sábado, 9 de julho de 2011

Uma montanha gigante no pólo sul de Vesta

Vesta visto pela Dawn a 01 de Julho de 2011, a uma distância de 100 mil quilómetros.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA.

A Dawn tem estado a enviar imagens cada vez mais nítidas da superfície de Vesta. A última imagem divulgada pela equipa da missão mostra já várias crateras com algumas dezenas de quilómetros de diâmetro e grandes áreas de terreno aparentemente mais plano. Mas o que mais me impressionou foi o grande maciço rochoso que se eleva na região do pólo sul, no interior da gigantesca cratera de 460 quilómetro de diâmetro que domina todo o hemisfério sul. Observado pela primeira vez pelo telescópio Hubble, esta colossal montanha promete ser um dos principais focos de interesse da missão.
No início deste ano foi publicado um curioso artigo na revista Geophysical Research Letters que explica a formação desta cratera e do seu pico central, e a sua influência na aparência global de Vesta. Baseados na análise de simulações computorizadas tridimensionais com condições iniciais únicas, os autores determinaram que a gigantesca estrutura foi moldada pelo impacto oblíquo de um objecto com 50 quilómetros de diâmetro a uma velocidade de 5 km.s-1. Podem encontrar aqui uma belíssima revisão deste trabalho (em inglês) e em baixo, duas espectaculares animações ilustrando o impacto e a consequente distribuição de ejecta.

A formação de uma gigantesca cratera no pólo sul de Vesta segundo o modelo de Martin Jutzi e Eric Asphaug.
Crédito: Martin Jutzi.

Distribuição do ejecta após o impacto.
Crédito: Martin Jutzi.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Filhos de África

Children of Africa é o nome do novo vídeo musical do projecto Sinfonia da Ciência. Desta vez são focadas as origens da humanidade e o seu caminho desde o seu berço em África até à conquista do espaço. Emprestam as suas vozes a este tema Jacob Bronowski, Alice Roberts, Carolyn Porco, Jane Goodall, Robert Sapolsky, Neil deGrasse Tyson e o inconfundível David Attenborough.


Podem apreciar os restantes vídeos deste projecto aqui.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Anatomia de uma supertempestade em Saturno

A Cassini testemunhou em Dezembro passado o nascimento de um dos maiores fenómenos meteorológicos alguma vez observados no Sistema Solar: uma gigantesca tempestade no hemisfério norte de Saturno. Na sua posição privilegiada, a sonda conseguiu reunir dados preciosos para a equipa da missão reconstruir a sequência de eventos que estão na génese deste fenómeno. Os primeiros resultados dessas observações foram publicados hoje em dois artigos na revista Nature (ver aqui e aqui).

A supertempestade do hemisfério norte de Saturno em quatro imagens em cores falsas (3 filtros para o infravermelho próximo) obtidas pela sonda Cassini a 26 de Fevereiro de 2011. Os dois mosaicos de baixo estão separados por 11 horas (cerca de um dia saturniano).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI.

Os primeiros indícios do início da tempestade surgiram a 5 de Dezembro com a detecção de fortes emissões rádio com origem em Saturno pelo instrumento RPWS da sonda Cassini. Estas emissões estão associadas a descargas eléctricas na atmosfera saturniana e surgem geralmente como pequenos mas intensos picos de ondas rádio. Nesse dia, a frequência de relâmpagos foi tão intensa que os picos individuais se agruparam numa quase contínua emissão. Oiçam aqui os sons das descargas electrostáticas detectadas a 15 de Março, quando as emissões eram menos intensas e, consequentemente, com uma melhor resolução.
No mesmo dia, a equipa responsável pelo sistema de imagem da Cassini localizou no hemisfério norte um sistema de nuvens brancas brilhantes com 2.500 km de comprimento por 1.300 km de largura pairando a uma latitude de 32º. Alguns dias depois, astrónomos amadores em todo o mundo começaram a documentar a expansão de uma gigantesca tempestade na mesma região numa estrutura em forma de cometa.

A supertempestade três semanas após o seu início. Imagem em cores falsas obtidas pela sonda Cassini a 24 de Dezembro de 2010.
Dados obtidos pela sonda Cassini e por observatórios na Terra sugerem que a aparência cometária da tempestade se deve ao movimento convectivo de partículas de gelo de água e de amónia de nuvens profundas de água (a cerca de 250 km de profundidade) para a troposfera superior, região da atmosfera saturniana onde são arrastados pelos fortes ventos dominantes para leste.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI.

