sábado, 17 de setembro de 2011

Vesta: cartografia de um novo mundo

A equipa da missão Dawn acaba de lançar um espectacular vídeo que mostra um novo modelo digital de Vesta produzido a partir das imagens obtidas durante a primeira fase de mapeamento do asteróide.


Uma viagem à volta do novo modelo digital de Vesta. O modelo foi baseado em imagens obtidas durante o mês de Agosto de 2011 (altura em que grande parte do hemisfério norte estava imerso na escuridão do inverno), pelo que não estão representadas as regiões mais setentrionais.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA.

A acompanhar esta nova representação tridimensional chega-nos também o primeiro mapa global de Vesta, com uma resolução aproximada de 750 metros/pixel e um sistema de coordenadas definido. Esta é uma clara demonstração de que a equipa da missão conseguiu determinar com sucesso o eixo de rotação do asteróide, e consequentemente as suas linhas de latitude. A definição do meridiano principal é arbitrária (não depende de características físicas do objecto), pelo que os cientistas da Dawn escolherão para a longitude 0 a linha que intersecta uma pequena cratera equatorial com 500 metros de diâmetro, à qual foi dado o nome de Cláudia.

A cratera Cláudia, local de marcação da longitude 0 em Vesta. Cláudia era uma virgem discípula da deusa Vesta. Os nomes escolhidos para as crateras vestianas deverão no futuro seguir o mesmo tema: nomes de sacerdotisas vestais ou de mulheres famosas da Antiga Roma.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA.

A construção do primeiro mapa de Vesta era um passo decisivo para a equipa da missão poder contextualizar futuras observações em alta resolução. Estas novas observações deverão concretizar-se na seguinte fase científica da missão, que terá início no próximo mês de Outubro quando a Dawn atingir uma órbita a apenas 685 km de altitude.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Uma estrela na neblina

A Cassini realizou anteontem uma passagem a pouco mais de 5,8 mil quilómetros da superfície de Titã. O encontro serviu para a sonda examinar de perto a atmosfera sobre o pólo sul; em particular, a densidade de aerossóis e o perfil vertical de temperaturas e de azoto molecular.
Entre as actividades programadas pela equipa da missão constou a observação de uma ocultação estelar pela atmosfera titaniana, através do instrumento Visual and Infrared Mapping Spectrometer (VIMS). A estrela em causa foi Chi Aquarii, uma gigante vermelha tipo M localizada a 640 anos-luz, na direcção da constelação do Aquário. O fenómeno foi registado ainda pelas câmaras do sistema de imagem ISS, como podem ver na composição a cores em baixo. Cliquem sobre a imagem para verem os pormenores das camadas de neblina.

Ocultação da estrela χ Aquarii pela atmosfera sobre o pólo sul de Titã. Composição em cores naturais construída com imagens obtidas pela sonda Cassini a 12 de Setembro de 2011, através de filtros para as cores azul (451 nm), verde (568 nm) e vermelho (650 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Imagem de contexto. Foram usadas nesta composição imagens obtidas a 12 de Setembro de 2011, pela câmara de grande angular, através dos filtros para as cores azul (460 nm), verde (567 nm) e vermelho (648 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

domingo, 11 de setembro de 2011

Mais um olhar distante sobre Titã

Titã visto pela sonda Cassini em cores aproximadamente naturais. Foram usadas nesta composição imagens obtidas a 09 de Setembro de 2011, através dos filtros ultravioleta UV3 (338 nm), verde (568 nm) e vermelho (650nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Na semana passada, a Cassini realizou três sessões de monitorização centradas em Xanadu Regio, uma vasta região acidentada com o tamanho da Austrália, localizada no hemisfério líder de Titã. As imagens usadas na composição de cima foram obtidas na última sessão, a uma distância de 1,47 milhões de quilómetros, e mostram um crescente de Titã envolto na sua densa e complexa atmosfera.
A sonda desloca-se agora para mais um encontro com a lua, que irá ocorrer daqui a poucas horas. A atmosfera será um dos principais alvos de estudo nesta passagem.

sábado, 10 de setembro de 2011

GRAIL a caminho da Lua!

