domingo, 7 de outubro de 2012

Asteróide 2012 TV passou hoje perto da Terra

A Terra recebeu hoje a visita de uma rocha espacial com cerca de 40 metros de diâmetro. Designado provisoriamente 2012 TV, o pequeno asteróide passou incólume, pelas 16:04 (hora de Lisboa), a 249 mil quilómetros de distância da superfície terrestre (cerca de 2/3 da distância média entre a Terra e a Lua).

2012 TV fotografado a 06 de Outubro de 2012 pela equipa do Observatório Remanzacco.
Crédito: Ernesto Guido, Giovanni Sostero, Nick Howes e Luca Donato.

2012 TV foi descoberto na sexta-feira passada, em imagens obtidas pelo Observatório Tenagra II. A sua órbita é típica dos asteróides da classe Apolo, objectos que cruzam a órbita da Terra, com características orbitais semelhantes às do asteróide 1862 Apolo (o primeiro objecto deste grupo a ser observado).

sábado, 6 de outubro de 2012

Beleza gelada na ilha de prata

Gelo de dióxido de carbono em Argyre Planitia. Composição em cores naturais construída com imagens obtidas a 08 de Junho de 2012 pela High-Resolution Stereo Camera da Mars Express.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

Com aproximadamente 1.800 quilómetros de diâmetro e cerca de 5,2 quilómetros de profundidade, Argyre é a segunda maior bacia de impacto do planeta vermelho. O seu nome deriva da mitologia greco-romana, que descrevia Argyre como uma ilha de prata (árgyros, em grego) situada junto à costa ocidental da actual Birmânia. No século XIX, a palavra Argyre figurava pela primeira vez num mapa de Marte criado pelo astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli, sobre uma região brilhante situada nas proximidades do pólo sul do planeta.
A imagem de cima mostra uma porção da região mais setentrional da gigantesca bacia vista durante o Inverno. A paisagem é dominada pela metade ocidental de Hooke, uma profunda cratera com cerca de 138 km de diâmetro, e pelas terras baixas ajdacentes moldadas pelo vento e por processos glacio-lacustrinos. Nestes terrenos é possível observar finas camadas de gelo de dióxido de carbono cobrindo as superfícies mais abrigadas do Sol.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Efeito de oposição nos anéis de Saturno

Efeito de oposição no anel B de Saturno numa imagem obtida pela Cassini a 25 de Setembro de 2012.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

A Cassini afastava-se do pericrono da actual órbita quando obteve esta imagem do majestoso sistema de anéis de Saturno. Na altura, a sua câmara de grande angular apontava aproximadamente na direcção do ponto antisolar, o que lhe permitiu registar o efeito de oposição sobre o anel B. Visível a ângulos de fase próximos de zero, este curioso fenómeno resulta da ocultação das sombras das partículas dos anéis, que exibem assim temporariamente o seu máximo brilho intrínseco.

sábado, 29 de setembro de 2012

Asteróide Toutatis passará perto da Terra a 12 de Dezembro

O asteróide 4179 Toutatis realizará no próximo dia 12 de Dezembro a sua sexta aproximação à Terra desde a sua redescoberta em Janeiro de 1989 (Toutatis foi observado pela primeira vez em Fevereiro de 1934, mas manteve-se perdido por várias décadas). Esta passagem realizar-se-á a mais de 6,9 milhões de quilómetros da superfície terrestre (cerca de 18 vezes a distância entre a Terra e a Lua), pelo que não existe qualquer risco de colisão com a Terra.

Modelo tridimensional de Toutatis baseado em imagens de radar obtidas em 1992 e em 1996 (ler mais sobre este trabalho aqui).
Crédito: R. S. Hudson, S. J. Ostro e D. J. Scheeres.

O evento será, no entanto, acompanhado com muita atenção por muitos astrónomos em todo o mundo. Com dimensões de 4.5×2.4×1.9 km, Toutatis é um dos maiores objectos potencialmente perigosos para a Terra. A sua órbita altamente excêntrica é coplanar com a órbita terrestre, e estende-se desde o interior da órbita do nosso planeta até à Cintura de Asteróides. Esta configuração orbital conduz Toutatis a frequentes encontros com os planetas mais interiores do Sistema Solar, que por sua vez provocam perturbações gravitacionais causadoras de comportamentos caóticos na sua órbita.
Imagens de radar obtidas pelos observatórios de Goldstone e de Arecibo nas últimas 5 passagens periélicas permitiram excluir qualquer risco de colisão com a Terra para, pelo menos, as próximas 5 décadas. Porém, como o comportamento caótico da sua órbita produz incertezas cumulativas a cada revolução, os astrónomos aproveitam cada passagem nas proximidades do nosso planeta para realizar novas observações e assim poderem ajustar os seus parâmetros orbitais, diminuindo assim as incertezas futuras.
De 4 a 22 de Dezembro, Toutatis estará, de novo, ao alcance dos radares de Goldstone e de Arecibo. Durante esse período, os astrónomos dos dois observatórios irão obter imagens de radar em alta resolução da sua superfície e determinar com maior precisão a orientação dos seus dois eixos de rotação, uma curiosa particularidade deste objecto, única no Sistema Solar. Estes parâmetros poderão ser importantes para a sonda chinesa Chang'E-2 que deverá passar nas proximidades do asteróide a 13 de Dezembro.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Curiosity encontra vestígios de um antigo leito de riacho

Hottah, um afloramento rochoso com interessantes conglomerados fotografado pelo Curiosity a 15 de Setrembro de 2012 (sol 39 da missão).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

A equipa da missão Curiosity anunciou há poucas horas uma supreendente descoberta no caminho para Glenelg. Expostos na paisagem entre o monte Sharp e as montanhas da orla norte da cratera Gale, encontram-se alguns afloramentos rochosos que os cientistas pensam ser o que resta de um antigo leito de riacho. As evidências estão contidas em camadas de conglomerado com depósitos cimentados de fragmentos rochosos arredondados, semelhantes às pedras roladas encontradas em pequenos cursos de água pouco profundos na Terra.

