sábado, 21 de abril de 2012

Descobertas evidências de actividade vulcânica recente na Lua

Cientistas do Physical Research Laboratory, na Índia, anunciaram na semana passada a descoberta de claras evidências de actividade vulcânica recente na Lua. A partir de dados obtidos pelas sondas Lunar Reconnaissance Orbiter e Chandrayaan-1, Prakash Chauhan e colegas analisaram a morfologia e a mineralogia do pico central de Tycho, uma cratera de impacto Copernicana formada há apenas 110 milhões de anos. No cimo e nas vertentes da montanha de 2 km de altura, os investigadores indianos descobriram diversas estruturas de origem vulcânica com composições heterogéneas, o que sugere a presença de actividade geológica prolongada posterior à formação da cratera.

O pico central da cratera Tycho numa visão oblíqua obtida a 10 de Junho de 2011 pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Os picos centrais das crateras complexas são bastante interessantes do ponto de vista geológico porque representam material escavado das profundezas da crusta pela descompressão da superfície logo após o impacto. O pico central de Tycho distingue-se pela complexidade da sua composição e pela presença em seu redor de materiais solidificados mais jovens que o manto de ejecta que se estende no exterior da cratera. Os indícios de actividade vulcânica agora identificados vêm sugerir que esses materiais não foram fundidos pela energia libertada pelo impacto que gerou a cratera, mas sim expulsos de uma fonte subsuperficial de magma perturbada pela colisão, o que implica a existência de actividade geológica nas regiões mais interiores da crusta lunar na altura da formação de Tycho.

Bloco rochoso com 120 metros de diâmetro fotografado pela Lunar Reconnaissance Orbiter no topo do pico central de Tycho. A equipa de cientistas indianos sugere que esta estrutura é uma cúpula vulcânica. São também visíveis em seu redor outras estruturas de origem vulcânica, nomeadamente fissuras vulcânicas e um lago de lava.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

A confirmação destes achados carece da recolha e da datação de amostras, algo que dependerá apenas da concretização de futuras missões à superfície da Lua. Até lá resta investigar a presença de estruturas semelhantes nos picos centrais de outras crateras Copernicanas.
Podem encontrar o artigo original deste trabalho aqui.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Fabulosa explosão solar!

A explosão solar observada anteontem pelo Solar Dynamics Observatory foi aparentemente apenas um aquecimento. Ontem, ao final da tarde, a mesma região activa produziu uma fulguração classe M1,7 que lançou uma magnífica proeminência a centenas de milhares de quilómetros acima da superfície solar!

Proeminência solar elevando-se no extremo nordeste do disco solar. Imagens obtidas a 16 de Abril de 2012 pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory (SDO).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/Helioviewer.

Parte da nuvem de plasma arremessada pela explosão escapou à gravidade solar e dirige-se agora na direcção do observatório STEREO-B. A Terra não está na linha de fogo desta ejecção de massa coronal, porém o fenómeno é uma clara demonstração da actividade fervilhante que anima a região que lhe deu origem. Nos próximos dias, esta região deverá rodar completamente na direcção do nosso planeta, pelo que as próximas fulgurações deverão produzir efeitos significativos no campo magnético terrestre.

domingo, 15 de abril de 2012

Espectacular erupção de uma pluma de plasma

O Solar Dynamics Observatory assistiu na madrugada passada à erupção de uma imensa pluma de plasma no extremo nordeste do disco solar. O fenómeno produziu uma ejecção de massa coronal que deverá atingir o observatório espacial STEREO-B dentro dos próximos dias. O foco da erupção localizou-se numa região activa ainda invisível a partir da Terra.

Pluma de plasma elevando-se acima da superfície solar. Imagens obtidas a 15 de Abril de 2012 pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory (SDO).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/Helioviewer.

Um dia em Mercúrio

Quanto tempo dura um dia em Mercúrio? A resposta não é simples.
Na Terra regemo-nos pelo dia solar, o período compreendido entre duas passagens consecutivas do Sol pelo mesmo meridiano celeste. O dia solar prolonga-se em média por 24 horas e é ligeiramente mais longo (cerca de 3 minutos e 56 segundos) que o dia sideral (o período de uma rotação em relação às estrelas). Esta pequena diferença emerge da progressão da Terra na sua órbita após uma rotação completa sobre o seu eixo, um movimento que afecta o ângulo de incidência do Sol sobre a superfície terrestre.
Devido à lenta rotação e à rápida velocidade orbital de Mercúrio, um dia solar no mais pequeno planeta do Sistema Solar estende-se em média por 175,97 dias terrestres. Ao contrário do que acontece na Terra, este período é radicalmente diferente do dia sideral. Mercúrio completa uma volta em torno do seu eixo (em relação à posição das estrelas) a cada 58,65 dias terrestres, o que corresponde a apenas 2/3 do seu período orbital (cerca de 87,97 dias terrestres). Tal coincidência é resultado de uma ressonância rotação-translação 3:2 provocada pela forte influência gravitacional do Sol.
Esta curiosa ressonância produz um estranho efeito no movimento aparente do Sol nos céus de Mercúrio. Uma vez em cada ano mercuriano, o disco solar parece reverter ligeiramente o seu movimento aparente este-oeste. Este efeito provoca diferenças significativas nos tempos de insolação em diferentes longitudes, o que se reflecte num invulgar padrão de distribuição das temperaturas superficiais.
A equipa da missão MESSENGER publicou recentemente um interessante vídeo que mostra o pólo sul de Mercúrio ao longo de um dia mercuriano completo. Reparem como se desloca o terminador (a linha que separa o dia da noite) ao longo da superfície.

