sábado, 16 de novembro de 2013

Sobrevoando os Alpes lunares

Perspectiva oblíqua sobre uma porção dos Montes Alpes. Imagem obtida pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, a 04 de Dezembro de 2011.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Os canais vulcânicos contam-se entre as mais fascinantes formações geológicas actualmente presentes na Lua. Com comprimentos que podem ultrapassar os 100 quilómetros, estas estruturas são geralmente criadas pela acção erosiva dos fluxos de lava na superfície lunar, através de uma combinação de processos mecânicos e térmicos. Alguns dos canais vulcânicos da Lua aprentam, no entanto, terem sido formados pelo colapso de secções de antigos tubos de lava.

Na imagem de cima podemos ver um canal vulcânico sinuoso serpenteando ao longo de um vale nos Montes Alpes. Baptizada pelo astrónomo polaco Johannes Hevelius, esta cadeia montanhosa estende-se desde a cratera Platão até aos Montes Caucasus, formando parte do limite nordeste de Mare Imbrium.

Imagem de contexto mostrando grande parte desta cadeia montanhosa lunar. A imagem estende-se por cerca de 500 quilómetros e encontra-se centrada a 49,397 °N de latitude e 358,731 °E de longitude. O rectângulo vermelho assinala a região visível na primeira imagem.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Os Montes Alpes foram formados pelo impacto que originou a bacia de Mare Imbrium. A sua montanha mais alta, Mons Blanc, eleva-se a sul de Vallis Alpes, a cerca de 3.600 metros de altitude.

Podem explorar esta maravilhosa paisagem aqui.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Cometas Encke e ISON observados a partir de Mercúrio

O cometas C/2012 S1 (ISON) e 2P/Encke estão a poucos dias de atingirem o periélio das suas órbitas, pelo que, neste momento, se encontram a curta distância da órbita de Mercúrio. Recentemente, a equipa da missão MESSENGER aproveitou esta proximidade ao mais pequeno planeta do Sistema Solar para obter imagens dos dois objectos em três dias distintos.

Imagens dos cometas Encke e ISON obtidas pela sonda MESSENGER entre os dias 6 e 11 de Novembro de 2013. As estrelas mais brilhantes estão marcadas com um circulo verde, enquanto que os dois cometas estão assinalados por dois sinais de cor amarela.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington/Southwest Research Institute.

"Estamos radiantes por termos detectado o cometa ISON", afirmou Ron Vervack, o responsável pelo papel da MESSENGER na campanha de observação do cometa orquestrada pela NASA. "O brilho do cometa não aumentou tão depressa como tinha sido previsto, pelo que nos questionávamos se iríamos ter sucesso. Vê-lo nestas primeiras tentativas augura bons resultados para as nossas próximas observações." ISON encontrava-se a cerca de 0,5 UA de distância de Mercúrio, quando as imagens foram obtidas.

Dias antes, a câmara de grande angular da MESSENGER tinha fotografado com sucesso outro cometa a caminho da sua passagem periélica. Ao contrário do ISON, Encke é um cometa bem estudado. Descoberto em 1786, este pequeno cometa periódico tem um período orbital de apenas 3,3 anos, o mais curto de todos os cometas conhecidos.

"Encke tem estado no nosso radar há já algum tempo, porque reparámos que iria cruzar o caminho da MESSENGER em meados de Novembro deste ano", disse Vervack. Na altura em que as imagens foram captadas, Encke encontrava-se a aproximadamente 0,2 UA de distância.

Nestas primeiras imagens, os dois cometas surgem com apenas alguns pixels de diâmetro. No entanto, Vervack espera obter uma maior resolução durante a próxima semana. A 18 de Novembro, apenas 3 dias antes do periélio, Encke passará a apenas 3,7 milhões de quilómetros de Mercúrio. No dia seguinte, será a vez de ISON realizar uma passagem a curta distância do planeta - a cerca de 22,5 quilómetros de distância.

"Esperamos que na próxima semana Encke aumente o seu brilho em cerca de 200 vezes, quando visto a partir de Mercúrio, e ISON em um factor de 15 ou mais" explica Vervack. "Portanto, temos grandes esperanças em obter melhores imagens e dados." Nesta segunda sessão de observação, estarão envolvidos três dos instrumentos da MESSENGER: o sistema de imagem MDIS (Mercury Dual Imaging System), o espectrómetro MASCS (Mercury Atmospheric and Surface Composition Spectrometer) e o espectrómetro de raios X.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Isolada uma nova bactéria em duas salas limpas na Florida e na América do Sul

Imagem obtida através de um microscópio óptico, mostrando a nova bactéria Tersicoccus phoenicis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Cientistas identificaram uma nova bactéria em duas salas limpas nas instalações da NASA, no Centro Espacial Kennedy, na Florida, EUA, e da ESA, no Centro Espacial da Guiana, em Kourou, na Guiana Francesa. As duas estirpes isoladas pertencem a um novo género do filo Actinobacteria, um grupo de bactérias Gram-positivas encontradas nos solos e em ambientes aquáticos.

