Chris Hadfield despede-se amanhã da Estação Espacial Internacional, mas antes deixa um presente memorável para o mundo: o primeiro vídeo musical a ser gravado a partir da órbita terrestre! Aqui têm Space Oddity de David Bowie, pela voz e guitarra do comandante da Expedição 35.
domingo, 12 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
Um mini-jacto no anel F de Saturno
Anel F de Saturno visto pela sonda Cassini a 06 de Maio de 2013.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.
Na segunda-feira passada, a sonda Cassini esteve ocupada a observar as diferentes estruturas criadas no anel F de Saturno pela interacção gravitacional entre as partículas anulares e a pequena lua Prometeu. Na imagem de cima é possível distinguir uma dessas estruturas, um aglomerado de partículas conhecido entre os cientistas da missão por mini-jacto. Podem ler mais sobre estas curiosas formações aqui.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.
Na segunda-feira passada, a sonda Cassini esteve ocupada a observar as diferentes estruturas criadas no anel F de Saturno pela interacção gravitacional entre as partículas anulares e a pequena lua Prometeu. Na imagem de cima é possível distinguir uma dessas estruturas, um aglomerado de partículas conhecido entre os cientistas da missão por mini-jacto. Podem ler mais sobre estas curiosas formações aqui.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
A estranha anomalia dos 12,5 quilómetros
Eram 03:06 (hora de Lisboa) do dia 11 de Junho de 1985 quando o centro de controlo soviético do programaVega recebeu a confirmação da entrada do módulo de aterragem da sonda Vega 1 na atmosfera de Vénus. Depois de uma rápida desaceleração de uns estonteantes 10,75 km.s-1 para uma velocidade subsónica, o módulo de 750 kg de massa libertou-se do seu último pára-quedas a uma altitude aproximada de 47 km, mergulhando numa queda livre apenas amparada pela esmagadora pressão da atmosfera do planeta.
Subitamente, a cerca de 18 km da superfície, os sistemas vitais da sonda foram atingidos por uma série de sobretensões, acompanhadas de fortes flutuações nos dados de telemetria, e de um enigmático pico nas leituras do espectrómetro de absorção ISAV-S, um instrumento concebido para estudar a composição química das nuvens venusianas. O choque foi de tal forma violento que provocou uma momentânea ascensão do módulo de aterragem a uma velocidade aproximada de 30 metros por segundo! Este inesperado movimento teve como consequência a activação prematura dos instrumentos destinados à recolha e análise de amostras de rocha na superfície do planeta, o que condenou a principal experiência científica da missão a um amargo insucesso.
Réplica do módulo de aterragem das sondas Vega 1 e 2.
Crédito: NASA.
Infelizmente, este enigmático acontecimento não era novidade para os cientistas. As sondas soviéticas Venera 11, 12, 13 e 14 sentiram distúrbios eléctricos semelhantes a altitudes entre os 12 e os 18 km, e as quatro sondas atmosféricas da missão americana Pioneer Venus sofreram igualmente violentas sobretensões a cerca de 12 km de distância da superfície, fenómenos que provocariam avarias fatais em grande parte dos seus instrumentos. Tais falhas inexplicáveis viriam a ser conhecidas por "anomalia dos 12,5 quilómetros".
Qual seria a explicação para tão enigmáticos acontecimentos?
A resposta está, provavelmente, nas imagens de radar da superfície de Vénus, obtidas pelas sondas americanas Pioneer Venus e Magellan. Ambas as missões detectaram estranhos padrões brilhantes em todas as áreas situadas 3,5 quilómetros acima do datum geodésico do planeta (o equivalente ao nível do mar na Terra). No radar, tais reflexos brilhantes correspondem, geralmente, a superfícies irregulares; no entanto, em Vénus, os padrões brilhantes cobrem todo o tipo de elevações, desde as montanhas mais acidentadas até ao mais suave planalto.
Maxwell Montes, a maior montanha de Vénus (cerca de 11 quilómetros acima do raio médio do planeta), numa imagem de radar obtida pela sonda Magellan. São notórios os padrões brilhantes cobrindo as regiões mais elevadas da montanha.
Crédito: NASA/JPL.
