domingo, 13 de fevereiro de 2011

Opportunity quase de partida para Endeavour

Vista panorâmica em cor natural sobre a cratera Santa Maria, construída com imagens captadas pela câmara Pancam do robot Opportunity nos dias 18 e 19 Dezembro de 2010 (sóis 2.453 e 2454). É possível observar no horizonte porções do rebordo da cratera Endeavour, a próxima paragem do Opportunity na sua viagem por Meridiani Planum.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Cornell/ASU.

Terminou anteontem a conjunção solar de Marte, um período em que as transmissões rádio entre a Terra e o planeta vermelho são interrompidas pela interposição do Sol. São boas notícias para o robot Opportunity que assim poderá abandonar a cratera Santa Maria, local onde passou os últimos dois meses investigando alguns pontos interessantes em seu redor. O seu próximo destino, o cabo York, um grande rochedo localizado no rebordo da cratera Endeavour, situa-se agora a apenas 6 km de distância!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Stardust NExT: encontro com Tempel 1 no dia de São Valentim

O encontro do dia de São Valentim entre a sonda Stardust e o cometa Tempel 1 serviu de inspiração a esta representação artística de chocolates com a forma dos dois protagonistas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Faltam apenas 2 dias para o encontro da Stardust com o cometa Tempel 1! Esta será a segunda oportunidade de observarmos o cometa de perto, depois da visita da Deep Impact em Julho de 2005. A NASA prevê que o encontro ocorra pelas 20:37 PST (04:37 do dia 15 de Fevereiro na hora de Lisboa), a uma distância de apenas 200 km e a uma velocidade relativa de 10,9 km.s-1. Estão planeadas um total de 72 imagens da superfície do núcleo cometário, as melhores atingindo uma resolução de 12 metros/pixel. As primeiras imagens deverão ser tornadas públicas poucas horas depois do encontro, durante a manhã de terça-feira.

O cometa Tempel 1 67 segundos depois do impacto do projéctil lançado pela sonda Deep Impact a 04 de Julho de 2005.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UMD.

A missão original da Stardust consistia em sobrevoar o cometa Wild-2, obter imagens e outros dados do seu núcleo cometário, recolher amostras de poeira cometária e devolvê-las em segurança à Terra. 5 anos depois de completar com sucesso a sua missão primária, a Stardust vê-se agora envolvida numa nova aventura. Desta vez terá como objectivo principal observar a cratera deixada em Temple 1 pelo impacto do projéctil de 366 kg que foi disparado pela sonda Deep Impact durante o seu encontro com o cometa. Na altura, a inesperada quantidade de poeira lançada no espaço pela colisão, impediu os cientistas de visualizar com clareza o tamanho e a forma da cratera, dados essenciais para a determinação da estrutura interna do núcleo cometário.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mundos tempestuosos

Saturno e a sua mais recente grande tempestade em cores aproximadamente naturais. Composição construída com três imagens captadas a 04 de Fevereiro de 2011 pela câmara de grande angular da sonda Cassini, através de filtros de infravermelho próximo (752 nm), verde (567 nm) e azul (460 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Continua em grande actividade a monstruosa tempestade que fustiga as latitudes temperadas do hemisfério norte de Saturno desde Dezembro passado. As imagens captadas anteontem pela sonda Cassini mostram claramente um grande turbilhão de nuvens brilhantes formando uma extensa cauda para leste. É ainda possível observar uma segunda região de instabilidade atmosférica ocupando uma faixa a sul da tempestade principal (mais evidente nas bandas infra-vermelhas de absorção do metano).
Antes de voltar as suas câmaras para Saturno, a Cassini obteve também um conjunto de imagens da sua maior lua, a bela e gélida Titã. Estas observações vão permitir aos investigadores da missão monitorizar a presença de nuvens e verificar se a tempestade em forma de seta fotografada em Setembro passado, provocou inundações na superfície da lua, em particular, na região entre o sul de Senkyo e "Okavango".

A beleza da lua Titã em cores aproximadamente naturais. Composição construída com três imagens captadas a 04 de Fevereiro de 2011 pela câmara de ângulo fechado da sonda Cassini, através de filtros de vermelho (650 nm), verde (568 nm) e azul (451 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Os dois maiores objectos do sistema saturniano voltarão a ser o foco da atenção da Cassini durante toda a orbita 145, que terá início no próximo dia 10 de Fevereiro. Estão planeadas 14 sessões de observação envolvendo o gigante Saturno e sua maior lua, incluindo um encontro com Titã a cerca de 3.600 km de distância.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Pequeno asteróide rasou a Terra ao início da noite!

