sábado, 21 de setembro de 2013

Terminou a missão Deep Impact

Impacto deliberado de um projéctil de cobre na superfície do cometa Tempel 1. Imagem obtida pela sonda Deep Impact a 04 de Julho de 2005.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UMD.

A NASA anunciou ontem o fim da missão Deep Impact/EPOXI. A decisão foi tomada depois da equipa da missão ter falhado sucessivas tentativas de reatar as comunicações com a sonda. O último contacto com a Terra tinha ocorrido no passado dia 08 de Agosto.

Durante as últimas semanas, os controladores da missão tentaram enviar por diversas vezes comandos para reactivar os sistemas de bordo. Uma análise anterior tinha revelado uma potencial anomalia no relógio do computador da Deep Impact, um problema que poderia comprometer a orientação da sonda no espaço, impedindo o correcto posicionamento das antenas de rádio e dos painéis solares.

"Apesar do final inesperado, a Deep Impact alcançou muito mais do que havíamos alguma vez imaginado", disse Lindsey Johnson, responsável do projecto Deep Impact, na conferência de imprensa de ontem na sede da NASA. "A Deep Impact deu uma volta completa a tudo aquilo que pensávamos saber acerca de cometas, e também providenciou um tesouro de ciência planetária adicional que fornecerá dados de investigação por muitos anos."

Em quase 9 anos, a Deep Impact percorreu cerca de 7,58 mil milhões de quilómetros no espaço interplanetário, uma viagem que teve como momentos altos as passagens a curta distância dos cometas Tempel 1, em 2005, e Hartley 2, em 2010. Pelo caminho, a sonda observou, ainda, seis estrelas diferentes para confirmar a presença de planetas na sua órbita, e recolheu dados e imagens da Terra, da Lua, de Marte e dos cometas C/2009 P1 (Garradd) e ISON.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Estranhas texturas nos glaciares marcianos

"Terreno-cérebro" visto pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, a 23 de Agosto de 2013 (resolução da imagem original: 30,3 cm/pixel).
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Esta imagem obtida recentemente pela Mars Reconaissance Orbiter mostra a intrincada textura que adorna o sopé de uma pequena colina, na região setentrional de Arabia Terra, em Marte. Apelidados de "terreno-cérebro", estes estranhos padrões são observados com frequência na superfície de estruturas lobadas, constituídas quase na totalidade por gelo puro.

Os cientistas desconhecem, ainda, se estes depósitos se comportam como os glaciares terrestres. Tal conhecimento seria um importante contributo para a compreensão do clima marciano e da sua evolução ao longo do tempo. Os padrões visíveis na imagem poderão estar relacionados com o fluxo do gelo, mas não existe ainda uma explicação definitiva para este fenómeno.

Podem ler mais sobre estas texturas glaciares aqui.

sábado, 14 de setembro de 2013

Aram Chaos criado pelo colapso catastrófico de um lago gelado

Representação artística do colapso catastrófico responsável pela formação de Aram Chaos.
Crédito: Faculdade de Geociências, Universidade de Utrecht.

Um grupo de cientistas europeus liderados por Manuel Roda da Universidade de Utrecht descobriu evidências da fusão e drenagem catastróficas de um gigantesco lago gelado subterrâneo em Aram Chaos, uma depressão circular com 280 km de diâmetro, situada a leste de Valles Marineris, em Marte. O estudo combinou observações realizadas pela sonda Mars Express com modelos que explicam os processos de fusão de extensas massas de gelo subterrâneas.

Os terrenos caóticos são unidades geológicas complexas distintivas do planeta vermelho. Com dimensões que podem atingir as centenas de quilómetros, estas vastas estruturas apresentam uma geomorfologia típica que inclui superfícies irregulares com mesas elevadas, colinas de variados tamanhos e profundas depressões. Os mecanismos envolvidos na sua formação são ainda alvo de debate científico.

Aram Chaos é uma estrutura particularmente interessante porque se encontra ligada a Ares Vallis por um canal cavado com 15 km de largura e 2,5 km de profundidade. Dados providenciados pela câmara HRSC da sonda Mars Express sugerem que o terreno caótico de Aram Chaos era originalmente uma grande cratera de impacto, que foi preenchida quase na totalidade, antes de ocorrerem os eventos catastróficos responsáveis pela sua actual morfologia.

Mapa topográfico da região de Aram Chaos. É possível ver à direita o canal que liga a cratera a Ares Vallis.
Crédito: Faculdade de Geociências, Universidade de Utrecht.

