quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Um sorriso em Mercúrio

Cratera sem nome fotografada a 04 de Outubro de 2012 pela sonda MESSENGER.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

Mercúrio também tem a sua face sorridente. Fotografada recentemente pela sonda MESSENGER, a cratera complexa visível nesta imagem tem os seus picos centrais dispostos de uma tal forma que parecem desenhar dois olhos e um sorriso. Com cerca de 37 km de diâmetro, esta cratera sem nome situa-se no hemisfério sul do planeta, a oeste da grande bacia de Beethoven.

domingo, 4 de novembro de 2012

Divulgadas primeiras medições de gases atmosféricos na cratera Gale

Durante a sua presença em Rocknest, o Curiosity realizou as suas primeiras medições de gases atmosféricos no interior da cratera Gale com o SAM (Sample Analysis at Mars), um conjunto de três instrumentos de análise química destinados a explorar a química elementar e molecular dos solos e da atmosfera marciana, em busca de compostos relevantes para a vida tal como a conhecemos. Os resultados foram apresentados anteontem numa conferência de imprensa pela equipa responsável pelo SAM, e sugerem que Marte perdeu uma parte significativa da sua atmosfera desde a sua formação. Os indícios estão na relação de isótopos dos diferentes elementos que compõem as moléculas da fina atmosfera do planeta vermelho.

A câmara de medição do espectrómetro laser sintonizável do SAM, um dos instrumentos responsáveis pelas primeiras medições de isótopos dos elementos da atmosfera marciana no interior da cratera Gale.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Actualmente, a pressão da atmosfera de Marte é 100 vezes inferior à pressão da atmosfera terrestre ao nível do mar. Em Rocknest, o SAM detectou no dióxido de carbono atmosférico um aumento de cerca de 5% nos isótopos mais pesados do elemento carbono, em comparação com estimativas da razão de isótopos presente quando Marte era ainda um planeta muito jovem. Os isótopos mais pesados de árgon também mostraram enriquecimentos semelhantes, um resultado que está de acordo com estimativas anteriores derivadas do estudo de meteoritos marcianos encontrados na Terra. De acordo com os cientistas da missão, a actual razão isotópica dos elementos atmosféricos encontrados em Rocknest sugere a ocorrência de perdas significativas de isótopos mais leves na parte superior da atmosfera de Marte, um forte indício de que uma importante fracção da atmosfera do planeta se perdeu no espaço interplanetário desde a sua formação.

Abundância relativa dos cinco principais gases medidos em Rocknest pelo espectrómetro de massa do SAM em Outubro de 2012.
Crédito: NASA/JPL-Caltech, SAM/GSFC.

O SAM obteve ainda leituras preliminares da abundância atmosférica de metano, as mais precisas alguma vez realizadas em Marte. Difícil de detectar a partir da órbita marciana, devido às suas quantidades vestigiais na atmosfera do planeta, o metano é um gás muito interessante para a missão Curiosity. Na Terra, a sua origem encontra-se ligada tanto a processos biológicos como a fenómenos geológicos. Em Marte, a sua libertação na atmosfera é, aparentemente, heterogénea e sazonal, e não é explicada pela actual ocorrência de processos geológicos como o vulcanismo ou as fontes hidrotermais, pelo que a sua origem biológica não está posta de parte.
As leituras preliminares realizadas em Rocknest mostram uma ausência praticamente completa de metano na cratera Gale, com um valor máximo de algumas partes por milhar de milhão associado a uma incerteza que se sobrepõe ao valor zero. Os cientistas responsáveis pelo SAM recordam, no entanto, que as concentrações atmosféricas de metano podem variar consideravelmente em Marte, pelo que não será surpresa nenhuma o Curiosity encontrar quantidades mais elevadas no decorrer da missão.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Curiosity prova solo marciano

As areias de Rocknest vistas pelo Curiosity em Outubro de 2012.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

O Curiosity completou esta semana as primeiras análises ao solo recolhido na língua de areia de Rocknest. Os resultados mostram que a mineralogia do solo de Aeolis Palus é semelhante aos solos basálticos de origem vulcânica encontrados nas ilhas do Hawaii.
Estacionado em Rocknest há quase um mês, o Curiosity esteve ocupado a analisar algumas amostras de areia marciana com o CheMin (Chemistry and Mineralogy X-Ray Diffraction Instrument), uma versão miniaturizada dos sofisticados instrumentos de difracção de raios X usados nos laboratórios de Geologia na Terra para a determinação da composição química de minerais. O método utilizado pelo CheMin tem a vantagem de proporcionar uma identificação mineralógica muito mais exacta que qualquer outro método anteriormente usado em Marte, uma vez que providencia informações cruciais acerca da estrutura cristalina dos minerais analisados.