Em Vénus, tal como na Terra, as temperaturas diminuem progressivamente com a altitude. Apesar das terras baixas venusianas registarem temperaturas que rondam uns infernais 467º C, os pontos mais elevados do planeta arrefecem consideravelmente, atingindo valores próximos dos 387º C. Tais temperaturas são suficientemente baixas para permitirem a condensação de metais voláteis específicos, vaporizados nas escaldantes planícies situadas mais abaixo, pelo que os cientistas sugerem que as invulgares propriedades reflectivas das terras altas de Vénus poderão ser facilmente explicadas pela ocorrência de nevões de compostos metálicos semi-condutores nestas regiões. Até agora, os candidatos mais prováveis são os sulfuretos de chumbo (Pb) e/ou bismuto (Bi); porém, é possível que se formem outros condensados exóticos contendo elementos como o cobre (Cu), a prata (Ag), o arsénio (As) e o antimónio (Sb). Esta neblina metálica condensaria facilmente sobre as superfícies exteriores das sondas soviéticas e americanas durante a sua passagem pelas camadas inferiores da atmosfera venusiana, pelo que é possível que tenha sido esta a causa dos distúrbios observados entre os 12 e os 18 quilómetros de altitude.
Podem ler mais sobre a bizarra neve metálica de Vénus aqui e aqui.
Subitamente, a cerca de 18 km da superfície, os sistemas vitais da sonda foram atingidos por uma série de sobretensões, acompanhadas de fortes flutuações nos dados de telemetria, e de um enigmático pico nas leituras do espectrómetro de absorção ISAV-S, um instrumento concebido para estudar a composição química das nuvens venusianas. O choque foi de tal forma violento que provocou uma momentânea ascensão do módulo de aterragem a uma velocidade aproximada de 30 metros por segundo! Este inesperado movimento teve como consequência a activação prematura dos instrumentos destinados à recolha e análise de amostras de rocha na superfície do planeta, o que condenou a principal experiência científica da missão a um amargo insucesso.
Réplica do módulo de aterragem das sondas Vega 1 e 2.
Crédito: NASA.
Infelizmente, este enigmático acontecimento não era novidade para os cientistas. As sondas soviéticas Venera 11, 12, 13 e 14 sentiram distúrbios eléctricos semelhantes a altitudes entre os 12 e os 18 km, e as quatro sondas atmosféricas da missão americana Pioneer Venus sofreram igualmente violentas sobretensões a cerca de 12 km de distância da superfície, fenómenos que provocariam avarias fatais em grande parte dos seus instrumentos. Tais falhas inexplicáveis viriam a ser conhecidas por "anomalia dos 12,5 quilómetros".
Qual seria a explicação para tão enigmáticos acontecimentos?
A resposta está, provavelmente, nas imagens de radar da superfície de Vénus, obtidas pelas sondas americanas Pioneer Venus e Magellan. Ambas as missões detectaram estranhos padrões brilhantes em todas as áreas situadas 3,5 quilómetros acima do datum geodésico do planeta (o equivalente ao nível do mar na Terra). No radar, tais reflexos brilhantes correspondem, geralmente, a superfícies irregulares; no entanto, em Vénus, os padrões brilhantes cobrem todo o tipo de elevações, desde as montanhas mais acidentadas até ao mais suave planalto.
Maxwell Montes, a maior montanha de Vénus (cerca de 11 quilómetros acima do raio médio do planeta), numa imagem de radar obtida pela sonda Magellan. São notórios os padrões brilhantes cobrindo as regiões mais elevadas da montanha.
Crédito: NASA/JPL.
Em Vénus, tal como na Terra, as temperaturas diminuem progressivamente com a altitude. Apesar das terras baixas venusianas registarem temperaturas que rondam uns infernais 467º C, os pontos mais elevados do planeta arrefecem consideravelmente, atingindo valores próximos dos 387º C. Tais temperaturas são suficientemente baixas para permitirem a condensação de metais voláteis específicos, vaporizados nas escaldantes planícies situadas mais abaixo, pelo que os cientistas sugerem que as invulgares propriedades reflectivas das terras altas de Vénus poderão ser facilmente explicadas pela ocorrência de nevões de compostos metálicos semi-condutores nestas regiões. Até agora, os candidatos mais prováveis são os sulfuretos de chumbo (Pb) e/ou bismuto (Bi); porém, é possível que se formem outros condensados exóticos contendo elementos como o cobre (Cu), a prata (Ag), o arsénio (As) e o antimónio (Sb). Esta neblina metálica condensaria facilmente sobre as superfícies exteriores das sondas soviéticas e americanas durante a sua passagem pelas camadas inferiores da atmosfera venusiana, pelo que é possível que tenha sido esta a causa dos distúrbios observados entre os 12 e os 18 quilómetros de altitude.
