terça-feira, 13 de agosto de 2013

O lado negro de Matabei

A cratera Matabei numa imagem obtida pela sonda MESSENGER a 30 de Agosto de 2011.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

A orla meridional da cratera mercuriana Matabei exibe um conjunto de raios escuros, que se projectam para sul ao longo de mais de 150 quilómetros. Raios que partem de apenas um dos lados da cratera são geralmente encontrados em crateras formadas por impactos com ângulos de incidência inferiores a 15º (vejam, por exemplo, o caso da cratera Hovnatanian). No entanto, no caso de Matabei, os raios escuros são, provavelmente, materiais escuros que se encontravam distribuídos de forma irregular nas camadas subsuperficiais, e que foram escavados e ejectados para a superfície nas primeiras fases do impacto.

Matabei possui, ainda, um interessante conjunto de cavidades, visíveis na imagem como áreas de intenso brilho na metade sul da cratera. Matabei deve o seu nome a Iwasa Matabei, um pintor japonês do século XVIII.

domingo, 11 de agosto de 2013

Passagem por Elsie Mountain

Paisagem rochosa vista pelo Curiosity a 30 de Julho de 2013 (sol 349).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/Sérgio Paulino.

O robot Curiosity usou a sua MastCam de 100 mm para obter este panorama sobre uma pequena colina na paisagem estéril de Aeolis Palus, a grande planície que separa Aeolis Mons (informalmente conhecido por Monte Sharp) da orla setentrional da cratera Gale. Denominada Elsie Montain, esta elevação encontra-se coberta por um conjunto de blocos rochosos escuros, provavelmente de natureza granítica.

Vejam todos os pormenores deste panorama em baixo:

sábado, 10 de agosto de 2013

Robot Kirobo chega à Estação Espacial Internacional

Terminaram há poucas horas as operações de acoplagem da cápsula de reabastecimento japonesa Kounotori-4 (também conhecida por HTV-4) à Estação Espacial Internacional. O veículo não tripulado foi lançado no passado dia 4 de Agosto, a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão, com o objectivo de transportar até à Estação Espacial Internacional cerca de 5,4 toneladas de mantimentos e equipamento.

Kirobo, o robot falante num teste de microgravidade.
Crédito: Kibo Robot Project.

Num dos oito compartimentos de carga da Kounotori-4 seguia um passageiro especial, o pequeno robot Kirobo. Com apenas 34 centímetros de comprimento, Kirobo foi concebido por cientistas e engenheiros da Universidade de Tóquio para conversar com o astronauta japonês Koichi Wakata, que deverá chegar à Estação Espacial Internacional no próximo mês de Novembro. O pequeno robot vem equipado com tecnologia de reconhecimento facial e de voz, e consegue interpretar emoções e responder de forma coerente em japonês.



Kirobo permanecerá na Estação Espacial Internacional até Dezembro de 2014 para testar a interacção entre humanos e robots no espaço. O seu nome resulta da contracção entre as palavras kibo, que em japonês significa "esperança", e robo, uma expressão usada genericamente no Japão para robot.

sábado, 3 de agosto de 2013

Duas luas num céu estrelado

Fobos e Deimos vistos da superfície marciana numa imagem obtida pela MastCam de 100 mm do Curiosity a 01 de Agosto de 2013.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

Foram publicadas há poucas horas as primeiras imagens de uma fabulosa sequência obtida anteontem pelo robot Curiosity a partir da superfície marciana. As imagens mostram o encontro das duas luas de Marte no céu estrelado sobre a cratera Gale.

Deimos surge na sequência como um pequeno ponto brilhante com poucos pixels de diâmetro. Fobos, no entanto, exibe algumas das estruturas mais proeminentes da sua superfície.

Na imagem de cima é possível observar a orla ocidental de Stickney, a maior cratera de Fobos, e a cratera Hall, uma bacia de impacto localizada no pólo sul, cujo nome honra o astrónomo Asaph Hall, o descobridor das duas luas marcianas.

1 ano do Curiosity em apenas 2 minutos

Estamos a apenas 3 dias do Curiosity completar 12 meses de missão na superfície do planeta vermelho. Para assinalar a data, a NASA produziu um vídeo que sumariza em 2 minutos todas as actividades do robot no interior da cratera Gale, desde a sua chegada a 6 de Agosto de 2012 até ao passado mês de Julho. O vídeo é composto por uma série de 548 imagens captadas pelas HazCam frontais. Vejam em baixo:


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Rocha fundida numa cratera lunar inclinada

A cratera Wiener F numa perspectiva oblíqua obtida pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter a 19 de Janeiro de 2013.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Wiener F é uma cratera peculiar com cerca de 47 quilómetros de diâmetro, situada no lado mais distante da Lua. Formada sobre uma cratera mais antiga, Wiener F possui uma orla setentrional muito mais baixa que a orla meridional. Uma vista em perfil mostra um desnível entre os dois extremos superior a 2 quilómetros! Tal inclinação produziu efeitos dramáticos no fluxo da rocha fundida pelo calor do impacto dentro da cratera.

Perfil sul-norte da cratera Wiener F obtido a partir de dados topográficos derivados das imagens captadas pela câmara de grande angular da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Como a água num copo inclinado, a rocha fluída gerada pelo impacto transbordou pela orla setentrional de Wiener F, alagando uma grande área no exterior da cratera. Na imagem de baixo é possível ver toda esta estrutura em pormenor, incluindo os fluxos individuais na vertente exterior e no interior do lago, estes últimos ainda activos após a camada superficial ter solidificado.

Lago de rocha fundida no exterior da cratera Wiener F.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Os cientistas usam estas formações para determinarem as condições de formação das crateras lunares. Em primeiro lugar, o volume da rocha fundida é uma importante pista para calcularem a velocidade do projéctil no momento em que este colide com a superfície lunar (maiores velocidades traduzem-se em maiores pressões e, consequentemente, em maior quantidade de energia térmica gerada pelas ondas de choque). Por outro lado, o estudo da morfologia dos lagos de rocha fundida permite estimar com relativa precisão não só a idade das crateras (através da observação do seu estado de preservação e do número de crateras formadas na sua superfície), como também o ângulo de impacto do projéctil relativamente à superfície da Lua (a partir da observação da direcção de dispersão da rocha fundida). Por fim, os lagos de rocha fundida podem ainda oferecer um vislumbre de como algumas porções da cratera se ajustaram durante a sua formação (como é o caso, por exemplo, dos lagos de rocha fundida do pico central e da orla da cratera Tycho).

Explorem toda a paisagem em redor de Wiener F aqui.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Jovem Inktomi

Reia vista pela sonda Cassini a 29 de Julho de 2013, a uma distância de 1,65 milhões de quilómetros.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Inktomi é uma das mais recentes crateras do sistema saturniano. Com cerca de 47,2 quilómetros de diâmetro, a cratera exibe o mais proeminente sistema de raios de toda a superfície reiana.

Dados obtidos pelo instrumento Visual and Infrared Mapping Spectrometer (VIMS) da Cassini mostram que os raios de Inktomi são constituídos por partículas de gelo de água sem impurezas, o que justifica o intenso brilho visível na imagem de cima. Imagens em alta resolução revelam a quase ausência de crateras no seu interior e no seu manto de ejecta, pelo que os cientistas estimam que a cratera tenha sido formada há 8 a 280 milhões de anos.

Vejam um voo virtual sobre esta impressionante estrutura aqui.