quarta-feira, 11 de abril de 2012

Bonitas imagens do asteróide Lutécia

Foram finalmente publicados todos os dados obtidos pela sonda Rosetta durante o seu encontro com o asteróide (21) Lutécia a 10 de Julho de 2010. Como seria de esperar, alguns membros da comunidade do fórum UnmannedSpaceflight.com não perderam tempo e começaram a produzir verdadeiras obras de arte a partir do material disponibilizado pela ESA. Apreciem em baixo alguns exemplos:

Passagem pelo asteróide Lutécia, numa animação construída com imagens obtidas pela sonda Rosetta a 10 de Julho de 2010.
Crédito: ESA/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA/Ian Regan.

Lutécia em cores aproximadamente naturais, numa composição construída com imagens obtidas através de filtros para o azul, o verde e o laranja. Ao centro encontra-se uma enorme cratera muito degradada, com grandes derrocadas de regolito e enormes rochedos espalhados pelas suas encostas. Alguns desses rochedos elevam-se a 400 metros acima da superfície!
Crédito: ESA/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA/Daniel Macháček.

A grande bacia Massilia em cores aproximadamente naturais.
Crédito: ESA/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA/Daniel Macháček.

domingo, 8 de abril de 2012

Um novo modelo do campo gravitacional lunar

Uma equipa de cientistas australianos da Curtin University, em Perth, Austrália, produziu recentemente o Lunar Gravity Model 2011 (LGM2011), um novo modelo do campo gravitacional da Lua com uma resolução espacial sem precedentes. Baseado em métodos testados com sucesso na Terra, o novo modelo melhora consideravelmente o detalhe de modelos anteriores, incluindo o SGM100i (um modelo gerado a partir de dados obtidos pela missão japonesa Kaguya) e os modelos preliminares produzidos pela missão Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO).
O desempenho surpreendente alcançado no LGM2011 é fruto da combinação de componentes do modelo SGM100i com dados topográficos obtidos pelo altímetro LOLA da LRO no período entre 2009 e 2011, e deverá rivalizar com o modelo que irá ser criado pela missão GRAIL.
Vejam em baixo alguns dos produtos gerados pelo novo modelo:

Mapa da aceleração gravitacional na superfície lunar (lado mais próximo à esquerda e lado mais distante à direita).
Crédito: Western Australian Centre for Geodesy (Curtin University).

Mapa das anomalias gravitacionais da Lua (lado mais próximo à esquerda e lado mais distante à direita). Reparem na presença de grandes superfícies com anomalias gravitacionais positivas no hemisfério mais próximo. Estas superfícies coincidem com as grandes bacias de impacto de Mare Imbrium, Mare Serenitatis, Mare Crisium, Mare Nectaris e Mare Humorum, regiões que contêm grandes mascons (concentrações de massa).
Crédito: Western Australian Centre for Geodesy (Curtin University).

Mapa da deflexões verticais superficiais da Lua (lado mais próximo à esquerda e lado mais distante à direita). A deflexão vertical indica o desvio da direcção da atracção gravitacional relativamente ao que seria medido num corpo perfeitamente esférico.
Crédito: Western Australian Centre for Geodesy (Curtin University).

Podem ler mais pormenores sobre este trabalho aqui.

sábado, 7 de abril de 2012

Sol deu uma pirueta!


No passado dia 4 de Abril, o Sol executou uma estranha pirueta sobre si próprio! Bem... pelo menos foi esta a realidade na perspectiva do Solar Dynamics Observatory. O observatório espacial da NASA executou uma volta de 360º sobre si próprio, o que provocou o curioso movimento nas imagens do Sol.
Esta manobra é executada duas vezes por ano com o objectivo de remover distorções ópticas das imagens obtidas pelo instrumento Helioseismic and Magnetic Imager. Os dados acumulados permitem aos cientistas determinar com precisão as dimensões do Sol, e como estas se alteram ao longo do actual ciclo solar.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Torvelinho gigantesco em Amazonis Planitia

A câmara HiRISE da sonda Mars Reconnaissance Orbiter surpreendeu um gigantesco torvelinho serpenteando na vasta e poeirenta planície de Amazonis, em Marte. Gerados por espirais de ar quente em ascensão a partir de superfícies aquecidas pelo Sol, os torvelinhos marcianos são fenómenos frequentes nas longas tardes de Primavera e Verão. Apesar de se formarem em pressões atmosféricas extremamente baixas (a pressão atmosférica na superfície de Marte é tipicamente inferior a 1% da pressão atmosférica terrestre medida ao nível do mar), conseguem reunir energia suficiente para arrastar consigo partículas de areia a velocidade superiores a 100 km.h-1!

Um gigantesco torvelinho em Amazonis Planitia. Imagem obtida a 14 de Março de 2012, pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Semelhante a outro fotografado em Fevereiro passado, este novo torvelinho destaca-se pelo seu tamanho colossal. Segundo a equipa da HiRISE, o comprimento da sua sombra nas imagens indica que a pluma de poeira atingiu uma altitude de 20 km acima da superfície! Apesar do seu surpreendente comprimento, o diâmetro deste torvelinho não ultrapassou, no entanto, os 70 metros, dimensões ainda assim comparáveis às dos tornados terrestres.

