segunda-feira, 25 de abril de 2011

E a tempestade continua...

O planeta dos anéis visto a 22 de Abril de 2011 pela câmara de ângulo aberto da sonda Cassini, quando esta se encontrava a cerca de 2,182 milhões de quilómetros do topo das suas nuvens. Composição em cores aproximadamente naturais resultante da combinação de imagens obtidas através dos filtros azul (460 nm), verde (567 nm) e infra-vermelho próximo (752 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

A tempestade serpente, que desde Dezembro passado se mantém activa no hemisfério norte de Saturno, não dá quaisquer sinais de abrandamento. Como podem ver na imagem, neste momento forma uma cintura bem definida nas latitudes temperadas a norte.
Podem ver aqui, aqui, aqui e aqui, mais imagens deste fenómeno.

sábado, 23 de abril de 2011

Uma janela para a superfície de Titã

Dois retratos de Titã obtidos a 19 de Abril de 2011 pela sonda Cassini. O primeiro resulta da combinação de três imagens captadas através de filtros de luz visível (azul, verde e vermelho) e representa a lua de Saturno em cores naturais. O segundo foi criado através da combinação de duas imagens em infra-vermelho (890 e 939 nm) com uma imagem captada através de um filtro para luz visível (cor violeta a 420 nm).
No segundo retrato, as áreas a verde representam os locais onde a Cassini consegue observar a superfície de Titã. A vermelho estão representadas as regiões mais elevadas da estratosfera titaniana, locais onde o metano atmosférico absorve a luz visível. O halo azul escuro visível em redor de Titã corresponde à neblina de aerossóis formada na termosfera titaniana, uma camada atmosférica que se torna mais proeminente nos comprimentos de onda próximos do violeta visível.

Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

A propósito do recente artigo sobre a possibilidade da existência na Galáxia de mais Titãs que Terras, achei interessante mostrar-vos como o sistema de imagem da sonda Cassini toma partido das propriedades físicas da atmosfera titaniana para observar a superfície de Titã.
Quando em 1980, as sondas Voyager se aproximaram da maior lua de Saturno, encontraram um corpo envolto numa densa neblina alaranjada completamente opaca à luz visível. Para observar a superfície de Titã, os responsáveis da missão Cassini tiveram de incluir no sistema de imagem da sua sonda um conjunto de filtros sensíveis à radiação infravermelha, a única capaz de penetrar a complexa mistura de moléculas orgânicas que compõe a atmosfera titaniana. No entanto, o metano (um dos seus principais constituintes) tem bandas de forte absorção no infra-vermelho próximo (619, 727 e 890 nm), pelo que a Cassini transporta filtros especiais para estreitas janelas deslocadas dessas regiões do espectro electromagnético. Neste conjunto de filtros, é particularmente importante o filtro para os 939 nm, a única banda onde a atmosfera titaniana é quase completamente transparente.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O nascimento de um grupo de manchas solares

Recordam-se de AR1158, uma região activa que em Fevereiro passado produziu duas violentas explosões solares (ver aqui, aqui e aqui)? A equipa da missão do SDO publicou recentemente este espectacular vídeo que mostra a evolução desta região, desde o seu nascimento até à sua passagem para o hemisfério mais distante do Sol. A acção desenrola-se ao longo de duas semanas, o correspondente a metade do período de rotação solar.

A região activa AR1158 numa sequência de imagens captadas entre os dias 7 e 20 de Fevereiro de 2011, pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory, banda dos 4500 Å.
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

Estranhas texturas na superfície de Mercúrio

Colinas e vales de aspecto caótico nas proximidades da cratera Petrarca. Imagem captada a 05 de Abril de 2011 pela câmara de ângulo fechado do instrumento Mercury Dual Imaging System da sonda MESSENGER.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

A superfície plana do interior da cratera Petrarca contrasta, nesta imagem, com as texturas enrugadas e caóticas que se estendem a leste. Apelidada de "terreno esquisito" pela equipa de imagem da Mariner 10 (a primeira sonda a obter imagens desta região de Mercúrio), esta área foi provavelmente modificada pela convergência de ondas sísmicas e/ou ejecta resultantes da formação de Caloris.

Caloris, uma gigantesca bacia de impacto com cerca de 1.550 quilómetros de diâmetro. O terreno caótico visível na primeira imagem situa-se exactamente no seu ponto antipodal.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

sábado, 16 de abril de 2011

Haverá na Galáxia mais Titãs do que Terras?

O hemisfério norte de Titã visto pela Cassini em cores naturais.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Foi recentemente publicado um interessante artigo na revista Planetary and Space Science que se debruça sobre as condições que favorecem a presença de metano líquido em planetas e luas fora do Sistema Solar. Os autores Ashley Gilliam e Chris McKay começam por enumerar as condições ambientais actualmente existentes em Titã, para definir, em seguida, as regiões nas órbitas das anãs vermelhas onde estas se pudessem manter estáveis.
Titã é um caso curioso no Sistema Solar. Junto à superfície, a maior lua de Saturno apresenta temperaturas e pressões atmosféricas que rondam, respectivamente, os 94 K e as 1,4 atm - condições próximas do ponto triplo do metano. A sua atmosfera é composta por mais de 90% de azoto, cerca de 5% de metano, e uma pequena mas importante fracção de compostos orgânicos opacos à luz visível, mas transparentes à radiação em comprimentos de onda no infravermelho. Esta última particularidade gera em Titã um eficaz efeito anti-estufa, uma vez que, em contraste com o que acontece na Terra, a atmosfera titaniana bloqueia a entrada de grande parte da radiação solar, mas permite o escape do calor da superfície para o espaço.

