Nestes tempos contorbados não há nada melhor que uma boa dose de Carl Sagan para manter o optimismo relativamente ao destino da humanidade. Só ele soube reproduzir em poucas palavras a natureza indomável da curiosidade, um impulso que anima a nossa espécie desde tempos imemoráveis. É este instinto presente em todos nós que, (tenho esperança) com o esforço paciente de sucessivas gerações, nos levará à exploração de outros mundos além do Sistema Solar.
Neste vídeo criado por um entusiasta do programa espacial da NASA, as palavras de Sagan cruzam-se com belas imagens no sentido de promover a principal missão da agência espacial norte-americana: explorar a vastidão do espaço em busca de novas fronteiras.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Kepler descobre pequeno inferno
Representação artística de Kepler-10b, um pequeno mundo com uma órbita demasiado próxima da sua estrela.
Crédito: NASA/Kepler Mission/Dana Berry.
Foi anunciada anteontem a descoberta do primeiro planeta telúrico extrasolar por parte da missão Kepler. Designado Kepler-10b, a sua presença foi denunciada pelas pequenas variações no brilho estelar causadas pela passagem do planeta na frente da sua estrela hospedeira. O conhecimento das características espectrais da estrela, da quantidade de luz bloqueada em cada trânsito, e da frequência com que os trânsitos são observados, permitiu aos astrónomos deduzir com rigor o diâmetro e o período orbital do novo planeta.
Kepler-10b tem cerca de 1,4 vezes o diâmetro da Terra, o que o torna um dos mais pequenos exoplanetas descobertos até hoje. O seu período orbital de apenas 20 horas coloca-o a curta distância da superfície da sua estrela Kepler-10: cerca de 0,017 UA, o correspondente a 1/20 da distância média entre o planeta Mercúrio e o Sol! Ou seja, Kepler-10b deverá ser um mundo infernal, com temperaturas na sua superfície acima dos 1.300º C (superiores às temperaturas registadas nos fluxos de lava terrestres).
Kepler 10b orbita uma velha estrela de tipo espectral G, com massa e temperatura ligeiramente inferiores às do Sol. O sistema situa-se a cerca de 560 anos-luz de distância do Sistema Solar, na direcção da constelação do Dragão.
Crédito: NASA/Kepler Mission/Dana Berry.
Esta descoberta foi já confirmada por observações independentes realizadas com o espectrómetro HIRES do Observatório W.M. Keck. As leituras precisas da velocidade radial da estrela Kepler-10 providenciadas pelo HIRES, permitiram ainda a obtenção dos dados necessários para os astrónomos calcularem a massa e a densidade do planeta: respectivamente, 4,6 vezes a massa da Terra e 8,8 g.cm-3 de densidade (para comparação, a Terra tem 5,5 g.cm-3 de densidade). Estes valores indicam que Kepler-10b é inequivocamente um objecto de natureza metálico-rochosa.
Diagrama mostrando a composição teórica dos planetas Kepler-10b, CoRot-7b e GJ 1214b, de acordo com a sua massa e tamanho. Estão representados os planetas Marte, Vénus e Terra para comparação.
Crédito: NASA.
A equipa de investigadores responsável pela descoberta identificou um segundo sinal nos dados do telescópio Kepler, que poderá corresponder a outro planeta com uma massa até 20 vezes superior à da Terra e um período orbital de cerca de 45 dias. A confirmação da presença deste segundo objecto carece, no entanto, da sua detecção pelo método da velocidade radial.
Podem consultar o artigo com os pormenores desta descoberta aqui.
Crédito: NASA/Kepler Mission/Dana Berry.
Foi anunciada anteontem a descoberta do primeiro planeta telúrico extrasolar por parte da missão Kepler. Designado Kepler-10b, a sua presença foi denunciada pelas pequenas variações no brilho estelar causadas pela passagem do planeta na frente da sua estrela hospedeira. O conhecimento das características espectrais da estrela, da quantidade de luz bloqueada em cada trânsito, e da frequência com que os trânsitos são observados, permitiu aos astrónomos deduzir com rigor o diâmetro e o período orbital do novo planeta.
Kepler-10b tem cerca de 1,4 vezes o diâmetro da Terra, o que o torna um dos mais pequenos exoplanetas descobertos até hoje. O seu período orbital de apenas 20 horas coloca-o a curta distância da superfície da sua estrela Kepler-10: cerca de 0,017 UA, o correspondente a 1/20 da distância média entre o planeta Mercúrio e o Sol! Ou seja, Kepler-10b deverá ser um mundo infernal, com temperaturas na sua superfície acima dos 1.300º C (superiores às temperaturas registadas nos fluxos de lava terrestres).
