sexta-feira, 25 de outubro de 2013

SDO observa um rasgão na superfície do Sol

No dia 29 de Setembro, o Sol exibiu-nos uma pequena amostra do seu imenso poder. Pelas 22:40 (hora de Lisboa), um filamento de matéria solar com mais de 300 mil quilómetros de comprimento elevou-se da superfície do Sol, deixando para trás o que aparenta ser um gigantesco desfiladeiro de plasma escaldante.

Vejam em baixo as espectaculares imagens deste evento captadas pelo Solar Dynamics Observatory:



A erupção do filamento arremessou violentamente para o espaço dezenas a centenas de milhões de toneladas de hidrogénio super-aquecido, o que deu origem a uma ejecção de massa coronal que atingiu a Terra dias depois. Na superfície ficou um emaranhado de arcos magnéticos formados por plasma quente movimentando-se ao longo das linhas do campo magnético solar, entretanto, restabelecidas sobre o local.

O mesmo filamento observado de outro ângulo, pelo observatório STEREO-A. Imagem obtida pelo instrumento SECCHI a 29 de Setembro de 2013.
Crédito: NASA/STEREO/Helioviewer.

Cassini observa terrenos invulgares nas margens dos mares e lagos das latitudes boreais de Titã

Variações na composição da superfície da região do pólo norte de Titã, num mosaico construído com imagens obtidas pelo instrumento VIMS da Cassini, a 12 de Setembro de 2013.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona/University of Idaho.

Com a aproximação do Verão no hemisfério norte de Titã, os lagos e mares de metano e etano da região do pólo norte, estão agora, finalmente, ao alcance dos sensores remotos de infravermelhos da sonda Cassini. Imagens obtidas recentemente por estes instrumentos mostram que muitas destas superfícies líquidas encontram-se rodeadas por materiais brilhantes nunca antes vistos noutras regiões da lua de Saturno.

Titã é o único objecto conhecido, além da Terra, com massas líquidas estáveis na sua superfície. A grande maioria reside na região do pólo norte, acima dos 55º de latitude. Mapeada em grande parte pelo radar da Cassini, esta região apenas tinha sido examinada de forma parcial e pouco detalhada pelas câmaras do subsistema de imagem e pelo espectrómetro de infravermelhos VIMS (Visual and Infrared Mapping Spectrometer).

A recente combinação da chegada da luz solar às latitudes mais setentrionais, de condições atmosféricas excepcionais na região do pólo norte, e de trajectórias polares com geometrias de observação muito favoráveis, vieram, no entanto, proporcionar à Cassini, nos últimos meses, uma visão sem precedentes dos inúmeros lagos e dos grandes mares presentes nesta região.

"A observação realizada pelo VIMS dá-nos uma visão holística de uma área que antes apenas tínhamos observado em pedaços e em baixa resolução", afirmou à NASA Jason Barnes, um dos cientistas da equipa responsável pelo instrumento da Cassini. "Parece que o pólo norte de Titã é ainda mais interessante do que pensávamos, com uma complexa interacção de líquidos em lagos e mares, e depósitos deixados pela evaporação de antigos lagos e mares."

Os mares e alguns lagos do pólo norte de Titã, numa imagem de infravermelho obtida pela Cassini, a 12 de Setembro de 2013.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI/JHUAPL/University of Arizona.

As novas imagens de infravermelho obtidas pelo VIMS revelam a presença de faixas de terreno brilhantes nas margens dos lagos e mares da região do pólo norte titaniano, semelhantes às identificadas há dois anos nos leitos secos de antigos lagos localizados a sul de Ligeia Mare. Os dados sugerem que estas áreas não são mais do que materiais depositados por processos semelhantes aos responsáveis pela formação dos evaporitos encontrados em planícies salgadas na Terra.