Ontarius Lacus, o maior lago de metano do hemisfério sul de Titã. Esta imagem captada a 12 de Janeiro de 2010 pelo radar da sonda Cassini, mostra não só os contornos definidos deste grande lago, mas também alguns rios serpenteando em direcção às suas margens.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Comparadas com o Sol, as anãs vermelhas são estrelas mais frias e menos luminosas, pelo que qualquer planeta com condições semelhantes às da Terra (em particular, a presença de água líquida capaz de suster uma biosfera semelhante à nossa), teria de se encontrar a distâncias muito curtas da sua estrela - distâncias suficientes para que o efeito de maré obrigasse o planeta a manter a mesma face voltada para a sua estrela. O resultado seria, certamente, a formação de extremos ambientais nos dois hemisférios, condições inóspitas para o florescimento da vida como a conhecemos.
No entanto, apesar da sua fraca luminosidade, as anãs vermelhas emitem uma fracção de luz infravermelha consideravelmente superior à do Sol, a mesma luz que consegue penetrar na densa neblina de compostos orgânicos presente na atmosfera titaniana. Partindo deste presuposto, Gilliam e McKay analisaram as alterações na superfície da lua Titã, se esta fosse colocada na órbita de uma estrela anã vermelha, a uma distância corresponde àquela em que estaria exposta ao mesmo fluxo de radiação infravermelha recebido do Sol na sua actual posição no Sistema Solar. Verificaram que, dentro das possíveis variações de actividade existentes nas anãs vermelhas, planetas do tamanho de Titã manteriam condições favoráveis à presença de metano líquido na sua superfície a distâncias entre 0,24 a 0,52 UA. Curiosamente, se o tamanho desses planetas fosse superior ao de Titã, a distância à sua estrela hospedeira poderia aumentar consideravelmente, devido ao previsível aumento do fluxo de calor interno. Para o caso particular da famosa anã vermelha Gliese 581, Titã poderia manter os seus lagos de metano líquido a uma distância de 1,66 UA!
Tendo em conta que as anãs vermelhas são as estrelas mais abundantes na Via Láctea, conclui-se de imediato que poderão existir mais planetas ou luas semelhantes a Titã do que objectos com ambientes terrestres.
Poderá a vida surgir em condições semelhantes às de Titã? Quem sabe? Talvez a nossa procura por vida devesse considerar essa possibilidade...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Talvez a melhor imagem de sempre da Grande Mancha Vermelha de Júpiter

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter num mosaico composto por 24 imagens captadas a 04 de Março de 1979 pela sonda Voyager 1, através de filtros para as cores violeta (400 nm) e laranja (615 nm), a uma distância de cerca de 1,85 milhões de quilómetros.
Crédito: NASA/JPL/ mosaico e composição a cores de Björn Jónsson.

A Grande Mancha Vermelha (GMV) de Júpiter é uma gigantesca tempestade de altas pressões em actividade há pelo menos 340 anos no hemisfério sul do planeta. Com dimensões máximas de 15 mil por 40 mil quilómetros, a GMV é suficientemente grande para conter dois a três planetas do tamanho da Terra!
Em 1979, as sondas Voyager obtiveram imagens impressionantes da intrincada estrutura da tempestade, algumas delas disponibilizadas pela NASA em pequenos mosaicos de baixa resolução.
Recentemente, o entusiasta do processamento de imagens Björn Jónsson reprocessou velhas imagens da Voyager 1 para construir este magnífico retrato do secular anticiclone. Depois de vasculhar a base de dados do Planetary Data System, Jónsson reuniu imagens suficientes para compor um mosaico maior e mais detalhado que as versões oficiais da NASA (ver aqui versão em cores verdadeiras e aqui versão em cores falsas). O resultado foi publicado no fórum Unmanned Spaceflight.com, local onde também está disponível uma versão em cores naturais. Aconselho-vos a observarem com atenção este retrato na máxima resolução de 18 km/pixel (cliquem aqui); vão descobrir certamente detalhes incríveis, que incluem algumas sombras projectadas pelas nuvens em redor da GMV.
Melhor que isto, talvez só em 2016, quando a sonda Juno alcançar a órbita de Júpiter!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Comemorações dos 50 anos do histórico voo de Yuri Gagarin - estreia do filme First Orbit

Comemoram-se hoje os 50 anos da épica viagem de Yuri Gagarin ao espaço. O que terá visto o primeiro ser humano na órbita da Terra? Durante os cerca de 108 minutos de voo, Gagarin descreveu como pôde o que observou a partir da sua cápsula espacial, mas não registou qualquer vídeo da sua jornada no espaço.
Numa colaboração única entre o produtor de documentários Christopher Riley e a ESA, pelas mãos do astronauta italiano Paolo Nespoli, estreia hoje First Orbit, um filme inteiramente gravado na órbita terrestre que reproduz a trajectória seguida por Gagarin a 12 de Abril de 1961. O filme combina imagens captadas a partir da Estação Espacial Internacional com as gravações audio originais da missão e música inédita produzida pelo compositor Philip Sheppard.
Vejam aqui, na integra, o novo filme.