terça-feira, 10 de julho de 2012

Redemoinhos em Mare Ingenii

Já tinha escrito aqui sobre os enigmáticos redemoinhos lunares (swirls, em inglês). Recentemente, a Lunar Reconnaissance Orbiter obteve esta bela panorâmica sobre um dos mais impressionantes conjuntos destas formações, localizado nas planícies basálticas de Mare Ingenii. Vejam:

Uma panorâmica oblíqua sobre a região central de Mare Ingenii obtida pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter a 16 de Maio de 2012 (cliquem na imagem para a ampliarem). São visíveis ao centro as montanhas que delimitam as crateras Thompson e Thompson M. Os redemoinhos surgem nesta imagem como estruturas sinuosas e brilhantes que atravessam todo cenário, aparentemente indiferentes à topografia local.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Imagem de contexto mostrando toda a extensão de Mare Ingenii. O quadrado branco mostra a região ilustrada na imagem de cima.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

domingo, 8 de julho de 2012

Sol produz fulguração classe-X!

Durante a última semana, a região activa 1515 produziu uma sequência impressionante de fulgurações classe-C e classe-M. A configuração magnética exibida pela região nos últimos 4 dias fazia adivinhar que estaria eminente uma explosão muito mais forte. Ontem, pelas 00:08 (hora de Lisboa), a região disparou finalmente uma fulguração classe-X1! O fenómeno produziu uma pequena tempestade de radiação solar em simultâneo com a libertação de uma ejecção de massa coronal no espaço. De acordo com as imagens obtidas pelo SOHO, a nuvem de plasma dirige-se para sudoeste e não deverá provocar efeitos significativos na Terra.

A fulguração classe-X de ontem em diferentes comprimentos de onda no ultravioleta extremo. Imagens obtidas pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly do Solar Dynamics Observatory.
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Fogo de artifício solar

O Sol tem estado a providenciar durante toda a semana um verdadeiro espectáculo pirotécnico. Entre 2 e 5 de Julho contaram-se nem mais nem menos que 18 fulgurações classe-M no hemisfério voltado para a Terra! A maioria teve origem na região activa 1515, um complexo sistema de manchas solares que se estende ao longo de 100 mil quilómetros na superfície do Sol, o equivalente a 8 vezes o diâmetro do nosso planeta! A mais intensa destas fulgurações ocorreu ontem pelas 12:44 (hora de Lisboa) e atingiu o nível M6,1 (ainda um pouco distante da classe X). A região foi ainda responsável pela produção de numerosas pequenas ejecções de massa coronal, a maioria movendo-se para sul do plano das órbitas dos planetas. Apenas uma parece deslocar-se na direcção da Terra, devendo atingir o nosso planeta amanhã ao início da manhã.

Actividade solar de 2 a 5 de Julho de 2012, vista pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly do Solar Dynamics Observatory, através de filtros para o ultravioleta extremo (respectivamente, 304 Å e 131 Å).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

Fluxo de raios X solares medidos de 02 a 05 de Julho de 2012 pelo satélite GOES 15 nas bandas de 1 a 8 Å (0.1-0.8 nm) e de 0.5 a 4.0 Å (0.05-0.4 nm). Estão assinaladas com setas a preto todas as fulgurações classe-M visíveis no vídeo de cima.
Crédito: NOAA/SWPC.

Mas ainda poderá haver mais nos próximos dias! A região 1515 continua a aumentar ligeiramente de tamanho e a manter uma configuração magnética beta-gama-delta com energia suficiente para mais fulgurações. O NOAA estima para hoje probabilidades de 80% para a ocorrência de fulgurações classe-M, e de 25% para a ocorrência das mais energéticas de classe-X. A região vizinha 1513 também se mantém muito activa e com energia para mais fulgurações classe-M.
Haverá alguma razão para nos preocuparmos?
Não. O Sol apenas volta a apresentar níveis normais de actividade tendo em conta a fase do ciclo em que se encontra. Durante os próximos dias teremos certamente períodos isolados de forte actividade geomagnética com a manifestação de auroras nas latitudes mais elevadas.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Além do gigante

