segunda-feira, 13 de junho de 2011

Descobertas duas novas luas em Júpiter

Júpiter soma agora 65 satélites conhecidos com a descoberta em Setembro passado de mais duas pequenas luas exteriores. Designadas respectivamente S/2010 J1 e S/2010 J2, os dois novos objectos parecem pertencer a grupos distintos. S/2010 J1 tem cerca de 2 km de diâmetro e deverá fazer parte do grupo de Carme, enquanto que S/2010 J2 não ultrapassa 1 km de diâmetro e aparenta pertencer ao grupo de Pasífae (ver características orbitais aqui e aqui).
Estiveram envolvidos nas duas descobertas diferentes grupos de astrónomos. S/2010 J1 foi identificada por R. Jacobson, M. Brozovic, B. Gladman, and M. Alexandersen através do Palomer 5-m Hale Telescope, na Califórnia. C. Veillet descobriu o segundo objecto com o auxílio do 3,5-m Canada-France-Hawaii Telescope, em Mauna Kea, Hawaii.

domingo, 12 de junho de 2011

Jápeto: novas imagens e uma nova revisão do modelo que explica a formação das suas duas faces

O hemisfério sul de Jápeto em cores naturais, num retrato construído com três imagens captadas a 07 de Junho de 2011 pelo sistema de imagem ISS da sonda Cassini, através de filtros de luz visível para as cores azul (451 nm), verde (568 nm) e vermelho (650 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Como já tinha referido anteriormente, na semana passada a sonda Cassini aproveitou um encontro distante com a lua Jápeto para realizar três longas sessões de observação do seu hemisfério sul. Esta foi também uma oportunidade para recolher as melhores imagens alguma vez obtidas de grande parte da região a oeste da bacia de impacto Engelier. Aqui fica uma animação com imagens deste encontro.

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O encontro da Cassini com Jápeto numa animação construída com 29 imagens obtidas entre 07 e 10 de Junho de 2011.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/animação de Sérgio Paulino.

Entretanto, na passada quinta-feira foi publicado um novo artigo que introduz alguns elementos interessantes no modelo que explica a formação da discrepância de cores entre os dois hemisférios de Jápeto. Proposto pela primeira vez por Steven Soter em 1974, o modelo atribui uma origem exógena ao material negro que tinge Cassini Regio, uma vasta região localizada no hemisfério voltado directamente para o sentido de movimento da lua ao longo da sua órbita. De acordo com Soter, partículas de poeira em órbitas retrógadas, geradas pelo bombardeamento de micrometeoritos na superfície de Febe, colidiriam preferencialmente com esse hemisfério, tornando-o ao longo do tempo significativamente mais escuro.

Dois retratos globais de Jápeto que ilustram a dicotomia de brilho presente na sua superfície. À esquerda encontram-se o hemisfério directamente voltado para o sentido de movimento da lua ao longo da sua órbita. À direita é visível o hemisfério oposto. Cassini Regio é a região mais escura de Jápeto e ocupa cerca de 40% do total da sua superfície.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

A descoberta em 2009 de um novo anel em redor de Saturno junto da órbita retrógada de Febe, parecia somar mais alguma consistência ao modelo de Soter. No entanto, no ano passado, um grupo de astrónomos verificou que a coloração observada em Jápeto apresentava propriedades dificilmente explicáveis pela acumulação de partículas de poeira provenientes de Febe. Em primeiro lugar, caso fosse essa a origem da misteriosa coloração, seria de esperar uma transição mais gradual entre as duas regiões - algo que não se verifica nas imagens de alta resolução captadas pela sonda Cassini. Em segundo lugar, as regiões junto aos pólos são praticamente tão brilhantes quanto o hemisfério oposto a Cassini Regio - um aspecto inexplicável à luz do modelo de Soter. Em terceiro lugar, as características espectrais do material escuro de Jápeto diferem consideravelmente das observadas na superfície de Febe. Por último, os limites de Cassino Regio localizam-se a leste e a oeste cerca de 10º além do previsto.
Estas incongruências estimularam a discussão na comunidade científica, pelo que rapidamente surgiram novos elementos para reforçar o modelo de Soter. A transição abrupta entre as duas região de Jápeto foi a primeira a ser explicada. De acordo com a equipa de imagem da Cassini, a absorção de luz pelo material negro de Cassini Regio poderia ser convertida em calor, que por sua vez sublimaria o gelo brilhante em seu redor, expandindo assim os limites desta região. Esta hipótese prevê também a migração de materiais voláteis para o hemisfério oposto, o que acentuaria a diferença de brilho entre os dois hemisférios.

