sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sobrevoando Adiri

Titã em duas composições a cores obtidas pela sonda Cassini a 30 de Janeiro de 2012. A primeira combina três imagens captadas através de filtros para as cores azul, verde e vermelho (respectivamente, 460 nm, 567 nm e 648 nm), e ilustra o aspecto da grande lua de Saturno, tal como seria visto por olhos humanos. A segunda composição resulta da combinação de duas imagens captadas na faixa do infravermelho próximo (890 nm e 939 nm) com uma imagem captada através de um filtro para a cor azul. A verde estão representadas áreas da superfície de Titã. As camadas mais opacas da estratosfera titaniana, onde o metano absorve a maior parte da luz solar, estão representadas a vermelho. Por fim, o azul representa as camadas mais exteriores da atmosfera.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composições a cores de Sérgio Paulino.

A Cassini realizou esta semana um encontro com a lua Titã com o objectivo principal de inspeccionar Ontario Lacus, uma enorme massa de metano líquido situada perto do pólo sul titaniano. Durante esta passagem a uma altitude relativamente elevada (cerca de 31 mil quilómetros), a sonda obteve estes invulgares retratos da gigantesca lua de Saturno, centrados no seu hemisfério anti-saturniano.
Adiri surge proeminente na imagem da direita, ladeada pelas escuras planícies de Shangri-La e Belet. A 14 de Janeiro de 2005, a Huygens concretizava uma alunagem histórica no extremo leste desta região.

Titã em cores falsas vista pela sonda Cassini a 30 de Janeiro de 2012. Encontra-se assinalado na imagem o local de alunagem da sonda Huygens.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores e anotações de Sérgio Paulino.

NASA divulga primeiras imagens da MoonKAM

Foram anteontem divulgadas pela NASA as primeiras imagens da superfície da Lua obtidas por uma das MoonKAM, as pequenas câmaras que equipam as duas sondas gémeas GRAIL. O registo faz parte de um teste realizado a 19 de Janeiro à MoonKAM da GRAIL-A (ou Ebb, como foi recentemente baptizada por alunos americanos), quando esta se encontrava a mais de 1.200 km de altitude.


As imagens mostram o lado mais distante da Lua, desde o pólo norte até aos terrenos acidentados das regiões mais meridionais. A estrutura geológica mais proeminente visível a leste é Mare Orientale, uma bacia de impacto com cerca de 900 km de diâmetro.
As MoonKAM atingirão o seu máximo de resolução quando as duas sondas GRAIL alcançarem em Março uma órbita quase circular, a apenas 55 km de altitude.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Hiperião

A lua Hiperião vista pela Cassini a 25 de Janeiro de 2012.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Esta nova imagem de Hiperião foi obtida na semana passada, a uma distância de 521 mil quilómetros. Podem ler mais sobre esta misteriosa lua de Saturno aqui, aqui e aqui.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

As vertentes de Pytheas

Pytheas é uma cratera de impacto lunar com 19,6 km de diâmetro, localizada no extremo sul de Mare Imbrium. O seu epónimo foi um famoso geógrafo e explorador grego do século IV a. C., natural da antiga colónia grega de Massália (actual Marselha), conhecido por ter sido o primeiro a associar o movimento das marés às fases da Lua.

A cratera Pytheas vista pela sonda da NASA Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

No passado mês de Setembro, a Lunar Reconnaissance Orbiter registou pormenores impressionantes da geologia de Pytheas. Na vertente sul da cratera observou espantosos exemplares de fluxos granulares a rasgarem caminho através das sucessivas camadas de basalto negro expostas ao longo do declive. Constituídos por cascalho altamente reflectivo escoado da orla da cratera, os estreitos fluxos granulares espraiam-se nas proximidades da base de Pytheas em magníficas escombreiras de gravidade. Ao contrário do que sucede na Terra, as escombreiras de gravidade lunares são criadas inteiramente pela acção da força gravitacional.

Camadas de basalto, fluxos granulares e escombreiras de gravidade fotografadas pela LRO a 15 de Setembro de 2011, na vertente sul da cratera Pytheas, na Lua (norte está para baixo). Diâmetro da imagem correspondente a 735 metros (resolução de 0,49 metros/pixel).
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Explorem o resto desta imagem aqui.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Água nos pólos de Vesta?

O pólo sul de Vesta fotografado pela sonda Dawn em Setembro de 2011. A região é dominada pela gigantesca bacia de impacto Rheasilvia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA.

