sábado, 30 de abril de 2011

Equipa da New Horizons lança busca por novos alvos na Cintura de Kuiper

Representação artística do encontro da sonda New Horizons com um objecto da Cintura de Kuiper.
Crédito: Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute (JHUAPL/SwRI).

A equipa da missão New Horizons, em colaboração com astrónomos dos maiores observatórios em todo o mundo, iniciou este mês uma extensa campanha de busca de objectos da Cintura de Kuiper que possam ser visitados pela sonda americana depois do seu encontro com o sistema plutoniano em meados de 2015. Segundo John Spencer, um dos investigadores da missão, a New Horizons tem combustível suficiente para se aproximar, pelo menos, de um objecto com um tamanho mínimo de 50 quilómetros.

Diagrama da trajectória da New Horizons com os principais eventos assinalados. A órbita de Plutão e a trajectória da sonda encontram-se marcadas, respectivamente, a amarelo e e a vermelho.
Crédito: Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute (JHUAPL/SwRI).

De acordo com Spencer, ainda não haviam sido identificados os alvos seguintes da missão por duas razões. Em primeiro lugar, estes objectos deverão ter um brilho 10 mil vezes mais fraco que o de Plutão, um brilho próximo do limite do detecção dos maiores observatórios. Em segundo lugar, a New Horizons desloca-se na direcção da constelação de Sagitário, uma região densamente preenchida pelas estrelas do centro da Galáxia, onde a procura dos elusivos objectos da Cintura de Kuiper é extremamente difícil. Como resultado, a equipa teve de criar um programa de busca específico para a missão, um que pudesse alcançar os seus objectivos antes do encontro da sonda com Plutão.
Vão participar neste projecto uma equipa internacional de astrónomos provenientes de nove instituições sediadas nos Estados Unidos, no Canadá, na França e no Chile. Prevê-se que no conjunto sejam obtidas milhares de fotografias, contendo cada uma milhões de estrelas. A equipa de astrónomos terá de mergulhar nesta pilha de dados para procurar pequenos pontos de luz em movimento com órbitas localizadas na Cintura de Kuiper.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Um tesouro escondido em Mercúrio?

Cratera mercuriana sem nome fotografada no dia 24 de Abril de 2011 pela sonda MESSENGER.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

Terá a MESSENGER descoberto o local onde se esconde um tesouro?
No passado Domingo, a sonda americana apontou as suas câmaras para uma grande cratera sem nome com uma curiosa marca em forma de X no seu interior. Obviamente, as duas linhas perpendiculares não marcam nenhum esconderijo de qualquer tesouro mercuriano. São apenas duas cadeias de crateras secundárias alinhadas de forma caprichosa, com origem nos ejecta de dois impactos primários localizados nas proximidades.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Locais na superfície de Lutécia recebem nomes oficiais

21 Lutécia e os 36 nomes escolhidos para crateras, fissuras, escarpas e outros locais na superfície do asteróide.
Crédito: ESA 2010 MPS para a equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA.

Foram aprovados no início do mês pelo Working Group for Planetary System Nomenclature (WGPSN) da União Astronómica Internacional (UAI) nomes novos para crateras e outros locais de interesse geológico observados no ano passado pela sonda europeia Rosetta na superfície de Lutécia. As 13 crateras nomeadas receberam o nome de cidades romanas e outras regiões europeias adjacentes contemporâneas de Lutécia - a cidade sepultada no que hoje são as fundações de Paris. Para as regiões e outras estruturas geológicas foram reservados, respectivamente: os nomes de Hermann Goldschmidt (o descobridor do asteróide 21 Lutécia) e de províncias do Império Romano do tempo de Lutécia; e os nomes de rios e territórios adjacentes a Roma usados no mesmo período.
Para mais informações visitem esta página.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Primeiro aniversário do Solar Dynamics Observatory - votem no vosso vídeo favorito

O Solar Dynamics Observatory (SDO) completou no passado dia 21 de Abril de 2011 um ano de actividade no espaço. Foram 12 meses a observar continuamente a nossa estrela com um nível de detalhe nunca antes alcançado. A missão devolveu imagens impressionantes de explosões solares, filamentos, proeminências e ejecções de massa coronal, alguns destes fenómenos publicados aqui no blog.
Para comemorar a data, a equipa da missão reuniu 10 vídeos com alguns dos mais belos e interessantes eventos registados pelo SDO. Podem ver todos os vídeos e votar aqui no vosso favorito até ao dia 5 de Maio. Os resultados serão publicados no dia seguinte.