Modelo da migração de gelo em Jápeto induzida pelo aquecimento do material negro que cobre Cassini Regio, e comparação com a sua distribuição actual.
Crédito: Southwest Research Institute/NASA/JPL/Steve Albers, NOAA.

O novo estudo publicado na semana passada analisa uma boa parte das restantes incongruências. De acordo com Tamayo e colegas, a pequena lua irregular Ymir parece ser um contribuinte de partículas de poeira negra tão importante quanto Febe. Outras pequenas luas irregulares aparentam ser também no seu conjunto fontes importantes do material negro observado em Cassini Regio. Esta variedade explica as características espectrais únicas desta região. Curiosamente, estas características são partilhadas pelo material negro observado no fundo das crateras de Hiperião, o que sugere a migração destas partículas para outras luas interiores, incluindo Titã.
Este estudo propôe ainda uma solução para o problema da distribuição do material escuro na superfície de Jápeto. De acordo com os autores do artigo, as partículas de poeira colidem com a superfície da lua em ângulos diferentes do proposto pelo modelo inicial de Soter, como resultado de excentricidades orbitais produzidas pela pressão da radiação solar.
Podem ler mais sobre este trabalho aqui.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sondas Voyager encontram espuma magnética nas fronteiras do Sistema Solar

Uma nova visão da heliosfera numa representação artística que inclui as bolhas magnéticas observadas pelas sondas Voyager nas fronteiras do Sistema Solar.
Crédito: NASA/Goddard Space Flight Center/CI Lab.

Chegaram notícias inesperadas das regiões mais exteriores do Sistema Solar. As duas sondas Voyager detectaram uma região turbulenta preenchida por bolhas magnéticas com cerca de 160 milhões de quilómetros de comprimento, pouco mais que a distância que separa a Terra do Sol.

Comparação da dimensão das bolhas magnéticas com a distância Terra-Sol.
Crédito: NASA.

A descoberta surpreendeu os investigadores da missão. Aparentemente, a região de interacção entre a heliosfera e o meio interestelar é muito mais complexa que o previsto nos modelos teóricos. Devido ao movimento de rotação do Sol, o campo magnético solar tende a deformar-se como a saia de uma bailarina. Nas distantes regiões onde se encontram as duas sondas Voyager, as dobras do campo magnético são comprimidas e reorganizadas. Ao contrário do que os cientistas pensavam, esta reorganização não é simples nem graciosa. Acumuladas contra o espaço interestelar, as linhas de força magnética entrecruzam-se e reconectam-se, por vezes de forma violenta, gerando a estrutura espumosa observada pelos instrumentos das Voyager.

A nova visão das fronteiras do Sistema Solar (à direita) comparada com o modelo antigo (à esquerda).
Crédito: NASA/Goddard Space Flight Center/CI Lab.

Esta descoberta levanta novas questões quanto à eficácia desta região na defesa do Sistema Solar dos raios cósmicos galácticos. Aparentemente, a heliopausa é mais uma membrana porosa do que uma verdadeira barreira. Os investigadores vão continuar a reunir mais dados, de forma a perceberem qual a verdadeira interacção entre estas estruturas e o meio interestelar.
Assistam a este vídeo da NASA que explica de forma gráfica esta nova descoberta:

Rosetta observa pela primeira vez o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

A Rosetta terminou anteontem a primeira fase da sua longa jornada de 10 anos até ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Ao início da manhã, a equipa de controlo da missão enviou um último comando que colocou a sonda europeia numa profunda hibernação que se prolongará por cerca de 31 meses. Durante este longo período, todos os instrumentos científicos e quase todos os sistemas de controlo permanecerão desligados, um procedimento que permitirá poupar energia antes da aproximação final ao cometa em Março de 2014.
Antes de entrar em hibernação, a Rosetta fez uma primeira observação do seu destino.

