segunda-feira, 15 de julho de 2013

Hubble descobre uma nova lua de Neptuno

Composição de duas imagens obtidas em 2009 pelo telescópio espacial Hubble, mostrando a localização da lua recém-descoberta de Neptuno.
Crédito: NASA/ESA/Z. Levay (STScI/AURA).

Foi hoje anunciada a descoberta de uma nova lua de Neptuno. O pequeno objecto foi observado pela primeira vez no passado dia 1 de Julho pelo astrónomo Mark Showalter do Instituto SETI, enquanto estudava os arcos escuros do sistema de anéis do planeta, em imagens obtidas pelo telescópio espacial Hubble. Esta é a 14ª lua conhecida na órbita do gigante azul.

"As luas e os arcos orbitam com grande rapidez, pelo que tivemos de conceber uma maneira de seguir o seu movimento, de forma a realçarmos os detalhes do sistema", afirmou o astrónomo à NASA. Showalter estendeu a sua análise a regiões muito distantes do sistema de anéis, o que o levou a observar um pequeno ponto branco a cerca de 150 mil quilómetros de Neptuno, entre as órbitas das luas Larissa e Proteus. Para esclarecer a sua natureza, Showalter analisou, de seguida, mais de 150 imagens de arquivo obtidas pelo Hubble entre 2004 e 2009. O pequeno ponto não só reaparecia noutras imagens, como também aparentava seguir uma trajectória quase circular em redor do planeta, com um período aproximado de 23 horas.

Diagrama mostrando as órbitas de Tritão e das luas mais interiores de Neptuno, incluindo a da lua recém-descoberta.
Crédito: NASA/ESA/A. Feild (STScI).

A pequena lua foi designada provisoriamente S/2004 N1, e não terá mais de 19 quilómetros de diâmetro, o que a torna no mais pequeno corpo conhecido na órbita de Neptuno. O seu pequeno tamanho explica o facto da Voyager 2 ter falhado a sua detecção, aquando da sua passagem pelo sistema em 1989.

Sombras sobre um gigante

Saturno visto pela Cassini a 1,4 milhões de quilómetros de distância. Composição em cores naturais construída com imagens obtidas a 13 de Julho de 2013, através de filtros para o azul (463 nm), o verde (568 nm) e o vermelho (647 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição de Sérgio Paulino.

Neste fim-de-semana, a sonda Cassini esteve ocupada a monitorizar a deslocação de nuvens no hemisfério sul de Saturno. O planeta está a meio caminho entre o último equinócio, ocorrido em Agosto de 2009, e o próximo solstício, que irá ocorrer a Maio de 2017, pelo que, neste momento, parte da sua face iluminada encontra-se submersa nas sombras projectadas pelo vasto sistema de anéis que o rodeia.

Na imagem de cima, Saturno surge como um gigante aparentemente sereno. No entanto, tal aspecto é uma mera ilusão. No infravermelho próximo, o planeta exibe uma atmosfera turbulenta, com padrões que fazem lembrar as estruturas atmosféricas visíveis na face do gigante Júpiter. Vejam em baixo:

Saturno na banda do infravermelho próximo. Composição em cores falsas construída com três imagens obtidas pela Cassini a 13 de Julho de 2013, através de filtros sensíveis a diferentes graus de absorção do metano (727 nm, 752 nm e 890 nm). As cores vermelha e laranja correspondem a nuvens localizadas em camadas profundas da atmosfera. As nuvens das camadas intermédias surgem coloridas de amarelo e verde, enquanto que as nuvens mais altas e as camadas de neblina da atmosfera superior surgem tingidas de azul e branco. Os anéis aparecem coloridos de azul porque se encontram fora da atmosfera (o seu brilho não é afectado pela absorção de luz pelo metano atmosférico).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição de Sérgio Paulino.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Uma ilha em Mare Imbrium

Cratera preenchida com lava solidificada em Mare Imbrium, na Lua. Imagem obtida pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter a 31 de Maio de 2012.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

As grandes manchas escuras visíveis no lado mais próximo da Lua (os maria lunares), foram outrora mares de lava fluída criados por erupções vulcânicas no interior de gigantescas bacias de impacto. Dentro dos seus limites é ainda possível reconhecer as margens de pequenas ilhas e penínsulas, estruturas remanescentes da anterior topografia.

