quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Uma nova ilha no Mar Vermelho

Uma nova ilha emerge das águas do Mar Vermelho, no extremo norte do arquipélago de Al-Zubair. Imagem obtida pelo satélite Earth Observing-1 a 23 de Dezembro de 2011.
Crédito: NASA.

No passado dia 19 de Dezembro, pescadores iemenitas da cidade portuária de As-Salif observaram uma erupção ao largo de uma pequena ilha desabitada do arquipélago de Al-Zubair. O relato ganhou credibilidade horas depois quando o satélite Aura detectou na região elevados níveis de dióxido de enxofre, uma clara assinatura da presença de actividade vulcânica no local. Nos dias seguintes, imagens obtidas pelo satélite Aqua denunciavam uma pequena pluma vulcânica elevando-se acima das águas do Mar Vermelho, no extremo norte do arquipélago.
O que a princípio parecia uma pequena erupção submarina, viria a transformar-se escassos dias depois no nascimento de uma nova ilha. A 23 de Dezembro, imagens captadas pelo satélite da NASA EO-1 confirmavam a presença de uma massa de terreno sólido alimentando uma pluma vulcânica.

Comparação da imagem de cima com uma outra da mesma região obtida há pouco mais de quatro anos. É evidente a presença de uma nova ilha no local da erupção, ocupando uma área anteriormente preenchida pelas águas do Mar Vermelho.
Crédito: NASA (montagem e anotações de Sérgio Paulino).

O arquipélago de Al-Zubair é constituído por dez pequenas ilhas vulcânicas relativamente recentes, que emergem de uma plataforma submarina paralela à falha do Mar Vermelho, a fronteira geológica entre as placas tectónicas Arábica e Africana. As últimas erupções de que há registo na região ocorreram há mais de 150 anos, em pleno século XIX.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Maravilhosas imagens do cometa Lovejoy

Lovejoy tem estado a dar um maravilhoso espectáculo nos céus do hemisfério sul nestas duas últimas semanas do ano. Muitos têm sido aqueles que aproveitam esta raríssima oportunidade para captar imagens deste impressionante sobrevivente, antes do seu regresso às profundezas geladas do Sistema Solar exterior. Aqui ficam dois magníficos vídeos obtidos recentemente em plenos Andes chilenos.

Lovejoy erguendo-se acima dos telescópios que compõem o Very Large Telescope, em Cerro Paranal, nos Andes chilenos. Imagens obtidas na madrugada de 22 de Dezembro de 2011.
Crédito: Gabriel Brammer/ESO.

Lovejoy emergindo dos Andes chilenos, pouco antes do nascer do Sol. Imagens obtidas a 23 de Dezembro de 2011, nas proximidades de Santiago do Chile.
Crédito: Stéphane Guisard.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Vénus e Lua juntos no céu

Ontem, tal como esperava, fui presenteado com um belíssimo espectáculo celeste à saída do trabalho. Perto do horizonte, no céu crepuscular a poente, Vénus brilhava a pouco menos de 10º de um fino crescente lunar! Como tinha a máquina fotográfica comigo, não desperdicei esta rara oportunidade e obtive alguns registos deste par invulgar. Partilho aqui convosco o melhor que consegui:

Vénus e Lua em conjunção nos céus de Lisboa.
Crédito: Sérgio Paulino.

Para quem não teve a felicidade de poder contemplar esta conjunção, terá nova oportunidade amanhã. Não deixem de a observar!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Estranha sombra na cratera Arquimedes

O astrofotógrafo Alan Friedman registou recentemente uma estranha sombra na cratera Arquimedes. Aparentemente, um objecto desconhecido atravessou a face iluminada da Lua em direcção a todos os lares terrestres. Entretanto, crianças por todo o mundo relataram terem sido visitadas ontem por um idoso obeso vestido de vermelho, aparentemente, o condutor de um veículo com uma silhueta semelhante.

Uma estranha sombra na superfície lunar.
Crédito: Alan Friedman.