67P/Churyumov-Gerasimenko surge nesta imagem obtida pela sonda Rosetta como um fraco ponto luminoso perdido num denso campo de estrelas situado na direcção da constelação do Escorpião.
Crédito: ESA 2011 MPS for OSIRIS-Team MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA.

67P/Churyumov-Gerasimenko encontra-se ainda a cerca de 163 milhões de quilómetros de distância da sonda Rosetta, pelo que para localizar o cometa foram necessárias cerca de 13 horas de exposição (repartidas por 52 sessões de 15 minutos cada) e um substancial trabalho de processamento. O resultado foi uma imagem do destino final da missão com poucos pixels de diâmetro - uma proeza que demonstra as magníficas capacidades do sistema de imagem da sonda europeia.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mais um espectacular vídeo da explosão solar de ontem

Aqui têm mais um vídeo com imagens impressionantes da violenta explosão solar de ontem.

A explosão de ontem vista pelos dois observatórios espaciais SDO e SOHO.
Crédito: NASA/SDO/SOHO.

De acordo com o NOAA, a explosão libertou uma ejecção de massa coronal assimétrica com uma velocidade estimada de 1.155 km.s-1. O fenómeno deverá produzir pequenas tempestades geomagnéticas nos próximos dois dias.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sol liberta ejecção de massa coronal e tempestade de radiação

Esta manhã, pouco depois das 07:30 (hora de Lisboa), instabilidades nas linhas do campo magnético sobre o complexo de manchas solares 1226-1227 desencadearam a erupção de uma monstruosa proeminência, acompanhada de uma explosão classe M2,5 e de uma violenta ejecção de massa coronal. O fenómeno produziu ainda uma tempestade de radiação classe S1, demasiado fraca para provocar problemas nos satélites em órbita terrestre. Apesar da ejecção de massa coronal ter sido direccionada para longe da Terra, esperam-se nos próximos dias algumas manifestações no campo magnético terrestre resultantes deste evento.
Vejam em baixo algumas imagens impressionantes deste fenómeno.

A explosão de classe M2,5 responsável pela libertação da gigantesca nuvem de plasma sobre o extremo leste do disco solar. Imagem captada hoje, ao início da manhã, pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory (SDO), através do canal de 304 Å (He II).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

Nuvem de plasma pairando sobre a superfície solar poucas horas depois do início da erupção. Imagem captada pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory (SDO), através do canal de 304 Å (He II).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

Ejecção de massa coronal vista pelo coronógrafo LASCO do observatório solar SOHO. Reparem na quantidade de partículas energéticas em colisão com o detector CCD.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA.

A sucessão de violentos fenómenos observados hoje no Sol, num vídeo narrado pelos autores do blog The Sun Today.
Crédito: SOHO/SDO/http://www.helioviewer.org/.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Encontro com Jápeto

O hemisfério sul de Jápeto fotografado pela sonda Cassini a 04 de Junho de 2011, a cerca de 1,0 milhões de quilómetros de distância.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

A sonda Cassini vai passar amanhã pelas 10:30 (UTC) a cerca de 863 mil quilómetros de distância de Jápeto, a mais exterior das grandes luas de Saturno. Este vai ser um dos encontros mais próximos de toda a missão, pelo que a semana de trabalho da Cassini será preenchida com pelo menos três extensas sessões de observação desta lua de aspecto bizarro.
A imagem de cima foi captada no passado Sábado e é uma espécie de aperitivo para o que se segue. Centrada perto do pólo sul de Jápeto, a imagem mostra a superfície brilhante de Saragossa Terra parcialmente submersa na escuridão. São visíveis ainda, em perfil, os picos esbranquiçados de Carcassone Montes e as gigantescas bacias de impacto Engelier e Gerin.