terça-feira, 13 de março de 2012

Estranho material negro em Vibídia

A cratera Vibídia, em Vesta. Imagem obtida pela sonda Dawn a 21 de Outubro de 2011 (resolução: 70 metros/pixel).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA.

Vibídia é uma pequena cratera vestiana que se destaca pela distribuição diferencial de materiais de aspecto e cor distintos em seu redor. Os materiais mais brilhantes formam um padrão circular que se estende a mais de 15 quilómetros da orla da cratera. A curta distância e no seu interior distingue-se um outro material mais escuro, curiosamente também visível na vertente de uma cratera vizinha (em baixo).
A origem e natureza deste material é ainda desconhecida, mas um levantamento preliminar da sua presença na superfície de Vesta sugere uma distribuição heterogénea (ver aqui). Em Vibídia parece localizar-se preferencialmente numa camada bem delimitada, que denuncia a presença de um estrato subsuperficial nesta região, escondido por um fino manto de regolito.
Vejam mais imagens de Vesta aqui.

domingo, 11 de março de 2012

Cratera listrada em Arabia Terra

Algumas regiões de Marte ostentam verdadeiras obras de arte. Vejam, por exemplo, o caso desta cratera fotografada recentemente pela Mars Reconnaissance Orbiter.

Listras radiais numa pequena cratera situada nos planaltos de Arabia Terra, em Marte. Imagem obtida a 05 de Fevereiro de 2012 pela câmara HiRISE da sonda Mars Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

As listras que decoram o interior desta cratera são estruturas vulgarmente encontradas em encostas por toda a superfície poeirenta de Marte. Pensa-se que são constituídas por material finamente granulado que se precipita ao longo de declives acentuados, formando bandas escuras que se desvanecem com o tempo.
A cratera da imagem destaca-se pela beleza do padrão radial de listras que exibe, certamente fruto de episódios repetidos de queda de material granulado do cimo das suas encostas.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Memoriais lunares ao dia da mulher

O Dia Internacional da Mulher é assinalado em muitos países, há já várias décadas, no dia 8 de Março. A data ganhou particular relevância na União Soviética como símbolo político de exaltação da mulher soviética como peça fundamental na construção do regime comunista e na defesa da pátria durante a Grande Guerra Patriótica (II Grande Guerra Mundial).
Em 1971, os controladores da missão soviética Lunokhod 1 comemoraram a data de uma forma muito original. Ordenaram ao sofisticado robot que desenhasse com as suas rodas no regolito de Mare Imbrium um memorial ao dia da mulher. Depois de completar uma figura em forma de 8, o Lunokhod 1 reposicionou-se para criar um panorama que incluísse o memorial.

Memorial ao dia da mulher criado em 1971 pelo Lunokhod 1. Esta é uma parte do panorama fotografado pelo robot soviético pouco depois de ter criado a figura.
Crédito: Laboratory of Comparative Planetology.

Dois anos mais tarde, o seu sucessor Lunokhod 2 criaria um memorial semelhante, desta vez na orla da cratera Le Monnier, no extremo leste de Mare Serenitatis. Este segundo memorial tem a particularidade de ser facilmente reconhecível em imagens recentemente obtidas pela sonda americana Lunar Reconnaissance Orbiter.

Parte de um panorama obtido em 1973 pelo robot soviético Lunokhod 2 mostrando o memorial ao dia da mulher por si criado.
Crédito: Laboratory of Comparative Planetology.

O mesmo memorial fotografado quatro décadas mais tarde pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter. É visível a escassos metros a Luna 21, a sonda que transportou o Lunokhod 2 até à superfície da Lua.
Crédito: NASA/GSFC/ Arizona State University.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Espectacular explosão solar esta madrugada!

A região activa 1429 voltou esta madrugada à carga com uma poderosa fulguração classe X5,4, uma das mais intensas do actual ciclo. A explosão produziu de imediato uma interrupção nas comunicações rádio de alta frequência que afectou todo o hemisfério diurno terrestre durante alguns minutos. O fenómeno esteve ainda associado à libertação de uma brilhante ejecção de massa coronal que deverá passar amanhã nas proximidades da Terra e provocar uma forte tempestade geomagnética.

A fulguração desta madrugada vista pelo Solar Dynamics Observatory na banda do ultravioleta extremo (171 Å).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/Helioviewer.

A fulguração gerou também um intenso fluxo de protões na direcção da Terra, que está a produzir neste momento uma tempestade de radiação solar classe-S3.