Podem ler mais sobre a bizarra neve metálica de Vénus aqui e aqui.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Cratera marciana recebe nome de vila cabo-verdiana
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.
A União Internacional Astronómica aprovou ontem o nome da vila costeira cabo-verdiana do Tarrafal para uma cratera marciana. Com apenas 4,89 quilómetros de diâmetro, a pequena estrutura situa-se junto ao extremo norte de Mawrth Vallis, na transição entre os terrenos antigos de Arabia Terra e a bacia de impacto fortemente erodida de Chryse Planitia.
sábado, 4 de maio de 2013
Sol produz duas intensas fulgurações quase em simultâneo
Fulguração classe-M5 vista ontem pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly do Solar Dynamics Observatory, através de um filtro para o ultravioleta extremo (131 Å).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.
O Sol produziu ontem, ao final da tarde, duas fortes fulgurações quase em simultâneo. A primeira foi um evento classe-M1 com origem na região activa 1731, uma região que tem mantido nos últimos dias um campo magnético classe delta instável com energia para fortes fulgurações. A segunda foi um evento classe-M5 produzido pela região 1739, a mesma responsável pela violenta erupção da passada quarta-feira.
Imagens obtidas pelo Solar Dynamics Observatory mostram uma gigantesca pluma de plasma quente a ser arremessada do local. Os dados até agora disponíveis indicam que esta ejecção de massa coronal não encontrará a Terra no seu caminho, pelo que não se esperam quaisquer efeitos significativos na actividade geomagnética.
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium.
O Sol produziu ontem, ao final da tarde, duas fortes fulgurações quase em simultâneo. A primeira foi um evento classe-M1 com origem na região activa 1731, uma região que tem mantido nos últimos dias um campo magnético classe delta instável com energia para fortes fulgurações. A segunda foi um evento classe-M5 produzido pela região 1739, a mesma responsável pela violenta erupção da passada quarta-feira.
Imagens obtidas pelo Solar Dynamics Observatory mostram uma gigantesca pluma de plasma quente a ser arremessada do local. Os dados até agora disponíveis indicam que esta ejecção de massa coronal não encontrará a Terra no seu caminho, pelo que não se esperam quaisquer efeitos significativos na actividade geomagnética.
Ejecção de uma pluma de plasma quente associada à fulguração classe-M, ocorrida no dia 3 de Maio de 2013 na região activa 1739. Imagens obtidas pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly do Solar Dynamics Observatory, através de um filtro para o ultravioleta extremo (304 Å).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/Helioviewer.org.
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/Helioviewer.org.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Erupção solar no dia do trabalhador
Maio teve início com um espectacular fenómeno no extremo leste do disco solar. Vejam o vídeo em baixo:
Na madrugada do dia 1 de Maio, uma região activa ainda não numerada produziu uma violenta erupção, lançando uma gigantesca onda de plasma no espaço. Imagens obtidas pelos coronógrafos dos dois observatórios STEREO confirmam que a ejecção de massa coronal emergiu do local da erupção, a uma velocidade superior a 1,5 milhões de quilómetros por hora. A Terra não se encontra na linha de fogo, pelo que não são esperados efeitos significativos na actividade geomagnética.
Ejecção de massa coronal do dia 1 de Maio vista pelo Solar Dynamics Observatory na banda do ultravioleta extremo (304 Å), e pelos dois coronógrafos do SOHO (nas imagens o círculo branco representa os limites do Sol).
Crédito: NASA/ESA.
Na madrugada do dia 1 de Maio, uma região activa ainda não numerada produziu uma violenta erupção, lançando uma gigantesca onda de plasma no espaço. Imagens obtidas pelos coronógrafos dos dois observatórios STEREO confirmam que a ejecção de massa coronal emergiu do local da erupção, a uma velocidade superior a 1,5 milhões de quilómetros por hora. A Terra não se encontra na linha de fogo, pelo que não são esperados efeitos significativos na actividade geomagnética.
Ejecção de massa coronal do dia 1 de Maio vista pelo Solar Dynamics Observatory na banda do ultravioleta extremo (304 Å), e pelos dois coronógrafos do SOHO (nas imagens o círculo branco representa os limites do Sol).
