sexta-feira, 15 de junho de 2012

Rato Mickey em Mercúrio!

Três crateras sem nome situadas a noroeste da cratera Magritte, no hemisfério sul de Mercúrio (norte para baixo). Imagem obtida pela sonda MESSENGER a 03 de Junho de 2012.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

Três impactos não relacionados esculpiram em Mercúrio uma silhueta que lembra a cabeça da mais famosa personagem de desenhos animados da Walt Disney, o Rato Mickey. Obtida recentemente pela sonda MESSENGER, esta imagem integra-se num conjunto que irá formar um mapa da superfície do planeta visto com um baixo ângulo de iluminação. Com o Sol próximo do horizonte, as sombras projectam-se mais longe na superfície, o que evidencia os perfis topográficos dos acidentes geológicos mais pequenos. Este novo mapa constitui uma das principais actividades da actual missão da MESSENGER e irá complementar a informação do mapa morfológico obtido durante a missão primária.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Revista a elipse de amartagem do Curiosity

Foi ontem anunciada uma importante novidade relativa à missão Curiosity. A equipa de engenheiros da missão conseguiu diminuir significativamente a área da elipse de amartagem! O destino final do sofisticado robot da NASA na superfície do planeta vermelho situa-se agora algures no interior de uma pequena elipse com 20 quilómetros de comprimento e 7 quilómetros de largura (a elipse inicial tinha 25 quilómetros de comprimento por 20 quilómetros de largura). O centro da elipse (o local de maior probabilidade de amartagem) posiciona-se agora muito mais próximo do monte Sharp, o alvo primordial da missão na cratera Gale, pelo que os responsáveis esperam que a viagem até aos pontos de interesse científico na vertente da montanha seja encurtada em vários meses relativamente aos planos iniciais.

Visão oblíqua da cratera Gale obtida pela combinação de dados das missões Mars Express, Mars Reconnaissance Orbiter e Viking Orbiter. São visíveis na imagem duas elipses de amartagem no sopé do monte Sharp. A maior (delineada a cinzento) corresponde à elipse de amartagem do Curiosity determinada antes da lançamento da missão. A elipse menor (a preto) é a nova área de amartagem calculada durante a viagem interplanetária da missão. O centro de cada elipse está marcada com uma cruz com a cor respectiva.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ESA/DLR/FU Berlin/MSSS.

Este reajuste do alvo da missão foi fruto de uma análise continuada dos sistemas de amartagem que incluiu testes e actualizações nos respectivos softwares. Se as condições atmosféricas assim o permitirem, o Curiosity deverá atingir em segurança o destino pretendido na superfície de Marte às 06:31 (hora de Lisboa) do dia 06 de Agosto. Até lá os engenheiros da missão irão ainda executar mais alguns preparativos finais, e tentar compreender o problema entretanto detectado no sistema de perfuração. Experiências realizadas recentemente nos laboratórios do JPL revelaram que teflon e outros materiais deste intrumento poderão contaminar as amostras de rocha e dificultar a análise de compostos de carbono por um dos 10 instrumentos científicos que equipam o Curiosity. Os responsáveis esperam encontrar em breve formas de contornar este problema e evitar o comprometimento de uma das mais importantes experiências da missão.

sábado, 9 de junho de 2012

Vesta multicolor

A equipa da missão Dawn lançou esta semana este espectacular novo vídeo que mostra um modelo tridimensional de Vesta exibindo um mapa em alta resolução da composição mineralógica da sua superfície. A paleta de cores foi escolhida de forma a evidenciar variações demasiado subtis para o olho humano detectar. A integração desta informação no modelo tridimensional permite a visualização dos diferentes materiais detectados pela Dawn no contexto da topografia de Vesta.

Animação mostrando um modelo tridimensional de Vesta exibindo uma mapa da composição da sua superfície.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI.

Os cientistas da missão estão ainda a analisar a verdadeira identidade de todos os materiais representados pelas diferentes cores. Os tons de verde correspondem à abundância relativa de ferro, e as áreas coloridas a laranja são claramente materiais escavados do interior de algumas crateras de impacto. As áreas a cinzento que cobrem grande parte do hemisfério norte e uma pequena área na montanha que se ergue no pólo sul (aproximadamente no centro da bacia de impacto de Rheasylvia) correspondem a regiões que ainda não foram devidamente mapeadas pela Dawn. A cobertura destas áreas deverá melhorar até à partida da sonda da NASA em Agosto próximo.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Cassini fotografa terra incognita em Mimas

A região do pólo norte de Mimas vista pela sonda Cassini a 05 de Junho de 2012, a uma distância de cerca de 50 mil quilómetros (imagens originais: N00190670 e N00190673).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/mosaico de Sérgio Paulino.