Os dois maiores objectos do sistema saturniano vistos pela Cassini a 01 de Julho de 2012. Composição em cores naturais construída com imagens obtidas através de filtros para o azul, o verde e o vermelho (imagens originais: N00192089, N00192090 e N00192091).
Crédito:NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Titã tinha acabado de emergir detrás do gigante Saturno quando a Cassini apontou o sistema de imagem na sua direcção. Mesmo a uma distância de pouco mais de 1,7 milhões de quilómetros, a sonda da NASA conseguiu resolver detalhes impressionantes da atmosfera desta enorme lua, incluindo o intrigante sistema de nuvens que nas últimas semanas paira sobre a região do pólo sul.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Região 1515 produz duas fortes fulgurações

Depois de um período de alguns dias de fraca actividade, o Sol voltou ontem a exibir o seu poder com duas fulgurações classe M na região activa 1515. A primeira ocorreu pelas 11:52 (hora de Lisboa) e esteve associada a distúrbios temporários na propagação de ondas rádio de baixa frequência por toda a Europa, e à libertação de uma ejecção de massa coronal direccionada para sul do plano das órbitas dos planetas. A segunda fulguração ocorreu há poucas horas, pelas 21:07 (hora de Lisboa), e foi consideravelmente mais fraca que a primeira. A região mantém uma configuração magnética beta-gama-delta, pelo que se espera mais acção nos próximos dias.

 
A fulguração classe M5,6 da manhã de ontem vista pelo Solar Dynamics Observatory no ultravioleta extremo (131 Å).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

domingo, 1 de julho de 2012

Cassini fotografa o novo adorno de Titã

A região do pólo sul de Titã vista pela sonda Cassini a 26 de Junho de 2012. Composição em cores naturais construída com imagens obtidas através de filtros para as cores azul, verde e vermelho (imagens originais: N00191625, N00191626 e N00191627).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição de Sérgio Paulino.

A Cassini sobrevoou na semana passada o pólo sul de Titã a uma distância de pouco mais de 450 mil quilómetros. A equipa da missão aproveitou esta passagem distante para realizar uma longa sessão de observação do complexo sistema de nuvens que nos últimos dois meses tem pairado sobre esta região. Durante um período de cerca de 13 horas, o espectrómetro CIRS analisou a composição química da atmosfera, medindo a pressão de nitrilos e de outros compostos orgânicos azotados enquanto as câmaras da sonda obtinham imagens através de diferentes filtros.
Os detalhes presentes nas imagens são fabulosos, mas o que me impressionou mais é que esta estrutura gira sobre si própria! Vejam só a animação em baixo:

Titan south pole cloud seen by Cassini 
O sistema de nuvens estratosféricas do pólo sul de Titã numa animação composta por nove imagens obtidas pela sonda Cassini a 26 e 27 de Junho de 2012, através de um filtro para o azul.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/animação de Sérgio Paulino.

domingo, 24 de junho de 2012

Mensagem das fronteiras do espaço

Três jovens norte-americanos assinalaram recentemente o 50º aniversário da histórica viagem de John Glenn na órbita da Terra de uma forma muito original. Utilizando um balão atmosférico, uma simples armação de tubos PVC, duas câmaras GoPro e um iPhone, lançaram a seguinte mensagem para a humanidade a partir dos limites da atmosfera terrestre: "este é o momento de regressarmos ao espaço". A mensagem emerge de uma colagem de imagens com os discursos de personalidades como Neil deGrasse Tyson, Stephen Hawking, Carl Sagan, Neil Armstrong, entre outros.
Vejam em baixo o vídeo com esta curiosa viagem até às fronteiras do espaço, e aqui uma pequena montagem com algumas das peripécias ocorridas durante a sua produção.