terça-feira, 2 de novembro de 2010

O ponto mais elevado da Lua

A seta vermelha aponta para o ponto mais elevado da Lua nesta imagem obtida pela Lunar Reconnaissance Orbiter no passado 12 de Agosto de 2010.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Qual é o ponto mais elevado da Lua?
O Lunar Orbiter Laser Altimeter (LOLA), o instrumento da Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) responsável pela construção de um modelo topográfico tridimensional da superfície lunar, definiu recentemente a sua localização precisa - um ponto 10786 metros acima da altitude média da Lua, situado nas proximidades de Engel'gradt, uma cratera com cerca de 44 km de diâmetro localizada no lado mais distante da Lua. Ao contrário do Monte Everest, a montanha mais alta da Terra, o ponto mais elevado da Lua é muito antigo. A região onde se situa, deverá ter sido formada em poucos minutos pela acumulação de ejecta resultante do impacto cataclísmico que escavou a gigantesca bacia Pólo Sul-Aitken.

Mosaico de imagens captadas pela LRO mostrando a cratera Engel'gradt e o local onde se situa o ponto mais elevado da Lua (marcado com uma seta branca).
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SDO observa filamento gigante em erupção

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Um gigantesco filamento magnético eleva-se acima da superfície solar nesta sequência de 44 imagens captadas a 27 e 28 de Outubro de 2010 pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA), a bordo do Solar Dynamics Observatory (SDO), através do canal de 304 Å (He II).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/animação de Sérgio Paulino.

Um gigantesco filamento elevou-se ontem, ao início da madrugada, no rebordo oeste do disco solar. A estrutura pairou durante algumas horas a mais de 350 mil quilómetros acima da superfície solar, antes de produzir uma espectacular erupção. A nuvem de plasma foi lançada no espaço numa direcção perpendicular à da Terra, pelo que não deverá produzir alterações significativas na actividade geomagnética.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

LCROSS encontra água e outros compostos voláteis no pólo sul da Lua

Esta foi uma notícia amplamente divulgada na semana passada nos meios de comunicação social em todo o mundo. Foram finalmente publicados na revista Science os resultados da missão da NASA Lunar CRater Observation and Sensing Satellite (LCROSS), a mesma missão que no ano passado conduziu a parte superior de um foguetão Centauro a uma colisão directa com a superfície de uma das crateras permanentemente sombrias do pólo sul da Lua.
Como já havia sido antecipado nas semanas que se seguiram ao impacto, a sonda LCROSS detectou quantidades substanciais de água no interior da cratera Cabeus. Localizada nas proximidades do pólo sul da Lua, esta cratera é um dos poucos locais da superfície lunar permanentemente escondidos da luz solar. Consequentemente, Cabeus encontra-se entre os locais mais frios conhecidos no Sistema Solar.

Mapa das temperaturas observadas na região do pólo sul da Lua durante os meses de Setembro e Outubro de 2009, pelo Diviner Lunar Radiometer Experiment, um dos sete instrumentos científicos da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter. O mapa revela algumas das regiões mais frias da superfície lunar. Situados nos fundos sombrios das crateras mais profundas da região, estes locais poderão funcionar como armadilhas frias para a água e para outros compostos voláteis. O local de impacto da sonda LCROSS encontra-se sinalizado no interior de Cabeus, uma cratera com temperaturas inferiores a 100 K (-173 ºC).
Crédito: UCLA/NASA/JPL/GSFC.

Depois de um ano de análise detalhada dos resultados recolhidos pela sonda LCROSS e pela Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), os investigadores da missão concluiram que o impacto da parte superior do foguetão Centauro criou uma cratera com cerca de 25 a 30 metros de diâmetro no interior da cratera Cabeus. Logo após o impacto, a sonda LCROSS observou cerca de 4 a 6 mil quilogramas de detritos a elevarem-se acima das montanhas que delimitam Cabeus. Cerca de 155 quilogramas de material da nuvem de ejecta foram identificados como água sob a forma de vapor e de gelo, o que permitiu à equipa da missão estimar que aproximadamente 5,6% (±2,9%) do total da massa localizada no interior da cratera corresponderia a água no estado sólido. O vapor de água foi detectado sob duas formas de moléculas de hidróxilo: uma primeira resultante do calor do impacto, e uma segunda formada por fotólise das moléculas de água (por exposição à luz solar).

A vertente norte da cratera Cabeus fotografada pela Lunar Reconnaissance Orbiter a 12 de Outubro de 2009, dois dias e meio depois do impacto da LCROSS.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

A água não foi o único composto volátil identificado nos dados recolhidos pelos instrumentos da LCROSS. Observações realizadas com o instrumento LAMP (Lyman Alpha Mapping Project) permitiram a identificação na nuvem de ejecta de outros materiais, alguns completamente inesperados. Em termos de massa, os compostos voláteis mais abundantes (para além da água) foram o monóxido de carbono e o ácido sulfídrico. O LAMP detectou ainda em menores quantidades: dióxido de carbono, dióxido de enxofre, metano, formaldeído, hidrocarbonetos (provavelmente etileno), amónia, mercúrio e prata. Curiosamente, o metano e a amónia surgem em concentrações relativas à massa total da água, semelhantes ao que se observa nos cometas, o que sugere a participação de impactos cometários na acumulação destes compostos no interior das crateras lunares permanentemente sombrias. As elevadas concentrações de metano e de ácido sulfídrico indiciam, por outro lado, a presença de actividade química no solo lunar, apesar das baixas temperaturas detectadas nestas regiões. Quais as fontes de energia envolvidas na manutenção de reacções químicas nestes lugares extremos da superfície lunar, mantém-se um mistério.
Em resumo, a missão LCROSS foi um verdadeiro sucesso. A sonda encontrou água em abundância na interior da cratera Cabeus, quantidades aparentemente suficientes para, em teoria, poderem suportar missões tripuladas prolongadas à Lua. A detecção de outros compostos voláteis sugere a participação de complexos processos dinâmicos na sua acumulação e na sua distribuição ao longo das crateras permanentemente escondidas da luz solar.
Para mais informações consultem os respectivos artigos publicados na revista Science.

