domingo, 29 de setembro de 2013

Espectacular vista sobre Reiner Gama

Formação de Reiner Gama vista pela Lunar Reconnaissance Orbiter, a 04 de Julho de 2013.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Reiner Gama é um redemoinho lunar com centenas de quilómetros de comprimento, situado a norte da cratera Reiner, em Oceanus Procellarum. A imagem de cima mostra a porção central desta formação, vista num ângulo de 58º a partir da vertical, numa perspectiva semelhante à de um astronauta sobrevoando a superfície lunar.

Os redemoinhos lunares são faixas sinuosas de terreno brilhante sem relação aparente com a topografia local. A maioria destas formações ocorre em regiões com anomalias magnéticas, o que sugere um papel importante dos campos magnéticos na sua formação.

Podem ler mais sobre estas enigmáticas estruturas aqui.

sábado, 28 de setembro de 2013

Teria sido a Terra nos seus primórdios semelhante a Io?

Io vista pela Voyager 1, a 04 de Março de 1979.
Crédito: NASA/JPL/Ted Stryk.

Um trabalho publicado anteontem na revista Nature sugere que a Terra foi, na sua infância, muito semelhante a Io, a lua vulcânica de Júpiter. O novo estudo descreve como terão ocorrido transferências de calor do interior do planeta para a superfície, num período em que a crusta terrestre tinha já solidificado, mas não dispunha ainda de placas tectónicas.

A Terra formou-se há cerca de 4,5 mil milhões de anos, a partir de violentas colisões entre fragmentos proto-planetários. Na altura, o calor gerado por estes eventos foi suficiente para derreter grande parte do interior do jovem planeta, o que criou as condições necessárias à segregação de um denso núcleo metálico. A formação do núcleo terrestre promoveu a libertação de mais calor, e a concentração de elementos radioactivos no centro do planeta assegurou que a fornalha interior permaneceria quente por muito tempo.

Restam apenas alguns cristais das rochas formadas nessa época remota, o Hadeano. As primeiras rochas completas presentes nos registos geológicos datam da era seguinte, o Arqueano, um éon que teve o seu início há 4 mil milhões de anos. Contra todas as expectativas, estas rochas revelam que a crusta continental dessa época não era mais quente que a crusta terrestre dos nossos dias. Esta aparente contradição é conhecida por "paradoxo do Arqueano".

Como conseguia, então, a Terra livrar-se do intenso calor interno? William Moore e Alexander Webb encontraram uma solução para este problema. Os dois investigadores americanos criaram um modelo simples e elegante, que explica como o calor interno do planeta escapou pela crusta através de tubos de calor.

Em termos práticos, os tubos de calor são buracos na litosfera de um planeta preenchidos por materiais pouco consistentes. O magma quente ascende com rapidez através destas condutas e flui na superfície sob a forma de lava, o que permite que o calor interno se escape directamente para o espaço, num mecanismo muito semelhante ao que ocorre na lua joviana Io.

De acordo com Moore e Webb, na primeira metade do Arqueano, ter-se-ão formado tantos tubos de calor na litosfera da jovem Terra, que a superfície terrestre acabou por ficar coberta por sucessivas camadas de lava, a uma taxa de 1 a 2 milímetros de espessura por ano. A constante acumulação de materiais na superfície teve como consequência o afundamento gradual da crusta, e a reposição desses materiais no manto. Este mecanismo terá sido suficiente para extrair o calor do interior do planeta, e suprimir por completo a formação de placas tectónicas durante os primeiros mil milhões de anos de existência da Terra.

Há cerca de 3,5 mil milhões de anos, a Terra tornou-se fria o suficiente para que as placas tectónicas assumissem o controlo, e moldassem a face do planeta até aos dias de hoje.

A teoria de Moore e Webb é consistente com o registo geológico da época, que é dominado por rochas vulcânicas formadas a grande profundidade, exibindo sinais de interacção com a água e sedimentos da superfície.

