segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Colina em Yellowknife Bay

Pequena colina sobranceira a Yellowknife Bay, num mosaico de 5 imagens obtidas pelo Curiosity a 28 de Dezembro de 2012 (sol 141 da missão).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Malin Space Science Systems/Sérgio Paulino.

Enquanto na Terra comemoramos o final de 2012, o Curiosity continua a sua odisseia marciana no interior da cratera Gale. Nas últimas 3 semanas, o robot da NASA tem estado ocupado a explorar uma depressão ovalada pouco profunda em Glenelg, denominada Yellowknife Bay. O terreno no seu interior é particularmente interessante porque possui uma inércia térmica superior à observada noutras áreas visitadas anteriormente pelo Curiosity. As imagens que compõem o mosaico de cima mostram uma pequena colina que se eleva no seu extremo leste, na direcção oposta ao local que o Curiosity deverá visitar nos próximos sóis.
Explorem a imagem em baixo com o Zoom.it:

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Espectacular vídeo da última ocultação lunar de Júpiter

Na noite de 25 de Dezembro, Júpiter desapareceu dos céus brasileiros! O responsável por este fenómeno não foi Nibiru, Hercólubus ou outro objecto celeste imaginário, mas sim a bela e sedutora Lua. Durante pouco mais de uma hora, o disco lunar ocultou o maior planeta do Sistema Solar para todos os felizardos observadores localizados num estreito corredor que se estendeu desde os países sul-americanos situados abaixo do equador terrestre até aos territórios mais meridionais do continente africano.

Mapa mostrando os locais onde foi possível observar a ocultação lunar de Júpiter do passado dia 25 de Dezembro de 2012.
Crédito: HM Nautical Almanac Office.

Apesar de não ter sido possível observar esta ocultação a partir de Portugal, pudemos contar com centenas de astrónomos amadores brasileiros que gentilmente disponibilizaram na internet belíssimas imagens do evento. Vejam, por exemplo, este espectacular vídeo do astrofotógrafo Rafael Defavari, obtido a partir de São Bernardo do Campo, em São Paulo:

Ocultação lunar de Júpiter de 25 de Dezembro de 2012.
Crédito: Rafael Defavari.

As ocultações lunares de planetas são fenómenos relativamente frequentes. No próximo ano poderemos assistir a um total de cinco, infelizmente todas elas observáveis apenas a partir do hemisfério sul. A próxima ocorrerá já no próximo dia 22 de Janeiro, e será visível em alguns arquipélagos do Pacífico e em grande parte da América do Sul (ver aqui mais informações).

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Presentes de Natal da Cassini: espectaculares imagens de Reia e de Dione

No passado fim de semana, a Cassini realizou uma passagem a pouco mais de 23 mil quilómetros de Reia, a segunda maior lua de Saturno. O encontro serviu para a sonda da NASA mapear em alta resolução uma estreita faixa de terreno, desde a região a oeste da bacia de impacto de Izanagi até à secção mais setentrional de Galunlati Chasmata. Já no egresso, a Cassini voltou as suas câmaras para a região do pólo norte para obter um conjunto de imagens com uma resolução máxima de 240 metros/pixel (superior à resolução das imagens desta região obtidas em encontros anteriores). Vejam em baixo alguns dos melhores momentos deste encontro (cliquem nas imagens para as ampliarem):

Mosaico de 10 imagens obtidas pela sonda Cassini a 22 de Dezembro de 2012, mostrando a região a oeste da bacia de impacto de Izanagi, entre as crateras Melo (à esquerda) e Izanami (à direita, com o seu pico central espreitando na sombra).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

Galunlati Chasmata num mosaico de 5 imagens obtidas pela Cassini a 22 de Dezembro de 2012.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

Região do pólo norte de Reia. Mosaico de 4 imagens obtidas pela sonda Cassini a 22 de Dezembro de 2012.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

Pouco depois da passagem a curta distância de Reia, a Cassini sobrevoou o hemisfério norte de Dione, a uma altitude de 248 mil quilómetros. Neste encontro foram recolhidas imagens globais centradas na jovem cratera Creusa. Vejam na composição colorida de baixo a dimensão do seu extenso sistema de raios:

O hemisfério norte de Dione em cores aproximadamente naturais. O poló norte encontra-se visível acima da cratera Creusa, entre Tibur Chasmata (que parte do lado direito de Creusa para norte) e as grandes crateras Phorbas e Haemon (crateras próximas do terminador). Esta composição foi construída com imagens obtidas pela Cassini a 23 de Dezembro de 2012, através de filtros para o ultravioleta (340 nm), o verde (562 nm) e o infravermelho próximo (757 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

Consultem aqui e aqui os mapas de Reia e de Dione para se orientarem nas figuras.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Asteróide 2011 AG5: NASA elimina risco de impacto para 2040

Asteróide 2011 AG5 numa imagem obtida através do telescópio Gemini a 27 de Outubro de 2012.
Crédito: Gemini Observatory.