Segundo a responsável da missão Carolyn Porco, é curiosa a localização da tempestade a cerca de 35º de latitude norte. Desde a sua chegada a Saturno, a Cassini observou apenas 10 tempestades com relâmpagos, todas localizadas a 35º de latitude sul, num estreito corredor apelidado pela equipa por "Alameda das Tempestades" (na Terra e em Júpiter, estas tempestades são mais frequentes e menos intensas). Agora que estamos em plena Primavera no hemisfério norte, esta violenta tempestade com intensas descargas eléctricas irrompe à mesma distância do equador mas no sentido oposto. Esta simetria não pode ser mera coincidência e tem estado a ser analisada em detalhe pelos cientistas da missão.
A supertempestade continua em actividade e não dá quaisquer sinais de abrandamento. Este mês será um dos alvos principais das câmaras da Cassini, pelo que iremos ter certamente em breve mais novidades sobre este belíssimo fenómeno.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Menos um cometa no Sistema Solar

Esta madrugada, um cometa brilhante recém-descoberto mergulhou a grande velocidade em direcção à superfície solar. O encontro foi observado pelo coronógrafo LASCO do observatório espacial SOHO.

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Mergulho de um cometa suicida no Sol numa animação composta por 48 imagens obtidas a 05 e a 06 de Julho de 2011 pelo coronógrafo LASCO, um dos 11 instrumentos científicos que se encontram a bordo da SOHO.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA/animação de Sérgio Paulino.

Aparentemente, o objecto não sobreviveu à passagem pela atmosfera solar, desintegrando-se por completo antes de emergir do outro lado do disco solar. Este é mais um membro da família Kreutz, um grupo de cometas com órbitas rasantes ao Sol (vejam mais membros desta família no seu mergulho fatal aqui, aqui, aqui e aqui).

domingo, 3 de julho de 2011

Nuvens iridescentes no Estoril

Nem sempre as nuvens são aborrecidas num dia de Verão. Ontem, nos céus do Estoril passearam-se algumas nuvens iridescentes com belíssimos padrões coloridos. Felizmente tinha a minha máquina fotográfica à mão, pelo que aproveitei para fotografar o fenómeno e partilhar uma das imagens convosco.

Iridescência em cirrocúmulos ontem perto da praia do Tamariz, no Estoril.
Crédito: Sérgio Paulino.

A iridescência ou irisação é um efeito óptico relativamente raro, geralmente observado em altocúmulos, cirrocúmulos e nuvens lenticulares, situados nas proximidades do Sol. A sua manifestação resulta da difracção da luz solar em matrizes finas de gotículas de água de tamanho quase uniforme (normalmente inferior a 20 µm).

sábado, 2 de julho de 2011

Eclipse parcial do Sol de ontem visto pelo observatório espacial Proba-2

O eclipse solar de ontem foi visível apenas numa região remota do Atlântico Sul, numa pequena área nas proximidades da costa da Antártida, pelo que o mais provável foi ninguém o ter observado. Bem... na verdade, houve pelo menos um espectador: o observatório solar europeu Proba-2. Tomando partido da elevada inclinação da sua órbita, o pequeno observatório conseguiu atravessar o cone da sombra da Lua pelo menos duas vezes. Fica aqui o seu registo do fenómeno.

O primeiro eclipse solar da série Saros 156 visto pelo pequeno observatório solar europeu Proba-2.
Crédito: ESA/PROBA-2/SWAP.

Este foi o primeiro eclipse da série Saros 156, uma série que terá apenas eclipses parciais e anulares, e que terminará a 14 de Julho de 3237 com um eclipse parcial nas latitudes mais setentrionais do hemisfério norte.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

No cume das montanhas de Tycho

Tycho nasceu de um violento impacto na superfície lunar ocorrido há cerca de 110 milhões de anos. A sua juventude permitiu-lhe conservar até aos dias de hoje grande parte das estruturas geológicas esculpidas nos primeiros minutos após a colisão. Entre as mais impressionantes encontra-se o complexo montanhoso central, uma formação com 15 km de diâmetro que se eleva a cerca de 2.000 metros acima do chão da cratera.
Recentemente, a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter obteve um espectacular panorama da cratera Tycho que mostra em destaque as vertentes acidentadas do seu pico central iluminadas pelos primeiros raios solares matinais.

O pico central da cratera Tycho numa visão oblíqua obtida a 10 de Junho de 2011 pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Esta imagem é impressionante não só pela sua beleza como também pelos pormenores evidenciados. Repousando em vários recantos das encostas mais suaves, encontram-se gigantescos blocos rochosos com algumas dezenas de metros de diâmetro. O maior destes objectos tem 120 metros de comprimento e encontra-se cirurgicamente implantado num dos pontos mais altos do complexo montanhoso. Como foi ali parar, ninguém sabe.

Pormenor da imagem anterior mostrando o enorme bloco rochoso que repousa no cume do pico central de Tycho.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Já agora... Para conhecerem outros aspectos da geologia de Tycho sugiro que vejam esta magnífica animação.