"À cerca de 3,5 mil milhões de anos, a jovem cratera de impacto Aram foi parcialmente preenchida com gelo de água, que [por sua vez] foi sepultado por baixo de uma camada de sedimentos com 2 quilómetros de espessura", afirmou ontem Manuel Roda no Congresso Europeu de Ciência Planetária, em Londres. "Esta camada isolava o gelo das temperaturas da superfície, mas foi gradualmente fundido durante um período de milhões de anos pelo calor libertado pelo planeta. Os sedimentos que cobriam a água fluída ficaram instáveis e colapsaram."

O resultado deste processo foi a libertação massiva de cem mil quilómetros cúbicos de água, o equivalente a quatro vezes o volume de água do Lago Baikal, o maior lago de água doce da Terra. Em apenas um mês, a revoltosa massa de água rasgou o canal profundo que liga a cratera a Ares Vallis, deixando para trás o padrão caótico que hoje observamos em Aram Chaos.

"Uma consequência entusiasmante é que as unidades de gelo e rocha estão ainda, possivelmente, presentes abaixo da superfície", disse Roda. "Estas nunca atingiram as condições de fusão, ou derreteram em apenas uma fina camada, insuficiente para resultar num evento catastrófico completo. Os lagos gelados subsuperficiais são um testemunho das rápidas alterações que transformaram Marte num planeta gelado (...). Estes lagos poderão providenciar locais potencialmente favoráveis para a vida, protegidos da radiação ultravioleta nociva da superfície."

Podem ler mais sobre este trabalho aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Espectacular fotografia: rã lançada com a sonda LADEE

Rã elevando-se no ar no momento da partida da sonda lunar LADEE.
Crédito: NASA Wallops Flight Facility/Chris Perry.

Uma câmara remota captou uma imagem intrigante durante o lançamento da LADEE, no passado dia 6 de Setembro. A imagem mostra uma rã a ser projectada no ar pela descolagem do foguetão Minotaur V que transportava a sonda lunar.

A NASA já confirmou que a fotografia é genuína, e que não sofreu qualquer manipulação. O destino da rã permanece incerto.

As instalações da NASA na ilha de Wallops, na Virginia, situam-se numa área pantanosa, onde habitam uma variedade de espécies animais, incluindo os simpáticos anuros. A plataforma onde foi lançado o foguetão com a sonda LADEE está ligada a um reservatório de água, que alimenta a estrutura durante os lançamentos para protegê-la de danos e suprimir o intenso ruído produzido pelos foguetões. Aparentemente, a pequena rã deverá ter julgado que este seria o local ideal para levar uma vida sem sobressaltos.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Um olhar sobre o hemisfério norte de Dione

Dione numa composição em cores naturais construída com imagens obtidas pela sonda Cassini a 10 de Setembro de 2013, através de filtros para as cores azul, verde e vermelho.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

A Cassini realizou anteontem uma observação distante do hemisfério norte de Dione, a quarta maior lua de Saturno. A imagem de cima foi obtida nessa sessão e mostra toda a extensão de Padua Chasmata e Eurotas Chasmata, dois complexos sistemas de desfiladeiros visíveis do lado direito, e a região do pólo norte dioniano, visível no lado esquerdo, entre as duas crateras degradadas Phorbas e Haemon e o extremo setentrional de Tibur Chasmata.

3200 Faetonte: um asteróide com dupla personalidade

Faetonte e a sua cauda, numa imagem obtida pelo instrumento SECCHI HI do observatório STEREO-A.
Crédito: Jewitt, Li, Agarwal /NASA/STEREO.

3200 Faetonte revelou, recentemente, a sua natureza única, ao exibir uma cauda semelhante à dos cometas. Imagens obtidas pelo observatório STEREO-A, nas proximidades do periélio, mostram um fluxo de partículas de poeira a serem projectadas do asteróide na direcção anti-solar. Estas observações e as respectivas interpretações foram apresentadas ontem pelo astrónomo David Jewitt no Congresso Europeu de Ciência Planetária 2013, em Londres.

