quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cassini visita Encélado, Mimas e a pequena Helena

A Cassini completou anteontem uma fantástica sequência de encontros distantes com algumas das luas de Saturno. O circuito incluiu uma aguardada passagem a pouco mais de 27 mil quilómetros da superfície da pequena lua Helena, uma oportunidade para observar o hemisfério anti-saturniano em condições de iluminação semelhantes às do encontro de Março de 2010. Foram ainda alvo das câmaras da Cassini um distante crescente de Dione, os gêiseres do pólo sul de Encélado e parte do hemisfério a leste de Diyar Planitia, e por fim a lua Mimas, em particular, a cratera Herschel e todo o hemisfério a oeste.
Eis algumas das magníficas imagens recolhidas durante os encontros.

A sonda Cassini encontrava-se a 227.339 km de Encélado quando a 30 de Janeiro de 2011 captou esta imagem em luz visível. A geometria da iluminação da lua permitiu não só o registo de um fino crescente, como também denunciou dois conjuntos de gêiseres na região do pólo sul.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Os famosos jactos de Encélado em erupção no pólo sul (aqui iluminado pelo brilho de Saturno). Imagem captada pela sonda Cassini a 31 de Janeiro de 2011.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

O hemisfério norte de Encélado em cores aproximadamente naturais. Composição construída com três imagens captadas a 31 de Janeiro de 2010, pela câmara de ângulo fechado da Cassini, através de filtros de infravermelho próximo (752 nm), verde (568 nm) e ultra-violeta (338 nm). Está representada toda a região a nordeste de Haran Sulci, até às grandes crateras Shahrazad e Dunyazad (junto ao terminador). É visível também uma rede de sulcos a oeste de Diyar Planitia, fracamente iluminada pelo brilho de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Três imagens de Mimas captadas pela sonda Cassini durante o encontro distante com a lua a 31 de Janeiro de 2011. A proeminente cratera Herschel surge em duas das imagens (primeiro vista de frente e depois vista de perfil).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/ montagem de Sérgio Paulino.

A lua troiana de Dione Helena numa composição em cores aproximadamente naturais, construída com três imagens captadas a 31 de Janeiro de 2010, pela câmara de ângulo fechado da Cassini, através de filtros de vermelho (650 nm), verde (568 nm) e azul (451 nm). Reparem nas estranhas estrias que adornam a face iluminada da pequena lua. Serão estas estruturas resultantes de derrocadas da fina poeira que cobre Helena?
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Planetas à escala

Já imaginaram como seria substituir a Lua pelo planeta Júpiter? Qual seria o aspecto do gigante nos céus terrestres?
Esta animação criada por Brad Goodspeed mostra Júpiter e outros planetas do Sistema Solar, tal como seriam vistos na superfície da Terra se partilhassem a órbita da Lua! Uma bela noção de escala...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Espectacular animação de Fobos em rotação

Publiquei aqui, no Sábado passado, algumas imagens de Fobos captadas recentemente pela Mars Express. Nessa mensagem inclui uma animação construída com cinco imagens obtidas através dos cinco canais pancromáticos da câmara estéreo de alta resolução que se encontra a bordo da sonda europeia.
Ontem, Daniel Macháček, um dos membros mais activos do fórum Unmanned Spaceflight.com, deu a conhecer o seu trabalho com o mesmo conjunto de imagens. Usando um software de metamorfose de imagens, Macháček construiu uma espectacular animação de Fobos numa lenta rotação sobre si próprio!

Animação construída com 5 imagens de Fobos captadas a 09 de Janeiro de 2011 pela sonda Mars Express. As imagens foram coloridas artificialmente de forma a reproduzir a cor natural da superfície da pequena lua.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G.Neukum)/Daniel Macháček.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Noite de Ano Novo lisboeta vista do espaço

A vista da Estação Espacial Internacional sobre Lisboa cerca de uma hora antes do início do Novo Ano.
Crédito: ESA/NASA.