Sequência de 89 imagens obtidas em 2011 pela sonda MESSENGER ao longo de um dia mercuriano (176 dias terrestres). As imagens estão centradas no pólo sul do planeta e abrangem todas as regiões meridionais até aos 73º de latitude.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

sábado, 14 de abril de 2012

Saturno e dois pequenos crescentes

No passado dia 11 de Abril, a sonda Cassini realizou uma rápida sequência de observações dos resquícios da supertempestade que assolou o hemisfério norte de Saturno em 2011. Durante a sessão, Dione e Tétis cruzaram o campo de visão das suas câmaras, proporcionando à equipa de imagem da missão a oportunidade para a captação deste belo retrato do sistema.

O gigante Saturno e as suas duas luas Dione e Tétis. Imagem obtida pela sonda Cassini a 11 de Abril de 2012, a 2,3 milhões de quilómetros de distância do planeta.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Neste momento, a Cassini encontra-se nas proximidades de Encélado a analisar a composição das plumas que emanam da região do pólo sul. Logo à noite, a sonda da NASA rumará para um encontro com Tétis, a apenas 9 mil quilómetros da sua superfície. Esta será a passagem mais próxima da missão desde Setembro de 2005, altura em a Cassini sobrevoou Tétis a apenas 1.503 km de distância.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Bonitas imagens do asteróide Lutécia

Foram finalmente publicados todos os dados obtidos pela sonda Rosetta durante o seu encontro com o asteróide (21) Lutécia a 10 de Julho de 2010. Como seria de esperar, alguns membros da comunidade do fórum UnmannedSpaceflight.com não perderam tempo e começaram a produzir verdadeiras obras de arte a partir do material disponibilizado pela ESA. Apreciem em baixo alguns exemplos:

Passagem pelo asteróide Lutécia, numa animação construída com imagens obtidas pela sonda Rosetta a 10 de Julho de 2010.
Crédito: ESA/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA/Ian Regan.

Lutécia em cores aproximadamente naturais, numa composição construída com imagens obtidas através de filtros para o azul, o verde e o laranja. Ao centro encontra-se uma enorme cratera muito degradada, com grandes derrocadas de regolito e enormes rochedos espalhados pelas suas encostas. Alguns desses rochedos elevam-se a 400 metros acima da superfície!
Crédito: ESA/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA/Daniel Macháček.

A grande bacia Massilia em cores aproximadamente naturais.
Crédito: ESA/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA/Daniel Macháček.

domingo, 8 de abril de 2012

Um novo modelo do campo gravitacional lunar

Uma equipa de cientistas australianos da Curtin University, em Perth, Austrália, produziu recentemente o Lunar Gravity Model 2011 (LGM2011), um novo modelo do campo gravitacional da Lua com uma resolução espacial sem precedentes. Baseado em métodos testados com sucesso na Terra, o novo modelo melhora consideravelmente o detalhe de modelos anteriores, incluindo o SGM100i (um modelo gerado a partir de dados obtidos pela missão japonesa Kaguya) e os modelos preliminares produzidos pela missão Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO).
O desempenho surpreendente alcançado no LGM2011 é fruto da combinação de componentes do modelo SGM100i com dados topográficos obtidos pelo altímetro LOLA da LRO no período entre 2009 e 2011, e deverá rivalizar com o modelo que irá ser criado pela missão GRAIL.
Vejam em baixo alguns dos produtos gerados pelo novo modelo:

Mapa da aceleração gravitacional na superfície lunar (lado mais próximo à esquerda e lado mais distante à direita).
Crédito: Western Australian Centre for Geodesy (Curtin University).

Mapa das anomalias gravitacionais da Lua (lado mais próximo à esquerda e lado mais distante à direita). Reparem na presença de grandes superfícies com anomalias gravitacionais positivas no hemisfério mais próximo. Estas superfícies coincidem com as grandes bacias de impacto de Mare Imbrium, Mare Serenitatis, Mare Crisium, Mare Nectaris e Mare Humorum, regiões que contêm grandes mascons (concentrações de massa).
Crédito: Western Australian Centre for Geodesy (Curtin University).

Mapa da deflexões verticais superficiais da Lua (lado mais próximo à esquerda e lado mais distante à direita). A deflexão vertical indica o desvio da direcção da atracção gravitacional relativamente ao que seria medido num corpo perfeitamente esférico.
Crédito: Western Australian Centre for Geodesy (Curtin University).

Podem ler mais pormenores sobre este trabalho aqui.