Faetonte é um asteróide com cerca de 5 quilómetros de diâmetro, pertencente ao grupo Apolo (objectos com órbitas que cruzam a órbita da Terra), e um membro provável da família Palas, asteróides carbonáceos primitivos ricos em compostos orgânicos voláteis. Com uma órbita extremamente alongada, Faetonte atravessa com regularidade as órbitas dos quatro planetas interiores do Sistema Solar (Mercúrio, Vénus, Terra e Marte), atingindo o periélio a apenas 0,140 UA. A tão curta distância do Sol, a superfície do asteróide aquece até temperaturas próximas dos 750ºC.

Os astrónomos cedo se aperceberam que a órbita de Faetonte está dinamicamente associada aos enxames de meteoróides progenitores das Geminidas, e a um grupo de pequenos asteróides conhecido por Complexo Faetonte-Geminidas (CFG). As Geminidas ocorrem anualmente em Dezembro, e contam-se entre as mais espectaculares chuvas de estrelas observadas nos céus terrestres. A maioria das chuvas de estrelas têm uma origem cometária, mais concretamente na perda de massa pelo núcleo cometário, através da sublimação do gelo das camadas mais superficiais. Faetonte é dinamicamente um asteróide, o que levanta questões quanto aos mecanismos envolvidos na formação dos enxames de meteoróides responsáveis pelas Geminidas.

Geminidas sobre Pendleton, no Oregon, EUA.
Crédito: Thomas W. Earle.

Duas décadas de observações passaram sem qualquer indício de actividade em Faetonte, que pudesse esclarecer o mistério das Geminidas. A sorte mudou, porém, em 2010, quando Jewitt e colegas notaram um aumento anómalo do brilho do asteróide nas proximidades do Sol. A chave do sucesso foi usar o STEREO-A, um observatório espacial que monitoriza o Sol, para realizar observações impossíveis de concretizar com outros telescópios. Imagens obtidas em 2009 e 2012 confirmaram a presença de uma cauda em Faetonte, nas proximidades do periélio.

"A cauda dá-nos evidências incontestáveis que Faetonte ejecta poeira", afirmou Jewitt. "Isso deixa ainda uma questão: porquê? Os cometas fazem-no porque contêm gelo que vaporiza pela acção do calor do Sol, criando um vento que sopra partículas de poeira do núcleo. A passagem de Faetonte mais próxima do Sol é equivalente a apenas 14% da distância média entre a Terra e o Sol (1 UA). Isso significa que Faetonte atingirá temperaturas superiores a 700ºC - demasiado quente para o gelo sobreviver."

A equipa sugere que as partículas de poeira da cauda poderão ser libertadas a partir de fracturas na superfície de Faetonte formadas pelo stress térmico a que o asteróide é sujeito no periélio. Estas partículas não terão mais de 2 µm de diâmetro, pelo que sofrem rapidamente a influência da pressão de radiação exercida pela luz solar, projectando-se no espaço sob a forma de uma cauda anti-solar.

Será, então, Faetonte um cometa ou um asteróide? "Pela forma da sua órbita, Faetonte é definitivamente um asteróide", disse Jewitt. "Porém, ao ejectar poeira, comporta-se como um cometa de rocha."

Podem ler mais sobre este trabalho aqui.

sábado, 7 de setembro de 2013

LADEE a caminho da Lua

Lançamento da sonda LADEE, esta madrugada.
Crédito: NASA/Chris Perry.

Eram 04:27 (hora de Lisboa) quando a NASA concretizou o lançamento da sonda LADEE, a partir das Instalações de Voo de Wallops, na Virgínia. De acordo com a equipa da missão, a sonda completou com sucesso a separação do foguetão Minotaur V, e encontra-se neste momento a comunicar com o centro de operações da missão, no Centro de Investigação de Ames,em Moffett Field, na Califórnia.

Vejam em baixo o vídeo do lançamento:



Durante as verificações técnicas, a LADEE desactivou as suas rodas de reacção, dispositivos usados para posicionar e estabilizar a sonda. "A sonda LADEE está a funcionar de acordo com o que seria esperado nestas condições - não existe qualquer indicação de algo errado com as rodas de reacção ou com a sonda", afirmou Simon P. Worden, director do Centro de Investigação de Ames. "A LADEE está a comunicar e é muito robusta. A equipa da missão tem muito tempo para resolver este problema, antes da sonda atingir a órbita lunar."

A situação está, neste momento, sob escrutínio. Normalmente, as verificações técnicas levam alguns dias até estarem concluídas. Esta anomalia deverá adicionar mais alguns dias ao procedimento. "Este não é um evento invulgar numa sonda" disse Worden. "Planeamos completar as verificações da sonda nos próximos dias."