segunda-feira, 11 de abril de 2011

A dança dos arcos magnéticos de AR1176

Na semana passada, um conjunto de arcos magnéticos pairaram durante alguns dias no extremo leste do disco solar, sobre a região activa AR1176. O espectáculo foi registado pelo Solar Dynamics Observatory na banda do ultra-violeta extremo.

Arcos magnéticos sobre a região activa AR1176. Imagens captadas entre os dias 3 e 5 de Abril de 2011 pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly do Solar Dynamics Observatory, através do canal de 171 Å (Fe IX).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

Os arcos magnéticos são formados por plasma quente que se movimenta ao longo das linhas do campo magnético solar. Estas estruturas são, aparentemente, fundamentais no aquecimento da coroa solar a temperaturas que atingem alguns milhões de graus centígrados.
De acordo com observações realizadas pelos observatórios TRACE e SOHO, o plasma ascende nos arcos magnéticos depois de ser aquecido junto à base, perto da superfície solar. Posteriormente, o plasma arrefece na coroa solar, e caí de volta à superfície solar a velocidades que podem atingir os 100 km.s-1.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

MODIS fotografa nuvem de poeira junto à costa portuguesa

Uma densa nuvem de poeira paira sobre Portugal e o Oceano Atlântico a oeste da costa portuguesa. Imagem captada a 06 de Abril de 2011 pelo espectroradiómetro MODIS do satélite Terra.
Crédito: NASA/MODIS Rapid Response Team (GSFC)/anotações de Sérgio Paulino.

No início da semana, fortes ventos associados a um sistema de baixa pressão arrastaram para as águas do Atlântico a oeste da costa portuguesa, uma densa nuvem de poeira proveniente do deserto do Sahara. Constituídas por pequenas partículas sólidas ricas em ferro e outros minerais, estas nuvens fertilizam os oceanos terrestres com nutrientes essenciais à proliferação dos organismos fitoplanctónicos.
Anteontem, o sistema MODIS do satélite Terra registou a presença de uma extensa florescência de fitoplâncton logo abaixo da nuvem de poeira - uma curiosa coincidência, apesar dos dois fenómenos poderem não estar necessariamente relacionados.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

SOHO observa um objecto brilhante junto ao Sol!

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Animação composta por 23 imagens captadas a 05 de Abril de 2011 pelo coronógrafo LASCO do observatório solar SOHO, mostrando um objecto brilhante junto ao disco solar.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA/animação de Sérgio Paulino.

O coronógrafo LASCO do SOHO registou anteontem imagens de um objecto brilhante a cruzar os céus junto do disco solar. O objecto não era uma nave estraterrestre, o planeta Nibiru ou qualquer outro produto da imaginação humana. Era antes o gigante gasoso Júpiter em conjunção com o Sol!
Curiosamente, as imagens captadas pelo LASCO mostram não só o maior planeta do Sistema Solar, como também, pelo menos, duas das suas luas. Observem com atenção a mesma animação ampliada e centrada em Júpiter.

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Júpiter e as suas luas Ganimedes e Calisto vistas através do coronógrafo LASCO do observatório solar SOHO. A imagem de Júpiter aparece alongada devido à saturação provocada pelo seu intenso brilho. Os restantes pontos são estrelas e ruído de fundo produzido pelo impacto de partículas energéticas nos detectores do coronógrafo.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA/animação de Sérgio Paulino.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dois intrusos fazem hoje voo rasante à Terra

2011 GW9 e 2011 GP28 fazem hoje uma passagem pelo interior da órbita da Lua, a cerca de 77 mil e 192 mil quilómetros de distância da superfície terrestre, respectivamente. Os dois asteróides foram observados pela primeira vez no início da semana por astrónomos do Catalina Sky Survey. 2011 GW9 tem cerca de 8 metros e já sobrevoou a Terra durante a madrugada. 2011 GP28 tem um tamanho ligeiramente menor e deverá atingir o ponto de maior aproximação à superfície terrestre pelas 20:36 (hora de Lisboa).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

MESSENGER observa Camões

A cratera Camões vista pela sonda MESSENGER a 30 de Março de 2011.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

A órbita polar em que a MESSENGER se encontra desde a sua chegada a Mercúrio, permitiu às câmaras do Mercury Dual Imaging System obter na semana passada, pela primeira vez, imagens de regiões próximas dos dois pólos, locais inacessíveis nas três anteriores passagens equatoriais. Situada nas proximidades do pólo sul, a cratera Camões foi um dos pontos observados recentemente pela câmara de ângulo fechado.
Descoberta nos anos 70 pela sonda Mariner 10, a cratera deve o seu nome ao poeta português Luís Vaz de Camões. Como se pode observar na imagem, a sua estrutura com 70 km de diâmetro destaca-se na paisagem em redor pela escarpa que serpenteia ao longo do seu interior (um indício de actividade geológica relativamente recente?).

Termina a missão primária da sonda chinesa Chang'E-2

Modelo tridimensional de uma pequena região em Sinus Iridum. Dados e imagens obtidas pela sonda chinesa Chang'E-2 a 28 de Outubro de 2010.
Crédito: CNSA/CLEP.

Chegou ao fim a missão primária da segunda sonda lunar chinesa. Em actividade desde a sua chegada à Lua em Outubro passado, a Chang'E-2 tinha como objectivo principal encontrar potenciais locais de alunagem para a sua sucessora, a Chang'E-3. Durante cerca de 180 dias, a sonda mapeou a superfície lunar com uma resolução superior à conseguida pela Chang'E-1, identificando cinco potenciais pontos de alunagem na planície basáltica de Sinus Iridum.
Apesar do sucesso da missão, continua ainda por determinar o destino final da Chang'E-2. De acordo com Wen Weibin, engenheiro sénior dos Observatórios Astronómicos Nacionais Chineses, a sonda encontra-se com combustível suficiente para observar a Lua por mais um ou dois anos. "Poderá ainda desviar a sua trajectória para o espaço exterior, região nunca antes alcançada por sondas chinesas", afirmou Weibin à CNTV.
A próxima fase do programa chinês de exploração da Lua terá início em 2013, com o lançamento da Chang'E-3.

sábado, 2 de abril de 2011

LRO observa derrocadas em Klute W

Fracturas e derrocadas na orla da cratera Klute W, no lado mais distante da Lua. São visíveis na imagem objectos do tamanho de pequenos automóveis.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Klute W mostra com nitidez alguns dos processos geológicos que promovem as lentas transformações na estrutura das crateras lunares. Recentemente, a Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) observou fracturas e derrocadas na orla sul desta relativamente jovem cratera, processos de degradação que poderão ser influenciados pelos pequenos impactos nas redondezas. As sucessivas derrocadas nas orlas das crateras lunares vão aumentando ligeiramente os respectivos diâmetros, apagando não só a estrutura original das vertentes esculpidas pelo impacto, como também parte do manto de ejecta e as pequenas crateras sobre si formadas.

Mosaico construído com imagens obtidas pela câmara de grande angular da LRO, mostrando a cratera Klute W e toda a região em redor. O terreno visível na imagem de cima encontra-se assinalado pelo quadrado branco.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.