Crédito: NASA/ESA.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Calor cega observatório espacial europeu Herschel
Representação artística do observatório Herschel com uma imagem da Vela C como pano de fundo.
Crédito: ESA/Consórcios PACS e SPIRE/T. Hill/F. Motte/Laboratoire AIM Paris-Saclay/CEA/IRFU – CNRS/INSU – Uni. Paris Diderot/HOBYS.
O observatório espacial europeu Herschel esgotou anteontem a sua reserva de hélio líquido, um fluído refrigerante que permitiu aos seus três instrumentos científicos perscrutar regiões muito frias do Universo. Este era já um desfecho esperado para uma das mais bem sucedidas missões da ESA. Lançado a 14 de Maio de 2009, o observatório transportava mais de 2.300 litros de hélio líquido, um suprimento que foi evaporando lentamente até se esgotar ao fim de quase quatro anos.
Crédito: ESA/Consórcios PACS e SPIRE/T. Hill/F. Motte/Laboratoire AIM Paris-Saclay/CEA/IRFU – CNRS/INSU – Uni. Paris Diderot/HOBYS.
O observatório espacial europeu Herschel esgotou anteontem a sua reserva de hélio líquido, um fluído refrigerante que permitiu aos seus três instrumentos científicos perscrutar regiões muito frias do Universo. Este era já um desfecho esperado para uma das mais bem sucedidas missões da ESA. Lançado a 14 de Maio de 2009, o observatório transportava mais de 2.300 litros de hélio líquido, um suprimento que foi evaporando lentamente até se esgotar ao fim de quase quatro anos.
De acordo com a ESA, as observações do Herschel excederam todas as expectativas. Os dados recolhidos pela missão permitiram aos cientistas aprenderem mais sobre a formação das estrelas, a frequência com que se formam em galáxias distantes, e a origem e presença de água em diferentes corpos celestes. Apesar das observações terem cessado definitivamente, a produção científica da missão não está esgotada. A imensidão de imagens e de espectros obtidos pelo observatório que se encontra ainda por explorar, será certamente terreno fértil para novas e importantes descobertas.
O Herschel era o mais poderoso telescópio de infravermelhos alguma vez construído. Os seus instrumentos eram sensíveis a radiação electromagnética nas bandas do infravermelho distante e submilimétricas, o que lhes permitia observar regiões do Universo muito frias (entre os -268 e os -223ºC) com grande sensibilidade.
Representação artística de uma galáxia com intensa formação de estrelas, alimentada por um fluxo de gás intergaláctico.
Crédito: ESA–AOES Medialab.
O objectivo principal do Herschel era o estudo da formação de estrelas ao longo da história do Universo, pelo que os astrónomos o usaram principalmente para monitorizar milhares de galáxias espalhadas pelo cosmos. Estes dados revelaram que nos primeiros milhares de milhões de anos após o nascimento do Universo, as galáxias produziam muito mais estrelas que o estimado a partir de observações realizadas a comprimentos de onda mais curtos e mais longos que aqueles a que o observatório da ESA era sensível. Estudos anteriores sugeriam, também, que as elevadas taxas de formação de estrelas em galáxias no passado eram resultantes de fenómenos episódicos, como por exemplo os intensos surtos de formação de estrelas provocados pela colisão de galáxias. As observações realizadas pelo Herschel fizeram os astrónomos repensar esta questão. "Os dados do Herschel sugerem que a colisão de galáxias poderá não ser um requisito para gerar a intensa formação de estrelas, como se pensava anteriormente, afirmou à ESA um dos cientistas da missão Göran Pilbratt. "O ponto crucial parece ser a disponibilidade de gás suficiente para a produção de estrelas. Galáxias com intensa formação de estrelas poderão ser alimentadas, não só, por outras ricas em gás, mas também por outros processos, como os fluxos de gás frio intergaláctico. A questão mantém-se em aberto; no entanto, a solução poderá vir a ser encontrada em novas análises dos dados do Herschel, em conjunto com a contínua monitorização destas galáxias com outros observatórios." Simulações numéricas baseadas nos dados do Herschel sugerem que estas galáxias prolíficas apenas se podem formar nos mais densos nós da rede cósmica de matéria negra, tipicamente naqueles com uma massa superior a 300 mil milhões de vezes a massa do Sol.
