quarta-feira, 5 de junho de 2013

O hexágono de Saturno em infravermelho

O hemisfério norte de Saturno visto pela Cassini a 03 de Junho de 2013. Foram combinadas nesta composição em cores falsas três imagens obtidas através de filtros sensíveis a diferentes graus de absorção do metano (728 nm, 752 nm e 890 nm). As cores vermelha e laranja correspondem a nuvens localizadas em camadas profundas da atmosfera. As nuvens das camadas intermédias surgem coloridas de amarelo e verde, enquanto que as nuvens mais altas e as camadas de neblina da atmosfera superior surgem tingidas de tons azulados e esbranquiçados.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Anteontem, a Cassini esteve ocupada a mapear sistemas de nuvens no hemisfério norte de Saturno, incluindo as que dão forma ao gigantesco vórtice polar que paira sobre o pólo norte. A imagem de cima foi obtida durante essa sessão, quando a sonda se encontrava a 1,03 milhões de quilómetros de distância do planeta.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Descobertas 28 novas famílias de asteróides

Representação artística de uma colisão entre asteróides.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Astrónomos americanos usaram dados obtidos pelo observatório espacial WISE para desenharem uma nova e melhorada árvore genealógica dos objectos que povoam a Cintura de Asteróides. A equipa de investigadores liderada por Joseph Masiero do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, analisou milhões de imagens obtidas na banda do infravermelho médio para determinar o diâmetro e o albedo de 112.286 asteróides, cerca de um terço dos mais de 600 mil objectos catalogados na região entre as órbitas de Marte e de Júpiter. Ao combinarem esses parâmetros físicos com os respectivos parâmetros orbitais, a equipa associou 38.298 asteróides a 76 famílias diferentes, 28 das quais nunca antes identificadas.

Gráficos de distribuição dos membros das 76 famílias identificadas (esquerda) e de todos os objectos analisados (direita), de acordo com a inclinação orbital (em graus) e o semi-eixo maior da respectiva órbita (em UA). As cores representam os diferentes albedos (escala à direita).
Crédito: Joseph Massiero e colegas/adaptado por Sérgio Paulino.

Gráficos de distribuição dos membros das 76 famílias identificadas (esquerda) e de todos os objectos analisados (direita), de acordo com a excentricidade orbital e o semi-eixo maior da respectiva órbita (em UA). As cores representam os diferentes albedos (escala à direita).
Crédito: Joseph Massiero e colegas/adaptado por Sérgio Paulino.

As famílias de asteróides são geradas pela colisão de dois objectos de grandes dimensões. Alguns destes eventos rasgam grandes crateras, como as bacias de impacto Rheasilvia e Veneneia no hemisfério sul de Vesta, por exemplo. Outras colisões são catastróficas e despedaçam os objectos envolvidos em numerosos fragmentos, como é o caso dos membros da família Eos.
Os objectos forjados por estes acontecimentos tendem a viajar em trajectórias semelhantes, que se vão afastando gradualmente ao longo do tempo. Alguns pedaços acabam em órbitas instáveis que os desviam para perigosas incursões no Sistema Solar interior. Muitos destes objectos vêm mais tarde a engrossar as populações de asteróides próximos da Terra. Com este novo trabalho, os cientistas dispõem de uma nova ferramenta para traçar as rotas de migração destes fragmentos exilados, desde a sua origem na Cintura de Asteróides.
Podem ler mais sobre este estudo aqui.

Surpresa! Asteróide 1998 QE2 tem uma lua!

Hoje, ao início da noite, o asteróide (285263) 1998 QE2 fará uma aproximação a apenas 5,86 milhões de quilómetros da Terra (cerca de 15 vezes a distância entre o nosso planeta e a Lua), . Com cerca de 2,7 quilómetros de diâmetro, um valor ligeiramente superior ao comprimento da ponte 25 de Abril, este será um alvo particularmente favorável para os sistemas de radar de Goldstone e de Arecibo, pelo que os cientistas da NASA têm programadas extensas campanhas de observação para o período entre 30 de Maio e 7 de Junho. Os dados recolhidos nestas sessões irão permitir calcular com maior precisão os parâmetros orbitais do asteróide e alguns dos seus parâmetros físicos.

Primeiras imagens de radar de 1998 QE2 obtidas pela antena de Goldstone, quando o asteróide se encontrava a 6 milhões de quilómetros de distância da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/GSSR.

Ontem foi divulgada a primeira sequência de imagens de radar obtida em Goldstone, cobrindo cerca de duas horas com uma resolução aproximada de 75 metros por pixel. As imagens mostram que 1998 QE2 tem um período de rotação inferior a 4 horas, e uma série de formações escuras na superfície, provavelmente, grandes crateras ou outras concavidades. Esta primeira sessão revelou, ainda, a presença de uma pequena lua na órbita do asteróide. Apesar de invulgar, este não é de todo um fenómeno singular. Cerca de 16% dos asteróides próximos da Terra são sistemas binários ou triplos. Estimativas preliminares sugerem que o pequeno satélite terá, aproximadamente, 600 metros de diâmetro.