Na imagem de cima vemos um exemplo clássico de uma cratera de impacto parcialmente inundada, localizada no interior de Mare Imbrium, o segundo maior mare da Lua. Parte da sua parede ocidental não resistiu ao fluxo de lava, pelo que a cratera foi submersa quase na totalidade. O que restou da sua orla deu origem a uma estrutura conhecida em geologia por kipuka, a palavra havaiana que descreve áreas de terreno antigo rodeadas por escoadas lávicas. As margens desta kipuka lunar são facilmente reconhecíveis como um pequeno terraço no interior da cratera, formado pela contracção e recuo da lava durante o seu arrefecimento.

Imagem de contexto mostrando a localização desta cratera (seta azul).
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Crateras como esta são bastante interessantes porque permitem aos cientistas determinar qual a espessura aproximada das lavas basálticas que submergiram estas regiões. Esta cratera, em particular, tem cerca de 2,7 quilómetros de diâmetro, pelo que deveria ter originalmente cerca de 500 metros de profundidade. Este valor sugere que o terreno original se encontra a pouco menos de 500 metros abaixo da actual superfície.

Esta é a única kipuka preservada na região. Podem explorar os seus arredores aqui.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

New Horizons fotografa pela primeira vez a maior lua de Plutão

Plutão e Caronte, numa composição de imagens obtidas a 1 e a 3 de Julho de 2013 pelo sistema de imagem LORRI (LOng Range Reconnaissance Imager) da sonda New Horizons.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute.

A equipa da missão New Horizons divulgou hoje o primeiro retrato do sistema plutoniano obtido pela sonda da NASA. As imagens que o compõem foram captadas na semana passada, a uma distância de cerca de 880 milhões de quilómetros, e mostram os dois maiores objectos do sistema, Plutão e Caronte, perfeitamente resolvidos.

"O retrato poderá parecer pouco impressionante, mas comparado com as imagens da descoberta de Caronte a partir da Terra, parece espectacular", afirmou Hal Weaver, um dos cientistas da missão. "Estamos todos muito entusiasmados pela New Horizons nos revelar, pela primeira vez, Plutão e Caronte como dois objectos separados."

As imagens foram obtidas dias antes da comemoração do 35º aniversário do anúncio da descoberta de Caronte pelo americano James Christy. "À parte de serem uma bela proeza técnica, estas novas imagens deverão providenciar também alguma ciência interessante", disse Alan Stern, o investigador principal da missão. Neste momento, a New Horizons consegue observar Plutão e Caronte com ângulos de iluminação muito distintos dos alcançados a partir da Terra, pelo que estas observações poderão fornecer dados adicionais acerca da composição da superfície dos dois objectos.

A New Horizons fará uma passagem pelo sistema a 14 de Julho de 2015. A equipa da missão espera que a sonda atinja uma distância mínima de Plutão de apenas 12,5 mil quilómetros, o suficiente para o LORRI identificar na sua superfície estruturas com dimensões aproximadas às de um campo de futebol.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Curiosity parte em direcção ao monte Sharp

O monte Sharp visto por uma das Hazcam frontais do Curiosity. Imagem obtida a 06 de Julho de 2013 (sol 326).
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

O Curiosity iniciou na semana passada a sua longa jornada em direcção ao monte Sharp (Aeolis Mons), encerrando assim uma estadia de pouco mais de 7 meses em Glenelg. Terminada a inspecção ao seu último alvo científico na região, um afloramento de rochas sedimentares denominado Shaler, o robot da NASA partiu para uma viagem que o levará até um acesso seguro às camadas inferiores da gigantesca montanha, localizado a cerca de 8 quilómetros de distância.
O monte Sharp exibe estratos geológicos mais recentes que os encontrados em Glenelg, pelo que os cientistas da missão esperam descobrir documentados nas suas encostas registos das mudanças ambientais que transformaram o planeta vermelho no lugar inóspito que hoje conhecemos.