No interior da Cintura de Asteróides, região onde Vesta reside, a radiação solar é suficientemente forte para rapidamente volatilizar quaisquer depósitos superficiais de água ou de outros compostos voláteis. Ao contrário de Mercúrio e da Lua, o gigantesco asteróide também não tem crateras permanentemente sombrias para suportar a sobrevivência desses compostos por longos períodos de tempo. O seu eixo de rotação está inclinado cerca de 27,2º (para comparação, o eixo de rotação da Lua tem uma inclinação de apenas 1,5º), pelo que virtualmente todos os pontos da sua superfície recebem luz solar em algum momento do ano vestiano. Por estes motivos, durante muito tempo, os cientistas consideraram Vesta uma das superfícies mais secas do Sistema Solar.
Um novo estudo vem agora, no entanto, revelar uma nova e interessante possibilidade. Baseados em imagens recolhidas pelo telescópio espacial Hubble em 1994 e em 1996, os investigadores Timothy Stubbs e Yongli Wang criaram novos modelos para as distribuições globais da irradiação e das temperaturas em Vesta. As previsões produzidas pelos modelos mostram que, apesar dos pólos vestianos passarem por estações (tal como os pólos terrestres), a sua temperatura média anual fica abaixo dos 145 K (equivalente a -128º C), o limiar térmico da sobrevivência do gelo de água nos primeiros metros abaixo da superfície do asteróide. Mais ainda, estas condições estendem-se até à latitude de 27º, linha a partir do qual as médias se tornam demasiado elevadas.

Mapa das temperaturas médias de Vesta (em K) previstas pelo modelo de Stubbs e Wang. A linha cinzenta delimita a estreita banda em redor do equador em que se torna impossível a presença de gelo de água junto à superfície.
Crédito: NASA/GSFC/UMBC.

Mapa das temperaturas médias da região do pólo sul de Vesta (em K) previstas pelo modelo de Stubbs e Wang.
Crédito: NASA/GSFC/UMBC.

Os resultados do modelo de Stubbs e Wang terão o seu escrutínio definitivo quando forem analisados os dados recolhidos pela sonda Dawn, no final da sua missão na órbita de Vesta. Serão particularmente determinantes as observações realizadas pelo espectrómetro GRaND, o único equipamento com capacidade para detectar água no regolito vestiano.
Podem encontrar este trabalho aqui.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Hayabusa - os filmes



No próximo dia 7 de Março será lançado em DVD e Blu-ray pela 20th Century Fox Japan o filme Hayabusa, uma longa-metragem nipónica que retrata a épica viagem da sonda Hayabusa, a primeira a recolher e a enviar para a Terra amostras de um asteróide. O filme teve a sua estreia em salas de cinema no Japão a 1 de Outubro de 2011 e conta com a participação da actriz Yuko Takeuchi no papel principal (conhecida pelos fãs da série televisiva FlashForward pelo seu desempenho na personagem Keiko).


Entretanto têm estreia marcada para as próximas semanas em salas de cinema nipónicas duas outras dramatizações com o mesmo pano de fundo. A primeira tem por título Hayabusa, o regresso a casa e acompanha o dia-a-dia de um investigador da missão durante a odisseia de 7 anos da pequena sonda da JAXA no espaço. A personagem principal é interpretada por Ken Watanabe (papel principal no filme de Clint Eastwood As cartas de Iwo Jima) e foi inspirada no líder do projecto Prof. Junichiro Kawaguchi.
O segundo filme explora os dramas familiares de um engenheiro assistente responsável pela criação dos propulsores da sonda nipónica. O filme intitula-se Bem-vinda Hayabusa e terá a sua estreia a 10 de Março.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Novo impacto! Auroras previstas para esta noite!

A ejecção de massa coronal de ontem vista pelo SOHO.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA/comentários de Phil Plait.

Tal como havia sido previsto, o campo magnético terrestre foi atingido esta tarde por uma ejecção de massa coronal (EMC) com origem na fulguração de ontem na região activa 1402. De acordo com a NOAA, o impacto da nuvem de plasma deverá desencadear nas próximas horas uma intensa tempestade geomagnética, com a possibilidade da manifestação de auroras em latitudes acima dos 55º. À partida, estão excluídos do espectáculo de luzes celestes os territórios português e brasileiro. No entanto, sublinho que esta é apenas uma previsão. Se estiverem num local com pouco poluição luminosa, não deixem de espreitar os céus a norte. Quem sabe... talvez tenham um pouco de sorte.
Entretanto, a chegada da EMC intensificou ainda mais a actual tempestade de radiação solar, transformando-a na maior desde as grandes tempestades de Outubro de 2003!