sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Voyager 1 cada vez mais próxima da heliopausa

Representação artística de uma das sondas Voyager.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Em Junho passado, tinha dado conta aqui que a Voyager 1 estaria muito próxima de atingir a derradeira fronteira do Sistema Solar, a heliopausa. Nas semanas anteriores, a sonda havia detectado um rápido aumento na densidade de partículas energéticas interestelares, um dos três sinais que os cientistas esperam encontrar nos limites do espaço interestelar.

Raios cósmicos galácticos detectados pela sonda Voyager 1 nos últimos 12 meses.
Crédito: NASA.

A 28 de Julho surgiu um novo indício de que a Voyager 1 se encontra, de facto, numa nova região, muito próxima da heliopausa. A par de uma súbita aceleração no aumento da densidade de partículas interestelares, a sonda da NASA detectou uma quebra muito forte e rápida no nível de partículas com origem no interior do Sistema Solar. Este nível foi praticamente restabelecido ao fim de três dias mas, durante o mês de Agosto, os cientistas da missão assistiram a mais duas quebras, a última das quais muito profunda e aparentemente definitiva.

Partículas com baixa energia provenientes do interior do Sistema Solar detectadas pela sonda Voyager 1 nos últimos 12 meses.
Crédito: NASA.

A chegada oficial ao espaço interestelar acontecerá quando a Voyager 1 detectar o terceiro sinal, uma alteração significativa na direcção do campo magnético. Até agora, a sonda manteve-se numa região com a mesma orientação das linhas do campo magnético do Sol, o que indica que ainda não abandonou a heliosfera.
A Voyager 1 comemorou recentemente o 35º aniversário do seu lançamento. Neste momento, a sonda encontra-se separada da Terra por mais de 18, 24 mil milhões de quilómetros, uma distância que a torna no mais longínquo objecto construído pelo Homem.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Astrónomos amadores observam explosão em Júpiter

Algo atingiu o gigante Júpiter anteontem pelas 12:35 (hora de Lisboa). O alarme foi dado pelo astrónomo amador americano Dan Petersen, depois de ter observado através do seu telescópio "uma explosão brilhante com cerca de dois segundos de duração (...) no limite sul da Cintura Equatorial Norte" do planeta.
O fenómeno foi entretanto confirmado por um outro astrónomo amador do Texas, EUA. George Hall estava a filmar Júpiter através de uma webcam montada no seu telescópio, quando a bola de fogo se manifestou no extremo leste do planeta. Vejam em baixo o vídeo da explosão obtido por Hall:

Pequeno vídeo mostrando o impacto de um objecto nas nuvens de Júpiter a 10 de Setembro de 2012.
Crédito: George Hall.

Esta não é a primeira vez que astrónomos amadores detectam impactos na atmosfera joviana. Clarões semelhantes já haviam sido observados em Junho e Agosto de 2010. Na altura, os cientistas concluiram que o maior planeta do Sistema Solar é frequentemente atingido por objectos com poucas dezenas de metros de diâmetro, provavelmente provenientes da vizinha Cintura de Asteróides, e que os astrónomos teriam um papel importante na caracterização destas populações.
Astrónomos amadores e profissionais em todo o mundo estão agora a monitorizar o local do impacto em busca de uma cicatriz semelhante às deixadas pelos fragmentos do cometa P/Shoemaker-Levy 9 em Julho de 1994.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

MAHLI fotografa a barriga do Curiosity!

A parte inferior do robot Curiosity num mosaico construído com imagens obtidas pela câmara MAHLI a 10 de Setembro de 2012.
Crédito: NASA/JPL/MSSS/Astro0.

É quase inacreditável, mas este é um panorama construído com imagens reais enviadas esta madrugada pelo Curiosity! Obtidas pela MAHLI (Mars Hand Lens Imager) após a remoção da cobertura de protecção da sua lente, as imagens mostram toda a parte inferior do robot, incluindo as suas seis rodas firmemente implantadas no solo marciano e dois dos seus quatro pares de HazCam (câmaras de navegação para fotografar potenciais perigos no solo).
Podem ver mais imagens desta sequência aqui.

sábado, 8 de setembro de 2012

Primeiro auto-retrato do Curiosity em Marte!

Chegou há poucas horas à Terra o primeiro auto-retrato do Curiosity na superfície de Marte! Digam OLÁ!

Primeiro auto-retrato do Curiosity em Marte obtido pela câmara MAHLI a 08 de Setembro de 2012 (sol 32 da missão).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Malin Space Science Systems.

