terça-feira, 15 de novembro de 2011

SDO assiste à erupção de um monstruoso filamento!

O Sol exibiu durante o fim-de-semana um magnífico filamento com cerca de 1 milhão de quilómetros de comprimento! Ontem, no extremo noroeste do disco solar, uma fracção ficou instável e explodiu, lançando uma densa nuvem de plasma no espaço. O espectáculo foi registado pelo Solar Dynamics Observatory. Vejam em baixo.

Erupção de um filamento solar observada a 14 de Novembro de 2011, pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory (SDO), através do canal de 304 Å (He II).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/Helioviewer.

A odisseia de Spirit no interior da cratera Gusev em 3 minutos

Saudades do robot Spirit? Aqui têm a sua jornada de 7,25 km pelo interior da cratera Gusev, desde a sua partida da Estação Memorial Columbia até ao seu aprisionamento nas areia de Troy. O vídeo inclui 3.418 imagens obtidas pela câmara frontal, ao longo dos 5 anos, 3 meses e 27 dias de duração da missão; tudo a velocidade de 24 imagens por segundo!

domingo, 13 de novembro de 2011

A Terra vista da Estação Espacial Internacional: mais um espectacular vídeo

Mas que vídeo sensacional... uma visão do nosso planeta a partir da Estação Espacial Internacional!

A Terra vista da Estação Espacial Internacional.
Crédito: NASA/Michael König.

O vídeo foi construído por Michael König com sequências de imagens obtidas pelos astronautas das Expedições 28 e 29, durante os meses de Agosto a Outubro deste ano. Os cenários são iluminados pelo brilho da Lua, por vezes, também protagonista de fugazes aparições em alguns espelhos de água. São visíveis ainda durante todo o filme, luzes de várias grandes cidades da América de Norte, da Europa, da Índia e do Médio Oriente, bem como alguns belíssimos fenómenos atmosféricos: auroras a serpentear a dezenas de quilómetros de altitude; relâmpagos a iluminar densas nuvens tempestuosas; e um fino arco amarelo-esverdeado paralelo à curvatura da Terra.

Phobos-Grunt provavelmente perdida

Como já tinha referido aqui numa pequena nota de actualização, a Phobos-Grunt falhou as duas últimas manobras que a colocariam numa rota em direcção de Marte. Até agora foram escassas as informações oficiais emitida pela agência espacial Roscosmos, mas as notícias veiculadas pelos órgãos noticiosos russos são categóricas: os controladores russos falharam várias tentativas de contacto com a sonda, o que diminui qualquer perspectiva de poderem vir a salvar a missão.
A Phobos-Grunt encontra-se neste momento numa órbita elíptica com um apogeu a 341 km de altitude e um perigeu a 207 km de altitude, e com uma inclinação de 51º. De acordo com observações realizadas por astrónomos amadores, a sonda conseguiu separa-se do segundo módulo do foguetão Zenit, pelo que estaria em condições de realizar as manobras seguintes.

Infografia mostrando a sequência de manobras programadas que deveriam ter ocorrido após o lançamento da Phobos-Grunt. A sonda encontra-se neste momento na órbita assinalada a amarelo.
Crédito: Roscosmos/IKI.

Não se sabe ainda quais terão sido os problemas que impediram a realização das duas ignições essenciais para elevar a órbita da Phobos-Grunt e colocá-la no caminho para a Marte. Caso fosse possível o contacto com a sonda, haveria ainda algumas soluções engenhosas a explorar, entre elas uma reiniciação do computador de bordo. Porém, os consecutivos falhanços nas tentativas de contacto tornam a esperança de salvar esta fabulosa missão cada vez mais ténues.
À medida que os dias passam, crescem as preocupações quanto à reentrada da Phobos-Grunt na atmosfera terrestre. Para além da possível sobrevivência de grandes fragmentos da sonda à passagem pela atmosfera, existe uma grande probabilidade do combustível altamente tóxico que se encontra armazenado nos tanques na sonda (cerca de 8,3 toneladas de hidrazina e tetróxido de azoto não utilizados) congelar antes da reentrada, o que faria com que chegasse intacto ao local de impacto.
Farei uma actualização da situação assim que surgirem mais informações relevantes. Entretanto, podem ler aqui mais notícias sobre este assunto.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Terá sido expulso um planeta gigante do Sistema Solar?

Representação artística de um quinto planeta a ser ejectado do Sistema Solar.
Crédito: Southwest Research Institute.

