

sábado, 11 de setembro de 2010

2010 RK53: outro intruso nos domínios da Terra

2010 RF12
Animação composta por 4 imagens obtidas através de um telescópio reflector de 0,25 m, com exposições de 30 segundos cada, mostrando a rápida passagem no céu do asteróide 2010 RF12, nas primeiras horas do dia 8 de Setembro.
Crédito: Associazione Friulana di Astronomia e Meteorologia.

Aparentemente, 2010 RX30 e 2010 RF12 não foram os únicos asteróides a visitar a Terra na passada quarta-feira. Segundo os dados preliminares publicados no Minor Planet Electronic Circular, um terceiro objecto ligeiramente maior que 2010 RF12 terá passado a cerca de 76.300 km da superfície terrestre, pelas 23:30 UTC (00:30 de 9 de Setembro, pela hora de Lisboa). Provisoriamente designado 2010 RK53, este pequeno objecto terá sido descoberto ontem de manhã por astrónomos do programa americano de vigilância de NEOs (objectos próximos da Terra) Catalina Sky Survey. Como a sua aproximação à Terra foi realizada de um ponto no céu muito próximo do Sol (a apenas 34º de elongação), zona proíbida para qualquer telescópio óptico terrestre, não foi possível uma detecção mais precoce.
Estima-se que exista uma população de mais de 50 milhões de objectos com diâmetros na ordem dos 10 metros a cruzar a órbita terrestre. Em média, a Terra é atingida por estes objectos a cada 10 anos. A grande maioria desintegra-se na atmosfera terrestre, sem causar qualquer dano na superfície.