Imagem do pequeno asteróide 2011 CQ1, obtida através de um pequeno telescópio de controlo remoto do Observatório Tzec Maun, no Novo México, EUA.
Crédito: Associazione Friulana di Astronomia e Meteorologia.

Eram 19:40 (hora de Lisboa) quando um asteróide com 2 a 3 metros de diâmetro se aproximou a 11.855 km da superfície terrestre. Oficialmente designado 2011 CQ1, o pequeno objecto foi descoberto hoje de manhã por Richard Kowalski, no âmbito do projecto de detecção de objectos próximos da Terra Catalina Sky Survey. Apesar de ter falhado o nosso planeta, passou no interior da órbita de Clarke, região onde circulam os satélites geostacionários. Caso tivesse atingido a Terra, desintegrar-se-ia, provavelmente, a grande altitude na atmosfera terrestre.

Actualização (5 de Fevereiro): Afinal o pequeno asteróide 2011 CQ1 passou mais próximo do que havia sido estimado. De acordo com a NASA, a pequena rocha com cerca de 3 metros de diâmetro sobrevoou o Oceano Pacífico a apenas 5.480 km de altitude! O encontro foi tão próximo que a gravidade da Terra modificou a trajectória do asteróide em cerca de 60º.

Termina a missão NEOWISE

Retrato de família dos 20 novos cometas descobertos pelo telescópio espacial WISE na sua missão suplementar de 4 meses.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA.

A NASA anunciou no início desta semana o final da missão suplementar NEOWISE do telescópio espacial WISE. Em 4 meses, a missão desvendou um conjunto de objectos anteriormente desconhecidos, incluindo 20 cometas, cerca de 33 mil asteróides na Cintura de Asteróides, e 134 objectos com órbitas próximas da órbita da Terra. A NEOWISE confirmou ainda a presença de objectos já conhecidos, e reuniu dados essenciais para a determinação do tamanho e composição de mais de 150 mil asteróides e mais de 100 cometas.
O telescópio espacial WISE vai agora entrar em modo de hibernação, mantendo-se operacional na sua órbita polar para eventuais novos serviços.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Missão Kepler: descobertos mais de mil candidatos a planetas extra-solares e um novo e bizarro sistema planetário

O campo de visão do observatório Kepler (cerca de 1/400 da área total do céu) com os novos candidatos a planetas extra-solares identificados de acordo com o seu tamanho (vermelho: gigantes gasosos semelhantes a Júpiter; laranja: planetas com tamanhos semelhantes ao de Neptuno; verde: super-Terras; azul: planetas com tamanhos semelhantes ao da Terra).
Crédito: NASA/Wendy Stenzel.

A NASA anunciou ontem a espantosa descoberta de 1.235 candidatos a planetas extra-solares pela missão Kepler. Os novos objectos foram detectados durante os primeiros 4 meses de actividade científica do observatório espacial e, caso se confirme a sua presença, corresponderão a mais do dobro dos exoplanetas até agora descobertos. Entre os novos candidatos contam-se 19 objectos maiores que Júpiter, 165 com tamanhos semelhantes ao do gigante Júpiter, 662 com tamanhos semelhantes ao de Neptuno, 288 super-Terras e 68 com tamanhos aproximados ao da Terra. Curiosamente, dos 54 candidatos que ocupam órbitas na zona habitável das respectivas estrelas, 5 são, provavelmente, planetas telúricos com dimensões semelhantes à da Terra!
As detecções dos novos candidatos foram realizadas através de trânsitos nas estrelas hospedeiras e deverão ser confirmadas no futuro pelo método da velocidade radial. A confirmação dos candidatos com órbitas na zona habitável demorará, no entanto, alguns anos, devido, principalmente, aos longos períodos orbitais e respectivas pequenas massas desses objectos, que arrastarão as técnicas de detecção por velocidade radial ao seu limite.

Gráfico com o sumário dos planetas extra-solares descobertos pela missão Kepler. No eixo dos xx está uma escala logarítmica dos períodos orbitais em dias terrestres. No eixo dos yy está uma escala logarítmica dos tamanhos (1 = diâmetro da Terra). Marcados a roxo estão todos os 91 planetas extra-solares detectados pelo método dos trânsitos, incluindo os 11 situados na área do céu observada pelo Kepler. A azul escuro e a amarelo estão identificados os candidatos a planetas extra-solares detectados pelo Kepler. Os primeiros correspondem aos 312 anunciados em Junho de 2010.
Crédito: NASA/Wendy Stenzel.

De todas as estrelas com candidatos a planetas extra-solares, a equipa identificou 170 com evidências claras de possuirem um sistema planetário múltiplo. Numa das estrelas, foi confirmada a presença de 6 planetas que no conjunto formam um dos mais bizarros sistemas planetários até hoje descobertos. A estrela hospedeira, Kepler-11, situa-se a cerca de 2.000 anos-luz da Terra e é uma estrela de tipo espectral G com cerca de 8 mil milhões de anos de idade (com características físicas semelhantes às do Sol mas mais velha).