sábado, 6 de julho de 2013

No sopé de um gigante

A ESA publicou anteontem uma espectacular imagem do extremo sudeste de Olympus Mons, o gigantesco vulcão marciano que se eleva entre o planalto vulcânico de Tharsis e a vasta região de Amazonis Planitia. Vejam em baixo:

Flanco sudeste de Olympus Mons numa imagem obtida a 21 de Janeiro de 2013, pela sonda europeia Mars Express (cliquem aqui para verem esta imagem na sua máxima resolução).
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

Olympus Mons é a maior montanha do Sistema Solar. Erguendo-se cerca de 22 quilómetros acima das planícies circundantes, este imponente edifício vulcânico com aproximadamente 600 quilómetros de diâmetro, ultrapassa o dobro da altitude de Mauna Kea, o maior vulcão da Terra.

Tal como o seu congénere terrestre, Olympus Mons é um vulcão-escudo que deve a sua forma às escoadas de lava basáltica pouco viscosa que, ao longo de milhões de anos, fluíram pelas suas encostas. No entanto, ao contrário do que acontece noutros vulcões-escudo, os seus limites são definidos por escarpas vertiginosas que circundam toda a estrutura. Estes declives abruptos atingem nalguns locais altitudes de 9 quilómetros, e foram, provavelmente, esculpidos nos flancos do vulcão por sucessivas derrocadas catastróficas.

Perspectiva sobre o flanco sudeste de Olympus Mons obtida a 21 de Janeiro de 2013, pela sonda europeia Mars Express.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

Na imagem de cima é possível ver inúmeras escoadas de lava solidificada serpenteando ao longo das encostas até ao flanco sudeste do vulcão. Algumas destas escoadas precipitaram-se nas escarpas, formando estruturas em leque no sopé da montanha parcialmente apagadas pelos fluxos de lava mais recentes que inundaram as planícies circundantes. Ambas as unidades apresentam um número muito pequeno de crateras, o que sugere uma formação muito recente em termos geológicos.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Aprovados nomes oficiais para as duas novas luas de Plutão

Plutão e as suas cinco luas.
Crédito: NASA/ESA/M. Showalter (SETI Institute).

Foi hoje anunciada a aprovação dos nomes Cérbero e Estige para as duas luas de Plutão S/2011 P1 e S/2012 P1, também conhecidas informalmente por P4 e P5.

Os nomes tinham sido incluídos numa lista submetida a votação pública em Fevereiro passado pelo líder da equipa responsável pela sua descoberta, o astrónomo Mark Showalter. Após duas semanas de intensa participação, os nomes Vulcano e Cérbero terminaram destacados em primeiro e segundo lugar, pelo que foram escolhidos por Showalter para serem submetidos à apreciação da União Astronómica Internacional.

Infelizmente, para desgosto dos muitos fãs da série Star Trek, Vulcano não foi aceite por já ter sido usado como nome de um hipotético planeta numa órbita interior à de Mercúrio, e por não se inserir no tema usado para a nomenclatura das luas de Plutão - personagens e criaturas mitológicas associadas ao deus Plutão e ao submundo greco-romano. Em substituição, os membros do Grupo de Trabalho para a Nomenclatura dos Sistemas Planetários e do Comité para a Nomenclatura dos Pequenos Corpos da União Astronómica Internacional escolheram o nome Estige, o terceiro mais votado na lista de Showalter.

Os dois objectos foram descobertas em 2011 e 2012, em imagens obtidas pelo telescópio espacial Hubble. Cérbero tem 13 a 34 quilómetros de diâmetro, e segue uma órbita quase circular entre as luas Nix e Hidra. Estige é ligeiramente mais pequena (10 a 25 quilómetros) e viaja numa órbita mais interior, entre as luas Caronte e Nix.