sábado, 5 de março de 2011

Crateras marcianas com nomes portugueses: a cratera Aveiro

Provavelmente muitos de vós desconhecem o facto de existirem crateras em Marte cuja designação oficial teve origem em localidades portuguesas.
A nomenclatura das formações geológicas dos planetas e satélites do Sistema Solar está a cargo do Working Group for Planetary System Nomenclature (WGPSN) da União Astronómica Internacional (UAI), e respeita um conjunto de regras e convenções bem definidas. No caso do planeta vermelho, as crateras com um diâmetro inferior a 60 km recebem os nomes de cidades e vilas de todo o mundo com menos de 100 mil habitantes. Como demonstra uma rápida busca no site do WGPSN, são 4 as crateras marcianas com nomes de localidades de Portugal. Estes locais não receberam até hoje grande atenção por parte da comunidade científica, mas não deixam ainda assim de estimular a minha curiosidade relativamente ao seu aspecto. Tive de me embrenhar nas bases de dados das diversas missões a Marte para encontrar imagens destas estruturas, e descobrir alguns aspectos interessantes da sua geologia. Foi este o pretexto para iniciar convosco uma pequeno périplo por estes locais, uma viagem com partida na cratera Aveiro.

A cratera Aveiro num mosaico de imagens obtidas a 31 de Março de 2004 pelo instrumento THEMIS da sonda 2001 Mars Odyssey (ver aqui imagem original).
Crédito: NASA/JPL/Arizona State University.

Aveiro é uma cratera de impacto com cerca de 9,11 km de diâmetro, situada a nordeste de Tharsis Montes, a meio caminho entre Kasei Valles e a cratera Fesenkov. A sua formação é posterior às erupções que à cerca de 3,36 mil milhões de anos cobriram de lava toda a planície em redor.
Os numerosos barrancos que sulcam a vertente norte são talvez os pormenores mais interessantes visíveis em toda a cratera. Tal como acontece em outros locais em Marte, estas estruturas aparentam ter sido esculpidas recentemente por água corrente proveniente de lençois de gelo subterrâneos.

Barrancos na vertente norte da cratera Aveiro. Imagem obtida a 14 de Março de 2003 pela sonda Mars Global Surveyor (ver aqui imagem original e imagem de contexto).
Crédito: NASA/JPL/Malin Space Science Systems.

Próxima paragem: cratera Coimbra.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Descoberta uma gigantesca caverna em Oceanus Procellarum

Caverna lunar identificada em imagens captadas pela sonda indiana Chandrayaan-1. À esquerda, a imagem de contexto mostrando o tubo de lava lunar que abriga a gigantesca estrutura. À direita, uma projecção tridimensional do tubo de lava com a secção intacta evidenciada com um rectângulo vermelho.
Crédito: ISRO.

Cientistas indianos afirmam ter encontrado uma enorme caverna no subsolo lunar com potencialidade para ser usada como base para futuras missões humanas na Lua (ver artigo aqui). A estrutura corresponde a uma secção intacta de um tubo de lava situado a norte de Rima Galilaei, na região equatorial de Oceanus Procellarum, e foi identificada em projecções tridimensionais construídas a partir de imagens obtidas pela Terrain Mapping Camera da sonda Chandrayaan-1. Com cerca de 120 metros de diâmetro e 1,72 km de comprimento, esta é a maior caverna lunar até hoje descrita.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Novas imagens da tempestade de Saturno

O planeta Saturno e a sua tempestade vistos pela Cassini a uma distância aproximada de 2,164 milhões de quilómetros. Composição em cores naturais obtida pela combinação de 3 imagens captadas a 25 de Fevereiro de 2011 pela câmara de grande angular, através de filtros para o vermelho (648 nm), o verde (567 nm) e o azul (460 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Na semana passada, a sonda Cassini dedicou toda a sua atenção a Saturno e às nuvens que se agitam na sua violenta atmosfera. Apesar de ter centrado as suas câmaras nas latitudes mais a sul do hemisfério norte, a Cassini conseguiu recolher magníficos detalhes da cauda da grande tempestade que se encontra em actividade desde Dezembro passado.