As alterações nas taxas de formação de estrelas ao longo do tempo poderão estar ligadas aos buracos negros supermassivos que se pensa existirem no centro da maioria das galáxias. A pressão da radiação criada pela acreção de material em torno destas surpreendentes estruturas desencadeia um fluxo de material para longe do centro da galáxia, o que poderá esgotar as reservas de gás e, assim, impedir o nascimento de estrelas. "Através da monitorização de um conjunto de galáxias activas próximas, detectámos pela primeira vez um fluxo de gás para longe do centro galáctico, que é de natureza molecular", comentou Albrecht Poglitsch, cientista do Instituto Max-Planck, na Alemanha, e investigador principal do instrumento PACS (Photodetector Array Camera and Spectrometer) do Herschel. "Isto mostra-nos que estes fluxos podem, de facto, esgotar as reservas de gás de uma galáxia ao ponto de a impedir de formar estrelas, pois as estrelas são produzidas a partir de gás molecular".
Nuvem IC 5146 vista pelo Herschel.
Crédito:ESA/Herschel/SPIRE/PACS/D. Arzoumanian (CEA Saclay).
Na nossa Galáxia, as observações do Herschel desvendaram revelações extraordinárias sobre os processos físicos que estão na base do nascimento das estrelas. O observatório da ESA identificou a presença de uma rede filamentosa de gás que se infiltra no meio interestelar por quase todo o plano galáctico, e que aparenta estar associada à formação de estrelas. "Esperávamos que existissem filamentos no meio interestelar; porém o Herschel deu-nos finalmente a prova de que eles são omnipresentes, e de que são a chave que permite a ocorrência da formação de estrelas", disse o investigador principal do instrumento SPIRE (Spectral and Photometric Imaging Receiver) Matt Griffin. "Os belos detalhes das imagens do Herschel mostram como algumas nuvens desenvolveram filamentos de tal forma densos que estão a colapsar sobre o seu próprio peso, e a iniciar a formação de estrelas, enquanto outras nuvens exibem um emaranhado mais caótico de filamentos mais ténues (...)." A emergência dos filamentos e o seu subsequente colapso poderão estar também relacionados com os campos magnéticos das nuvens interestelares, pelo que os resultados da missão Herschel irão certamente estimular novos trabalhos científicos nesta área.
No campo da formação dos planetas, o observatório da ESA deu um contributo inestimável. O Herschel fotografou um impressionante disco de detritos em redor da estrela Fomalhaut, uma estrutura com características que fazem recordar a Cintura de Kuiper nos primeiros tempos de vida do nosso Sistema Solar. Discos semelhantes foram detectados em outras estrelas próximas, algumas com planetas em seu redor. Um exame mais detalhado a estes dados sugere que estas estruturas poderão sobreviver mais facilmente em sistemas planetários sem planetas massivos como Júpiter. "O estudo dos discos de detritos extra-solares dá-nos novas pistas acerca da formação dos sistemas planetários, e poderá eventualmente ajudar-nos a alcançar uma visão mais completa de como o nosso Sistema Solar se formou e evoluiu a partir da sua nuvem interestelar" afirmou Albrecht Poglitsch.
Disco de detritos em redor da estrela Fomalhaut visto pelo Herschel.
Crédito: ESA/Herschel/PACS/Bram Acke.
Outro foco da missão Herschel foi o estudo da composição química de uma variedade de objectos, em particular da origem e presença de água em diversos ambientes. Estudos baseados nos dados do observatório espacial europeu indicam que o núcleo frio da vasta nuvem molecular do Touro abriga um reservatório de gelo de água correspondente a alguns milhões de vezes o volume de água armazenado nos oceanos terrestres. O Herschel observou, ainda, quantidades de vapor de água equivalentes a vários milhares de vezes o volume de água dos oceanos do nosso planeta, no disco protoplanetário da estrela TW Hydrae. "Estes resultados mostram que existe imensa água disponível para enriquecer a superfície de futuros planetas, caso se formem em discos semelhantes em redor de outras estrelas" afirmou Frank Helmich, investigador principal do instrumento HIFI (Heterodyne Instrument for the Far Infrared) do Herschel.
O observatório da ESA contribuiu, ainda, para o debate acerca da origem da água no Sistema Solar, e na Terra em particular. A maioria dos astrónomos aceita que a água dos oceanos terrestres terá sido trazida por asteróides e cometas, logo após a formação do nosso planeta. Os asteróides eram considerados a origem principal da água terrestre, mas a balança tendeu para os cometas quando o Herschel detectou água no cometa 103P/Hartley 2 com a mesma composição isotópica da água dos oceanos terrestres. Observações posteriores do cometa C/2009 P1 Garradd levaram à descoberta de uma composição isotópica diferente, pelo que o papel dos cometas na chegada da água à Terra continua incerto.