O astronauta italiano Paolo Nespoli encontra-se desde 15 de Dezembro a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI), numa missão de 6 meses como membro das Expedições 26 e 27. Tal como muitos outros astronautas em visita à Estação, Nespoli tem aproveitado a excelente vista sobre a Terra para obter belos retratos de paisagens terrestres enquadradas pelo vazio do espaço (visitem aqui a sua galeria de imagens).
Na noite de Ano Novo, a EEI atravessou os céus da Península Ibérica. Nespoli não desperdiçou a oportunidade e apontou a sua máquina à cidade de Lisboa iluminada pelas luzes artificiais dos candeeiros e das decorações de Natal. No Terreiro do Paço, milhares de pessoas assistiam ao espectáculo de música, alheias ao objecto de 375 toneladas que silenciosamente sobrevoava a suas cabeças a cerca de 400 km de altitude!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Novas imagens de Fobos

A lua Fobos numa imagem captada pela sonda Mars Express a 09 de Janeiro de 2011, a pouco mais de 100 km de distância da sua superfície.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

A Mars Express completou no passado dia 16 de Janeiro mais uma campanha de passagens a curta distância da superfície de Fobos. O encontro mais próximo foi realizado a 09 de Janeiro, a apenas 111 km do centro da pequena lua, o que possibilitou a observação de regiões do hemisfério sul que não haviam sido fotografadas em encontros anteriores.
Deixo-vos aqui algumas das melhores perspectivas captadas durante esse encontro.

Photobucket
Animação construída com uma sequência de 5 imagens captadas através de diferentes canais da câmara estéreo de alta resolução da Mars Express (estéreo S1, fotométrico P1, nadir ND, fotométrico P2 e estéreo S2). As imagens cobrem toda a superfície de Fobos desde a extremidade oeste da cratera Stickney (visível de perfil nas duas primeiras imagens) até ao hemisfério antimarciano.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)/animação de Sérgio Paulino.

Sete imagens de alta resolução (3 metros/pixel) de partes da superfície do hemisfério antimarciano de Fobos, contextualizadas numa imagem de menor resolução. O nível de detalhe alcançado neste tipo de imagens será determinante na escolha de locais seguros para a alunagem da sonda russa Phobos-Grunt.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Um par de gigantes

Saturno e Titã posam nesta imagem captada a 15 de Janeiro de 2011, pela câmara de grande angular da sonda Cassini, na banda do infra-vermelho próximo.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

A maior lua de Saturno (aqui retratada ao lado do gigante gasoso) é também ela, um gigante por direito próprio. Reúne em si mais de 96% da toda a massa existente na órbita de Saturno, e é o segundo maior satélite no Sistema Solar, logo a seguir à lua de Júpiter Ganimedes.
Na verdade, se Titã orbitásse o Sol, seria considerado um planeta. É maior em volume que Mercúrio, apesar de ter apenas metade da sua massa, e tem uma espessa atmosfera com uma densa cobertura de nuvens, uma característica que a torna comparável aos planetas Terra e Vénus.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Tempestade de cometas suicidas

O cometa Ikeya-Seki, também conhecido como o grande cometa de 1965. Durante a sua aproximação ao periélio tornou-se visível junto ao Sol em plena luz do dia.
Crédito: Roger Lynds/NOAO/AURA/NSF.

Foi invulgar o número de cometas que mergulhou na atmosfera solar entre o dia 13 e 22 de Dezembro. Geralmente, o SOHO observa em média, por semana, cerca de 2 destes objectos. Mas em Dezembro foi diferente. Durante 10 dias foram identificados 25 cometas suicidas, todos com diâmetros de apenas algumas dezenas de metros.
A grande maioria destes pedaços de gelo detectados pelo SOHO são membros da família de cometas rasantes Kreutz, um grupo de objectos resultante da fragmentação de um único progenitor à cerca de 2.500 anos. Fazem parte desta família alguns dos mais espectaculares cometas registados na História, incluindo o cometa Ikeya-Seki e o cometa C/1882 R1, o grande cometa de 1882.
Concebido para estudar a coroa solar, o coronógrafo LASCO do SOHO tem demonstrado particular eficiência na detecção dos membros mais pequenos do grupo, objectos invisíveis a partir dos observatórios na Terra. Nos últimos anos tornou-se clara uma tendência para o aumento do número de visitas de membros da família Kreutz. Segundo os astrónomos americanos Karl Battams do Naval Research Laboratory, Washington, DC, e Matthew Knight do Obsertório Lowell, Flagstaff, Arizona, a recente tempestade de cometas rasantes confirma essa tendência e poderá ser um prenúncio da chegada em breve de um objecto muito maior, um fragmento de dimensões semelhantes ao núcleo do cometa Ikeya-Seki.
Na sua visita em 1965, Ikeya-Seki passou a 450 mil quilómetros da superfície do Sol. O seu núcleo era tão grande (cerca de 5 km de diâmetro) que sobreviveu ao escaldante encontro, emergindo do periélio como um dos mais brilhantes cometas do último milénio.