domingo, 22 de janeiro de 2012

Marte visto pela Rosetta

A ESA disponibilizou (finalmente!) no Planetary Data System todas as imagens obtidas nos primeiros quatro anos da missão Rosetta, incluindo tesouros há muito aguardados, recolhidos durante a única assistência gravitacional realizada pela sonda em Marte. Os membros do fórum UnmannedSpaceflight.com apressaram-se logo a mergulhar na abundância de dados para trazerem a público belíssimos retratos do planeta nunca antes vistos. Apreciem estas três imagens processadas pelo croata Gordan Ugarkovic.

Marte em cores naturais, fotografado pela sonda Rosetta a 24 de Fevereiro de 2007, a uma distância de 240.800 km. É possível ver próximo do centro da imagem a cratera Gale, o futuro local de amartagem do robot Curiosity.
Crédito: ESA/equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA/Gordan Ugarkovic.

Fobos em trânsito sobre Marte. Nesta imagem, a pequena lua paira sobre Syrtis Major Planum, um vasto planalto basáltico localizado no hemisfério norte de Marte. Imagem obtida pela sonda Rosetta a 24 de Fevereiro de 2007, a uma distância de 149.700 km.
Crédito: ESA/equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA/Gordan Ugarkovic.

Outra imagem mostrando Fobos em trânsito sobre Marte, desta vez acompanhada da sua sombra projectada a oeste sobre Elysium Planitia. Reparem também nas abundantes nuvens de gelo visíveis em perfil a leste.
Crédito: ESA/equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA/Gordan Ugarkovic.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Alerta! Nuvem de plasma a caminho da Terra!

Ontem ao final da tarde, a região activa 1402 produziu uma fulguração classe-M de longa duração. A explosão enviou uma ejecção de massa coronal na direcção da Terra, a uma velocidade de cerca de 1.100 km.s-1.

Ejecção de massa coronal registada ontem pelo coronógrafo LASCO do observatório solar SOHO.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA/anotações de Sérgio Paulino.


De acordo com os analistas do Goddard Space Weather Laboratory, a densa nuvem de plasma deverá atingir a magnetosfera terrestre com força suficiente para produzir uma forte tempestade geomagnética. O impacto deverá ocorrer amanhã, pelas 22:30 ± 7 horas (hora de Lisboa).
Apesar de improvável, não é de excluir a ocorrência de auroras a latitudes médias. Por isso, amanhã à noite estejam atentos ao céu, de preferência num local com pouca ou nenhuma poluição luminosa.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Erupção vulcânica no arquipélago de Al-Zubair chega ao fim

Terminou a erupção vulcânica que em Dezembro passado fez emergir uma nova ilha no Mar Vermelho, nas proximidades da costa do Iémen. Uma imagem captada este fim-de-semana pelo satélite Earth Observing-1 mostra um novo pedaço de terra firme com cerca de 760 metros de comprimento por 480 metros de largura, sem quaisquer indícios de actividade vulcânica em curso.

O nascimento de uma ilha no arquipélago de Al-Zubair, no Mar Vermelho. Depois de quatro semanas de intensa actividade, o novo vulcão parece estar agora adormecido.
Crédito: NASA (montagem de Sérgio Paulino).

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Phobos-Grunt regressa à Terra

Representação artística da reentrada da Phobos-Grunt na atmosfera terrestre.
Crédito: Michael Carroll/SPACE.com.

Segundo informação oficial do Ministério da Defesa Russo, os destroços da sonda russa Phobos-Grunt repousam agora nas águas do Oceano Pacífico, a cerca de 1.250 km da ilha Wellington, Chile. A reentrada deverá ter ocorrido um pouco antes do previsto, pelas 17:45 (hora de Lisboa).
Até agora não surgiram quaisquer imagens ou relatos que confirmem o local e a hora da queda da sonda de 13,5 toneladas. Na verdade, o comunicado oficial baseou-se em modelos matemáticos e não em qualquer meio de detecção, pelo que esta informação poderá não estar inteiramente correcta.
Farei uma actualização desta mensagem caso surjam novidades.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Phobos-Grunt: reentrada prevista para hoje

De acordo com as mais recentes estimativas, a sonda Phobos-Grunt deverá fazer a sua reentrada na atmosfera terrestre hoje pelas 18:02 ± 24 minutos (hora de Lisboa). Neste momento, a sonda viaja a uma velocidade de 8 km.s-1, numa órbita com um período de 87,21 minutos, um apogeu de 145 km, um perigeu de 128 km e uma inclinação de 51,41º. Apesar do conhecimento preciso sobre estes dados, é impossível determinar com segurança a altura em que a sonda irá ceder ao atrito exercido pela atmosfera terrestre, e consequentemente, o local na superfície terrestre em que os destroços cairão.
Fica aqui um mapa com os possíveis locais de reentrada da Phobos-Grunt.