Imagem de contexto mostrando o torvelinho em toda a sua extensão.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Em que diferem os torvelinhos dos tornados? A diferença está nas respectivas fontes de energia. Os torvelinhos são alimentados pelo calor que irradia da superfície. Os tornados, por sua vez, têm uma fonte de energia adicional: o calor libertado pela condensação do vapor de água atmosférico (cliquem aqui para saberem mais sobre tornados). Como na atmosfera marciana existe pouquíssimo vapor de água, o seu contributo na convecção atmosférica em escalas localizadas é irrelevante, pelo que em Marte apenas se formam torvelinhos.

sábado, 31 de março de 2012

Missão Cassini: espectaculares imagens de Encélado, Jano, Dione e Reia

Na passada terça-feira, a sonda Cassini concretizou uma passagem a apenas 74 km da superfície de Encélado. O encontro teve como objectivo principal o estudo da composição química dos jactos de vapor e de partículas de gelo de água em actividade na região do pólo sul, pelo que grande parte das observações estiveram reservadas aos espectrómetros INMS, CAPS e CIRS. Durante a aproximação, a câmara de ângulo fechado da Cassini focou o lado nocturno da lua e fotografou as plumas em contra-luz através de diversos filtros de cor. Aqui está a mais bela imagem desse conjunto.

Encélado e as suas espectaculares plumas, numa imagem obtida pela sonda Cassini a 27 de Março de 2012.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Após o encontro com Encélado, a Cassini navegou pelas proximidades de Jano, Dione e Reia. A equipa de imagem da missão aproveitou estas passagens não programadas para aumentar o acervo de retratos da superfície gelada destes pequenos mundos. Eis alguns magníficos exemplares.

Jano vista pela Cassini a 27 de Março de 2012.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Jano em frente da Saturno numa composição em cores aproximadamente naturais construída com imagens obtidas pela Cassini a 27 de Março de 2012, através de filtros para o ultravioleta próximo, o verde e o infravermelho próximo.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Evander, uma cratera com 350 km de diâmetro situada na região do pólo sul de Dione. Imagem obtida pela sonda Cassini a 28 de Março de 2012.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Reia pairando sobre os anéis de Saturno. São visíveis ainda duas pequenas luas passando a grande velocidade junto aos anéis (a segunda está parcialmente oculta pelos anéis no lado esquerdo da imagem). Imagem obtida pela câmara de ângulo fechado da Cassini a 29 de Março de 2012.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Imagem de contexto mostrando o mesmo cenário da imagem de cima. É visível entre Saturno e Reia a pequena lua Mimas.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Cientistas observam a dança de um gigantesco tornado solar

Os tornados solares são fenómenos relativamente frequentes na superfície do Sol, que muitas vezes precedem a libertação de violentas ejecções de massa coronal. Recentemente, o Solar Dynamics Observatory registou imagens de uma destas magníficas estruturas elevando-se a uma altitude equivalente a 5 vezes o diâmetro da Terra!

Sequência de imagens obtidas a 25 de Setembro de 2011 pelo Solar Dynamics Observatory (AIA, canal de 171 Å), mostrando um monstruoso tornado em rotação na atmosfera solar.
Crédito: NASA/Dr. Xing Li, Dr. Huw Morgan and Mr. Drew Leonard.

Investigadores da Universidade de Aberystwyth, País de Gales, analisaram em detalhe as imagens e descobriram algumas particularidades interessantes que poderão ajudar a compreender os mecanismos que mobilizam as ejecções de massa coronal. Durante um período de algumas horas, o Solar Dynamics Observatory observou gases superaquecidos a temperaturas na ordem dos 50.000 a 2.000.000º C a serem sugados de uma densa proeminência e a moverem-se em espiral até às camadas mais exteriores da atmosfera solar. Estes gases moviam-se a velocidades que atingiram os 300 mil quilómetros por hora!
Aparentemente, os tornados solares arrastam consigo dobras do campo magnético solar, moldando-as numa estrutura em hélice por onde é ejectado material da superfície. É este movimento ascendente de gás superaquecido que, segundo Xing Li e colegas, poderá desempenhar um papel fundamental na formação de uma ejecção de massa coronal.
A equipa espera poder estudar mais destes tornados durante o actual ciclo solar. Entretanto, podem apreciar o vídeo apresentado ontem pelos investigadores na UK-Germany National Astronomy Meeting 2012.

terça-feira, 27 de março de 2012

Um dia de Verão em Shackleton

Shackleton é uma antiga cratera lunar com 21 km de diâmetro e 4,2 km de profundidade, situada nas proximidades do pólo sul da Lua. É um local muito interessante porque o seu interior mantém-se permanentemente imerso na escuridão, ocultando do Sol preciosos depósitos de gelo de água e de outras substâncias voláteis.
Recentemente, o astrónomo amador Howard Fink produziu uma bela animação que mostra a iluminação de Shackleton durante um dia lunar de Verão, quando o Sol se encontra na sua máxima elevação sobre esta região (cerca de 1,4 graus a sul do equador lunar).

A iluminação da cratera Shackleton durante um dia lunar com o Sol na sua máxima declinação a sul. Animação construída com modelos tridimensionais gerados a partir de dados obtidos pelo instrumento LOLA, o altímetro da missão Lunar Reconnaissance Orbiter. Os pequenos picos localizados nas proximidades de Shackleton são artefactos instrumentais.
Crédito: NASA/LRO/LOLA Science Team/animação de Howard Fink.