A "boca" do CheMin fotografada pela MAHLI a 11 de Setembro de 2012.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

Antes de serem ingeridas pelo CheMin, as amostras foram previamente processadas com uma pá vibratória para excluir partículas com um tamanho superior a 150 µm (aproximadamente a largura de um cabelo humano). Nas amostras foram observados pelo menos dois componentes distintos: poeira proveniente de outras paragens, distribuída globalmente pelos ventos marcianos; e areia fina com origem mais localizada. De formação mais contemporânea, as areias de Rocknest são mais representativas dos processos geológicos modernos de Marte do que os conglomerados estudados anteriormente.
As análises realizadas pelo CheMin mostram que o solo marciano tem uma mineralogia semelhante a material basáltico com quantidades significativas de feldspato, piroxeno e olivina, uma composição que não surpreendeu os cientistas da missão. Praticamente metade do solo analisado é constituído por material não cristalino, como, por exemplo, vidros vulcânicos ou produtos resultantes da sua erosão.

Peridoto, uma variedade de olivina.
Crédito: Caltech.

"Até agora, os materiais analisados pelo Curiosity são consistentes com as nossas ideias iniciais de que os depósitos da cratera Gale reúnem registos temporais de uma transição de um ambiente mais húmido para um mais seco", afirmou David Bish, co-investigador do CheMin, na conferência de imprensa de ontem. "As rochas antigas, como os conglomerados, sugerem a presença de água corrente, enquanto que os minerais nos solos mais jovens são consistentes com interacções limitadas com a água".

Auto-retrato do Curiosity em Rocknest

Auto-retrato do robot Curiosity num recorte de um mosaico contendo 56 imagens obtidas pela câmara MAHLI a 31 de Outubro de 2012 (sol 84 da missão).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Malin Space Science Systems/Sérgio Paulino.

Ontem, o Curiosity poisou para a MAHLI, a câmara de alta resolução que se encontra na extremidade do seu braço robótico. Durante quase uma hora, o braço moveu-se 56 vezes, reunindo as fotografias necessárias para incluir todo a estrutura do robot da NASA (com a excepção do próprio braço) no enorme mosaico que aqui vos trago. Atrás do Curiosity podem ver o monte Sharp e as montanhas da orla nordeste da cratera Gale.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sandy visto da órbita terrestre

O furacão Sandy está prestes a desferir um golpe devastador numa das regiões mais densamente povoadas dos Estados Unidos. De acordo com as mais recentes informações do NOAA, o centro da violenta tempestade encontra-se neste momento sobre a costa sul de Nova Jérsia, a menos de 10 km a sudoeste de Atlantic City, lançando à sua passagem fortes chuvadas e intensas rajadas de vento com velocidades até 130 km.h-1.
Anteontem, o satélite GOES-14 registou o movimento da tempestade pelo Atlântico Norte, numa espectacular sequência de imagens obtidas durante cerca de 12 horas. Vejam em baixo:

domingo, 28 de outubro de 2012

Ainda em Rocknest

Mosaico de imagens obtidas pelo Curiosity a 23 de Outubro de 2012 (sol 76 da missão).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/Sérgio Paulino.

Passaram mais de três semanas desde a chegada do Curiosity a Rocknest, uma língua de areia rodeada por curiosos afloramentos rochosos. Enquanto esperamos por mais novidades da equipa da missão, deixo-vos aqui este mosaico ilustrando um interessante conjunto de rochas com uma estranha textura.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Forte fulguração classe-X na madrugada passada!

O Solar Dynamics Observatory observou esta madrugada uma breve mas intensa fulguração solar classe-X1,8. O fenómeno teve origem na recentemente numerada AR1598, uma região com uma configuração magnética beta que se tem mantido muito activa nos últimos 3 dias.


Fulguração classe-X desta madrugada vista pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly do Solar Dynamics Observatory, através de um filtro para o ultravioleta extremo (131 Å).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.

A fulguração atingiu o pico de intensidade pelas 04:17 (hora de Lisboa), altura em que enviou pulsos de radiação electromagnética (raios X e UV extremo) na direcção da Terra, que ionizaram parcialmente as camadas superiores da atmosfera terrestre, provocando um bloqueio na propagação de ondas de rádio de alta frequência no hemisfério diurno durante cerca de 1 hora. De acordo com o NOAA, o evento não gerou uma ejecção de massa coronal significativa, pelo que não terá qualquer efeito substancial na magnetosfera terrestre.