Terra incognita foi um termo latino usado durante séculos em cartografia para assinalar regiões nunca mapeadas ou documentadas. Anteontem, a sonda Cassini fotografou uma dessas regiões no hemisfério norte de Mimas. Aproveitando uma passagem a pouco mais de 40 mil quilómetros acima da sua superfície, a sonda da NASA obteve as primeiras imagens de uma faixa de terreno junto ao pólo norte (a quase totalidade da metade direita deste mosaico) nunca antes observada.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Trânsito de Vénus: imagens espectaculares dos observatórios SDO e Proba-2

A beleza das imagens que se seguem fala por si. Aqui têm toda a jornada de Vénus sobre o disco solar vista pelos observatórios espaciais Solar Dynamics Observatory e Proba-2.

 
O trânsito de Vénus visto pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory (SDO), na banda do ultravioleta extremo (canal 171 Å).
Crédito: SDO (NASA)/AIA consortium.

 
Imagens do trânsito obtidas pelo instrumento SWAP do observatório espacial europeu Proba-2, na banda do ultravioleta extremo.
Crédito: ESA/ROB.

domingo, 3 de junho de 2012

Vénus entra no campo de visão do SOHO

Estamos a apenas dois dias do trânsito de Vénus sobre o disco solar, pelo que os dois objectos estão neste momento separados por uma curta distância angular. Na verdade, a distância é tão curta que Vénus fez já a sua aparição no LASCO C3, o coronógrafo de maior abertura angular do observatório espacial SOHO. Podem ver no vídeo de baixo, o planeta a surgir do lado esquerdo em direcção ao disco solar (aqui representado pelo círculo branco no centro), cruzando-se no caminho com Mercúrio que se move na direcção oposta.

 
Vénus visto pelo coronógrafo LASCO C3 do observatório SOHO dias antes do seu trânsito sobre o disco solar. Sequência de imagens obtidas a 1 e a 2 de Junho de 2012.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA.

sábado, 2 de junho de 2012

Preparem-se para o trânsito de Vénus da próxima semana

O trânsito de Vénus visto pelo telescópio TRACE a 8 de Junho de 2004.
Crédito: NASA/LMSAL.

No próximo dia 6 de Junho, uma grande parte do mundo testemunhará um raro evento astronómico, um trânsito de Vénus sobre o disco solar. Infelizmente, o fenómeno decorrerá entre as 23:09 do dia 5 e as 04:49 do dia 6 (hora de Lisboa), pelo que, ao contrário do que aconteceu em 2004, não será visível nem em Portugal nem em grande parte do território brasileiro. No Brasil, excepção será feita a uma pequena faixa de território que inclui a parte oeste dos estados de Roraima e do Amazonas e a totalidade do estado do Acre. Ainda assim, nestas regiões apenas será possível observar as fases iniciais do trânsito pouco antes do pôr-do-sol.
Para observarem este evento no conforto dos vossos lares poderão recorrer aos muitos sites que farão a sua transmissão em directo. Aqui fica uma pequena lista com alguns deles:
Diagrama ilustrando os principais momentos dos trânsitos de 2004 e 2012. O trânsito de 2012 decorrerá sobre o hemisfério norte do Sol. Os ingressos externo (I) e interno (II) ocorrerão, respectivamente, às 22:09:29 e às 22:26:27 (Tempo Universal). O máximo será atingido às 01:29:28 (Tempo Universal). O final do trânsito chegará com os egressos interno (III) e externo (IV) que ocorrerão, respectivamente, às 04:31:30 e às 04:49:27 (Tempo Universal). Todos os tempos são dados para as coordenadas geocêntricas.
Crédito: Fred Espenak/NASA/GSFC/adaptação de Sérgio Paulino.

Este é apenas o sétimo trânsito de Vénus a ser observado pela humanidade. Os primeiros cinco foram fundamentais para a resolução de um dos maiores problemas científicos da História da Astronomia, a determinação da distância entre a Terra e o Sol. Foi um esforço que exigiu a máxima cooperação entre potências mundiais rivais e longas viagens de equipas de exploradores e cientistas aos cantos mais remotos do planeta. Para saberem mais acerca da descoberta e da observação destes primeiros cinco eventos, aconselho a leitura do livro Trânsitos de Vénus, à procura da escala exacta do Sistema Solar, de Nuno Crato, Fernando Reis e Luís Tirapicos.
Hoje, em pleno século XXI, o trânsito de Vénus já não move expedições científicas a regiões longínquas, mas contínua a ser um fenómeno muito útil para algumas áreas de investigação na Astronomia. Um exemplo será a campanha de observação da Lua pelo telescópio Hubble a realizar durante todo o período do trânsito. Astrónomos da NASA irão tentar detectar uma pequena diminuição na iluminação solar da superfície lunar durante o evento, com o objectivo de afinar o método de detecção de trânsitos de exoplanetas em estrelas distantes.
O próximo trânsito de Vénus ocorrerá daqui a 105 anos, a 11 de Dezembro de 2117! Certamente esta será a última oportunidade para todos nós presenciarmos este raro e belo fenómeno astronómico, pelo que na próxima terça-feira não deixem de participar. Um bom trânsito para todos!