Kepler 10b orbita uma velha estrela de tipo espectral G, com massa e temperatura ligeiramente inferiores às do Sol. O sistema situa-se a cerca de 560 anos-luz de distância do Sistema Solar, na direcção da constelação do Dragão.
Crédito: NASA/Kepler Mission/Dana Berry.
Esta descoberta foi já confirmada por observações independentes realizadas com o espectrómetro HIRES do Observatório W.M. Keck. As leituras precisas da velocidade radial da estrela Kepler-10 providenciadas pelo HIRES, permitiram ainda a obtenção dos dados necessários para os astrónomos calcularem a massa e a densidade do planeta: respectivamente, 4,6 vezes a massa da Terra e 8,8 g.cm-3 de densidade (para comparação, a Terra tem 5,5 g.cm-3 de densidade). Estes valores indicam que Kepler-10b é inequivocamente um objecto de natureza metálico-rochosa.
Diagrama mostrando a composição teórica dos planetas Kepler-10b, CoRot-7b e GJ 1214b, de acordo com a sua massa e tamanho. Estão representados os planetas Marte, Vénus e Terra para comparação.
Crédito: NASA.
A equipa de investigadores responsável pela descoberta identificou um segundo sinal nos dados do telescópio Kepler, que poderá corresponder a outro planeta com uma massa até 20 vezes superior à da Terra e um período orbital de cerca de 45 dias. A confirmação da presença deste segundo objecto carece, no entanto, da sua detecção pelo método da velocidade radial.
Podem consultar o artigo com os pormenores desta descoberta aqui.
domingo, 9 de janeiro de 2011
O futuro da Akatsuki
"Voltarei!" Este cartoon é o espelho do carinho que a JAXA e o povo japonês têm pela Akatsuki. Faz parte do conjunto de trabalhos realizados por fãs da missão, publicados no site da agência espacial nipónica.
Crédito: JAXA.
Fez anteontem um mês que a sonda japonesa Akatsuki falhou a entrada na órbita de Vénus. Depois do incidente, a JAXA foi actualizando com regularidade a evolução da sua investigação às causas da falha técnica que colocaram a sonda em modo de segurança num momento tão crítico da sua missão. Segundo as mais recentes informações da agência nipónica, as anomalias observadas na manobra de inserção orbital deveram-se à avaria de uma pequena válvula no tanque do propulsor, que por sua vez, provocou uma diminuição drástica na pressão do combustível. Como consequência, o propulsor perdeu potência antes da conclusão da manobra. Os engenheiros da JAXA pensam ainda que a avaria identificada tenha conduzido todo o sistema a um sobre-aquecimento, o que terá provocado necessariamente a destruição da tubeira de cerâmica (componente essencial para o funcionamento do propulsor).
Apesar destas serem, obviamente, más notícias para a missão, a JAXA não desistiu ainda de encontrar possibilidades alternativas para fazer regressar a Akatsuki a Vénus. Aparentemente, a órbita heliocêntrica adquirida pela sonda após a passagem pelo planeta, colocaria-a em posição para nova tentativa de inserção orbital daqui a seis anos. Curiosamente, a sua velocidade parece ser inferior ao esperado, pelo que o encontro com o planeta poderá ser antecipado em cerca de um ano.
Entretanto, correm rumores na internet que a JAXA poderá estar a ponderar usar a sonda e os seus instrumentos científicos para o estudo de asteróides próximos de Vénus, uma missão alternativa caso a entrada na órbita do planeta seja impossível. Esta informação carece, no entanto, de confirmação oficial.
Crédito: JAXA.
Fez anteontem um mês que a sonda japonesa Akatsuki falhou a entrada na órbita de Vénus. Depois do incidente, a JAXA foi actualizando com regularidade a evolução da sua investigação às causas da falha técnica que colocaram a sonda em modo de segurança num momento tão crítico da sua missão. Segundo as mais recentes informações da agência nipónica, as anomalias observadas na manobra de inserção orbital deveram-se à avaria de uma pequena válvula no tanque do propulsor, que por sua vez, provocou uma diminuição drástica na pressão do combustível. Como consequência, o propulsor perdeu potência antes da conclusão da manobra. Os engenheiros da JAXA pensam ainda que a avaria identificada tenha conduzido todo o sistema a um sobre-aquecimento, o que terá provocado necessariamente a destruição da tubeira de cerâmica (componente essencial para o funcionamento do propulsor).
Apesar destas serem, obviamente, más notícias para a missão, a JAXA não desistiu ainda de encontrar possibilidades alternativas para fazer regressar a Akatsuki a Vénus. Aparentemente, a órbita heliocêntrica adquirida pela sonda após a passagem pelo planeta, colocaria-a em posição para nova tentativa de inserção orbital daqui a seis anos. Curiosamente, a sua velocidade parece ser inferior ao esperado, pelo que o encontro com o planeta poderá ser antecipado em cerca de um ano.