Comparação dos fragmentos rochosos observados junto a um dos afloramentos rochosos da cratera Gale, com rochas semelhantes encontradas na Terra (dimensões de cada fragmento entre 0,5 a 1,0 cm).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/PSI.

Pelo tamanho e forma dos fragmentos, os cientistas da missão puderam deduzir que no passado a água fluiu vigorosamente nestes locais, a uma velocidade máxima de 1 metro por segundo, e com uma profundidade até cerca de 50 cm. A forma arredondada de algumas das pequenas rochas indica que foram transportadas de uma enorme distância, provavelmente desde o cimo das montanhas da orla norte de Gale. Esta possibilidade é suportada pela existência de um canal bem deliniado na vertente sobranceira ao local de amartagem do Curiosity, que se abre a jusante para um extenso leque de aluvião. Imagens obtidas pela Mars Reconnaissance Orbiter mostram uma abundância de canais no seio do leque de aluvião, o que sugere que a água correu nesta paisagem continuamente ou repetidamente durante muito tempo.

Mapa topográfico do local de amartagem do Curiosity. Estão assinalados Peace Vallis, o canal que parte das montanhas da orla norte de Gale, e o leque de aluvião que preenche a planície a jusante. A elipse e a cruz a negro assinalam, respectivamente, a previsão do local de amartagem do Curiosity antes da sua chegada e o ponto onde realmente as rodas do robot tocaram pela primeira vez a superfície marciana.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UofA.

Esta descoberta é particularmente importante porque desvenda a presença no passado de um ambiente potencialmente habitável no interior da cratera Gale. A missão vai, contudo, distanciar-se destes locais e prosseguir o seu caminho até ao sopé do monte Sharp, local onde deverá encontrar os tão desejados mineirais de sulfato e argilas, materiais detectados a partir de órbita com capacidade para preservar compostos orgânicos de carbono, ingredientes essenciais para o florescimento da vida como a conhecemos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Uma lua estranha num céu estranho

Fobos vista da superfície de Marte. Imagem obtida pela MastCam-100 do robot Curiosity a 21 de Setembro de 2012 (sol 45 da missão).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Malin Space Science Systems/Sérgio Paulino.

À primeira vista, a imagem de cima parece ilustrar um grande vazio cinzento-esverdeado. Mas se olharem com atenção para o quadrante superior direito, vão reparar em algo maravilhoso. Quase dissimulado pelo brilho do céu vespertino de Marte encontra-se o crescente da lua Fobos, a maior das duas luas do planeta vermelho!
Vejam em baixo uma ampliação da mesma imagem:

Ampliação ligeiramente contrastada da imagem obtida pelo Curiosity no sol 45. As quadrículas visíveis no céu são artefactos produzidos pela compressão em jpg da imagem original.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Malin Space Science Systems/Sérgio Paulino.

Fobos é uma lua estranha pelos padrões terrestres. É um pequeno mundo de forma irregular, com dimensões e uma densidade muito diferentes da nossa Lua. A sua órbita é também radicalmente distinta da órbita da companheira da Terra. Fobos viaja em redor de Marte abaixo da órbita areossíncrona, ou seja, move-se a uma velocidade maior que a velocidade de rotação de Marte. Na prática, este fenómeno produz uma trajectória aparente nos céus marcianos de oeste para leste (portanto, contrária ao movimento aparente da Lua nos céus terrestres), e duas passagens completas pelo céu a cada sol, cada uma com uma duração de apenas 4 horas e 15 minutos (ou menor, nas latitudes mais distantes do equador), um comportamento verdadeiramente de outro mundo.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Novo cometa C/2012 S1 (ISON) visível a olho nu em Novembro de 2013!

Foi anunciada há poucas horas a descoberta de um novo cometa que poderá oferecer um espectáculo inesquecível no céu no final do próximo ano. Designado oficialmente C/2012 S1 (ISON), o pequeno objecto passará a apenas 0,012 UA do Sol no final de Novembro de 2013, rumando depois para uma passagem a 0,4 UA da Terra no início de Janeiro de 2014. De acordo com os parâmetros orbitais até agora disponíveis, este novo cometa poder-se-á tornar visível a olho nu no período entre Novembro de 2013 e Janeiro de 2014, podendo mesmo atingir magnitudes negativas durante a sua passagem pelo periélio!

O cometa C/2012 S1 (ISON) fotografado através de um telescópio da ITelescope network, a 22 de Setembro de 2012.
Crédito: Ernesto Guido/Giovanni Sostero/Nick Howes.

C/2012 S1 (ISON) foi descoberto no passado dia 21 de Setembro pelo bielorusso Vitali Nevski e pelo russo Artyom Novichonok, em imagens obtidas por um dos telescópios da rede ISON (International Scientific Optical Network). A sua órbita é quase parabólica (e=0,999999964), pelo que este deve ser, provavelmente, um objecto da Nuvem de Oort numa primeira visita ao Sistema Solar interior.