Podem ler mais sobre este trabalho aqui e aqui.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Uma vista oblíqua sobre Hokusai

A cratera Hokusai vista pela sonda MESSENGER a 17 de Setembro de 2013.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

Esta imagem obtida recentemente pela sonda MESSENGER mostra Hokusai, uma jovem cratera com cerca de 114 quilómetros de diâmetro. Localizada no hemisfério norte de Mercúrio, Hokusai distingue-se entre outras crateras de dimensões semelhantes pelo seu proeminente sistema de raios, alguns dos quais com quase 1.000 quilómetros de extensão.

domingo, 22 de setembro de 2013

Missão Curiosity: novos resultados sugerem ausência de metano na atmosfera marciana

Auto-retrato do robot Curiosity na cratera Gale, obtido pela câmara MAHLI a 03 de Fevereiro de 2013 (sol 177 da missão).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

Dados obtidos pelo robot Curiosity revelaram uma ausência praticamente total de metano na atmosfera do planeta vermelho. Estes resultados surpreenderam os investigadores da missão porque, aparentemente, contradizem leituras obtidas por outras missões a partir da órbita marciana.

A presença de metano na atmosfera de Marte é uma questão de grande interesse para os cientistas. Na Terra, o metano tem origem tanto em fenómenos geológicos, como também em processos biológicos.

"Este importante resultado irá ajudar-nos a direccionar os esforços na determinação da possibilidade de vida em Marte", disse Michael Meyer, investigador responsável pelo programa de exploração do planeta vermelho da NASA. "Reduz a probabilidade da presença de micróbios marcianos produtores de metano, mas diz apenas respeito a este tipo de metabolismo microbiano. Como sabemos, existem muitos tipos de micróbios terrestres que não geram metano."

O Curiosity mediu por seis vezes a concentração de metano em amostras da atmosfera marciana, no período compreendido entre Outubro de 2012 e Junho deste ano. Em nenhuma das vezes, o robot detectou a sua presença. Dada a elevada sensibilidade do instrumento usado, o espectrómetro laser sintonizável que segue a bordo do robot, os cientistas calculam que a concentração de metano atmosférico em Marte não deverá ultrapassar as 1,3 partes por milhar de milhão. Este valor corresponde a cerca de um sexto de algumas das estimativas anteriores.

"Teria sido emocionante encontrar metano, mas nós temos grande confiança nas nossas medições, e o progresso na expansão do conhecimento é o que é realmente importante", afirmou Chris Webster, o primeiro autor do artigo publicado na revista Science onde são apresentados estes resultados. "Fizemos medições repetidas, desde a Primavera marciana até ao fim do Verão, mas sem qualquer detecção de metano."

O espectrómetro usado nas medições é parte integrante do laboratório Sample Analysis at Mars (SAM), e pode ser especificamente programado para detectar quantidades vestigiais de metano. O SAM tem, ainda, a capacidade de concentrar o metano das amostras, o que aumenta a sensibilidade do espectrómetro laser sintonizável na sua detecção. No futuro, a equipa responsável pelo SAM irá usar este método para detectar concentrações muito inferiores a 1 parte por milhar de milhão.

Resultados anteriores sugeriam a presença de concentrações localizadas de metano atmosférico com valores que atingiam as 45 partes por milhar de milhão. Esta descoberta despoletou o interesse dos cientistas pela possibilidade de uma origem biológica para o metano detectado. No entanto, as medições do Curiosity não são consistentes com tais concentrações, mesmo se o metano se tivesse, entretanto, dispersado por todo o planeta.

"Não existe nenhum processo conhecido que levasse o metano a desaparecer com rapidez da atmosfera", disse Sushil Atreya, um dos co-autores deste trabalho. "O metano é persistente. Duraria por centenas de anos na atmosfera marciana. Sem uma forma de o remover com rapidez da atmosfera, as nossas medições indicam que não pode haver muito metano a ser libertado na atmosfera por qualquer mecanismo, quer seja biológico, geológico, ou por degradação pela acção da radiação ultravioleta em compostos orgânicos levados pela queda de meteoritos ou de partículas de poeira interplanetária."