A presença destas unidades brilhantes numa região onde se concentram a grande maioria das massas líquidas de Titã sugere que esta é uma área com uma geologia única em toda superfície da lua de Saturno. A morfologia distintiva dos lagos, com silhuetas circulares recortadas e margens inclinadas, tem levado os cientistas a propor diversas explicações para a sua formação. Contam-se entre as mais vulgares o colapso de antigas caldeiras vulcânicas, e a presença na região de terrenos cársicos, versões extraterrestres dos terrenos que estão na origem das belas paisagens observadas, por exemplo, na costa dálmata, na Croácia.

"Desde que os lagos e mares foram descobertos, que nos temos questionado porque se concentram eles nas latitudes mais setentrionais", disse Elizabeth Turtle, cientista da equipa de imagem da missão. "Portanto, verificar que existe algo de especial relativo à superfície nesta região é uma grande pista que nos ajuda a limitar as possíveis explicações."

"A região dos lagos setentrionais de Titã é uma das regiões mais parecidas com a Terra e intrigantes do Sistema Solar", afirmou Linda Spilker, cientista do projecto Cassini. "Sabemos que aqui os lagos mudam com as estações, e a longa missão da Cassini em Saturno dá-nos também a oportunidade de observar as mudanças das estações em Titã. Agora que o Sol brilha no norte e nós temos estas maravilhosas observações, podemos começar a comparar os diferentes conjuntos de dados, e a desvendar o que os lagos de Titã estão a fazer na região do pólo norte."

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

1000 exoplanetas em duas décadas

Exoplanetas confirmados até ao dia 22 de Outubro de 2013.
Crédito:PHL/adaptado por Sérgio Paulino.

Foi ontem ultrapassada a marca dos 1000 exoplanetas confirmados. A lista de planetas extra-solares conta agora com 1010 objectos confirmados, distribuídos em 759 sistemas planetários. Ficam, ainda, a aguardar confirmação mais de 3500 candidatos.

A primeira descoberta de um sistema planetário extra-solar ocorreu em 1992, no Observatório de Arecibo. Constituído por dois pequenos objectos na órbita de um pulsar, este sistema era diferente de tudo aquilo que os cientistas imaginavam. Localizados na órbita de um remanescente de uma violenta supernova, os dois estranhos mundos formaram-se, provavelmente, após a catástrofe, a partir da agregação das cinzas de uma antiga companheira estelar. A esta fabulosa descoberta seguiu-se a detecção dos primeiros exoplanetas na órbita de estrelas semelhantes ao Sol, em 1995.

Apesar de ser um marco assinalável, alcançado em apenas 20 anos, este número corresponde apenas a uma ínfima fracção do total de planetas que existirão na órbita dos milhares de milhões de estrelas que povoam a Galáxia. Os próximos anos irão trazer-nos, certamente, uma melhor compreensão das características destes mundos, bem como novas e inesperadas descobertas.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Terra vista pela Juno

O nosso planeta numa imagem obtida pela sonda Juno, a 09 de Outubro de 2013.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Malin Space Science Systems.

No dia 09 de Outubro, a sonda Juno passou a cerca de 561 quilómetros da superfície terrestre, uma manobra que lhe proporcionou o impulso gravitacional necessário para alcançar a órbita de Júpiter dentro de 21 meses. Durante este breve regresso a casa, a sonda da NASA esteve ocupada a testar a maioria dos seus instrumentos científicos, incluindo a JunoCam, uma pequena câmara de grande angular desenhada para observar os intrincados padrões da atmosfera joviana.

A imagem de cima foi obtida pela JunoCam, minutos antes da Juno atingir o ponto mais próximo da Terra. Na imagem podemos reconhecer grande parte do continente sul-americano, em particular, os contornos da cadeia montanhosa dos Andes, as pampas argentinas, e os meandros do Rio Paraná, e de três dos seus maiores afluentes, os rios Paranapanema, Tietê e Grande.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Espectacular mosaico de Saturno

Recordam-se da imagem de Saturno que aqui publiquei no passado Domingo? Na altura, expliquei que a composição era apenas uma pequena fracção de um mosaico que incluía um total de 36 imagens.