sábado, 23 de outubro de 2010

Assistam em directo à montagem do próximo robot a visitar Marte!

O JPL (acrónimo inglês de Laboratório de Propulsão a Jacto) instalou esta semana uma webcam na sala limpa onde está a ser montado o Curiosity, o próximo robot a visitar a superfície marciana. Poderão assistir em directo a toda a actividade de montagem e teste de um robot que em 2012 estará a explorar a superfície de Marte!


Durante todo o fim-de-semana, como é óbvio, vão encontrar a sala sem qualquer actividade. No entanto, como tive oportunidade de confirmar ontem, nos dias da semana poderão observar vários engenheiros da NASA vestidos com fatos e máscaras brancos, trabalhando arduamente na complexa estrutura do robot; alguns com bastante estilo...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Momentos derradeiros da vida de um cometa

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Sequência de 48 imagens mostrando um recém-descoberto cometa num aparente mergulho vertiginoso em direcção ao Sol. As imagens foram captadas nas primeiras horas do dia 21 de Outubro de 2010, pelo coronógrafo LASCO, um dos 11 instrumentos científicos que se encontram a bordo do SOHO.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA/animação de Sérgio Paulino.

O SOHO observou ontem o mergulho suicida de um cometa em direcção ao Sol. Aparentemente, o objecto volatizou-se pouco antes de completar o seu voo rasante pela escaldante atmosfera solar.

O cometa kamikaze foi descoberto no passado dia 19 de Outubro pelo caçador de cometas chinês Bo Zhou, em imagens captadas pelo coronógrafo do SOHO. O novo objecto é provavelmente um membro da família Kreutz, um grupo de cometas resultantes da fragmentação de um cometa gigante há pelo menos 2.000 anos.

São mais de 1.900 os cometas descobertos até hoje em imagens do SOHO. Para comemorar tal desempenho, a equipa da missão lançou recentemente o SOHO 2000th Comet Contest, um concurso que propõe a todos os que estejam interessados em participar, a realização de uma previsão da data e da hora da descoberta do seu duomilésimo cometa. O vencedor será aquele cuja previsão se aproxime mais da verdadeira data desse acontecimento. Para mais informações consultem a página do concurso.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Primavera em Titã

Duas imagens de Titã captadas pela sonda Cassini a 18 de Outubro de 2010, a cerca de 2,5 milhões de quilómetros de distância. A imagem da esquerda é uma composição em cores naturais obtida a partir da combinação de imagens captadas através de filtros para comprimentos de onda no visível. A imagem da direita mostra o aspecto de Titã na banda do infravermelho próximo (a 938 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/ composição a cores e montagem de Sérgio Paulino.

A sonda Cassini realizou na passada segunda-feira uma nova sessão de observação do complexo sistema de nuvens descoberto no final de Setembro sobre a região de Senkyo. Aparentemente, o sistema evoluiu para uma extensa banda que cobre agora grande parte das áridas regiões equatoriais. A formação é acompanhada a sul por pequenos sistemas nebulosos em deslocação para latitudes médias.
O aparecimento de densas nuvens de metano na atmosfera de Titã resulta provavelmente das alterações climatéricas induzidas pela chegada da Primavera ao hemisfério norte. Serão, no entanto, necessárias novas sessões de observação para verificar se o sistema de nuvens produziu precipitação suficiente para provocar pequenas inundações nas regiões mais planas.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cassini observa a "Estrela da Morte" de Saturno

A sonda Cassini captou esta imagem de Mimas no dia 16 de Outubro de 2010, quando se encontrava a 102.694 km da pequena lua de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

No passado fim-de-semana, a sonda Cassini realizou uma série de encontros não planeados com algumas das luas geladas de Saturno. No sábado iniciou a ronda com uma passagem pela lua Mimas a cerca de 70 mil quilómetros da sua superfície. Apesar de distante, o encontro permitiu a realização de um conjunto de observações das regiões que rodeiam a gigantesca cratera Herschel, à medida que estas emergiam do lado nocturno da lua. O baixo ângulo de iluminação observado nestas regiões durante o encontro vai possibilitar à equipa de imagem da missão uma melhor compreensão da topografia local.
Com quase um terço do diâmetro de Mimas, Herschel confere à pequena lua de Saturno um aspecto muito semelhante à icónica Estrela da Morte, a temível estação espacial imperial da saga cinematográfica Guerra das Estrelas. A semelhança entre os dois objectos é, no entanto, pura coincidência. Herschel só seria descoberta três anos depois da estreia do primeiro filme da saga, película onde a Estrela da Morte realiza a sua primeira aparição.