Um dos efeitos mais notórios das fortes tempestades de radiação solar é o ruído nos sistemas de imagem dos satélites provocado pela colisão das partículas energéticas nos seus detectores ópticos. Esta imagem foi obtida há cerca de 2 horas pelo coronógrafo LASCO do SOHO, quando a tempestade atingia uma intensidade classe S3.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA.

segunda-feira, 5 de março de 2012

SDO observa forte fulguração solar

Depois de um período de quase duas semanas de relativa tranquilidade, a actividade solar está novamente em alta. A região activa 1429 tem estado a produzir fortes fulgurações desde que emergiu no passado dia 2 de Março no extremo leste do disco solar. O Solar Dynamics Observatory detectou hoje de madrugada mais uma explosão - uma fulguração classe-X, a mais forte até agora emitida pela região. Vejam em baixo as imagens:

Fulguração classe-X1 observada pelo Solar Dynamics Observatory na banda do ultravioleta extremo (131 Å). As variações bruscas de brilho são artefactos produzidos pelo software responsável por esta animação, e resultam de ajustes ao aumento do brilho do disco solar provocado pelo fenómeno.
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/Helioviewer.

A explosão provocou uma momentânea interrupção na propagação de ondas rádio de alta frequência no hemisfério diurno da Terra, e libertou uma ejecção de massa coronal que deverá atingir nas próximas horas os planetas Mercúrio e Vénus. Não se esperam alterações significativas na actividade geomagnética nos próximos dias resultantes deste evento.

domingo, 4 de março de 2012

Tesouros da missão Voyager: ciclones jovianos

É impressionante a quantidade de imagens obtidas pelas duas sondas Voyager que nunca foram tornadas públicas. Tudo isso aconteceu não porque a NASA as quisesse esconder, mas porque simplesmente é um vasto material em bruto, até agora apenas usado por cientistas. E digo até agora porque felizmente começam a proliferar amadores com a paciência e a habilidade necessárias para mergulharem nesse imenso tesouro e trazerem a público belíssimos retratos dos gigantes gasosos e das suas luas. Relembro que todo esse vasto material está disponível a quem o quiser observar (e utilizar) aqui.
Daniel Macháček é um dos entusiastas desta actividade. Recentemente, desenterrou dos arquivos de dados da NASA imagens do planeta Júpiter obtidas pela sonda Voyager 2 em 1979. Com a mestria com que já nos habituou, compôs um magnífico retrato da atmosfera turbulenta do gigante gasoso. Os pormenores visíveis são impressionantes. Numa extensão de cerca de 12 mil quilómetros, desfilam grandes ciclones, cada uma com o seu respectivo olho bem delineado. Vejam:

Tempestades na Cintura Temperada do hemisfério norte de Júpiter. Mosaico de imagens obtidas pela sonda Voyager 2 a 9 de Julho de 1979. O retrato final foi colorizado, usando como modelo uma outra imagem de contexto (em baixo).
Crédito: NASA/JPL/Daniel Macháček.

Imagem de contexto em cores aproximadamente naturais, mostrado a região retratada na imagem de cima e comparando-a com as dimensões da Terra.
Crédito: NASA/JPL/Daniel Macháček.

Espectacular, não? E que tal ao som deste tema?

sábado, 3 de março de 2012

Dione tem atmosfera de oxigénio

A lua Dione fotografada pela sonda Cassini a 11 de Outubro de 2005.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

A sonda Cassini detectou pela primeira vez iões de oxigénio molecular (O2+) junto à superfície de Dione, confirmando a presença de uma ténue atmosfera em redor desta lua de Saturno. A descoberta foi divulgada num artigo recentemente publicado na revista Geophysical Research Letters (ver aqui).
Há já algum tempo que os cientistas suspeitavam da presença de O2+ em Dione. Nos anos 90, o telescópio espacial Hubble tinha detectado nesta lua saturniana a assinatura espectral de ozono (O3), o que sugeria a existência de quantidades apreciáveis de oxigénio molecular junto à sua superfície. A confirmação da existência de uma ténue atmosfera (ou exosfera) de O2+ em Dione surgiu a 7 de Abril de 2010, durante uma passagem próxima da sonda Cassini, a apenas 503 quilómetros de altitude. Com o seu instrumento INMS (Ion and Neutral Mass Spectrometer), a sonda da NASA mediu densidades de iões situadas entre 0,01 e 0,09 O2+.m-3,o equivalente ao encontrado a 480 quilómetros acima da superfície terrestre.
Terá a exosfera de Dione origem biogénica? É muito improvável que tal ocorra. Como explicam os autores do artigo, o oxigénio molecular de Dione deverá ser libertado da sua superfície pelo intenso bombardeamento do gelo de água superfícial com protões solares ou outras partículas energéticas. Os cientistas da missão vão, no entanto, continuar a procurar outros processos responsáveis pelo O2+ da exosfera dioniana, incluindo mecanismos geológicos.