domingo, 4 de setembro de 2011

Belas animações de Mimas e Amalteia

Alguns deverão recordar Björn Jónsson pelo seu espectacular mosaico construído com velhas imagens da missão Voyager. Jónsson voltou agora a sua atenção para as animações tridimensionais com modelos de pequenas luas de Saturno e Júpiter. Deixo-vos aqui dois recentes trabalhos: uma simulação de um voo sobre a cratera Herschel, em Mimas; e uma bonita animação com a pequena lua de Júpiter Amalteia. As formas e a cores dos modelos são representativas dos seus verdadeiros aspectos. Apenas as mais pequenas crateras são ficcionais.

Voo simulado sobre a cratera Herschel, em Mimas.
Crédito: NASA/JPL/Björn Jónsson.

Passagem por Amalteia, a quinta maior lua de Júpiter. Foram obtidas apenas imagens de baixa resolução da superfície desta lua, pelo que muitas das crateras visíveis neste modelo são ficcionais.
Crédito: NASA/JPL/Björn Jónsson.

sábado, 3 de setembro de 2011

Evaporitos em lagos titanianos?

Cientistas da missão Cassini publicaram recentemente um interessante artigo na revista Icarus onde relatam a descoberta de depósitos sedimentares orgânicos em leitos secos de lagos situados a sul de Ligeia Mare, no hemisfério norte de Titã. De acordo com os autores do trabalho, estas estruturas deverão ter sido geradas por processos idênticos aos responsáveis pela formação de evaporitos nas superfícies dos planetas Terra e Marte.

Ligeia Mare e os muitos pequenos lagos situados a sul. Mosaico de imagens de RADAR colorizadas para evidenciar as superfícies mais escuras, interpretadas pelos cientistas como massas de metano e etano líquidos.
Crédito: NASA/JPL.

Evaporitos são depósitos sedimentares formados pela precipitação de compostos quimicamente dissolvidos em soluções saturadas com elevadas taxas de evaporação. Na Terra, estes depósitos são geralmente constituídos por halite, carbonatos ou sulfatos, dependendo da composição química da água e das rochas do meio envolvente. A presença de evaporitos na superfície de Marte foi confirmada pela primeira vez pelo robot Opportunity no interior da pequena cratera Eagle. Distintos dos terrestres, os depósitos evaporíticos marcianos são essencialmente constituídos por sulfatos e deverão ter sido formados em ambientes muito mais acídicos.

Evaporitos no Vale da Morte, nos Estados Unidos. Crédito: Marli Miller (University of Oregon)/American Geological Institute.

Os depósitos titanianos foram descobertos após a análise de imagens obtidas pelo espectrómetro VIMS da Cassini, em locais identificados nas imagens de RADAR como pequenos lagos ou leitos secos de lagos. Os autores não puderam esclarecer de forma definitiva a sua composição; no entanto esta deverá reflectir a natureza exótica do ambiente de Titã. As massas líquidas observadas na superfície da maior lua de Saturno são formadas por metano e etano, dois compostos moleculares apolares que não dissolvem os solutos normalmente encontrados em solução nos mares e lagos terrestres. Incluem-se entre os solutos com elevada solubilidade nas massas líquidas titanianas compostos orgânicos complexos como as tolinas, moléculas formadas em abundância nas camadas mais elevadas da atmosfera de Titã.
Esta descoberta é uma importante evidência da presença de um curioso mecanismo de concentração de compostos orgânicos nos lagos e mares de Titã. Podem consultar este trabalho aqui.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Terra e Lua observadas pela JunoCam

A equipa da missão Juno tem estado desde a semana passada a proceder à verificação dos instrumentos científicos e de outros subsistemas da sua sonda. Na passada sexta-feira realizou um teste ao desempenho da JunoCam, uma câmara de grande angular especialmente concebida para a obtenção de imagens globais de Júpiter. Os alvos utilizados para esta primeira avaliação foram o nosso planeta e a sua companheira, a Lua.
Apreciem esta invulgar visão da nossa casa!

O sistema Terra-Lua visto pela sonda Juno no passado dia 26 de Agosto de 2011, a uma distância de 9,66 milhões de quilómetros.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pôr-do-sol vulcânico

Ontem, cerca de meia hora após o pôr-do-sol, fui surpreendido por belíssimos raios crepusculares radiando a partir do horizonte a oeste. A intensa tonalidade púrpura dos raios manteve-se apenas por escassos minutos, pelo que não consegui melhor que este registo do fenómeno.

