Duas imagens de Titã captadas pela sonda Cassini a 18 de Outubro de 2010, a cerca de 2,5 milhões de quilómetros de distância. A imagem da esquerda é uma composição em cores naturais obtida a partir da combinação de imagens captadas através de filtros para comprimentos de onda no visível. A imagem da direita mostra o aspecto de Titã na banda do infravermelho próximo (a 938 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/ composição a cores e montagem de Sérgio Paulino.
A sonda Cassini realizou na passada segunda-feira uma nova sessão de observação do complexo sistema de nuvens descoberto no final de Setembro sobre a região de Senkyo. Aparentemente, o sistema evoluiu para uma extensa banda que cobre agora grande parte das áridas regiões equatoriais. A formação é acompanhada a sul por pequenos sistemas nebulosos em deslocação para latitudes médias.
O aparecimento de densas nuvens de metano na atmosfera de Titã resulta provavelmente das alterações climatéricas induzidas pela chegada da Primavera ao hemisfério norte. Serão, no entanto, necessárias novas sessões de observação para verificar se o sistema de nuvens produziu precipitação suficiente para provocar pequenas inundações nas regiões mais planas.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Cassini observa a "Estrela da Morte" de Saturno
A sonda Cassini captou esta imagem de Mimas no dia 16 de Outubro de 2010, quando se encontrava a 102.694 km da pequena lua de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.
No passado fim-de-semana, a sonda Cassini realizou uma série de encontros não planeados com algumas das luas geladas de Saturno. No sábado iniciou a ronda com uma passagem pela lua Mimas a cerca de 70 mil quilómetros da sua superfície. Apesar de distante, o encontro permitiu a realização de um conjunto de observações das regiões que rodeiam a gigantesca cratera Herschel, à medida que estas emergiam do lado nocturno da lua. O baixo ângulo de iluminação observado nestas regiões durante o encontro vai possibilitar à equipa de imagem da missão uma melhor compreensão da topografia local.
Com quase um terço do diâmetro de Mimas, Herschel confere à pequena lua de Saturno um aspecto muito semelhante à icónica Estrela da Morte, a temível estação espacial imperial da saga cinematográfica Guerra das Estrelas. A semelhança entre os dois objectos é, no entanto, pura coincidência. Herschel só seria descoberta três anos depois da estreia do primeiro filme da saga, película onde a Estrela da Morte realiza a sua primeira aparição.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.
No passado fim-de-semana, a sonda Cassini realizou uma série de encontros não planeados com algumas das luas geladas de Saturno. No sábado iniciou a ronda com uma passagem pela lua Mimas a cerca de 70 mil quilómetros da sua superfície. Apesar de distante, o encontro permitiu a realização de um conjunto de observações das regiões que rodeiam a gigantesca cratera Herschel, à medida que estas emergiam do lado nocturno da lua. O baixo ângulo de iluminação observado nestas regiões durante o encontro vai possibilitar à equipa de imagem da missão uma melhor compreensão da topografia local.
Com quase um terço do diâmetro de Mimas, Herschel confere à pequena lua de Saturno um aspecto muito semelhante à icónica Estrela da Morte, a temível estação espacial imperial da saga cinematográfica Guerra das Estrelas. A semelhança entre os dois objectos é, no entanto, pura coincidência. Herschel só seria descoberta três anos depois da estreia do primeiro filme da saga, película onde a Estrela da Morte realiza a sua primeira aparição.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
P/2010 A2 (LINEAR): uma colisão de asteróides em câmara lenta
Animação construída com sete imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble, mostrando a evolução da morfologia de P/2010 A2 (LINEAR) ao longo dos 5 meses que sucederam à sua descoberta.
Crédito: NASA/ESA/David Jewitt (UCLA)/ animação de Sérgio Paulino.
Recordam-se de P/2010 A2 (LINEAR), o estranho objecto de aspecto cometário descoberto em Janeiro passado na Cintura de Asteróides?