Entretanto, correm rumores na internet que a JAXA poderá estar a ponderar usar a sonda e os seus instrumentos científicos para o estudo de asteróides próximos de Vénus, uma missão alternativa caso a entrada na órbita do planeta seja impossível. Esta informação carece, no entanto, de confirmação oficial.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Eclipse solar de 4 de Janeiro: visões a partir da órbita terrestre
Já era esperado. Na manhã de terça-feira passada a nebulosidade cobriu todo o território português, impedindo a observação do primeiro eclipse solar de 2011. Em muitos locais no resto da Europa, a maior contrariedade foi mesmo o frio intenso, que provocou bastante desconforto a todos os entusiastas que se aventuraram no exterior para contemplar o fenómeno. Ainda assim foram muitos aqueles que aproveitaram esta rara oportunidade para fotografar a passagem da Lua em frente do astro-rei.
Quem não teve qualquer problema para observar o fenómeno foram os dois satélites Hinode e Proba-2. Devido ao seu posicionamento bem acima da atmosfera terrestre, puderam acompanhar todo o espectáculo sem as contrariedades trazidas pelo clima.
Como o satélite nipónico Hinode orbita a Terra a uma altitude de cerca de 680 km, beneficiou ainda de outra vantagem em relação aos observadores no solo: adquiriu a geometria ideal para assistir a um eclipse anular.
Quem não teve qualquer problema para observar o fenómeno foram os dois satélites Hinode e Proba-2. Devido ao seu posicionamento bem acima da atmosfera terrestre, puderam acompanhar todo o espectáculo sem as contrariedades trazidas pelo clima.
Como o satélite nipónico Hinode orbita a Terra a uma altitude de cerca de 680 km, beneficiou ainda de outra vantagem em relação aos observadores no solo: adquiriu a geometria ideal para assistir a um eclipse anular.
Eclipse anular do Sol observado a 04 de Janeiro de 2011, pelo satélite nipónico de estudo da física solar Hinode.
Crédito: JAXA/ISAS/NAOJ.
O microsatélite da ESA não teve os mesmos benefícios da órbita da Hinode, mas em compensação contou com a observação de um duplo eclipse. Lua e Sol alinharam-se momentaneamente em frente da câmara da Proba-2, pouco antes da sua entrada na sombra da Terra.
Crédito: JAXA/ISAS/NAOJ.
O microsatélite da ESA não teve os mesmos benefícios da órbita da Hinode, mas em compensação contou com a observação de um duplo eclipse. Lua e Sol alinharam-se momentaneamente em frente da câmara da Proba-2, pouco antes da sua entrada na sombra da Terra.
O satélite europeu Proba-2 observou no dia 04 de Janeiro de 2011, o alinhamento quase perfeito da Terra, da Lua e do Sol.
Crédito: ESA/ROB.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
MRO avista Opportunity junto à cratera Santa Maria
O robot Opportunity na orla sudoeste da cratera Santa Maria. Imagem captada a 31 de Dezembro de 2010 (sol 2466 da missão), a partir da órbita de Marte, pela câmara HiRISE da sonda Mars Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.
A sonda Mars Reconnaissance Orbiter obteve mais uma espectacular imagem do robot Opportunity na superfície de Marte. Desta vez, o cenário incluiu a cratera Santa Maria, o último local de paragem do explorador marciano, antes da sua jornada derradeira até à cratera Endeavour.
Deslocando-se nos últimos dias ao longo da orla oeste de Santa Maria, a poucos metros de precipícios escarpados, o Opportunity tem-se mantido ocupado a reunir imagens do interior da cratera, documentação importante para a caracterização da estratigrafia das paredes da estrutura. Com este movimento, a equipa da missão planeia encaminhar o robot em direcção ao extremo este da cratera, local onde poderá estudar um interessante conjunto de depósitos de sulfatos hidratados.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.
A sonda Mars Reconnaissance Orbiter obteve mais uma espectacular imagem do robot Opportunity na superfície de Marte. Desta vez, o cenário incluiu a cratera Santa Maria, o último local de paragem do explorador marciano, antes da sua jornada derradeira até à cratera Endeavour.
