terça-feira, 25 de outubro de 2011

Quarteto de luas

Não é vulgar a Cassini conseguir reunir várias luas de Saturno numa única imagem, porém, quando tal acontece, o resultado é invariavelmente impressionante. Vejam o caso deste quarteto fotografado no passado mês de Setembro.

Quatro luas de Saturno posaram para esta fotografia obtida pela sonda Cassini a 17 de Setembro de 2011, através de um filtro para a cor azul (451 nm).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI.

O bonito conjunto é dominado pela presença da gigantesca lua Titã (5.150 km de diâmetro), aqui o objecto mais distante. Entre a câmara da Cassini e Titã surgem a brilhante lua Dione (1.123 km de diâmetro), o extremo leste dos anéis A e F, e as pequenas luas Pandora (81 km de diâmetro) e Pã (28 km de diâmetro). Dione exibe aqui a intrincada rede de desfiladeiros que se estende por parte do seu hemisfério líder. Pandora encontra-se à direita do anel F, e Pã é um pequeno ponto brilhante no meio da divisão de Encke, no interior do anel A.
Cliquem na imagem para a poderem apreciar na sua máxima resolução.

domingo, 23 de outubro de 2011

Magníficos arcos magnéticos no Sol

O Sol tem estado relativamente tranquilo nos últimos dias, apesar de serem muitas as manchas solares visíveis na sua face direccionada para a Terra. Ontem, a região activa 1314 quebrou a monotonia com uma fraca mas prolongada erupção classe M1. O fenómeno esteve na origem de uma ejecção de massa coronal que deverá atingir o planeta Marte no próximo dia 26 de Outubro. Durante várias horas, a região exibiu ainda lindíssimos arcos magnéticos, alguns com mais de 146 mil quilómetros de altitude!
Vejam toda a acção neste vídeo obtido pelo Solar Dynamics Observatory.

 
Arcos magnéticos sobre a região 1314 (extremo leste do disco solar), formados após uma prolongada erupção classe M. A erupção esteve ainda na origem de uma ejecção de massa coronal que deverá passar longe da Terra.
Crédito: SDO/NASA/Helioviewer.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Crescente de Encélado em alta resolução

A sonda Cassini completou anteontem o segundo encontro com Encélado em menos de 3 semanas. Mais uma vez, grande parte das observações centraram-se nos geisers do pólo sul, pelo que a maioria das imagens foram obtidas durante a aproximação à pequena lua pelo seu lado nocturno. Deixo-vos aqui um mosaico que reúne algumas das mais assombrosas (cliquem sobre a imagem para a poderem apreciar na sua máxima resolução).

Encélado visto pela sonda Cassini a 19 de Outubro de 2011. Mosaico construído com cinco imagens obtidas durante a fase de aproximação.
Crédito: NASA/JPL/SSI/mosaico de Sérgio Paulino.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Missão Phobos-Grunt: menos de 3 semanas para o lançamento

Poster oficial da missão Phobos-Grunt.
Crédito: Roscosmos/IKI.

Foi ontem desempacotada no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, a Phobos-Grunt, a primeira sonda interplanetária russa desde a malograda Mars 96. Com lançamento marcado para o dia 8 de Novembro, a ambiciosa missão terá como objectivo principal a recolha de amostras da superfície da lua marciana Fobos e a sua posterior devolução à Terra. A Phobos-Grunt transportará ainda consigo a pequena sonda chinesa Yinghuo-1 e a cápsula LIFE, uma curiosa experiência biológica concebida pela Sociedade Planetária.
Como antecipação a este grande evento, a agência espacial russa Roscosmos tem estado a publicar gráficos, imagens e vídeos relacionados com a missão. Gostei particularmente desta animação a ilustrar todos os detalhes da missão, desde o seu lançamento até à chegada da cápsula das amostras à superfície terrestre.

Animação ilustrando a viagem da sonda Phobos-Grunt à lua marciana Fobos.
Crédito: Roscosmos/IKI.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Vesta: divulgados primeiros resultados da missão Dawn

A equipa científica da Dawn apresentou anteontem na reunião anual da Sociedade Americana de Geologia alguns dos resultados preliminares dos primeiros dois meses da missão na órbita de Vesta. Como já seria de esperar, foi dado principal protagonismo à grande depressão que domina todo o hemisfério sul do asteróide.
Paul Schenk abriu a conferência com a divulgação das primeiras interpretações científicas das observações realizadas na bacia de impacto do pólo sul de Vesta, agora com a designação oficial de Rheasilvia. Tal como as imagens obtidas pelo telescópio espacial Hubble há mais de uma década faziam adivinhar, a gigantesca depressão encontra-se entre as mais profundas e complexas bacias de impacto conhecidas no Sistema Solar. Através das imagens obtidas pela sonda Dawn, a equipa conseguiu determinar um diâmetro aproximado de 475 km e uma profundidade de 20 a 25 km. O pico central é também um verdadeiro colosso. A base tem cerca de 180 km e o topo eleva-se aproximadamente a 22 km.
Schenk mostrou ainda alguns outros aspectos singulares da geologia de Rheasilvia, mas o mais surpreendente foi sem dúvida a revelação final. A região do pólo sul de Vesta foi esculpida não por um gigantesco impacto, mas sim por dois! Rheasilvia sobrepõe-se a uma outra bacia de impacto mais antiga e ligeiramente mais pequena.

