sábado, 4 de agosto de 2012

Curiosity: faltam 2 dias para a chegada a Marte

Na próxima segunda-feira, pelas 06:24 (hora de Lisboa), o robot Curiosity entrará na atmosfera marciana a uma velocidade superior a 20 mil km.h-1. Nos 7 minutos que se seguem, esta magnífica máquina com 899 kg de massa executará uma série de manobras pré-programadas que no final a imobilizarão dentro de uma pequena elipse com 20 por 7 km de dimensão no interior da cratera Gale. Esta será sem dúvida a mais ousada e complexa amartagem alguma vez realizada no planeta vermelho.
Vejam (ou revejam) em baixo os momentos chave desta ambiciosa missão, incluindo toda a acção que se irá desenrolar na madrugada do dia 6 de Agosto.

A viagem do robot Curiosity até ao interior da cratera Gale numa animação criada pelo Jet Propulsion Laboratory.
Crédito: JPL/NASA.

terça-feira, 31 de julho de 2012

SDO observa espectacular proeminência eruptiva!

O Sol produziu hoje de manhã uma espectacular proeminência eruptiva. Durante pouco mais de uma hora, um arco de plasma pairou no extremo sudoeste do disco solar, até uma altitude de cerca de 250 mil quilómetros, antes de se projectar violentamente no espaço. Vejam em baixo o vídeo captado pelo Solar Dynamics Observatory:

Proeminência eruptiva vista esta manhã pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory, através do canal de 304 Å (He II).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/Helioviewer.

O fenómeno parece ter despoletado uma brilhante ejecção de massa coronal. No entanto, ainda não há qualquer informação disponível relativa à sua velocidade e direcção. Actualização: De acordo com a previsão do NOAA, a ejecção de massa coronal associada à erupção desta proeminência não deverá produzir efeitos geomagnéticos.


A colossal proeminência solar desta manhã minutos antes da sua erupção. Foi incluída uma representação da Terra à escala para comparação de dimensões.
Crédito: SDO (NASA)/AIA consortium/NASA (imagem da Terra)/montagem de Sérgio Paulino.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Os raios brilhantes de Creusa

A lua saturniana Dione vista pela sonda Cassini a 23 de Julho de 2012, a uma distância de cerca de 420 mil quilómetros. Composição a cores construída com imagens obtidas através de filtros para o vermelho, o verde e o azul (imagens originais: N00193083, N00193086 e N00193087).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Com cerca de 36,2 quilómetros de diâmetro, Creusa não é certamente uma das maiores crateras de Dione. No entanto, o seu extenso sistema de raios torna-a uma das estruturas geológicas mais facilmente reconhecíveis na superfície desta lua de Saturno, como se pode verificar nesta composição obtida recentemente pela sonda Cassini. Com várias centenas de quilómetros de comprimento, os raios de Creusa tingem de um branco gélido uma grande extensão do hemisfério sub-saturniano de Dione, um claro indício da sua juventude. Análises recentes à sua morfologia indicam uma idade inferior a 500 milhões de anos, o que a torna uma das mais recentes estruturas até agora catalogadas na superfície dioniana.

domingo, 29 de julho de 2012

Aranhas marcianas recriadas em laboratório

Aranhas marcianas?... Não, este artigo não é sobre estranhas criaturas verdes com 8 olhos e 8 patas (hmm... na verdade, esses seres existem por cá, na Terra). As aranhas marcianas são antes curiosas estruturas dendríticas com 100 a 1.000 metros de diâmetro, que os cientistas acreditam serem geradas por erupções de gêiseres de dióxido de carbono (CO2) durante a estação primaveril nas superfícies geladas do pólo sul de Marte.
Resumidamente, o que acontece é que, no Inverno, o CO2 solidifica numa camada translúcida sobre as superfícies arenosas das regiões mais meridionais do planeta vermelho. À medida que a Primavera chega a estas regiões, os raios solares atravessam a camada superficial de gelo e aquecem o solo arenoso, provocando a sublimação do CO2 e a sua acumulação abaixo da superfície. Quando o gás pressurizado finalmente vence a resistência da camada de gelo, irrompe numa violenta erupção, produzindo uma rede de fracturas divergentes em seu redor. Com a erupção são arrastadas poeiras escuras das camadas inferiores que se depositam sobre toda a estrutura, conferindo-lhe um aspecto característico que se destaca na paisagem.

Representação artística das erupções primaveris de CO2 na calote polar do pólo sul de Marte.
Crédito: Arizona State University/Ron Miller.

Estruturas dendríticas observadas nas regiões mais meridionais de Promethei Terra. Imagem obtida a 04 de Fevereiro de 2009 pela câmara HiRISE da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (largura da imagem correspondente a 1 km).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona.