Na altura, o somatório de alguns aspectos invulgares na sua órbita e na sua morfologia levaram os astrónomos a suspeitar que P/2010 A2 seria o resultado de uma violenta colisão entre dois asteróides. Imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble algumas semanas mais tarde confirmariam a presença de um pequeno núcleo com cerca de 120 metros de diâmetro ligado por um fino filamento de poeira a uma cauda difusa onde se observava uma complexa estrutura de filamentos entrelaçados, aspectos morfológicos que reafirmavam um cenário de colisão muito recente.
Um grupo de astrónomos liderados por David Jewitt veio agora anunciar novas informações que revelam algumas surpresas acerca deste objecto. Baseados na evolução morfológica de P/2010 A2 observada através do telescópio Hubble nos 5 meses que sucederam à sua descoberta, Jewitt e colegas verificaram que a dispersão das partículas de poeira da cauda realizou-se muito mais lentamente que o esperado. O estudo do movimento de pequenos núcleos identificados nos filamentos da cauda revelou ainda que a colisão entre os asteróides deu-se meses antes do que havia sido inicialmente sugerido (provavelmente, algures entre os meses de Fevereiro e Março de 2009).
Podem ler mais acerca deste trabalho na edição de hoje da revista Nature (ver artigo aqui).
Crédito: NASA/ESA/David Jewitt (UCLA)/ animação de Sérgio Paulino.
Recordam-se de P/2010 A2 (LINEAR), o estranho objecto de aspecto cometário descoberto em Janeiro passado na Cintura de Asteróides?
Na altura, o somatório de alguns aspectos invulgares na sua órbita e na sua morfologia levaram os astrónomos a suspeitar que P/2010 A2 seria o resultado de uma violenta colisão entre dois asteróides. Imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble algumas semanas mais tarde confirmariam a presença de um pequeno núcleo com cerca de 120 metros de diâmetro ligado por um fino filamento de poeira a uma cauda difusa onde se observava uma complexa estrutura de filamentos entrelaçados, aspectos morfológicos que reafirmavam um cenário de colisão muito recente.
Um grupo de astrónomos liderados por David Jewitt veio agora anunciar novas informações que revelam algumas surpresas acerca deste objecto. Baseados na evolução morfológica de P/2010 A2 observada através do telescópio Hubble nos 5 meses que sucederam à sua descoberta, Jewitt e colegas verificaram que a dispersão das partículas de poeira da cauda realizou-se muito mais lentamente que o esperado. O estudo do movimento de pequenos núcleos identificados nos filamentos da cauda revelou ainda que a colisão entre os asteróides deu-se meses antes do que havia sido inicialmente sugerido (provavelmente, algures entre os meses de Fevereiro e Março de 2009).
Podem ler mais acerca deste trabalho na edição de hoje da revista Nature (ver artigo aqui).
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Asteróide recentemente descoberto passará hoje a cerca de 46.000 Km da superfície da Terra!
Trajectória do asteróide 2010 TD54 durante a sua passagem pela Terra.
Crédito: NASA/JPL.
Começa a ser já uma rotina a descoberta de pequenos asteróides em trajectórias interiores à orbita da Lua. Desta vez a Terra receberá a visita de um objecto com cerca de 5 a 10 metros de diâmetro, descoberto no passado Sábado pelo Catalina Sky Survey.
Denominado provisoriamente 2010 TD54, o pequeno asteróide fará uma aproximação ao nosso planeta hoje pelas 11:50 (hora de Lisboa), a cerca de 46.000 km da superfície terrestre, algures sobre a região de Singapura. Demasiado pequeno para ser observado a olho nú, poderá ser acompanhado através de um telescópio amador ao longo das constelações de Peixes e de Aquário (ver efemérides aqui), podendo brilhar no ponto de maior aproximação à Terra a magnitude 14.
Crédito: NASA/JPL.
Começa a ser já uma rotina a descoberta de pequenos asteróides em trajectórias interiores à orbita da Lua. Desta vez a Terra receberá a visita de um objecto com cerca de 5 a 10 metros de diâmetro, descoberto no passado Sábado pelo Catalina Sky Survey.