As salas limpas são espaços confinados usados na montagem de satélites e sondas espaciais. Sujeitas a um escrupuloso controlo ambiental, estas salas têm como objectivo prevenir que os microrganismos terrestres apanhem, acidentalmente, uma boleia para o espaço, e contaminem outros mundos no Sistema Solar, como Marte ou a lua joviana Europa. No entanto, apesar dos rigorosos critérios aplicados na sua limpeza e esterilização, as salas limpas albergam algumas das formas de vida mais resistentes alguma vez encontradas na Terra.

Investigador da NASA realizando a colheita de um esfregaço do chão de uma sala limpa no Laboratório de Propulsão a Jacto, na Califórnia, EUA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

"Encontramos muitos microrganismos nas salas limpas, porque nos esforçamos para os detectar", afirmou Parag Vaishampayan, microbiologista do Laboratório de Propulsão a Jacto, em Pasadena, na Califórnia, EUA, e autor principal do artigo onde é descrita a nova bactéria. "O mesmo microrganismo pode estar presente no solo no exterior de uma sala limpa, porém nunca iríamos identificá-lo aí, porque iria estar ocultado por uma multidão de outros microrganismos."

A nova bactéria é tão invulgar que foi classificada num novo género (o nível seguinte na hierarquia taxonómica dos organismos vivos). A equipa de investigadores responsável pela sua descoberta deu-lhe o nome de Tersicoccus phoenicis, em honra à sonda marciana Phoenix, que se encontrava em construção na sala limpa onde foi isolada a primeira estirpe.

"Queremos ter uma melhor compreensão destes microrganismos, porque as características que lhes permite adaptarem-se às salas limpas poderão ser as mesmas que lhes possibilitam a sobrevivência numa sonda espacial", disse Vaishampayan. "Este microrganismo em particular sobrevive com quase nenhuns nutrientes."

A segunda estirpe foi identificada a cerca de 4.000 quilómetros de distância, numa sala limpa na Guiana Francesa, utilizada para a montagem do Observatório Espacial Herschel. Até agora, estes são os únicos locais na Terra onde esta bactéria foi encontrada.

Os microrganismos que sobrevivem aos ambientes adversos das salas limpas tendem a ser extremamente tenazes. Bactérias como o Tersicoccus phoenicis persistem em meios muito pobres em nutrientes, e conseguem tolerar procedimentos de esterilização muito agressivos, que os expõem a poderosos agentes químicos e a intensa radiação ultravioleta. A equipa vai continuar a estudar este fabuloso microrganismo, com o objectivo principal de controlar a sua presença em salas limpas.

Este trabalho foi publicado recentemente na revista International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology. Podem encontrá-lo aqui.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Hubble observa um asteróide com seis caudas de poeira

O asteróide P/2013 P5 numa imagem obtida pelo telescópio espacial Hubble a 10 de Setembro de 2013.
Crédito:NASA/ESA/D. Jewitt (Universidade da California, Los Angeles), J. Agarwal (Instituto Max Planck para a Pesquisa do Sistema Solar), H. Weaver (Laboratório de Física Aplicada da Universidade de Johns Hopkins), M. Mutchler (STScI) e S. Larson (Universidade do Arizona).

Uma equipa de cientistas liderada pelo astrónomo David Jewitt usou o telescópio espacial Hubble para observar um extraordinário sistema de seis caudas de poeira num objecto com uma órbita típica dos asteróides, na região mais interior da Cintura de Asteróides. Denominado P/2013 P5 (PANSTARRS), este intrigante objecto é, provavelmente, um pequeno asteróide num processo de desintegração provocado por uma instabilidade rotacional.

P/2013 P5 foi descoberto no passado dia 27 de Agosto, em imagens obtidas pelo sistema Pan-STARRS, no Hawaii. Normalmente, os asteróides surgem nos telescópios como pequenos pontos de luz, mas P/2013 P5 aparentava ser um objecto invulgarmente difuso.

Observações realizadas pelo telescópio Hubble a 10 de Setembro viriam a desvendar um surpreendente sistema de múltiplas caudas em redor de um pequeno núcleo, com pouco mais de 400 metros de diâmetro. No entanto, mais surpresas seriam reveladas quando o Hubble voltou a observar o asteróide a 23 de Setembro. A sua aparência mudara radicalmente em apenas 2 semanas, como se toda a estrutura tivesse rodado sobre si.

"Ficámos literalmente estupefactos quando o vimos", disse Jewitt, astrónomo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos. "Ainda mais extraordinário foi o facto das estruturas da sua cauda terem mudado dramaticamente em apenas 13 dias (...). Isso também nos apanhou de surpresa. Custa a acreditar que estamos a olhar para um asteróide."

A equipa descarta a hipótese do fenómeno ter tido origem numa colisão de asteróides, uma vez que tal evento teria levado à libertação de grandes quantidades de poeira de uma só vez. Lewitt e colegas sugerem que, pelo contrário, P/2013 P5 deverá ter ejectado poeira para o espaço de forma periódica nos últimos 5 meses.