Espero que tenham tido uma excelente noite de Natal. Boas Festas a todos!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Lovejoy visto da Estação Espacial Internacional

A NASA acabou de publicar um fabuloso vídeo construído com imagens obtidas anteontem a partir da Estação Espacial Internacional. O vídeo mostra o cometa Lovejoy erguendo-se sobre o horizonte da Terra no momento em que a Estação cruzava os céus australianos, 386 quilómetros acima da ilha da Tasmânia. Às magníficas imagens segue-se um breve comentário do seu autor, o astronauta americano Dan Burbank, sobre a experiência de observar tal objecto a partir da órbita terrestre - nas suas palavras, "talvez a coisa mais maravilhosa que alguma vez vi no espaço"! Vejam:

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Solstício de Inverno 2011

O último pôr-do-sol deste Outono na baía de Cascais.
Crédito: Sérgio Paulino.

Hoje de madrugada, pelas 05:30 (hora de Lisboa), ocorre o Solstício de Inverno, o instante que marca o início da estação mais fria do ano no Hemisfério Norte. Em Astronomia, os Solstícios correspondem aos momentos em que o Sol atinge declinações extremas, ou seja, posições máxima e mínima no céu em relação ao equador. A palavra tem origem latina (Solstitium) e está associada à ideia que o Sol ficaria estacionário ao atingir essas posições.
A nova estação prolongar-se-á por 88,99 dias, até ao próximo Equinócio, que ocorrerá no dia 20 de Março de 2012 às 05:14 (hora de Lisboa).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A odisseia de Lovejoy na coroa solar

Na madrugada de 16 de Dezembro, contra todas as expectativas, o cometa Lovejoy reemergiu de um dos ambientes mais hostis do Sistema Solar. Durante quase uma hora, o núcleo cometário de Lovejoy esteve imerso nos domínios infernais da coroa solar, suportando temperaturas superiores a 1,5 milhões de graus Celsius! A simples sobrevivência a esta intensa experiência é um claro indício que este extraordinário objecto deveria ser muito maior que o inicialmente estimado. Para sobreviver a tal adversidade, o núcleo de Lovejoy deveria ter pelo menos 500 metros de diâmetro antes do seu encontro com o Sol. A coroa solar reclamou, no entanto, uma fracção significativa da sua massa, pelo que o cometa reemergiu certamente mais pequeno e mais frágil.
Talvez o aspecto mais fascinante da odisseia de Lovejoy tenha sido, no entanto, a forma como a sua cauda reagiu ao ambiente extremo da coroa. Vejam (e revejam) em baixo algumas imagens obtidas pelos observatórios STEREO-A e SDO.

Entrada do cometa Lovejoy na coroa solar. Imagens obtidas pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory (SDO), através do canal de 171 Å (Fe IX).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

A passagem de Lovejoy na coroa solar num diferente ângulo. Imagens obtidas pelo instrumento SECCHI do observatório STEREO-A, através do canal de 171 Å (Fe IX).
Crédito: STEREO/NASA.

As imagens mostram a cauda de Lovejoy contorcendo-se à medida que atravessa o plasma escaldante da coroa solar. Que fenómeno é este?
Ninguém sabe ainda o que se passou. A verdade é que estas são as primeiras imagens da passagem de um cometa nestes domínios do astro-rei. De acordo com Karl Battams do Naval Research Laboratory, o estranho movimento da cauda resulta provavelmente da rápida ionização das suas partículas de poeira à medida que abandonam o núcleo cometário. Depois de carregadas, as partículas de poeira poderão ter interagido de alguma forma com as linhas do campo magnético da coroa, dispersando-se abruptamente ao longo dos arcos coronais.
Os cientistas vão continuar a analisar a pilha de dados obtida por pelo menos seis observatórios espaciais (STEREO-A, STEREO-B, SDO, SOHO, Proba-2 e Hinode) em busca de uma explicação mais clara e definitiva para este curioso fenómeno. Entretanto, o cometa Lovejoy tornou-se visível a olho nu nos céus matinais do hemisfério sul, na direcção da constelação do Escorpião, pelo que... porque não aproveitar as primeiras horas do dia para observar este extraordinário objecto?