A NASA concretizou hoje com sucesso o lançamento das duas pequenas sondas GRAIL (Gravity Recovery And Interior Laboratory) em direcção à Lua. A missão deverá cumprir dois objectivos principais: determinar a estrutura interna lunar e melhorar a compreensão da sua evolução térmica. Consultem estes artigos do astropPT para saberem mais acerca destas duas novas sondas lunares.

Separação das duas sondas gémeas GRAIL do foguetão Delta-2.
Crédito: NASA.

Actividade geomagnética em alta neste fim-de-semana

A Terra sofreu ontem o impacto quase simultâneo de duas ejecções de massa coronal com origem nas fortes erupções solares registadas no início da semana. O fenómeno produziu uma violenta tempestade geomagnética (Kp=7) durante um período de três horas, com efeitos observáveis em vários satélites geostacionários. De acordo com a previsão do NOAA, a actividade geomagnética deverá manter-se em alta durante todo o fim-de-semana, com prováveis períodos de intensificação no Domingo associados à interacção do campo magnético terrestre com um rápido fluxo de vento solar proveniente de um buraco coronal. Infelizmente, estas condições não deverão ser suficientes para a manifestação de auroras nas latitudes dos territórios português e brasileiro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mais uma erupção solar classe X!

A região activa 1283 produziu ontem, pelas 23:20 (hora de Lisboa), uma forte erupção classe X2.1! O fenómeno provocou uma série de ondas de ionização na atmosfera superior da Terra que alteraram momentaneamente a propagação de sinais de rádio de baixa frequência no lado diurno. A mesma região tinha já produzido horas antes uma erupção classe M5.3 com efeitos semelhantes. Ambos os eventos libertaram ejecções de massa coronal na direcção da Terra, pelo que se esperam tempestades geomagnéticas e auroras nos próximos dias nas latitudes mais elevadas.

O Solar Dynamics Observatory registou toda a acção de ontem à noite em diferentes comprimentos de onda no ultravioleta extremo.
Crédito: NASA/SDO.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Novas imagens dos locais de alunagem das missões Apollo

A NASA divulgou há pouco imagens impressionantes dos locais de alunagem das missões Apollo 12, 14 e 17. As novas imagens foram obtidas durante o mês de Agosto pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), a uma altitude média de apenas 21 quilómetros (cerca de metade da altitude habitual), o que permitiu uma melhoria considerável na resolução dos diversos artefactos deixados pelos astronautas há 40 anos. Cliquem nas figuras embaixo para as observarem na sua máxima resolução.

Artefactos no local de alunagem da Apollo 12 vistos pela LRO no passado mês de Agosto. São visíveis os rastos de pegadas deixados pelos astronautas Pete Conrad e Alan Bean nas suas deambulações entre o módulo lunar Intrepid, o conjunto de instrumentos científicos Apollo Lunar Surface Experiment Package (ALSEP), a sonda Surveyor 3 e as quatro crateras Head, Surveyor, Bench e Sharp.
Crédito: NASA/GSFC/ASU.

O local de alunagem da Apollo 14 visto pela LRO no passado mês de Agosto. Para além dos trilhos deixados pelos astronautas americanos Alan Shepard and Edgar Mitchell, são visíveis a parte inferior do módulo Antares e o conjunto de instrumentos científicos ALSEP.
Crédito: NASA/GSFC/ASU.

Uma nova visão do local de alunagem da última missão Apollo na Lua. São claramente visíveis na imagem os rastos deixados pelas rodas do lunar rover (LRV) junto das pegadas dos astronautas Eugene Cernan e Harrison Schmitt.
Crédito: NASA/GSFC/ASU.

Vejam aqui, aqui e aqui os mesmos locais observados pela LRO há dois anos.