A NASA anunciou anteontem que o asteróide 2011 AG5 deixou de constituir uma potencial ameaça para a Terra. Descoberta pelo programa Catalina Sky Survey a 8 de Janeiro de 2011, esta rocha com cerca de 140 metros de diâmetro tornou-se uma preocupação para os cientistas quando as incertezas na sua órbita projectaram um risco de colisão com nosso planeta de 1 em 500 para o encontro de Fevereiro de 2040. Caso este objecto atingisse a superfície terrestre, o impacto libertaria uma energia equivalente a cerca de 100 megatoneladas de TNT, ou seja, o dobro da energia libertada pela mais poderosa bomba nuclear alguma vez detonada, a soviética Tsar Bomba!

Incertezas na trajectória de 2011 AG5 para o encontro com a Terra em Fevereiro de 2040, antes (em cima) e depois (em baixo) dos novos cálculos orbitais.
Crédito: NASA/JPL/Paul Chodas.

Com o objectivo de reduzir as incertezas na trajectória de 2011 AG5, astrónomos da Universidade do Hawai'i realizaram um conjunto de observações do pequeno asteróide a 20, 21 e 27 de Outubro, através do telescópio Gemini de 8 metros, em Mauna Kea, Hawai'i. A estas múltiplas observações juntaram-se um conjunto de imagens obtidas pela mesma equipa duas semanas antes, através do vizinho telescópio de 2,2 metros.
Após a sua análise pelo Near-Earth Object Program da NASA, as novas observações permitiram eliminar por completo o risco de colisão anteriormente previsto para 2040. A nova trajectória não é significativamente diferente, mas os dados obtidos pelos astrónomos americanos reduziram as incertezas orbitais ao ponto da Terra já não se encontrar no caminho do asteróide. Em Fevereiro de 2040, 2011 AG5 passará assim, certamente, a mais de 890 mil quilómetros do nosso planeta, mais do dobro da distância entre a Lua e a Terra.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Solstício de Inverno 2012

Pôr-do-sol na baía de Cascais. Imagem captada a 21 de Dezembro de 2011.
Crédito: Sérgio Paulino.

O Solstício de Inverno ocorre hoje, pelas 11:12 (hora de Lisboa). Este instante assinala o inicío da estação mais fria do ano, uma estação que se prolongará por 88,99 dias, até ao próximo Equinócio, no dia 20 de Março de 2013.
Em Astronomia, os Solstícios correspondem aos momentos em que o Sol atinge declinações extremas, ou seja, as posições máxima e mínima no céu em relação ao equador. A palavra tem origem latina (Solstitium) e está associada à ideia de que o Sol fica estacionário ao atingir essas posições.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Ovos fossilizados em Marte?

Estranha formação geológica vista pelo Curiosity a 09 de Dezembro de 2012 (sol 122 da missão), em Glenelg, no interior da cratera Gale.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Malin Space Science Systems.

Agora que tenho a vossa atenção, esclareço-vos já que esta estrutura não é, certamente, um ovo fossilizado de um antigo dragão marciano. O que vêem na imagem de cima é algo não menos espectacular: uma concreção esférica oca.
Na Terra, as concreções são formadas pela precipitação selectiva de minerais (normalmente, carbonatos de cálcio ou de ferro) no seio de sedimentos expostos a aquíferos subterrâneos. Como os precipitados tendem a formar uma matriz densa, as concreções são, geralmente, bastante mais resistentes à acção erosiva do vento que as rochas sedimentares que as rodeiam. Quando ocorre redissolução dos precipitados no centro da concreção (por exemplo, por exposição a soluções aquosas com propriedades químicas diferentes da solução original), forma-se uma cavidade no seu interior, razão pela qual estas estruturas são, por vezes, confundidas com fósseis animais.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Saturno em contraluz

Saturno visto pela Cassini a 17 de Outubro de 2012, a uma distância aproximada de 800 mil quilómetros.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI.

A NASA publicou hoje este magnífico retrato de Saturno, obtido pela sonda Cassini em Outubro passado, quando esta viajava na sombra do gigante. Composto por 60 imagens captadas através de filtros para o violeta, o vermelho e o infravermelho, o novo mosaico mostra todo o hemisfério nocturno do planeta e o seu complexo sistema de anéis, desde o anel D (o mais interior) até ao ténue anel E. Aninhadas no canto inferior esquerdo do retrato, logo abaixo dos anéis, encontram-se, ainda, duas das suas maiores luas: Encélado (no seio do anel E) e Tétis (um pouco mais abaixo).
Este novo mosaico assemelha-se a outro obtido pela Cassini em Setembro de 2006. Intitulado "Na sombra de Saturno", esse primeiro mosaico tornou-se famoso por incluir uma invulgar aparição da Terra junto ao sistema principal de anéis.