Mais recentemente, o Herschel esclareceu a origem da água detectada em 1995 pelo ISO (Observatório Espacial em Infravermelho) na atmosfera superior de Júpiter. Observações realizadas pelo observatório espacial europeu mostram que a água da estratosfera joviana se encontra concentrada no hemisfério sul do planeta, em particular nos locais onde os fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 colidiram em 1994, uma ligação óbvia entre este evento e a presença de água nesta região da atmosfera do gigante.
Até agora, os dados do Herschel deram origem a mais de 600 artigos científicos, publicados em revistas conceituadas com revisão por pares. O observatório vai agora ser transferido da sua posição em L2 do sistema Terra-Sol para uma órbita estável em redor do Sol, onde permanecerá para sempre.
O Herschel era o mais poderoso telescópio de infravermelhos alguma vez construído. Os seus instrumentos eram sensíveis a radiação electromagnética nas bandas do infravermelho distante e submilimétricas, o que lhes permitia observar regiões do Universo muito frias (entre os -268 e os -223ºC) com grande sensibilidade.
Representação artística de uma galáxia com intensa formação de estrelas, alimentada por um fluxo de gás intergaláctico.
Crédito: ESA–AOES Medialab.
O objectivo principal do Herschel era o estudo da formação de estrelas ao longo da história do Universo, pelo que os astrónomos o usaram principalmente para monitorizar milhares de galáxias espalhadas pelo cosmos. Estes dados revelaram que nos primeiros milhares de milhões de anos após o nascimento do Universo, as galáxias produziam muito mais estrelas que o estimado a partir de observações realizadas a comprimentos de onda mais curtos e mais longos que aqueles a que o observatório da ESA era sensível. Estudos anteriores sugeriam, também, que as elevadas taxas de formação de estrelas em galáxias no passado eram resultantes de fenómenos episódicos, como por exemplo os intensos surtos de formação de estrelas provocados pela colisão de galáxias. As observações realizadas pelo Herschel fizeram os astrónomos repensar esta questão. "Os dados do Herschel sugerem que a colisão de galáxias poderá não ser um requisito para gerar a intensa formação de estrelas, como se pensava anteriormente, afirmou à ESA um dos cientistas da missão Göran Pilbratt. "O ponto crucial parece ser a disponibilidade de gás suficiente para a produção de estrelas. Galáxias com intensa formação de estrelas poderão ser alimentadas, não só, por outras ricas em gás, mas também por outros processos, como os fluxos de gás frio intergaláctico. A questão mantém-se em aberto; no entanto, a solução poderá vir a ser encontrada em novas análises dos dados do Herschel, em conjunto com a contínua monitorização destas galáxias com outros observatórios." Simulações numéricas baseadas nos dados do Herschel sugerem que estas galáxias prolíficas apenas se podem formar nos mais densos nós da rede cósmica de matéria negra, tipicamente naqueles com uma massa superior a 300 mil milhões de vezes a massa do Sol.
As alterações nas taxas de formação de estrelas ao longo do tempo poderão estar ligadas aos buracos negros supermassivos que se pensa existirem no centro da maioria das galáxias. A pressão da radiação criada pela acreção de material em torno destas surpreendentes estruturas desencadeia um fluxo de material para longe do centro da galáxia, o que poderá esgotar as reservas de gás e, assim, impedir o nascimento de estrelas. "Através da monitorização de um conjunto de galáxias activas próximas, detectámos pela primeira vez um fluxo de gás para longe do centro galáctico, que é de natureza molecular", comentou Albrecht Poglitsch, cientista do Instituto Max-Planck, na Alemanha, e investigador principal do instrumento PACS (Photodetector Array Camera and Spectrometer) do Herschel. "Isto mostra-nos que estes fluxos podem, de facto, esgotar as reservas de gás de uma galáxia ao ponto de a impedir de formar estrelas, pois as estrelas são produzidas a partir de gás molecular".
Nuvem IC 5146 vista pelo Herschel.
Crédito:ESA/Herschel/SPIRE/PACS/D. Arzoumanian (CEA Saclay).