Construir mosaicos com as imagens da Cassini não é tarefa fácil. Tipicamente, a sonda viaja a uma velocidade entre 3 a 10 km.s-1 relativamente aos seus alvos, o que produz uma notória mudança de perspectiva entre os diferentes enquadramentos de um mosaico. Esta particularidade leva a que seja extremamente difícil alinhá-los na perfeição.

Felizmente, o croata Gordan Ugarkovic abraçou este desafio, e deu-nos a conhecer o que é provavelmente o mais belo retrato de sempre do planeta dos anéis. Vejam em baixo:

Saturno visto pela Cassini, a 10 de Outubro de 2013.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Gordan Ugarkovic.

Na imagem podemos apreciar detalhes incríveis na atmosfera e nos anéis do planeta. Na altura, a Cassini pairava sobre o pólo norte de Saturno, a uma distância de aproximadamente 1,5 milhões de quilómetros, o que lhe oferecia uma ampla visão sobre o hemisfério norte do planeta e o lado iluminado do sistema de anéis.

Nesta perspectiva, é possível observar toda a extensão do vórtice do pólo norte, uma bizarra tempestade com uma forma hexagonal, bem como o subtil bandeamento que ornamenta a alta atmosfera nas latitudes inferiores. O sistema de anéis surge destacado de Saturno, iluminando com o seu intenso brilho o lado nocturno do planeta.

Podem admirar todos os pormenores deste magnífico retrato aqui.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Recuperado enorme fragmento do meteorito de Chelyabinsk

Grande fragmento do meteorito de Chelyabinsk recuperado hoje do fundo do lago Chebarkul.
Crédito: IA Novosti / Aleksandr Kondratuk.

Mergulhadores russos recuperaram esta manhã o que aparenta ser o maior fragmento do objecto que em Fevereiro passado explodiu sobre a cidade de Chelyabinsk, nos montes Urais. O fragmento tinha sido encontrado no início de Setembro, enterrado numa espessa camada de sedimentos no fundo do lago Chebarkul, a uma profundidade de cerca de 20 metros.

"O exame preliminar... mostra que este é realmente uma fracção do meteorito de Chelyabinsk", afirmou à agência noticiosa Interfax Sergey Zamozdra, professor da Universidade Estatal de Chelyabinsk. "Tem uma espessa crusta de fusão; são claramente visíveis sinais de oxidação; e tem um grande número de indentações. Este pedaço é provavelmente um dos dez maiores fragmentos de meteoritos alguma vez descobertos."

Logo após ter sido retirado das águas lodosas do lago, o fragmento foi içado para cima de uma balança, uma operação que imediatamente correu mal. Depois de se fracturar em três pedaços, o pesado meteorito acabou por partir a balança no momento em que esta marcava 570 kg.

O objecto foi, entretanto, transportado para um museu de história natural local, para ser analisado.

domingo, 13 de outubro de 2013

Sobrevoando o pólo norte de Saturno

Saturno em cores naturais, numa composição de imagens obtidas pela sonda Cassini a 10 de Outubro de 2013, através de filtros para o azul, o verde e o vermelho.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

A sonda Cassini obteve na passada quinta-feira um conjunto de 36 imagens que farão parte de um mosaico onde será possível contemplar Saturno e o seu sistema de anéis em cores naturais. O mosaico foi captado no âmbito do programa Cassini Scientist for a Day, um programa da NASA que possibilita aos estudantes americanos do ensino secundário escolherem alvos no sistema saturniano para a Cassini fotografar.

A composição de cima foi construída com três imagens dessa sessão e mostra os padrões de nuvens que adornam o hemisfério norte do planeta. No canto superior esquerdo é possível ver parte do gigantesco vórtice que paira sobre o pólo norte.