Mapa da região do pólo sul de Vesta mostrando Rheasilvia e uma segunda bacia mais antiga com cerca de 375 km de diâmetro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ UCLA/MPS/DLR/IDA.

Debra Buczkowski foi a protagonista da uma outra interessante comunicação, desta vez centrada nas invulgares estrias que adornam a região equatorial e parte do hemisfério norte de Vesta. De acordo com as observações realizadas pela Dawn, estas estruturas estão organizadas em dois grupos distintos: um primeiro mais recente, situado junto ao equador; e um segundo mais degradado, situado mais a norte. Buczkowski não se pronunciou acerca dos mecanismos que conduziram à sua formação, mas anunciou a descoberta de uma clara relação do primeiro grupo com Rheasilvia, e do segundo grupo com a bacia de impacto vizinha, mais antiga.

As estrias equatoriais de Vesta. Estas estruturas estendem-se por mais de 240º de longitude e têm cerca de 15 km de diâmetro. A equipa científica da missão Dawn descobriu que são concêntricas ao centro da bacia de impacto Rheasilvia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ UCLA/MPS/DLR/IDA.

Estrias mais largas e degradadas situadas mais a norte, aparentemente concêntricas à bacia de impacto vizinha de Rheasilvia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ UCLA/MPS/DLR/IDA.

Podem assistir à conferência aqui.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

De Victoria a Endeavour: 3 anos nas dunas de Meridiani Planum

Passaram mais de 3 anos desde que o Opportunity abandonou a cratera Victoria em direcção às vertentes ricas em filossilicatos da cratera Endeavour. Foi uma espectacular odisseia de 20 km que o robot da NASA foi registando em imagens obtidas a cada paragem. Esta longa viagem pode ser agora disfrutada num excelente vídeo produzido pela equipa da missão com 309 fotografias centradas no horizonte em direcção a Endeavour. Vejam...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Inclinação de Urano produto de uma série de colisões?

Sempre foi um mistério a inclinação extrema da rotação de Urano. Quase perpendicular ao plano orbital, o eixo de rotação do gigante gelado é certamente uma relíquia do passado violento do Sistema Solar. Desde cedo, os astrónomos sugeriram que esta característica singular teria sido produto do impacto de um corpo com pelo menos a massa da Terra. No entanto, esta teoria tem um problema. Tal catástrofe deveria ter deixado as órbitas das luas uranianas nas suas inclinações originais, e não, tal como observamos hoje, em órbitas regulares no plano equatorial do planeta.

A extrema inclinação do sistema uraniano reproduzida numa imagem obtida no infravermelho próximo, região do espectro luminoso onde o sistema de anéis é mais proeminente.
Crédito: Lawrence Sromovsky, (Univ. Wisconsin-Madison), Keck Observatory.

Um novo trabalho divulgado ontem na EPSC-DPS Joint Meeting parece trazer uma nova solução para este antigo problema. Através de simulações, uma equipa de cientistas liderada por Alessandro Morbidelli (Observatoire de la Cote d’Azur) testou vários cenários de impacto que pudessem reproduzir a actual inclinação do sistema uraniano. Descobriram que se o Urano tivesse sido atingindo quando ainda se encontrava rodeado por um disco protoplanetário (um disco de material donde posteriormente iria emergir o séquito de pequenas luas), então todo o sistema se reorganizaria na nova inclinação.
O novo modelo seria um sucesso, não fosse a simulação gerar um outro resultado intrigante. Depois da violenta colisão, muitas das luas de Urano passavam a exibir órbitas retrógradas, ou seja, no sentido contrário ao que se observa hoje. Para ultrapassar este impasse, Morbidelli e colegas reviram os seus parâmetros, e para sua surpresa, descobriram que duas ou mais colisões menores diminuíam significativamente a probabilidade da ocorrência de órbitas retrógradas nas luas de Urano.
Estes novos resultados prometem abalar alguns dos principais aspectos da actual teoria da formação dos planetas. Segundo Morbidelli, "a teoria da formação dos planetas actualmente aceite assume que Neptuno, Urano e os núcleos de Júpiter e Saturno foram formados pela acreção de apenas pequenos objectos do disco protoplanetário. Nenhum deveria ter sofrido qualquer colisão gigante. O facto de Urano ter sido atingido pelo menos duas vezes sugere que os grandes impactos foram fenómenos vulgares na formação dos planetas gigantes, pelo que a teoria vigente tem que ser revista."