Na nossa Galáxia, as observações do Herschel desvendaram revelações extraordinárias sobre os processos físicos que estão na base do nascimento das estrelas. O observatório da ESA identificou a presença de uma rede filamentosa de gás que se infiltra no meio interestelar por quase todo o plano galáctico, e que aparenta estar associada à formação de estrelas. "Esperávamos que existissem filamentos no meio interestelar; porém o Herschel deu-nos finalmente a prova de que eles são omnipresentes, e de que são a chave que permite a ocorrência da formação de estrelas", disse o investigador principal do instrumento SPIRE (Spectral and Photometric Imaging Receiver) Matt Griffin. "Os belos detalhes das imagens do Herschel mostram como algumas nuvens desenvolveram filamentos de tal forma densos que estão a colapsar sobre o seu próprio peso, e a iniciar a formação de estrelas, enquanto outras nuvens exibem um emaranhado mais caótico de filamentos mais ténues (...)." A emergência dos filamentos e o seu subsequente colapso poderão estar também relacionados com os campos magnéticos das nuvens interestelares, pelo que os resultados da missão Herschel irão certamente estimular novos trabalhos científicos nesta área.
No campo da formação dos planetas, o observatório da ESA deu um contributo inestimável. O Herschel fotografou um impressionante disco de detritos em redor da estrela Fomalhaut, uma estrutura com características que fazem recordar a Cintura de Kuiper nos primeiros tempos de vida do nosso Sistema Solar. Discos semelhantes foram detectados em outras estrelas próximas, algumas com planetas em seu redor. Um exame mais detalhado a estes dados sugere que estas estruturas poderão sobreviver mais facilmente em sistemas planetários sem planetas massivos como Júpiter. "O estudo dos discos de detritos extra-solares dá-nos novas pistas acerca da formação dos sistemas planetários, e poderá eventualmente ajudar-nos a alcançar uma visão mais completa de como o nosso Sistema Solar se formou e evoluiu a partir da sua nuvem interestelar" afirmou Albrecht Poglitsch.
Disco de detritos em redor da estrela Fomalhaut visto pelo Herschel.
Crédito: ESA/Herschel/PACS/Bram Acke.
Outro foco da missão Herschel foi o estudo da composição química de uma variedade de objectos, em particular da origem e presença de água em diversos ambientes. Estudos baseados nos dados do observatório espacial europeu indicam que o núcleo frio da vasta nuvem molecular do Touro abriga um reservatório de gelo de água correspondente a alguns milhões de vezes o volume de água armazenado nos oceanos terrestres. O Herschel observou, ainda, quantidades de vapor de água equivalentes a vários milhares de vezes o volume de água dos oceanos do nosso planeta, no disco protoplanetário da estrela TW Hydrae. "Estes resultados mostram que existe imensa água disponível para enriquecer a superfície de futuros planetas, caso se formem em discos semelhantes em redor de outras estrelas" afirmou Frank Helmich, investigador principal do instrumento HIFI (Heterodyne Instrument for the Far Infrared) do Herschel.
O observatório da ESA contribuiu, ainda, para o debate acerca da origem da água no Sistema Solar, e na Terra em particular. A maioria dos astrónomos aceita que a água dos oceanos terrestres terá sido trazida por asteróides e cometas, logo após a formação do nosso planeta. Os asteróides eram considerados a origem principal da água terrestre, mas a balança tendeu para os cometas quando o Herschel detectou água no cometa 103P/Hartley 2 com a mesma composição isotópica da água dos oceanos terrestres. Observações posteriores do cometa C/2009 P1 Garradd levaram à descoberta de uma composição isotópica diferente, pelo que o papel dos cometas na chegada da água à Terra continua incerto.
Mais recentemente, o Herschel esclareceu a origem da água detectada em 1995 pelo ISO (Observatório Espacial em Infravermelho) na atmosfera superior de Júpiter. Observações realizadas pelo observatório espacial europeu mostram que a água da estratosfera joviana se encontra concentrada no hemisfério sul do planeta, em particular nos locais onde os fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 colidiram em 1994, uma ligação óbvia entre este evento e a presença de água nesta região da atmosfera do gigante.
Até agora, os dados do Herschel deram origem a mais de 600 artigos científicos, publicados em revistas conceituadas com revisão por pares. O observatório vai agora ser transferido da sua posição em L2 do sistema Terra-Sol para uma órbita estável em redor do Sol, onde permanecerá para sempre.
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