Representação artística do sistema planetário de Kepler-11.
Crédito: NASA/Tim Pyle.

A detecção dos 6 novos objectos só foi possível devido ao perfeito alinhamento das respectivas órbitas no mesmo plano, o que permitiu a observação e a medição precisa dos tempos de trânsito pelo Kepler. A confirmação da sua presença foi assegurada não só pelo estudo da velocidade radial de Kepler-11, como também pela forma consistente como a interacção gravitacional dos 6 planetas se reflecte na alteração dos períodos de trânsito. Este último efeito é ampliado pela forma como as órbitas se encontram distribuídas. De facto, o sistema planetário de Kepler-11 é incrivelmente compacto, ocupando um espaço correspondente no Sistema Solar ao interior da órbita de Vénus!

As órbitas dos 6 novos planetas de Kepler-11 comparadas com as órbitas dos dois planetas interiores do Sistema Solar.
Crédito: NASA/Tim Pyle.

A estrutura interna dos 6 planetas é outro dos aspectos interessantes deste sistema. Todos os planetas de Kepler-11 têm tamanhos superiores ao da Terra, e deverão ser uma mistura impressionante de rochas e gases, onde se inclui provavelmente a água. Os materiais rochosos corresponderão, certamente, aos seus principais constituintes, apesar dos gases ocuparem a maior parte dos respectivos volumes.

Comparação dos tamanhos de alguns dos planetas extra-solares descobertos pela missão Kepler, incluindo os novos planetas de Kepler-11, com os tamanhos de Júpiter e da Terra.
Crédito: NASA/Wendy Stenzel.

Os cinco planetas interiores têm massas de 4,1, 13,5, 6,1, 8,4 e 2,3 vezes a massa da Terra, e períodos orbitais inferiores a 50 dias. A massa de Kepler-11g, o planeta mais exterior, não é conhecida com exactidão mas deverá ser inferior a 95% da massa de Júpiter. Consultem esta página para mais informações dos parâmetros físicos e orbitais do sistema.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cassini visita Encélado, Mimas e a pequena Helena

A Cassini completou anteontem uma fantástica sequência de encontros distantes com algumas das luas de Saturno. O circuito incluiu uma aguardada passagem a pouco mais de 27 mil quilómetros da superfície da pequena lua Helena, uma oportunidade para observar o hemisfério anti-saturniano em condições de iluminação semelhantes às do encontro de Março de 2010. Foram ainda alvo das câmaras da Cassini um distante crescente de Dione, os gêiseres do pólo sul de Encélado e parte do hemisfério a leste de Diyar Planitia, e por fim a lua Mimas, em particular, a cratera Herschel e todo o hemisfério a oeste.
Eis algumas das magníficas imagens recolhidas durante os encontros.

A sonda Cassini encontrava-se a 227.339 km de Encélado quando a 30 de Janeiro de 2011 captou esta imagem em luz visível. A geometria da iluminação da lua permitiu não só o registo de um fino crescente, como também denunciou dois conjuntos de gêiseres na região do pólo sul.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Os famosos jactos de Encélado em erupção no pólo sul (aqui iluminado pelo brilho de Saturno). Imagem captada pela sonda Cassini a 31 de Janeiro de 2011.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

O hemisfério norte de Encélado em cores aproximadamente naturais. Composição construída com três imagens captadas a 31 de Janeiro de 2010, pela câmara de ângulo fechado da Cassini, através de filtros de infravermelho próximo (752 nm), verde (568 nm) e ultra-violeta (338 nm). Está representada toda a região a nordeste de Haran Sulci, até às grandes crateras Shahrazad e Dunyazad (junto ao terminador). É visível também uma rede de sulcos a oeste de Diyar Planitia, fracamente iluminada pelo brilho de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Três imagens de Mimas captadas pela sonda Cassini durante o encontro distante com a lua a 31 de Janeiro de 2011. A proeminente cratera Herschel surge em duas das imagens (primeiro vista de frente e depois vista de perfil).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/ montagem de Sérgio Paulino.

A lua troiana de Dione Helena numa composição em cores aproximadamente naturais, construída com três imagens captadas a 31 de Janeiro de 2010, pela câmara de ângulo fechado da Cassini, através de filtros de vermelho (650 nm), verde (568 nm) e azul (451 nm). Reparem nas estranhas estrias que adornam a face iluminada da pequena lua. Serão estas estruturas resultantes de derrocadas da fina poeira que cobre Helena?
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.