A presença deste pequeno objecto na órbita do asteróide é particularmente vantajosa, porque permite aos cientistas calcular com maior precisão a sua massa. 1998 QE2 alcançará o ponto de maior aproximação à Terra pelas 21:59 (hora de Lisboa), altura em que as observações em modo bistático (com Goldstone como emissor e Arecibo como receptor) atingirão uma resolução máxima de 3,75 metros por pixel. Esta será a passagem mais próxima deste asteróide pela Terra dos próximos dois séculos, pelo que os cientistas encaram o encontro como uma oportunidade única para estudar em detalhe este invulgar objecto.
Podem acompanhar este evento em directo aqui.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Jovem Cunningham

Cratera Cunningham vista pela sonda MESSENGER a 05 de Maio de 2013.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

Cunningham é uma das estruturas de impacto melhor preservadas na superfície de Mercúrio. Com cerca de 36 quilómetros de diâmetro, esta espectacular cratera exibe vertentes com terraços bem conservados, um pico central bem definido, e um número limitado de pequenas crateras sobrepostas ao seu interior. Estas características, em conjunto com o impressionante sistema de raios brilhantes que a rodeia, mostram que esta estrutura terá sido formada, muito provavelmente, nos últimos mil milhões de anos.
Na imagem de cima, recentemente obtida pela MESSENGER, é possível ver todos os pormenores do interior de Cunningham, incluindo as enigmáticas cavidades do seu pico central, aqui visíveis como faixas de terreno intensamente brilhantes.

domingo, 26 de maio de 2013

Conjunção planetária no dia da toalha

Três planetas em conjunção nos céus crepusculares da praia do Guincho, numa imagem obtida a 25 de Maio de 2013.
Crédito: Sérgio Paulino.

Vénus, Júpiter e o elusivo Mercúrio iniciaram na semana passada uma dança nos céus crepusculares, que se prolongará até ao próximo fim-de-semana. Ontem, dia da toalha, rumei até à costa ventosa do Guincho para fotografar o trio planetário numa estreita formação, desenhando os vértices de um pequeno triângulo escaleno acima do horizonte.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sobrevoando Mimas

Mimas vista pela sonda Cassini a 20 de Maio de 2013.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Na passada segunda-feira, a sonda Cassini realizou uma passagem a cerca de 200 mil quilómetros da pequena lua saturniana Mimas. A equipa de imagem da missão aproveitou este encontro distante para fotografar as regiões polares a norte da cratera Herschel (estrutura circular visível na imagem de cima junto ao terminador, à direita).

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Cratera concêntrica na Bacia Apollo

Pormenor de uma cratera concêntrica sem nome situada no extremo noroeste da Bacia Apollo, no lado distante da Lua. Imagem obtida a 03 de Maio de 2013, pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

A superfície da Lua encontra-se crivada de estruturas de impacto com uma grande variedade de dimensões e morfologias. No entanto, apesar de serem tão diversas, os astrónomos usam estas duas características para agrupar as crateras lunares em três categorias básicas: crateras simples, crateras complexas e bacias multianelares. As primeiras são estruturas circulares em forma de taça, com menos de 10 a 15 quilómetros de diâmetro. As crateras complexas têm, geralmente, uma dimensão superior a 10 a 20 km, e exibem uma morfologia mais complicada, caracterizada pela presença de um pico central bem definido, chão plano e, por vezes, terraços resultantes do colapso da orla. As bacias multianelares são estruturas remanescentes dos impactos mais violentos alguma vez ocorridos na superfície lunar, e apresentam dimensões na ordem das centenas de quilómetros, e dois os mais anéis montanhosos concêntricos no seu interior.
Algumas crateras lunares possuem, porém, características tão bizarras que as deixam fora de qualquer uma destas categorias. É o caso da cratera da imagem de cima.

Visão oblíqua sobre a cratera da primeira imagem, obtida a 12 de Julho de 2012 pela Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Esculpida nos depósitos basálticos que preenchem o interior da Bacia Apollo, esta invulgar cratera com apenas 11,5 quilómetros de diâmetro possui dois anéis interiores concêntricos. Ainda não é inteiramente claro o mecanismo responsável pela formação destas estruturas; no entanto, uma das explicações possíveis poderá ser que no local de impacto existam múltiplas camadas estratigráficas com resistências distintas ao poder destrutivo da energia libertada pela colisão.
Podem ver o resto desta bela cratera em alta resolução aqui.