Baseado nos resultados do Curiosity, Atreya estima que, anualmente, não entram mais de 10 a 20 toneladas de metano na atmosfera do planeta vermelho. Este valor corresponde a apenas 1/500.000.000 do aporte anual de metano na atmosfera terrestre.

Podem encontrar mais pormenores deste trabalho aqui.

Começa hoje o Outono

Pôr-do-sol no Guincho, junto a Cascais, no dia 21 de Setembro de 2013. Nos dias próximos dos equinócios, o Sol põe-se directamente na direcção oeste.
Crédito: Sérgio Paulino.

Ocorre hoje, pelas 21:44 (hora de Lisboa), o equinócio de Outono, o momento em que o Sol, no seu movimento aparente anual, cruza o equador celeste em direcção a Sul. Este instante marca o início do Outono no hemisfério norte, uma estação que este ano se prolonga por 90,85 dias, até ao próximo solstício, que ocorrerá no dia 21 de Dezembro, pelas 17:11 (hora de Lisboa).

A palavra equinócio deriva da expressão latina aequus nox, que significa "noite igual ao dia", uma alusão ao facto de nestas datas dia e noite terem igual duração.

sábado, 21 de setembro de 2013

Terminou a missão Deep Impact

Impacto deliberado de um projéctil de cobre na superfície do cometa Tempel 1. Imagem obtida pela sonda Deep Impact a 04 de Julho de 2005.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UMD.

A NASA anunciou ontem o fim da missão Deep Impact/EPOXI. A decisão foi tomada depois da equipa da missão ter falhado sucessivas tentativas de reatar as comunicações com a sonda. O último contacto com a Terra tinha ocorrido no passado dia 08 de Agosto.

Durante as últimas semanas, os controladores da missão tentaram enviar por diversas vezes comandos para reactivar os sistemas de bordo. Uma análise anterior tinha revelado uma potencial anomalia no relógio do computador da Deep Impact, um problema que poderia comprometer a orientação da sonda no espaço, impedindo o correcto posicionamento das antenas de rádio e dos painéis solares.

"Apesar do final inesperado, a Deep Impact alcançou muito mais do que havíamos alguma vez imaginado", disse Lindsey Johnson, responsável do projecto Deep Impact, na conferência de imprensa de ontem na sede da NASA. "A Deep Impact deu uma volta completa a tudo aquilo que pensávamos saber acerca de cometas, e também providenciou um tesouro de ciência planetária adicional que fornecerá dados de investigação por muitos anos."

Em quase 9 anos, a Deep Impact percorreu cerca de 7,58 mil milhões de quilómetros no espaço interplanetário, uma viagem que teve como momentos altos as passagens a curta distância dos cometas Tempel 1, em 2005, e Hartley 2, em 2010. Pelo caminho, a sonda observou, ainda, seis estrelas diferentes para confirmar a presença de planetas na sua órbita, e recolheu dados e imagens da Terra, da Lua, de Marte e dos cometas C/2009 P1 (Garradd) e ISON.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Estranhas texturas nos glaciares marcianos

"Terreno-cérebro" visto pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, a 23 de Agosto de 2013 (resolução da imagem original: 30,3 cm/pixel).
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Esta imagem obtida recentemente pela Mars Reconaissance Orbiter mostra a intrincada textura que adorna o sopé de uma pequena colina, na região setentrional de Arabia Terra, em Marte. Apelidados de "terreno-cérebro", estes estranhos padrões são observados com frequência na superfície de estruturas lobadas, constituídas quase na totalidade por gelo puro.

Os cientistas desconhecem, ainda, se estes depósitos se comportam como os glaciares terrestres. Tal conhecimento seria um importante contributo para a compreensão do clima marciano e da sua evolução ao longo do tempo. Os padrões visíveis na imagem poderão estar relacionados com o fluxo do gelo, mas não existe ainda uma explicação definitiva para este fenómeno.

Podem ler mais sobre estas texturas glaciares aqui.