Solar Dynamics Observatory: o primeiro ano.
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

KaBOOOOMM!!!

Cratera lunar muito recente, com cerca de 80 metros de diâmetro, fotografada a 15 de Março de 2011 pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Quando vi pela primeira vez a imagem desta pequena cratera não consegui deixar de imaginar a violenta explosão que a formou. Quase que se consegue visualizar toda a acção desse momento impressa no manto brilhante de ejecta que cobre toda a área envolvente. Curiosamente, são também visíveis crateras secundárias formadas pela queda de grandes fragmentos de rocha resultantes do impacto primário. Estas estruturas são, por sua vez, rodeadas pelos seus próprios mantos de ejecta formados por material mais escuro proveniente dos estratos inferiores.

Pormenor da imagem de cima mostrando o manto de ejecta e algumas crateras secundárias.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

O padrão em estrela dos raios que rodeiam esta cratera e a elevada reflectência do manto de ejecta são sinais claros da frescura deste impacto. A estrutura situa-se nas proximidades de Mare Undarum, no extremo leste do hemisfério mais próximo da Terra.

E a tempestade continua...

O planeta dos anéis visto a 22 de Abril de 2011 pela câmara de ângulo aberto da sonda Cassini, quando esta se encontrava a cerca de 2,182 milhões de quilómetros do topo das suas nuvens. Composição em cores aproximadamente naturais resultante da combinação de imagens obtidas através dos filtros azul (460 nm), verde (567 nm) e infra-vermelho próximo (752 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

A tempestade serpente, que desde Dezembro passado se mantém activa no hemisfério norte de Saturno, não dá quaisquer sinais de abrandamento. Como podem ver na imagem, neste momento forma uma cintura bem definida nas latitudes temperadas a norte.
Podem ver aqui, aqui, aqui e aqui, mais imagens deste fenómeno.

sábado, 23 de abril de 2011

Uma janela para a superfície de Titã

Dois retratos de Titã obtidos a 19 de Abril de 2011 pela sonda Cassini. O primeiro resulta da combinação de três imagens captadas através de filtros de luz visível (azul, verde e vermelho) e representa a lua de Saturno em cores naturais. O segundo foi criado através da combinação de duas imagens em infra-vermelho (890 e 939 nm) com uma imagem captada através de um filtro para luz visível (cor violeta a 420 nm).
No segundo retrato, as áreas a verde representam os locais onde a Cassini consegue observar a superfície de Titã. A vermelho estão representadas as regiões mais elevadas da estratosfera titaniana, locais onde o metano atmosférico absorve a luz visível. O halo azul escuro visível em redor de Titã corresponde à neblina de aerossóis formada na termosfera titaniana, uma camada atmosférica que se torna mais proeminente nos comprimentos de onda próximos do violeta visível.

Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

A propósito do recente artigo sobre a possibilidade da existência na Galáxia de mais Titãs que Terras, achei interessante mostrar-vos como o sistema de imagem da sonda Cassini toma partido das propriedades físicas da atmosfera titaniana para observar a superfície de Titã.
Quando em 1980, as sondas Voyager se aproximaram da maior lua de Saturno, encontraram um corpo envolto numa densa neblina alaranjada completamente opaca à luz visível. Para observar a superfície de Titã, os responsáveis da missão Cassini tiveram de incluir no sistema de imagem da sua sonda um conjunto de filtros sensíveis à radiação infravermelha, a única capaz de penetrar a complexa mistura de moléculas orgânicas que compõe a atmosfera titaniana. No entanto, o metano (um dos seus principais constituintes) tem bandas de forte absorção no infra-vermelho próximo (619, 727 e 890 nm), pelo que a Cassini transporta filtros especiais para estreitas janelas deslocadas dessas regiões do espectro electromagnético. Neste conjunto de filtros, é particularmente importante o filtro para os 939 nm, a única banda onde a atmosfera titaniana é quase completamente transparente.