Terá existido nos primórdios do sistema Solar um quinto planeta gigante? De acordo com um estudo recentemente publicado, muito provavelmente sim.
O Sistema Solar deve ter passado por períodos verdadeiramente caóticos nos primeiros 600 milhões de anos após o seu nascimento. As evidências estão espalhadas por toda a parte, desde o registo de impactos em Mercúrio e na Lua até à actual configuração da Cintura de Kuiper.
Os modelos de formação do Sistema Solar actualmente aceites sugerem que no início as órbitas dos quatro planetas gigantes se encontravam muito mais próximas do Sol, a menos de 15 UA. Estudos da interacção dos gigantes gasosos com o disco protoplanetário mostram que Júpiter, Saturno, Neptuno e Úrano deverão ter migrado para as suas posições actuais devido a instabilidades dinâmicas nas suas órbitas, que terão emergido de ressonâncias orbitais entre os pares mais próximos. O resultado seria a dispersão de planetesimais para o interior e para o exterior do Sistema Solar, terminando alguns em rotas de colisão com os pequenos planetas interiores, incluindo a Terra e a Lua.
Apesar destes modelos explicarem com sucesso muitas das características actuais do Sistema Solar, apresentam um problema fundamental: a lenta migração da órbita de Júpiter para o interior do Sistema Solar, devido à interacção com planetesimais, conduziria à destabilização das órbitas dos pequenos planetas interiores.
Focado neste problema, David Nesvorny do Southwest Research Institute gerou várias simulações de computador dos primórdios do Sistema Solar. Numa primeira fase, testou o efeito de uma mudança mais rápida da órbita de Júpiter por interacções gravitacionais com Úrano e Neptuno. Observou que apesar do gigante exercer uma influência mais fraca nas órbitas dos pequenos planetas interiores, provocaria uma ejecção de Úrano, Neptuno, ou dos dois planetas para longe da influência gravitacional do Sol.
Para contornar este desfecho, Nesvorny adicionou ao modelo um quinto planeta gigante semelhante a Úrano e a Neptuno. O que verificou foi surpreendente. É dez vezes mais provável produzirem-se análogos ao actual Sistema Solar com uma configuração inicial que inclua cinco planetas gigantes, do que com a configuração clássica de quatro gigantes. De acordo com este novo modelo, a interacção gravitacional de Júpiter com o quinto planeta provocaria a sua expulsão para fora do Sistema Solar, e dispersaria as órbitas dos quatro gigantes sobreviventes para posições semelhantes às actualmente observadas. Entretanto, os pequenos planetas interiores, incluindo a Terra, seriam poupados à destruição.
O trabalho de Nesvorny mostra que provavelmente devemos a nossa existência a um planeta solitário em deambulação no espaço interestelar, longe da estrela que assistiu ao seu nascimento, o nosso Sol.
Podem encontrar este trabalho aqui.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

NASA lança novo vídeo do asteróide 2005 YU55

O mundo continua de olhos postos no asteróide 2005 YU55. Enquanto não chegam novas imagens, deixo-vos este vídeo construído com imagens de radar obtidas anteontem pela antena de 70 metros do Deep Space Network, em Goldstone, na Califórnia.

A rotação de 2005 YU55 num período aproximado de 2 horas, vista a 07 de Novembro de 2011 pela antena 70 metros do Deep Space Network, em Goldstone. Cada imagem atinge uma resolução máxima de 3,75 metros, o que permite observar sulcos, crateras e possivelmente rochedos na superfície do asteróide.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Sondas Phobos-Grunt e Yinghuo-1 a caminho de Marte!

Estão já na primeira fase da sua viagem a Marte a sonda russa Phobos-Grunt e a sua pequena companheira chinesa Yinghuo-1. Após um lançamento nocturno bem sucedido a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, as duas sondas separaram-se do segundo módulo do foguetão e posicionaram-se numa órbita em redor da Terra. A trajectória em direcção ao planeta vermelho será adquirida logo após uma última queima de combustível, que deverá estar concluída pelas 01:20 de hoje (hora de Lisboa).
Vejam em baixo o vídeo do lançamento.


Actualização (09 de Novembro): De acordo com um comunicado oficial publicado pela agência noticiosa RIA Novosti, falharam as duas últimas ignições que deveriam ter colocado a Phobos-Grunt e a Yinghuo-1 numa trajectória em direcção a Marte, pelo que as duas sondas se mantêm neste momento estacionadas numa órbita terrestre estável. A equipa da missão ainda não conseguiu apurar as causas que conduziram à falha técnica, mas adianta que terá de resolver o problema no prazo de 3 dias. Publicarei no blog mais detalhes assim que estiverem disponíveis.