segunda-feira, 14 de maio de 2012

Dáfnis, Pã e os seus efeitos no anel A de Saturno

Dáfnis e Pã rasgando duas divisões no anel A de Saturno. Imagem obtida pela sonda Cassini a 03 de Junho de 2010.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute.

Dáfnis e Pã são duas pequenas luas que orbitam Saturno no interior do anel A, nas divisões de Keeler e Encke, respectivamente. Nesta imagem obtida poucos meses depois do equinócio saturniano, podemos ver ondulações nas extremidades do anel com componentes verticais e horizontais. Estas estruturas são produzidas por perturbações gravitacionais das duas luas, que assim mantêm as divisões livres de partículas.

domingo, 13 de maio de 2012

Viagem virtual a Vesta

A pretexto da recente publicação de resultados da missão Dawn, a NASA e a DLR lançaram um novo vídeo que mostra uma viagem virtual por alguns dos recantos mais espectaculares de Vesta. O vídeo começa com a sonda Dawn a alcançar o seu destino e segue depois para uma passagem por Divalia Fossa, um dos vários sulcos que rasgam a superfície do hemisfério norte paralelos ao equador. A seguir, a câmara virtual viaja pelo interior da cratera Marcia (58 quilómetros de diâmetro), a maior de um conjunto conhecido informalmente por Boneco de Neve. O vídeo termina com uma passagem por Aricia Tholus, uma área montanhosa com cerca de 5 km de altitude localizada a oeste de Marcia. Vejam:

sábado, 12 de maio de 2012

Vesta é um antigo embrião planetário

Representação artística da estrutura interna de Vesta baseada nos dados recolhidos pela sonda Dawn. São visíveis um núcleo provavelmente constituído por ferro e níquel, rodeado por um manto e uma crusta completamente diferenciados.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Foram publicados anteontem na revista Science análises detalhadas aos primeiros resultados obtidos pela missão Dawn na órbita de Vesta. Pela primeira vez, os investigadores da missão reuniram um corpo de evidências que lhes permite afirmar que Vesta é um protoplaneta que sobreviveu praticamente incólume ao caos e à destruição que assolaram a Cintura de Asteróides depois da sua formação há 4,56 mil milhões de anos. De acordo com os dados disponibilizados pela sonda Dawn, Vesta assemelha-se mais a um pequeno planeta telúrico como Mercúrio, do que aos inúmeros objectos que consigo partilham a vasta região entre as órbitas de Marte e Júpiter.

Vesta em comparação com outros corpos semelhantes, Ceres, Lua e os planetas telúricos Mercúrio e Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA.

Após quase um ano na órbita de Vesta, a sonda Dawn desvendou uma superfície muito mais complexa do que havia sido antecipado inicialmente pelos cientistas. No hemisfério sul, a Dawn mapeou em detalhe a gigantesca bacia de impacto Rheasilvia, uma estrutura com cerca de 500 km de diâmetro e 19 km de profundidade, e com um invulgar padrão de fracturas em espiral no seu interior. Na mesma região a sonda da NASA descobriu Veneneia, uma anterior bacia de impacto com 400 km de diâmetro que foi quase totalmente obliterada por Rheasilvia. Ambas as estruturas foram esculpidas por violentos impactos ocorridos há cerca de 1 a 2 mil milhões de anos. Os dados da Dawn confirmam esta região como o local de origem de grande parte do material que compõe os asteróides vestóides e os meteoritos HED (howarditos-eucritos-diogenitos), objectos cujas assinaturas espectrais são semelhantes às de Vesta.

Três cortes de meteoritos HED observados em microscópios de luz polarizada. Estão representados da esquerda para a direita os meteoritos QUE 97053 (eucrito recolhido na Antarctica), Moore County (eucrito recolhido na Carolina do Norte, EUA) e GRA 98108 (diogenito recolhido Antarctica). A missão Dawn confirmou que estes objectos têm origem na superfície de Vesta.
Crédito: University of Tennessee.

Mapa da distribuição de piroxeno e de minerais ricos em ferro e magnésio no interior da bacia de impacto Rheasilvia. A roxo estão representadas as maiores proporções de piroxeno, quantidades que se encontrariam nas camadas mais interiores da crusta vestiana. Os dados foram obtidos pelo espectrómetro VIR da sonda Dawn.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/INAF.