Cálculos realizados por Jessica Agarwal, do Instituto Max Planck, em Lindau, na Alemanha, mostram que as caudas foram produzidas por uma série de ejecções ocorridas a 15 de Abril, 18 de Julho, 24 de Julho, 8 de Agosto, 26 de Agosto e 4 de Setembro. "Dadas as nossas observações e modelos, deduzimos que P/2013 P5 poderá estar a perder poeira à medida que gira a grande velocidade", afirmou Agarwal. "A radiação solar arrasta estas poeiras, formando as distintivas caudas que observamos."

A equipa sugere que o asteróide poderá ter acelerado a sua rotação à medida que a pressão da radiação solar foi exercendo um momento de força sobre o seu corpo. Jewitt afirma que, se a taxa de rotação for suficientemente elevada, a fraca gravidade do asteróide será incapaz de manter a sua integridade à superfície, levando à eventual perda de poeira para o espaço a partir da região do equador. Até agora, o asteróide deverá ter deixado escapar apenas uma pequena fracção da sua massa (provavelmente, entre 100 a 1.000 toneladas de poeira).

Jewitt e colegas tencionam realizar novas observações, não só para medir a velocidade de rotação do asteróide, como também para determinar se as poeiras são ejectadas preferencialmente no plano equatorial. Caso se confirme esta hipótese, esta será uma forte evidência de que o asteróide se encontra num processo de fragmentação provocado pela rotação.

Esta interpretação sugere que este fenómeno poderá ser relativamente comum na Cintura de Asteróides. "Em astronomia, quando encontramos um, acabamos sempre por encontrar mais um monte deles." afirmou Jewitt. "Este é um objecto espantoso e quase de certeza o primeiro de muitos."

Este trabalho foi publicado ontem na revista Astrophysical Journal Letters. Podem ler o artigo completo aqui.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Fulguração solar provoca fenómeno raro na magnetosfera terrestre

O Sol produziu ontem, pelas 22:12 (hora de Lisboa), uma breve mas intensa fulguração classe X3, com origem na região activa 1890. Vejam em baixo:



A radiação gerada pela fulguração provocou uma súbita sobretensão na ionosfera terrestre, um fenómeno que despoletou um raro crochet magnético no lado diurno da Terra.

Os crochets magnéticos são distúrbios no campo magnético terrestre causados pela propagação de correntes eléctricas nas camadas inferiores da ionosfera (aproximadamente, a altitudes entre os 60 e os 120 km). São fenómenos relativamente raros que ocorrem, geralmente, em simultâneo com fulgurações solares muito intensas e rápidas, como a da noite passada.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Lançamento bem sucedido para a primeira missão indiana a Marte

Sonda MOM a ser colocada no quarto estágio do foguetão PSLV-C25.
Crédito: ISRO.

A Índia concretizou esta manhã o lançamento da sua primeira missão a Marte. Eram 09:08 (hora de Lisboa) quando a sonda Mars Orbiter Mission (MOM) da ISRO partiu a bordo de um foguetão PSLV-C25, da plataforma de lançamentos nº1 do Centro Espacial Satish Dhawan, na ilha de Sriharikota, na costa leste da Índia. Vejam (ou revejam) o lançamento em baixo:



A separação dos quatro estágios do foguetão decorreu sem problemas, levando a pequena sonda a alcançar com sucesso uma órbita elíptica em redor da Terra, com um perigeu de 247 km, um apogeu de 23.566 km e uma inclinação de 19,2º (uma órbita muito próxima da prevista). Nas próximas 4 semanas, a MOM vai executar uma série de manobras críticas que a afastarão gradualmente do nosso planeta, e a colocaram numa trajectória em direcção a Marte. A viagem até ao planeta vermelho demorará cerca de 300 dias.

A MOM (também conhecida informalmente por Mangalyaan) transporta 5 instrumentos científicos, incluindo uma câmara com múltiplos filtros e um sensor para detecção de metano na atmosfera marciana. Os objectivos científicos principais da missão são o estudo da atmosfera, e da morfologia e mineralogia da superfície do planeta vermelho.

sábado, 2 de novembro de 2013

Uma fénix marciana

Pequena cratera elíptica sem nome, situada nas proximidades da cratera Pollack, no extremo oeste de Terra Sabaea, em Marte (norte para baixo). Imagem obtida a 03 de Setembro de 2013, pela câmara HiRISE da sonda Mars Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Como acontece em todas as crateras elípticas, a cratera visível na imagem de cima foi esculpida por um impacto de um asteróide ou de um cometa com um ângulo de incidência inferior a 15º. Os detritos ejectados pela colisão formaram um manto na orla oeste da cratera, com uma forma que lembra o perfil de uma fénix emergindo das suas próprias cinzas.

Estes detritos cobriram materiais pouco consolidados, protegendo-os da acção erosiva do vento. Com o tempo, os ventos marcianos removeram os materiais da superfície em redor, levando à formação da curiosa mesa que hoje observamos.