quinta-feira, 5 de maio de 2011

Estranhas colinas na cratera King

Pequenas colinas com base circular localizadas no interior da cratera King, no lado mais distante da Lua. Imagem captada a 15 de Dezembro de 2009, pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Algumas formações geológicas fotografadas pela Lunar Reconnaissance Orbiter na superfície lunar têm levantado mais questões do que respostas. É este o caso, por exemplo, dos vários grupos de colinas de base circular ou irregular que salpicam o interior da cratera King. Não são óbvios na paisagem circundante os processos geológicos envolvidos na sua génese.
Uma das hipóteses avançadas pelos investigadores sugere que estas pequenas colinas tiveram origem no material fundido pelo calor do impacto que formou a cratera King. Quente o suficiente para ser acumulada num grande lago no interior da cratera, a rocha fundida pelo impacto deverá ter sofrido um rápido arrefecimento na superfície, formando uma fina e frágil crusta sólida descontinuada nalguns locais por pequenos poços ou fracturas. Nestas condições, a pressão no interior do lago poderá ter sido suficiente para produzir pequenas extrusões de material fluído que se expandiu lentamente na superfície até solidificar nas estruturas arredondada que vemos hoje (imaginem pasta de dentes a ser prensada contra uma placa esburacada).
Apesar deste processo se assemelhar ao vulcanismo clássico, difere deste num aspecto fundamental: ao contrário do que acontece nos processos vulcânicos, onde o magma é proveniente do manto ou de câmaras no interior da crusta, o material fundido num impacto tem origem apenas na superfície, pelo que arrefece rapidamente, formando, consequentemente, extrusões com pouco volume.
Terá sido este o fenómeno ocorrido na cratera King?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Mais um eclipse solar observado pelo SDO

A Lua voltou ontem de manhã a interpôr-se entre o Solar Dynamics Observatory e o Sol. Durante cerca de meia hora, as câmaras de alta-resolução do mais moderno observatório solar da NASA registaram, com uma nitidez impressionante, a silhueta irregular da Lua a evoluir sobre o disco solar.

Um eclipse solar observado a 03 de Maio de 2011 pelo Solar Dynamics Observatory.
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

Àparte de proporcionarem um conjunto de imagens de beleza invulgar, estes eventos são uma oportunidade única para a equipa da missão avaliar o desempenho dos sistemas ópticos do SDO.

Pormenor de uma das imagens do trânsito da Lua observado a 03 de Maio de 2011 pelo Solar Dynamics Observatory. Reparem como são visíveis algumas montanhas lunares a recortar o disco solar. É a nitidez destes contornos que serve como parâmetro para a avaliação do desempenho dos sistemas ópticos do observatório solar da NASA.
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

sábado, 30 de abril de 2011

Equipa da New Horizons lança busca por novos alvos na Cintura de Kuiper

Representação artística do encontro da sonda New Horizons com um objecto da Cintura de Kuiper.
Crédito: Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute (JHUAPL/SwRI).

A equipa da missão New Horizons, em colaboração com astrónomos dos maiores observatórios em todo o mundo, iniciou este mês uma extensa campanha de busca de objectos da Cintura de Kuiper que possam ser visitados pela sonda americana depois do seu encontro com o sistema plutoniano em meados de 2015. Segundo John Spencer, um dos investigadores da missão, a New Horizons tem combustível suficiente para se aproximar, pelo menos, de um objecto com um tamanho mínimo de 50 quilómetros.

Diagrama da trajectória da New Horizons com os principais eventos assinalados. A órbita de Plutão e a trajectória da sonda encontram-se marcadas, respectivamente, a amarelo e e a vermelho.
Crédito: Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute (JHUAPL/SwRI).