Estrutura intrincada das nuvens que marcam a fronteira entre a cauda da grande tempestade e as regiões mais calmas a sul. Mosaico composto por 7 imagens captadas a 24 de Fevereiro de 2011 pela câmara de ângulo fechado da sonda Cassini, através de um filtro para o infravermelho próximo, banda média de absorção do metano (727 nm). Reparem como o rápido movimento das nuvens dificultou o perfeito alinhamento das imagens no mosaico.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

A estrutura principal da tempestade foi fotografada há poucas horas, pelo que deverão estar disponíveis hoje ou amanhã no site da missão novos pormenores deste impressionante fenómeno. Fiquem a aguardar por mais novidades!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

SDO observa monstruosa proeminência solar

O Sol voltou anteontem a exibir a sua fúria. Apesar de modesta em tamanho, a mancha solar 1163 produziu uma violenta explosão (classe M) que arremessou para o espaço uma gigantesca nuvem de plasma. O Solar Dynamics Observatory registou toda a acção neste espectacular vídeo.

A monstruosa proeminência solar do passado dia 24 de Fevereiro de 2011. Animação criada com imagens captadas em luz ultravioleta extrema pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory (canal de 304 Å).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

A erupção ocorreu no extremo oeste do disco solar, pelo que a nuvem de plasma dirigiu-se para longe da Terra.

Marte ao microscópio e a cores

Pequenas esferas de hematite encontradas pelo robot Opportunity em rochas no interior da cratera Victoria, em Marte. Composição em cores naturais resultante da combinação de uma imagem captada pela câmara microscópica com imagens a cores obtidas pela PanCam.
Crédito: NASA/JPL/Cornell/USGS.

Está on-line uma nova e espectacular página no site da equipa científica que processa as imagens das câmaras panorâmicas PanCam dos robots Opportunity e Spirit. Nela vão encontrar versões em cores naturais das imagens microscópicas captadas pelo Microscopic Imager (MI), um dos instrumentos de trabalho que equipa a extremidade do braço robótico de cada um dos robots. Cada imagem tem uma resolução de 30 μm/pixel!
O MI não tem filtros de cor, pelo que para colorir as imagens microscópicas, a equipa tem de as sobrepôr às imagens coloridas da PanCam. É um trabalho que exige perícia, mas que resulta na produção de verdadeiras obras de arte. Explorem a página e confirmem.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Face visível da Lua em alta resolução!

Mosaico da face visível da Lua construído com cerca de 1.300 imagens captadas em Dezembro de 2010 pela câmara de grande angular da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (podem encontrar aqui uma versão anotada, e aqui a versão com melhor resolução).
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Foram precisas cerca de duas semanas para a Lunar Reconnaissance Orbiter reunir as mais de 1.300 imagens necessárias para construir este espectacular mosaico da face visível da Lua. As imagens foram obtidas pela câmara de grande angular em posição perpendicular à superfície lunar, em sucessivas órbitas da sonda americana, pelo que o ângulo de incidência da luz solar vai mudando de leste para oeste (de 69º até 82º) devido ao movimento de rotação da Lua. O resultado é um retrato em alta resolução que evoca a imagem da Lua cheia, apesar do invulgar ângulo de iluminação.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Alunos portugueses descobrem um novo asteróide

Os protagonistas da descoberta do asteróide 2011 BG16.
Fonte: Portal do Astrónomo.

Alunos da Escola Secundária de Alvide, Concelho de Cascais, descobriram um novo asteróide. O feito resultou da sua participação no programa All-Portugal Asteroid Search Campaign, um projecto direccionado às escolas portuguesas que oferece a oportunidade aos jovens estudantes de estudarem fotografias obtidas por telescópios de todo o mundo em busca de NEOs (objectos com órbitas próximas da órbita da Terra). O objecto foi observado pela primeira vez a 25 de Janeiro de 2011, e foi confirmado posteriormente em observações subsequentes, o que lhe garantiu a designação provisória pelo Minor Planet Center (MPC) de 2011 BG16.
Leiam mais informações sobre esta descoberta aqui.