A imagem foi obtida pela MAHLI, a câmara que se encontra na extremidade do braço robótico, através da cobertura protectora da sua lente. Apesar de ser transparente, esta cobertura acumulou uma quantidade significativa de poeira durante a última fase da descida do Curiosity, razão pela qual este primeiro auto-retrato é ainda pouco nítido. A qualidade das imagens da MAHLI deverá melhorar consideravelmente assim que a cobertura da lente for removida.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Opportunity encontra bizarras concreções no interior da cratera Endeavour

Enquanto o Curiosity assinala os seus primeiros 100 metros no interior da cratera Gale, o venerável Opportunity continua a sua épica jornada no outro hemisfério do planeta vermelho. Na semana passada, o veterano robot da NASA ultrapassou a marca dos 35 km, encontrando-se neste momento a explorar o flanco leste do cabo York, na cratera Endeavour. Nos últimos dias, o Oppy rodou em direcção a um curioso afloramento que se destaca na paisagem pelas suas diferentes cores e texturas.

Afloramento de rochas no flanco leste do cabo York. Mosaico em cores aproximadamente naturais construído com imagens obtidas pelo robot Opportunity a 02 de Setembro de 2012.
Crédito: NASA/JPL/USGS/Stuart Atkinson.

O mosaico de cima parece mostrar um conjunto de rochas vulgares alinhadas sobre a superfície. Novas imagens obtidas ontem pelo Microscopic Imager revelam, no entanto, pormenores surpreendentes na face de uma destas rochas que as tornam tudo menos vulgares. Vejam em baixo:

A face de uma das rochas do afloramento num mosaico de quatro imagens obtidas a 06 de Setembro de 2012 pelo Microscopic Imager do Opportunity.
Crédito: NASA/JPL/USGS/Stuart Atkinson.

O que são estas bizarras estruturas esféricas embebidas na rocha?
Aparentemente, são concreções de tamanho idêntico aos "mirtilos", inclusões de hematite descobertas pelo Oppy em algumas rochas encontradas durante a sua longa travessia por Meridiani Planum. No entanto, como nos explica aqui a geóloga Emily Lakdawalla, estas novas concreções encontram-se em estratos mais antigos e não têm o mesmo aspecto dos "mirtilos". O que serão, então?
Teremos de aguardar pela equipa da missão para mais esclarecimentos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Erupção de um filamento solar revisitada em alta definição

Na semana passada divulguei aqui espectaculares imagens do colapso de um enorme filamento solar, obtidas pelo Solar Dynamics Observatory (SDO). Ontem, a NASA publicou um excelente vídeo em alta definição, onde inclui também dados reunidos pelos coronógrafos dos observatórios SOHO e STEREO-B. Vejam em baixo:


O colapso de um gigantesco filamento solar e consequente ejecção de massa coronal vistos a 31 de Agosto de 2012 pelos observatórios espaciais SDO, SOHO e STEREO-B.
Crédito: NASA/Goddard Space Flight Center.

O novo vídeo permite-nos contemplar em detalhe toda a violência do fenómeno. A colisão de parte do filamento com a superfície solar provocou uma fulguração classe-C8, que por sua vez esteve associada a distúrbios na ionosfera terrestre no lado diurno da Terra que temporariamente degradaram a propagação de ondas de rádio. A restante fracção do filamento foi arremessada para o espaço a uma velocidade de cerca de 1.500 km.s-1! A densa nuvem de plasma não viajou directamente na direcção da Terra, mas um dos seus flancos colidiu com a magnetosfera terrestre na segunda-feira passada, provocando a manifestação de belas auroras nas latitudes mais elevadas.

Comparação das dimensões do filamento no momento do colapso com o diâmetro da Terra.
Crédito: NASA/Goddard Space Flight Center.

Hasta la vista, Vesta!

A região do pólo norte de Vesta vista pela Dawn a 26 de Agosto de 2012. Imagem pertencente à última sequência obtida pela sonda na órbita do asteróide.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA.

A Dawn escapou ontem de manhã, definitivamente, à influência gravitacional de Vesta. A sonda da NASA encontra-se agora oficialmente a caminho do seu próximo destino, o planeta-anão Ceres. A partida aconteceu por volta das 07:26 (hora de Lisboa) e pôs um ponto final a mais de um ano de maravilhosas descobertas num dos mais exóticos objectos do Sistema Solar. A Dawn enfrenta agora cerca de 2 anos e meio de viagem pelo interior da Cintura de Asteróides, período após o qual deverá iniciar uma nova fase da sua aventura, desta vez na órbita cereriana.
Para comemorar mais um momento histórico da missão, a equipa da Dawn publicou um novo vídeo onde sumariza as 5 principais façanhas realizadas durante a sua estadia em Vesta. Vejam em baixo: