quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mais uma erupção solar classe X!

A região activa 1283 produziu ontem, pelas 23:20 (hora de Lisboa), uma forte erupção classe X2.1! O fenómeno provocou uma série de ondas de ionização na atmosfera superior da Terra que alteraram momentaneamente a propagação de sinais de rádio de baixa frequência no lado diurno. A mesma região tinha já produzido horas antes uma erupção classe M5.3 com efeitos semelhantes. Ambos os eventos libertaram ejecções de massa coronal na direcção da Terra, pelo que se esperam tempestades geomagnéticas e auroras nos próximos dias nas latitudes mais elevadas.

O Solar Dynamics Observatory registou toda a acção de ontem à noite em diferentes comprimentos de onda no ultravioleta extremo.
Crédito: NASA/SDO.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Novas imagens dos locais de alunagem das missões Apollo

A NASA divulgou há pouco imagens impressionantes dos locais de alunagem das missões Apollo 12, 14 e 17. As novas imagens foram obtidas durante o mês de Agosto pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), a uma altitude média de apenas 21 quilómetros (cerca de metade da altitude habitual), o que permitiu uma melhoria considerável na resolução dos diversos artefactos deixados pelos astronautas há 40 anos. Cliquem nas figuras embaixo para as observarem na sua máxima resolução.

Artefactos no local de alunagem da Apollo 12 vistos pela LRO no passado mês de Agosto. São visíveis os rastos de pegadas deixados pelos astronautas Pete Conrad e Alan Bean nas suas deambulações entre o módulo lunar Intrepid, o conjunto de instrumentos científicos Apollo Lunar Surface Experiment Package (ALSEP), a sonda Surveyor 3 e as quatro crateras Head, Surveyor, Bench e Sharp.
Crédito: NASA/GSFC/ASU.

O local de alunagem da Apollo 14 visto pela LRO no passado mês de Agosto. Para além dos trilhos deixados pelos astronautas americanos Alan Shepard and Edgar Mitchell, são visíveis a parte inferior do módulo Antares e o conjunto de instrumentos científicos ALSEP.
Crédito: NASA/GSFC/ASU.

Uma nova visão do local de alunagem da última missão Apollo na Lua. São claramente visíveis na imagem os rastos deixados pelas rodas do lunar rover (LRV) junto das pegadas dos astronautas Eugene Cernan e Harrison Schmitt.
Crédito: NASA/GSFC/ASU.

Vejam aqui, aqui e aqui os mesmos locais observados pela LRO há dois anos.

domingo, 4 de setembro de 2011

Belas animações de Mimas e Amalteia

Alguns deverão recordar Björn Jónsson pelo seu espectacular mosaico construído com velhas imagens da missão Voyager. Jónsson voltou agora a sua atenção para as animações tridimensionais com modelos de pequenas luas de Saturno e Júpiter. Deixo-vos aqui dois recentes trabalhos: uma simulação de um voo sobre a cratera Herschel, em Mimas; e uma bonita animação com a pequena lua de Júpiter Amalteia. As formas e a cores dos modelos são representativas dos seus verdadeiros aspectos. Apenas as mais pequenas crateras são ficcionais.

Voo simulado sobre a cratera Herschel, em Mimas.
Crédito: NASA/JPL/Björn Jónsson.

Passagem por Amalteia, a quinta maior lua de Júpiter. Foram obtidas apenas imagens de baixa resolução da superfície desta lua, pelo que muitas das crateras visíveis neste modelo são ficcionais.
Crédito: NASA/JPL/Björn Jónsson.

sábado, 3 de setembro de 2011

Evaporitos em lagos titanianos?

Cientistas da missão Cassini publicaram recentemente um interessante artigo na revista Icarus onde relatam a descoberta de depósitos sedimentares orgânicos em leitos secos de lagos situados a sul de Ligeia Mare, no hemisfério norte de Titã. De acordo com os autores do trabalho, estas estruturas deverão ter sido geradas por processos idênticos aos responsáveis pela formação de evaporitos nas superfícies dos planetas Terra e Marte.

Ligeia Mare e os muitos pequenos lagos situados a sul. Mosaico de imagens de RADAR colorizadas para evidenciar as superfícies mais escuras, interpretadas pelos cientistas como massas de metano e etano líquidos.
Crédito: NASA/JPL.