Mapa oficial da reentrada da sonda Phobos-Grunt emitido hoje ao final da manhã pela agência espacial russa Roskosmos.
Crédito: Roskosmos.

Pôr-do-sol num mundo distante

Conhecemos as cores do pôr-do-sol na Terra e em Marte. Mas já imaginaram um pôr-do-sol num dos distantes mundos recentemente descobertos fora do Sistema Solar?
Embora seja ainda impossível observar directamente estes fenómenos, os cientistas conhecem suficientemente bem a composição da atmosfera de alguns exoplanetas e o espectro das respectivas estrelas para os poderem reproduzir com algum rigor. Frédéric Pont, um astrofísico da Universidade de Exeter, especialista no estudo de atmosferas exoplanetárias, usou recentemente os dados científicos disponíveis do sistema planetário HD209458 para construir uma imagem de um pôr-do-sol no gigante gasoso HD209458b.

Representação artística de um ocaso visto 10 mil quilómetros acima de HD209458b. Reconstrução fiel ao que seria observado pelo olho humano, realizada a partir de espectros de transmissão obtidos pelo espectrómetro STIS do telescópio espacial Hubble.
Crédito: Frédéric Pont.

A imagem mostra um pôr-do-sol verdadeiramente extraterrestre. Apesar de HD209458 ser uma estrela semelhante ao Sol, existe sódio neutro suficiente na atmosfera do seu companheiro planetário para que a luz vermelha seja removida de forma eficaz. Nas camadas mais profundas da atmosfera, a luz azul é dispersa da mesma forma que na Terra, pelo que a estrela adquire uma estranha coloração esverdeada junto ao horizonte. Por fim, como o estrela se encontra a apenas 7 milhões de quilómetros de distância, aparenta um tamanho muito superior ao do Sol quando observado a partir do nosso planeta. Como resultado, o disco estelar de HD209458 não se limita a apenas uma camada atmosférica (como acontece na Terra). Em vez de mudar de cor à medida que se move em direcção ao horizonte, exibe as várias tonalidades descritas em cima em simultâneo!
HD209458b foi o primeiro exoplaneta a ser descoberto pelo método dos trânsitos. Podem ler mais sobre este curioso mundo aqui.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Regolito sobre basalto

Conjunto de pequenas crateras (possivelmente secundárias) localizadas no interior da cratera Tsiolkovskiy. Imagem obtida pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter a 31 de Maio de 2011 (resolução: 61 cm/pixel).
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

A Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) localizou este curioso grupo de crateras na base da antiga cratera Tsiolkovskiy, nos limites dos depósitos basálticos que preenchem o seu interior.
Tsiolkovskiy é uma das mais espectaculares crateras de impacto do lado mais distante da Lua. Formada há cerca de 3,5 mil milhões de anos, teve tempo para acumular uma camada significativa de regolito, uma fina poeira resultante da meteorização das rochas lunares.

A cratera Tsiolkovskiy vista de uma das janelas do módulo de comando Endeavour da missão Apollo 15. Tsiolkovskiy tem cerca de 180 km de diâmetro e é uma das poucas crateras do lado mais distante da Lua inundadas por grandes volumes de basalto negro.
Crédito: NASA.

Algumas das pequenas crateras que compõem o grupo observado pela LRO apresentam uma estrutura anómala. Ao contrário da forma típica de taça, estas crateras possuem uma base abruptamente plana. Porquê?
Estas são provavelmente crateras secundárias formadas por material projectado de um impacto primário próximo. Os impactos secundários ocorrem geralmente a velocidades muito menores, pelo que dispõem de menos energia para escavar uma cratera. No caso dos exemplares aqui mostrados, os impactos responsáveis pela sua formação não tiveram energia suficiente para pulverizar a camada mais profunda de rocha sólida. A base plana destas crateras representa assim a fronteira entre a camada de basalto intacto e o regolito superficial. Ao medirem a profundidade destas crateras, os cientistas conseguem estimar com segurança a profundidade do regolito acumulado em Tsiolkovskiy.
Explorem esta e outras regiões vizinhas aqui.