Deslocando-se nos últimos dias ao longo da orla oeste de Santa Maria, a poucos metros de precipícios escarpados, o Opportunity tem-se mantido ocupado a reunir imagens do interior da cratera, documentação importante para a caracterização da estratigrafia das paredes da estrutura. Com este movimento, a equipa da missão planeia encaminhar o robot em direcção ao extremo este da cratera, local onde poderá estudar um interessante conjunto de depósitos de sulfatos hidratados.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Primeiro eclipse solar de 2011 visível a partir de Portugal
A Europa assistirá amanhã, dia 04 de Janeiro, ao primeiro dos quatro eclipses parciais do Sol previstos para 2011. A sombra penumbral varrerá todo o velho continente, partindo de oeste pelas 06:40 (tempo universal) e terminando a leste, já em território russo, cerca de 4 horas depois. O corredor da totalidade passará a apenas 510 km da superfície terrestre, sobre o norte da Suécia, região onde o eclipse atingirá a magnitude 0,858.
Em Portugal continental, o máximo do eclipse ocorrerá escassos minutos após o nascer do Sol, atingindo em Lisboa e no Porto, respectivamente, as magnitudes 0,484 e 0,517. Para observar o fenómeno deverão procurar um local com o horizonte completamente desobstruído a nascente (não esquecer de usar óculos com filtros apropriados para a observação de eclipses solares, de modo a evitar lesões oculares irreversíveis). Caso as condições meteorológicas não se mostrem favoráveis, podem acompanhar todo o espectáculo em directo aqui.
Este é o 14º eclipse da série Saros 151, uma série que se inicia com 18 eclipses parciais consecutivos entre 1776 e 2083, e que termina com um eclipse parcial de pequena magnitude no hemisfério sul a 01 de Outubro de 3056 (ver animação com toda a série aqui).
Em Portugal continental, o máximo do eclipse ocorrerá escassos minutos após o nascer do Sol, atingindo em Lisboa e no Porto, respectivamente, as magnitudes 0,484 e 0,517. Para observar o fenómeno deverão procurar um local com o horizonte completamente desobstruído a nascente (não esquecer de usar óculos com filtros apropriados para a observação de eclipses solares, de modo a evitar lesões oculares irreversíveis). Caso as condições meteorológicas não se mostrem favoráveis, podem acompanhar todo o espectáculo em directo aqui.
Este é o 14º eclipse da série Saros 151, uma série que se inicia com 18 eclipses parciais consecutivos entre 1776 e 2083, e que termina com um eclipse parcial de pequena magnitude no hemisfério sul a 01 de Outubro de 3056 (ver animação com toda a série aqui).
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
SOHO descobre 2000º cometa
O 2000º cometa descoberto pelo SOHO.
Crédito: SOHO/Karl Battams.
Adivinhava-se para breve a descoberta do 2000º cometa do SOHO. Em actividade no espaço à quase 15 anos, o observatório solar tornou-se o mais prolífico caçador de cometas de sempre. Apesar de ter sido concebido para a monitorização da coroa solar, o seu coronógrafo LASCO mostrou-se particularmente eficiente na detecção de cometas com órbitas tangenciais ao Sol. Nos últimos anos, a crescente participação de astrónomos amadores na observação das imagens disponibilizadas pelo LASCO acelerou o ritmo de descobertas, atingindo só neste último mês de 2010 o impressionante número de 37.
O 1999º e o 2000º cometa foram ambos identificados pelo estudante polaco de Astronomia Michal Kusiak, em imagens captadas a 26 de Dezembro. Curiosamente, Kusiak tem sido ele próprio um dos grandes responsáveis pelo sucesso do SOHO, contando com mais de 100 cometas descobertos nas imagens do LASCO.
Mais de 85% dos cometas descobertos pelo SOHO pertencem à família Kreutz, um grupo de objectos resultantes da fragmentação de um cometa gigante que regularmente se desintegram na atmosfera solar (ver dois exemplos aqui e aqui).
Crédito: SOHO/Karl Battams.
Adivinhava-se para breve a descoberta do 2000º cometa do SOHO. Em actividade no espaço à quase 15 anos, o observatório solar tornou-se o mais prolífico caçador de cometas de sempre. Apesar de ter sido concebido para a monitorização da coroa solar, o seu coronógrafo LASCO mostrou-se particularmente eficiente na detecção de cometas com órbitas tangenciais ao Sol. Nos últimos anos, a crescente participação de astrónomos amadores na observação das imagens disponibilizadas pelo LASCO acelerou o ritmo de descobertas, atingindo só neste último mês de 2010 o impressionante número de 37.
O 1999º e o 2000º cometa foram ambos identificados pelo estudante polaco de Astronomia Michal Kusiak, em imagens captadas a 26 de Dezembro. Curiosamente, Kusiak tem sido ele próprio um dos grandes responsáveis pelo sucesso do SOHO, contando com mais de 100 cometas descobertos nas imagens do LASCO.
Mais de 85% dos cometas descobertos pelo SOHO pertencem à família Kreutz, um grupo de objectos resultantes da fragmentação de um cometa gigante que regularmente se desintegram na atmosfera solar (ver dois exemplos aqui e aqui).
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