Rheasilvia e Veneneia remodelaram a geologia do hemisfério sul de Vesta de forma substancial. No entanto, o hemisfério norte conserva ainda o registo das colisões que assolaram a superfície vestiana num passado mais distante. Baseados na variedade mineralógica desta região e na composição dos meteoritos HED, os investigadores da missão descobriram indícios de que o interior de Vesta se diferenciou numa crusta, num manto e num núcleo. Estes indícios são suportados pela detecção de uma concentração de massa no centro de Vesta com 107 a 113 quilómetros de raio, constituída provavelmente por ferro e níquel.
O padrão de minerais expostos na superfície vestiana sugere ainda que Vesta manteve um oceano de magma subsuperficial durante algum tempo após a sua formação. Foi essa complexa evolução magmática que conduziu à completa diferenciação do manto e da crusta.
Podem consultar mais pormenores nos 6 artigos publicados na Science (ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cassini fotografa encontro de gigantes

Saturno e a sua maior lua Titã. Composição em cores naturais construída com imagens obtidas pela sonda Cassini a 06 de Maio de 2012, através de filtros para o azul, o verde e o vermelho (imagens originais: W00074108, W00074109 e W00074110).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

No Domingo passado cruzaram-se na frente das câmaras da Cassini os dois maiores objectos do sistema saturniano. A equipa de imagem da missão não desperdiçou a oportunidade e registou o evento numa belíssima sequência de imagens, das quais fazem parte as três imagens usadas nesta composição a cores.
Dentro de duas semanas, a Cassini realizará uma passagem por Titã que colocará um ponto final nesta primeira fase equatorial da actual missão Solstício. Durante o encontro, a sonda manobrará para uma órbita inclinada que a irá afastar do plano dos anéis por três longos anos. Para esta nova fase estão programados 27 encontros com Titã e apenas 1 com a lua Reia, em Março de 2013.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Imagens da super-Lua deste fim-de-semana

Neste fim-de-semana tivemos uma Lua cheia no perigeu, um fenómeno vulgarmente conhecido por super-Lua. Para muitos este foi um pretexto para fotografarem a majestosa companheira da Terra brilhando intensamente acima do horizonte.
Podem encontrar aqui, aqui e aqui alguns belos registos obtidos na noite de Sábado para Domingo, um pouco por todo o mundo. Deixo-vos aqui também o meu registo da super-Lua deste ano.

A super-Lua vista de Carnaxide, Portugal.
Crédito: Sérgio Paulino.

domingo, 6 de maio de 2012

Imagens espectaculares da visita da Cassini a Dione

A Cassini esteve muito atarefada na passada quarta-feira. Depois de concretizar mais um encontro com a enigmática lua Encélado, a sonda da NASA rumou para Dione, para uma invulgar passagem a apenas 8 mil quilómetros da sua superfície. A visita rendeu uma pilha de imagens, algumas com resoluções próximas dos 50 metros/pixel!
Esta foi a última passagem pela lua de Saturno nos próximos 3 anos (a próxima realizar-se-á apenas em Junho de 2015), pelo resolvi deixar-vos aqui uma pequena selecção dos melhores momentos deste encontro (cliquem nas imagens para as observarem na sua máxima resolução).

Dione visto pela Cassini a 02 de Maio de 2012, durante a fase de aproximação. Mosaico construído com 5 imagens captadas a cerca de 46 mil quilómetros de distância (imagens originais: N00186321, N00186322, N00186323, N00186324 e N00186325). São visíveis a grande cratera Aeneas (no terminador) e, mais oeste, Latium Chasma, um desfiladeiro com cerca de 360 km de extensão.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

Latium Chasma em alta resolução (região a sul). Mosaico construído com 3 imagens obtidas pela Cassini, a uma distância de cerca de 9 mil quilómetros (imagens originais: N00186326, N00186327 e N00186328).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

Imagem de contexto mostrando toda a extensão de Latium Chasma, desde a cratera Eumelus (a sul) até à sua confluência com Larissa Chasma (a norte). São também visíveis mais a oeste Petelia Fossae e Fidena Fossae, esta última atravessando as deformadas crateras Meticus e Murranus.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Hemisfério antisaturniano de Dione e a grande bacia de impacto Evander a sul.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Os desfiladeiros de Padua Chasmata e Eurotas Chasmata atravessando o terreno irregular entre as crateras Ascanius e Acestes. A sudeste são visíveis as crateras Mezentius e Tiburtus com os seus proeminentes picos centrais.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Dione e Saturno numa composição a cores construída com imagens captadas pela Cassini a 02 de Maio de 2012, através de filtros para o violeta, o verde e o infravermelho próximo (imagens originais: W00074069, W00074070 e W00074071).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Pequena Palene

A pequena lua Palene com a atmosfera saturniana como pano de fundo. Composição em cores naturais construída com imagens obtidas pela sonda Cassini a 16 de Outubro de 2010.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Gordan Ugarkovic.

Palene é uma pequena lua saturniana descoberta pela equipa de imagem da missão Cassini em 2004. Com apenas 5,8 quilómetros de comprimento, Palene é um dos membros de um trio de satélites (onde se incluem também Ante e Metone) situados entre as órbitas de Mimas e Encélado.
Obtida durante uma passagem da sonda Cassini a apenas 36 mil quilómetros da superfície da lua, esta composição retrata um pequeno e frágil corpo com uma forma ovalada, aparentemente coberto por camadas de fina poeira.