De acordo com Spencer, ainda não haviam sido identificados os alvos seguintes da missão por duas razões. Em primeiro lugar, estes objectos deverão ter um brilho 10 mil vezes mais fraco que o de Plutão, um brilho próximo do limite do detecção dos maiores observatórios. Em segundo lugar, a New Horizons desloca-se na direcção da constelação de Sagitário, uma região densamente preenchida pelas estrelas do centro da Galáxia, onde a procura dos elusivos objectos da Cintura de Kuiper é extremamente difícil. Como resultado, a equipa teve de criar um programa de busca específico para a missão, um que pudesse alcançar os seus objectivos antes do encontro da sonda com Plutão.
Vão participar neste projecto uma equipa internacional de astrónomos provenientes de nove instituições sediadas nos Estados Unidos, no Canadá, na França e no Chile. Prevê-se que no conjunto sejam obtidas milhares de fotografias, contendo cada uma milhões de estrelas. A equipa de astrónomos terá de mergulhar nesta pilha de dados para procurar pequenos pontos de luz em movimento com órbitas localizadas na Cintura de Kuiper.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Um tesouro escondido em Mercúrio?

Cratera mercuriana sem nome fotografada no dia 24 de Abril de 2011 pela sonda MESSENGER.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

Terá a MESSENGER descoberto o local onde se esconde um tesouro?
No passado Domingo, a sonda americana apontou as suas câmaras para uma grande cratera sem nome com uma curiosa marca em forma de X no seu interior. Obviamente, as duas linhas perpendiculares não marcam nenhum esconderijo de qualquer tesouro mercuriano. São apenas duas cadeias de crateras secundárias alinhadas de forma caprichosa, com origem nos ejecta de dois impactos primários localizados nas proximidades.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Locais na superfície de Lutécia recebem nomes oficiais

21 Lutécia e os 36 nomes escolhidos para crateras, fissuras, escarpas e outros locais na superfície do asteróide.
Crédito: ESA 2010 MPS para a equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA.

Foram aprovados no início do mês pelo Working Group for Planetary System Nomenclature (WGPSN) da União Astronómica Internacional (UAI) nomes novos para crateras e outros locais de interesse geológico observados no ano passado pela sonda europeia Rosetta na superfície de Lutécia. As 13 crateras nomeadas receberam o nome de cidades romanas e outras regiões europeias adjacentes contemporâneas de Lutécia - a cidade sepultada no que hoje são as fundações de Paris. Para as regiões e outras estruturas geológicas foram reservados, respectivamente: os nomes de Hermann Goldschmidt (o descobridor do asteróide 21 Lutécia) e de províncias do Império Romano do tempo de Lutécia; e os nomes de rios e territórios adjacentes a Roma usados no mesmo período.
Para mais informações visitem esta página.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Primeiro aniversário do Solar Dynamics Observatory - votem no vosso vídeo favorito

O Solar Dynamics Observatory (SDO) completou no passado dia 21 de Abril de 2011 um ano de actividade no espaço. Foram 12 meses a observar continuamente a nossa estrela com um nível de detalhe nunca antes alcançado. A missão devolveu imagens impressionantes de explosões solares, filamentos, proeminências e ejecções de massa coronal, alguns destes fenómenos publicados aqui no blog.
Para comemorar a data, a equipa da missão reuniu 10 vídeos com alguns dos mais belos e interessantes eventos registados pelo SDO. Podem ver todos os vídeos e votar aqui no vosso favorito até ao dia 5 de Maio. Os resultados serão publicados no dia seguinte.

Solar Dynamics Observatory: o primeiro ano.
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

KaBOOOOMM!!!

Cratera lunar muito recente, com cerca de 80 metros de diâmetro, fotografada a 15 de Março de 2011 pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Quando vi pela primeira vez a imagem desta pequena cratera não consegui deixar de imaginar a violenta explosão que a formou. Quase que se consegue visualizar toda a acção desse momento impressa no manto brilhante de ejecta que cobre toda a área envolvente. Curiosamente, são também visíveis crateras secundárias formadas pela queda de grandes fragmentos de rocha resultantes do impacto primário. Estas estruturas são, por sua vez, rodeadas pelos seus próprios mantos de ejecta formados por material mais escuro proveniente dos estratos inferiores.

Pormenor da imagem de cima mostrando o manto de ejecta e algumas crateras secundárias.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

O padrão em estrela dos raios que rodeiam esta cratera e a elevada reflectência do manto de ejecta são sinais claros da frescura deste impacto. A estrutura situa-se nas proximidades de Mare Undarum, no extremo leste do hemisfério mais próximo da Terra.