sábado, 3 de dezembro de 2011

Possíveis glaciares em montanhas marcianas

A água é certamente um dos recursos mais limitantes na exploração humana de Marte. O seu transporte até à superfície do planeta vermelho é impraticável dadas as grandes quantidades de combustível requeridas, pelo que embarcar futuros exploradores em tamanha empresa poderá depender tão somente da descoberta de fontes de água no subsolo marciano.
Desde a sua chegada a Marte, a Mars Reconnaissance Orbiter tem sondado a superfície marciana com o seu instrumento SHARAD (Shallow Radar) em busca de água líquida ou congelada no subsolo a profundidades até 1 quilómetro. Nos seus quase 6 anos de actividade, a sonda da NASA conseguiu detectar um número impressionante de vastas massas de gelo de água protegidas por mantos de fragmentos rochosos em encostas montanhosas situadas nas latitudes médias do planeta vermelho. Recentemente, a sonda europeia Mars Express fotografou uma dessas regiões.

Secção sul de Phlegra Montes fotografada pela câmara HRSC da sonda Mars Express, a 01 de Junho de 2011. A imagem tem uma resolução de cerca de 16 metros/pixel.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

Phlegra Montes é uma extensa cordilheira montanhosa que se prolonga desde a porção nordeste dos terrenos vulcânicos de Elysium Planitia até às terras baixas a leste de Arcadia Planitia. Pensa-se que as suas baixas montanhas e colinas terão sido elevadas da superfície pela acção de antigas forças compressivas numa longa falha existente na região.

Mapa topográfico mostrando a cadeia montanhosa de Phlegra Montes e os terrenos adjacentes. O rectângulo mais pequeno indica a região representada na imagem obtida pela Mars Express.
Crédito: NASA MGS MOLA Science Team.

As novas imagens obtidas pela Mars Express mostram que quase todas as montanhas de Phlegra Montes se encontram rodeadas por unidades geológicas morfologicamente semelhantes aos glaciares terrestres. Estudos anteriores demonstraram que os fragmentos rochosos observados na superfície destas estruturas fluíram lentamente pelas encostas montanhosas, o que sugere a presença de glaciares subsuperficiais nestas regiões. Estas interpretações são corroboradas pelas imagens de radar obtidas nestes locais pela Mars Reconnaissance Orbiter, que mostram evidências da presença de gelo provavelmente a profundidades de apenas 20 metros!
Pensa-se que estas estruturas poderão ter surgido várias vezes ao longo das últimas centenas de milhões de anos, em períodos em que o eixo de rotação de Marte apresentava uma inclinação significativamente diferente da observada nos dias de hoje. Segundo os cientistas, as diferentes condições climatéricas presentes nesse período poderiam ter gerado um ambiente propício à queda e acumulação de neve nestas regiões, que ao ser compactada nas vertentes inclinadas das montanhas e crateras marcianas produziriam grandes glaciares que esculpiriam as características formações actualmente visíveis nas latitudes médias do planeta vermelho.

Perspectiva frontal sobre um dos vales glaciares de Phlegra Montes. É visível ainda uma cratera coberta por uma estrutura lobada provavelmente formada por gelo de água coberto por detritos rochosos.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

Outra perspectiva sobre a mesma região. Reparem na extensa formação lobada que se espraia a norte do vale glaciar. Será esta uma vasta massa de gelo subsuperficial?
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Júpiter sobre a Torre de Belém

Júpiter brilhando alto no céu vespertino sobre as águas tranquilas do estuário do rio Tejo.
Crédito: Sérgio Paulino.

Na passada sexta-feira, depois de sair do trabalho, parei junto ao edifício da Fundação Champalimaud para apreciar o desfile de cores garridas que animava o céu logo após o pôr-do-sol. À medida que o ambiente escurecia, dois pontos brilhantes foram tomando o protagonismo em lados opostos do céu. A oeste, sobre o Forte de São Lourenço do Bugio destacava-se (ainda timidamente) o planeta Vénus, enquanto que a leste, na direcção da ponte 25 de Abril, pairava o gigante Júpiter. A imagem que aqui vos trago retrata este último brilhando sobre as águas do estuário do rio Tejo, um cenário onde também se incluiam outros monumentos icónicos da paisagem lisboeta: a Torre de Belém e o Santuário Nacional de Cristo Rei.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Paisagem mercuriana: o horizonte de Van Eyck

Visão oblíqua de parte da formação de Van Eyck, uma região adjacente à bacia de Caloris. Mosaico construído com uma sequência de 9 imagens obtidas pela sonda MESSENGER a 03 de Junho de 2011.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

A equipa do missão MESSENGER divulgou ontem este espectacular mosaico que retrata um visão oblíqua da superfície de Mercúrio. Obtido pela combinação de 9 imagens sequenciais, o mosaico mostra uma perspectiva invulgar de parte da formação de Van Eyck, uma extensa região formada pelo ejecta da bacia de Caloris.