Denominado provisoriamente 2010 TD54, o pequeno asteróide fará uma aproximação ao nosso planeta hoje pelas 11:50 (hora de Lisboa), a cerca de 46.000 km da superfície terrestre, algures sobre a região de Singapura. Demasiado pequeno para ser observado a olho nú, poderá ser acompanhado através de um telescópio amador ao longo das constelações de Peixes e de Aquário (ver efemérides aqui), podendo brilhar no ponto de maior aproximação à Terra a magnitude 14.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Seis luas numa única imagem
Seis luas de Saturno passaram em simultâneo em frente da câmara de ângulo estreito da sonda Cassini no dia 06 de Outubro de 2010. Fazem parte desta animação duas longas exposições, a segunda repetida com anotações.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/animação e anotações de Sérgio Paulino.
A sonda Cassini realizou na passada quarta-feira uma série de observações astrométricas de algumas das pequenas luas de Saturno. Estas observações têm como objectivo melhorar o conhecimento relativo aos respectivos movimentos orbitais. Por vezes, por coincidência, cruzam-se outras luas saturnianas no campo de observação da Cassini. Embora raro, este fenómeno proporciona sempre uma oportunidade para a equipa de imagem da missão programar a Cassini para o registo de belas fotografias.
Na imagem que aqui vos trago, foram seis as luas fotografadas em simultâneo. Encélado e Jano surgem logo abaixo dos anéis com o seu lado nocturno iluminado pelo brilho de Saturno. Embutidas nos anéis encontram-se a lua Atlas, à direita, e as luas Pã e Dafne, à esquerda. Por fim, logo acima dos anéis, paira a pequena lua Epimeteu.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/animação e anotações de Sérgio Paulino.
A sonda Cassini realizou na passada quarta-feira uma série de observações astrométricas de algumas das pequenas luas de Saturno. Estas observações têm como objectivo melhorar o conhecimento relativo aos respectivos movimentos orbitais. Por vezes, por coincidência, cruzam-se outras luas saturnianas no campo de observação da Cassini. Embora raro, este fenómeno proporciona sempre uma oportunidade para a equipa de imagem da missão programar a Cassini para o registo de belas fotografias.
Na imagem que aqui vos trago, foram seis as luas fotografadas em simultâneo. Encélado e Jano surgem logo abaixo dos anéis com o seu lado nocturno iluminado pelo brilho de Saturno. Embutidas nos anéis encontram-se a lua Atlas, à direita, e as luas Pã e Dafne, à esquerda. Por fim, logo acima dos anéis, paira a pequena lua Epimeteu.
sábado, 9 de outubro de 2010
Melas Chasma: um profundo abismo em Marte
Melas Chasma, uma das depressões mais profundas de Marte. Imagem captada a 01 de Julho de 2006 pela câmara estéreo de alta resolução da sonda europeia Mars Express.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).
Melas Chasma constitui uma fracção do complexo sistema de desfiladeiros de Valles Marineris, uma gigantesca depressão que rasga a superfície marciana ao longo de cerca de 4.000 km. É também um dos locais mais profundos do planeta vermelho, mergulhando cerca de 9 km abaixo da superfície circundante.
São abundantes os vestígios da passagem de grandes quantidades de água líquida em Melas Chasma. Além dos evidentes canais formados pelo fluxo de água corrente, existem ao longo das paredes do desfiladeiro depósitos de cor clara formados por compostos de sulfato, provavelmente precipitados no fundo de um antigo lago.
A Mars Express captou em 2006 um conjunto de imagens de uma parte do extremo norte de Melas Chasma. A imagem que aqui vos trago (em cima) cobre cerca de 20.000 km2 de superfície, uma área comparável à do Alentejo. São inúmeros os deslizamentos de rocha nesta região do desfiladeiro. A sua textura indica que terão sido formados pela acção de água líquida, gelo ou lama.
O chão do desfiladeiro de Melas Chasma nesta imagem em perspectiva construída a partir das imagens captadas pela Mars Express a 01 de Julho de 2006.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).
Melas Chasma constitui uma fracção do complexo sistema de desfiladeiros de Valles Marineris, uma gigantesca depressão que rasga a superfície marciana ao longo de cerca de 4.000 km. É também um dos locais mais profundos do planeta vermelho, mergulhando cerca de 9 km abaixo da superfície circundante.