Evaporitos são depósitos sedimentares formados pela precipitação de compostos quimicamente dissolvidos em soluções saturadas com elevadas taxas de evaporação. Na Terra, estes depósitos são geralmente constituídos por halite, carbonatos ou sulfatos, dependendo da composição química da água e das rochas do meio envolvente. A presença de evaporitos na superfície de Marte foi confirmada pela primeira vez pelo robot Opportunity no interior da pequena cratera Eagle. Distintos dos terrestres, os depósitos evaporíticos marcianos são essencialmente constituídos por sulfatos e deverão ter sido formados em ambientes muito mais acídicos.

Evaporitos no Vale da Morte, nos Estados Unidos. Crédito: Marli Miller (University of Oregon)/American Geological Institute.

Os depósitos titanianos foram descobertos após a análise de imagens obtidas pelo espectrómetro VIMS da Cassini, em locais identificados nas imagens de RADAR como pequenos lagos ou leitos secos de lagos. Os autores não puderam esclarecer de forma definitiva a sua composição; no entanto esta deverá reflectir a natureza exótica do ambiente de Titã. As massas líquidas observadas na superfície da maior lua de Saturno são formadas por metano e etano, dois compostos moleculares apolares que não dissolvem os solutos normalmente encontrados em solução nos mares e lagos terrestres. Incluem-se entre os solutos com elevada solubilidade nas massas líquidas titanianas compostos orgânicos complexos como as tolinas, moléculas formadas em abundância nas camadas mais elevadas da atmosfera de Titã.
Esta descoberta é uma importante evidência da presença de um curioso mecanismo de concentração de compostos orgânicos nos lagos e mares de Titã. Podem consultar este trabalho aqui.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Terra e Lua observadas pela JunoCam

A equipa da missão Juno tem estado desde a semana passada a proceder à verificação dos instrumentos científicos e de outros subsistemas da sua sonda. Na passada sexta-feira realizou um teste ao desempenho da JunoCam, uma câmara de grande angular especialmente concebida para a obtenção de imagens globais de Júpiter. Os alvos utilizados para esta primeira avaliação foram o nosso planeta e a sua companheira, a Lua.
Apreciem esta invulgar visão da nossa casa!

O sistema Terra-Lua visto pela sonda Juno no passado dia 26 de Agosto de 2011, a uma distância de 9,66 milhões de quilómetros.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pôr-do-sol vulcânico

Ontem, cerca de meia hora após o pôr-do-sol, fui surpreendido por belíssimos raios crepusculares radiando a partir do horizonte a oeste. A intensa tonalidade púrpura dos raios manteve-se apenas por escassos minutos, pelo que não consegui melhor que este registo do fenómeno.

Raios crepusculares visíveis ontem na região de Lisboa.
Crédito: Sérgio Paulino.

Os raios crepusculares resultam da acumulação de aerossóis vulcânicos na estratosfera terrestre. Durante a semana passada foram observados na Hungria e na República Checa, o que sugere uma ligação deste fenómeno ao único vulcão europeu actualmente em actividade, o Etna.
Estejam atentos aos céus crepusculares nos próximos dias.

domingo, 28 de agosto de 2011

Aprovado nome oficial para local de alunagem da sonda Phobos-Grunt

Foram aprovados no mês passado quatro nomes oficiais de crateras e outras formações geológicas situadas na superfície de Fobos. Estão incluídos nos novos nomes as crateras Öpik e Shklovsky (nomes atribuídos em homenagem aos dois astrónomos soviéticos homónimos), Laputa Regio (nome da ilha flutuante mencionada na obra de Jonathan Swift As Viagens de Gulliver) e Lagado Planitia (nome retirado da mesma obra, atribuído à capital de Balnibarbi, país governado pelo rei tirano de Laputa).
A Phobos-Grunt deverá alunar no início de 2013 em Lagado Planitia, uma pequena região relativamente pouco acidentada localizada a nordeste de Laputa Regio. O objectivo principal da missão será a recolha de amostras da superfície de Fobos para posterior envio à Terra em Agosto de 2014.

Hemisfério norte de Fobos visto pela sonda europeia Mars Express a 28 de Julho de 2008. Estão assinaladas os nomes de algumas formações geológicas de Fobos, incluindo a cratera Shklovsky e Lagado Planitia, local de alunagem da sonda russa Phobos-Grunt.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)/anotações de Sérgio Paulino.