Correlação entre a visão oblíqua e uma visão perpendicular sobre a mesma região. Estão indicadas cinco crateras facilmente identificáveis na visão oblíqua, bem como a direcção para onde estava voltada a câmara da sonda MESSENGER quando obteve as imagens que constituem o mosaico. Na visão perpendicular é possível observar ainda parte da bacia de Van Eyck, uma depressão com cerca de 270 km situada a leste de Caloris.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

A formação de Van Eyck é a mais proeminente de todas as unidades estratigráficas que rodeiam a bacia de Caloris. Distinguem-se em Van Eyck duas subunidades estreitamente relacionadas: crateras secundárias ao impacto que esculpiu Caloris; e lineações radiais que se prolongam desde Caloris Montes a locais mais periféricos situados até 1.000 km de distância. No mosaico de cima são visíveis algumas destas lineações a rasgar as planícies vulcânicas que caracterizam a região. A visão perpendicular desta região denuncia a presença nestas planícies de "crateras fantasma", antigas crateras de impacto preenchidas por copiosos volumes de lava solidificada.

domingo, 27 de novembro de 2011

Exploração de Marte: retrato de família de todas as missões enviadas ao planeta vermelho

O autor do blog Astrosaur.us Jason Davies criou um bonito poster que junta num mesmo retrato todas as missões enviadas a Marte. Estão incluídas junto a cada representação das sondas as datas de lançamentos e um breve comentário aos respectivos destinos.

Retrato de família de todas as missões enviadas a Marte, incluindo a Curiosity lançada ontem (clicar na imagem para aumentar).
Crédito: Jason Davies.

sábado, 26 de novembro de 2011

Curiosity está a caminho de Marte!

O robot Curiosity já se encontra na sua jornada em direcção ao planeta vermelho! De acordo com a NASA, a cápsula que transporta o sofisticado robot está em excelentes condições e a transmitir telemetria para o centro de comando da missão. Se tudo correr bem, o Curiosity deverá chegar a Marte a 06 de Agosto de 2012 para uma descida até ao interior da cratera Gale, onde iniciará uma busca pelos vestígios de antigos ambientes habitáveis. Vejam (ou revejam) em baixo o lançamento da missão e a fase de separação da cápsula do Curiosity do módulo Centaur.


Missão Curiosity: lançamento em directo

Já se encontra posicionado no Complexo de Lançamentos Espaciais 41, em Cabo Canaveral, Florida, o foguetão Atlas V com a sua preciosa carga, o robot Curiosity. Caso as condições meteorológicas o permitam, a ambiciosa missão deverá partir dentro de pouco mais de 14 horas numa viagem de 36 semanas até à cratera Gale na superfície de Marte!
Podem assistir à transmissão do lançamento em directo aqui no blog ou através da NASA TV. A janela de lançamento estará aberta entre as 15:02 e as 16:45 (hora de Lisboa). Os primeiros comentários em directo deverão começar, no entanto, pelas 12:30.
Força, Curiosity!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Espectacular erupção de um filamento magnético seguida de uma ejecção de massa coronal

O gigantesco filamento que adornou o disco solar durante vários dias desintegrou-se anteontem após uma violenta explosão. A erupção lançou no espaço uma densa nuvem de plasma para longe do plano orbital dos planetas, pelo que nenhum deverá ser atingido. Os observatórios espaciais SOHO e SDO registaram imagens impressionantes do fenómeno.

A erupção de um gigantesco filamento magnético no quadrante noroeste do disco solar. Imagens obtidas a 22 e a 23 de Novembro de 2011 pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory (SDO), através do canal de 304 Å (He II), e pelo coronógrafo LASCO do Solar and Heliospheric Observatory (SOHO).
Crédito: SDO/AIA consortium/LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA/Helioviewer.

Comparação das dimensões do filamento pouco antes da erupção com o diâmetro da Terra.
Crédito: SDO (NASA)/AIA consortium/NASA (imagem da Terra)/montagem de Sérgio Paulino.