Raios crepusculares visíveis ontem na região de Lisboa.
Crédito: Sérgio Paulino.

Os raios crepusculares resultam da acumulação de aerossóis vulcânicos na estratosfera terrestre. Durante a semana passada foram observados na Hungria e na República Checa, o que sugere uma ligação deste fenómeno ao único vulcão europeu actualmente em actividade, o Etna.
Estejam atentos aos céus crepusculares nos próximos dias.

domingo, 28 de agosto de 2011

Aprovado nome oficial para local de alunagem da sonda Phobos-Grunt

Foram aprovados no mês passado quatro nomes oficiais de crateras e outras formações geológicas situadas na superfície de Fobos. Estão incluídos nos novos nomes as crateras Öpik e Shklovsky (nomes atribuídos em homenagem aos dois astrónomos soviéticos homónimos), Laputa Regio (nome da ilha flutuante mencionada na obra de Jonathan Swift As Viagens de Gulliver) e Lagado Planitia (nome retirado da mesma obra, atribuído à capital de Balnibarbi, país governado pelo rei tirano de Laputa).
A Phobos-Grunt deverá alunar no início de 2013 em Lagado Planitia, uma pequena região relativamente pouco acidentada localizada a nordeste de Laputa Regio. O objectivo principal da missão será a recolha de amostras da superfície de Fobos para posterior envio à Terra em Agosto de 2014.

Hemisfério norte de Fobos visto pela sonda europeia Mars Express a 28 de Julho de 2008. Estão assinaladas os nomes de algumas formações geológicas de Fobos, incluindo a cratera Shklovsky e Lagado Planitia, local de alunagem da sonda russa Phobos-Grunt.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)/anotações de Sérgio Paulino.

sábado, 27 de agosto de 2011

Encontro com Hiperião

A Cassini visitou anteontem uma das mais estranhas luas do Sistema Solar: a lua de Saturno Hiperião. A aproximação a pouco mais de 24 mil quilómetros da sua superfície permitiu à sonda a obtenção de um conjunto de belas imagens, algumas das quais cobrindo possivelmente novos territórios. Aqui ficam três retratos obtidos durante este encontro.

A estranha face de Hiperião. Imagem obtida pela sonda Cassini a 25 de Agosto de 2011, a uma distância de 63.298 km.
A semelhança desta lua de Saturno a uma esponja não se limita à sua aparência. Hiperião tem uma densidade correspondente a metade da densidade da água, o que evidencia uma estrutura interna extremamente porosa.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Pormenor de uma grande bacia na superfície de Hiperião em cores aproximadamente naturais. Composição obtida pela combinação de imagens captadas a 25 de Agosto de 2011 pela sonda Cassini, através de filtros para as cores ultravioleta (338 nm), verde (568 nm) e infravermelho próximo (752 nm). Reparem no misterioso material escuro visível no fundo das mais profundas crateras.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/ composição a cores de Sérgio Paulino.

O crescente de Hiperião. Mosaico construído com três imagens obtidas pela sonda Cassini durante a aproximação à pequena lua.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/ Sérgio Paulino.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Bonitas imagens de Saturno

Nas últimas semanas, a Cassini tem ocupado grande parte do seu tempo a monitorizar os sistemas de nuvens na atmosfera de Saturno, incluindo a grande tempestade serpente. Este programa de observações tem proporcionado ao sistema de imagem da sonda várias oportunidades para a obtenção de belas imagens do planeta. Deixo-vos aqui alguns dos retratos obtidos nesta última órbita 152.

O planeta dos anéis visto pela sonda Cassini a 15 de Agosto de 2011, a uma distância de 2,55 milhões de quilómetros de distância. Composição em cores naturais construída com três imagens obtidas através de filtros para as cores azul(460 nm), verde (567 nm) e vermelho (648 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Saturno e a lua Tétis. Composição em cores naturais construída com três imagens obtidas pela sonda Cassini a 19 de Agosto de 2011, através de filtros para as cores azul(460 nm), verde (567 nm) e vermelho (648 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Saturno visto a uma distância de pouco mais de 360 mil quilómetros. Composição em cores naturais construída com três imagens obtidas pela sonda Cassini a 22 de Agosto de 2011, através de filtros para as cores azul(460 nm), verde (567 nm) e vermelho (648 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Podem apreciar as últimas imagens enviadas pela Cassini para a Terra aqui.