São abundantes os vestígios da passagem de grandes quantidades de água líquida em Melas Chasma. Além dos evidentes canais formados pelo fluxo de água corrente, existem ao longo das paredes do desfiladeiro depósitos de cor clara formados por compostos de sulfato, provavelmente precipitados no fundo de um antigo lago.
A Mars Express captou em 2006 um conjunto de imagens de uma parte do extremo norte de Melas Chasma. A imagem que aqui vos trago (em cima) cobre cerca de 20.000 km2 de superfície, uma área comparável à do Alentejo. São inúmeros os deslizamentos de rocha nesta região do desfiladeiro. A sua textura indica que terão sido formados pela acção de água líquida, gelo ou lama.
O chão do desfiladeiro de Melas Chasma nesta imagem em perspectiva construída a partir das imagens captadas pela Mars Express a 01 de Julho de 2006.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).
Hubble prepara visita da sonda Dawn a Vesta
Quatro imagens em cores falsas do asteróide Vesta captadas a 28 de Fevereiro de 2010 pela nova câmara WFC3 do telescópio espacial Hubble, através de filtros para comprimentos de onda curtos (ultra-violeta próximo e azul).
Crédito: NASA/ESA/J.-Y. Li (University of Maryland, College Park)/L. McFadden (NASA GSFC).
A NASA publicou ontem um conjunto de imagens do asteróide Vesta, o primeiro dos dois objectos da Cintura de Asteróides a ser visitado pela sonda Dawn. Captadas em Fevereiro passado, através do telescópio espacial Hubble, as imagens mostram variações no brilho e na cor ao longo da superfície de Vesta, em particular, em latitudes que não haviam sido observadas anteriormente. As novas imagens permitiram ainda redefinir a localização do eixo de rotação de Vesta, uma informação importante para o correcto planeamento do encontro do próximo mês de Julho da sonda Dawn com este asteróide.
Pensa-se que Vesta é um dos poucos protoplanetas sobreviventes na região interior do Sistema Solar. A visita da Dawn a este pequeno mundo deverá elucidar os astrónomos acerca das condições e dos processos que determinaram a evolução dos planetas.
Vídeo resultante da combinação de 73 imagens de Vesta obtidas pelo telescópio espacial Hubble no período de 25 a 28 de Fevereiro de 2010. Vesta completa uma rotação a cada 5,34 horas. São visíveis algumas variações de cor que não correspondem ao que seria observado pelo olho humano. As áreas mais escuras são interpretadas como regiões ricas em basalto, enquanto que as áreas mais avermelhadas serão provavelmente regiões preenchidas por poeira fina ou regolito.
Crédito: NASA/ESA/J.-Y. Li (University of Maryland, College Park)/L. McFadden (NASA GSFC).
Crédito: NASA/ESA/J.-Y. Li (University of Maryland, College Park)/L. McFadden (NASA GSFC).
A NASA publicou ontem um conjunto de imagens do asteróide Vesta, o primeiro dos dois objectos da Cintura de Asteróides a ser visitado pela sonda Dawn. Captadas em Fevereiro passado, através do telescópio espacial Hubble, as imagens mostram variações no brilho e na cor ao longo da superfície de Vesta, em particular, em latitudes que não haviam sido observadas anteriormente. As novas imagens permitiram ainda redefinir a localização do eixo de rotação de Vesta, uma informação importante para o correcto planeamento do encontro do próximo mês de Julho da sonda Dawn com este asteróide.
Pensa-se que Vesta é um dos poucos protoplanetas sobreviventes na região interior do Sistema Solar. A visita da Dawn a este pequeno mundo deverá elucidar os astrónomos acerca das condições e dos processos que determinaram a evolução dos planetas.
Vídeo resultante da combinação de 73 imagens de Vesta obtidas pelo telescópio espacial Hubble no período de 25 a 28 de Fevereiro de 2010. Vesta completa uma rotação a cada 5,34 horas. São visíveis algumas variações de cor que não correspondem ao que seria observado pelo olho humano. As áreas mais escuras são interpretadas como regiões ricas em basalto, enquanto que as áreas mais avermelhadas serão provavelmente regiões preenchidas por poeira fina ou regolito.
Crédito: NASA/ESA/J.-Y. Li (University of Maryland, College Park)/L. McFadden (NASA GSFC).
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