Claro que a sua sazonalidade e o seu aspecto levam alguns cientistas a considerar a possibilidade destas estruturas serem uma evidência de actividade biológica em Marte, uma hipótese também acarinhada pelos mais acérrimos defensores de todo o tipo de teorias de conspiração relativas ao planeta vermelho. Enfim... um novo estudo parece ter afastado irremediavelmente esta hipótese.
Recentemente, um grupo de investigadores liderado por Simon de Villiers (Universidade de Oslo) recriou as aranhas marcianas em laboratório. Usando uma célula de Hele-Shaw preenchida com um fino material granular não consolidado (pequenas esferas de vidro), a equipa conseguiu gerar padrões araneiformes semelhantes às estruturas observadas na superfície de Marte.

Aranhas marcianas (a) e as suas congéneres de laboratório (b) criadas por de Villiers e colegas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona/S. de Villiers et al., 2012.

Para recriarem as aranhas marcianas, de Villiers e colegas perfuraram a superfície da célula (uma fina película de vidro), puxando-a depois para cima para permitirem a entrada do ar no interior da célula sem perturbarem o material granular. Posteriormente, os investigadores deixaram a superfície regressar à sua posição original, provocando a saída apressada do ar pelo orifício. A repetição de vários ciclos semelhantes conduziu finalmente à formação dos padrões dendríticos característicos das estruturas marcianas. A equipa observou ainda a formação de canais rectilíneos com oscilações quase periódicas, estruturas semelhantes aos meandros observados nos rios terrestres. Com estes resultados, os investigadores concluem que "a experiência demonstra que a erosão do material granular causado pelo fluxo do gás e sua expulsão gera padrões semelhantes aos araneiformes marcianos", o que "suporta a hipótese de que estas estruturas são produzidas por erupções de CO2 durante a Primavera" no pólo sul de Marte.
Este artigo foi publicado este mês na revista Geophysical Research Letters (podem ler o resumo aqui).

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Titã em contra-luz

A lua Titã vista pela Cassini a 24 de Julho de 2012.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

A Cassini realizou na passada terça-feira uma passagem a 1.012 quilómetros de distância da superfície de Titã. O encontro teve como principal objectivo a detecção de reflexos especulares de alguns dos muitos lagos de metano que povoam toda a região do pólo norte. A imagem de cima mostra a perspectiva da sonda da NASA durante a sua aproximação pelo lado nocturno de Titã, quando esta se encontrava ainda a uma distância de pouco mais de 170 mil quilómetros.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Um cone vulcânico no extremo leste de Mare Imbrium?

Será esta estrutura uma cratera vulcânica? Obtida pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter a 22 de Junho de 2012, esta imagem mostra uma depressão com 700 metros de diâmetro localizada exactamente no topo de uma colina circular com 3,7 quilómetros de diâmetro (cliquem aqui para a verem na sua máxima ampliação).
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Permanece ambígua a origem de muitas estruturas encontradas nos grandes maria do lado mais próximo da Lua. Com mais de 3 mil milhões de anos de idade, estas vastas planícies basálticas foram severamente fustigadas desde a sua formação pelo incessante bombardeamento de micrometeoritos, pelo que muitas das pequenas formações geológicas aí observadas perderam grande parte das suas características originais.
Aninhado entre o manto de ejecta da cratera Autolycus e as planícies de Palus Putredinis, encontra-se uma colina com 250 metros de altura que exibe uma cratera fortemente erodida centrada no seu topo. Terá esta cratera uma origem vulcânica ou será antes o resultado de um impacto certeiro no cimo desta pequena elevação?

Imagem de contexto mostrando a colina em questão e as planícies adjacentes (cliquem aqui para a verem na sua máxima ampliação).
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

A simetria da sua topografia e a presença de ejecta escuro a rodear uma outra pequena cratera situada no seu flanco sugerem que esta estrutura é, de facto, um cone vulcânico. Curiosamente, várias colinas situadas na mesma região possuem crateras no seu topo e uma topografia muito semelhante, características que apontam para uma origem vulcânica. A disposição destas estruturas é também muito similar à observada em complexos vulcânicos já identificados noutros locais da superfície da Lua. Será este um novo complexo até agora não reconhecido?

Colinas na região a sul do manto de ejecta da cratera Autolycus. A seta branca indica a estrutura ilustrada nas imagens de cima (cliquem aqui para verem a imagem na sua máxima ampliação).
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Madeira em chamas

Incêndios na ilha da Madeira. Imagem em cores naturais obtida a 19 de Julho de 2012 pelo sistema MODIS do satélite da NASA Aqua. Estão indicadas a vermelho áreas com temperaturas invulgarmente elevadas.
Crédito: LANCE MODIS Rapid Response Team/Goddard Space Flight Center.

A Madeira tem estado a ser fustigada desde a semana passada por violentos incêndios. As chamas já consumiram vastas áreas de floresta, e obrigaram à evacuação de centenas de pessoas em várias pontos na ilha. Captada a partir da órbita terrestre, a imagem de cima é um testemunho do cenário dantesco vivido pela população madeirense nos últimos dias.