sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Yutu completa primeira fase da sua jornada na superfície da Lua

O robot chinês Yutu visto pela Chang'E-3, a 22 de Dezembro de 2013.
Crédito: CNSA.

Começou a tão aguardada viagem do pequeno explorador lunar Yutu nas vastas planícies basálticas de Mare Imbrium. No dia 20 de Dezembro, o robot chinês acordou de uma pequena "sesta" de alguns dias e moveu-se em redor da Chang'E-3 para completar uma última sessão fotográfica envolvendo os dois veículos.

A sonda Chang'E-3 numa imagem obtida pelo robot Yutu, no passado fim-de-semana.
Crédito: CNSA.

"Até agora foram obtidas dez fotografias em cinco pontos distintos, e todas elas ultrapassam as nossas expectativas", afirmou no passado Domingo à CCTV Wu Weiren, responsável do programa Chang'E. "O rover moveu-se num semicírculo em redor do veículo de alunagem. Mais tarde, os dois irão dar início à exploração científica da geografia e da geomorfologia do local de alunagem e áreas vizinhas, e de materiais, como minerais e elementos, que aí poderão ser encontrados. Iremos também explorar áreas 30 a 100 metros abaixo do solo lunar. A exploração será mais longa do que tínhamos planeado, porque todos os instrumentos e equipamentos estão a funcionar muito bem."

Rota seguida pelo robot Yutu desde a sua chegada à superfície da Lua, a 14 de Dezembro de 2013.
Crédito: CNSA/NASA/GSFC/ASU/Phil Stooke.

No Domingo, o Yutu abandonou definitivamente o local de alunagem, embarcando numa curta jornada de 18 metros em direcção a sul. A viagem foi, entretanto, interrompida, devido à chegada da longa noite lunar.

De acordo com a agência noticiosa Xinhua, anteontem, ambos os veículos entraram em hibernação, devendo ser reactivados dentro de 12 dias, quando o Sol surgir acima do horizonte. Esta segunda paragem é motivada não só pela falta de luz solar, mas também pelas baixíssimas temperaturas que assolam o local de alunagem durante a noite, temperaturas que deverão ser inferiores a -180 ºC.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Hubble procura... mas não encontra qualquer sinal do cometa ISON

Na passada quarta-feira, o telescópio espacial Hubble tentou observar pela última vez o cometa ISON. As imagens que obteve são esclarecedoras. Como muitos esperavam, o Hubble não detectou qualquer vestígio do núcleo do ISON, o que sugere que o cometa se desintegrou completamente durante a sua recente passagem pelo periélio.

Quatro observações realizadas a 18 de Dezembro de 2013, pelo telescópio espacial Hubble, na direcção onde os astrónomos esperariam encontrar o cometa ISON. Cada imagem resulta da combinação de duas exposições distintas. Caso fosse visível, o cometa apareceria no centro de cada imagem sob a forma de um objecto difuso.
Crédito: NASA/ESA.

Como o cometa não voltou a ser observado depois da sua passagem junto ao Sol, persistiam algumas incertezas quanto à sua localização. Para garantir que o ISON seria detectado pelo Hubble, o astrónomo Hal Weaver, mentor da estratégia de busca do cometa, planeou as observações em duas posições distintas, calculadas de acordo com medições realizadas quando o ISON se encontrava ainda visível.

Composições de diversas exposições obtidas pelo Hubble em duas posições distintas, processadas de forma a remover objectos que não se repitam nas diferentes exposições. Não é visível qualquer sinal do cometa ISON (apenas estão presentes rastos subtis de estrelas e artefactos produzidos no interior da câmara pela luz das estrelas mais brilhantes).
Crédito: NASA/ESA.

De acordo com Weaver, estas observações teriam sensibilidade suficiente para detectar objectos com um brilho até à magnitude 25. Este limite implica que qualquer fragmento sobrevivente não deverá ter agora mais que 160 metros de diâmetro.

Embora não se possa excluir, definitivamente, a possibilidade de ainda existirem pedaços do cometa à deriva no espaço, estes são certamente muitos pequenos para serem detectados pelo Hubble. Outrora um belíssimo objecto numa primeira visita ao Sistema Solar interior, o ISON não é, agora, mais que uma vasta nuvem de gás e poeira, ponteada por minúsculos fragmentos.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Solstício de Inverno 2013

Solarografia de solstício a solstício, obtida em 2013, em Zierikzee, na Holanda (vejam mais pormenores sobre esta técnica aqui).
Crédito: Jan Koeman.

Hoje, pelas 17:11 (hora de Lisboa), o Sol atingirá a sua mínima declinação na esfera celeste. Este instante assinala o início do Inverno no Hemisfério Norte, uma estação que se prolongará por 88,99 dias, até ao próximo Equinócio, que ocorrerá no dia 20 de Março de 2013, pelas 16:57 (hora de Lisboa).

Em Astronomia, os Solstícios correspondem aos momentos em que o Sol atinge, no seu movimento anual aparente pelo céu, um dos dois pontos mais afastados do equador celeste. A palavra tem origem latina (Solstitium) e está associada à ideia de que o Sol fica estacionário ao atingir essas posições.

ESA lança ambiciosa missão de mapeamento da Via Láctea

Lançamento da missão europeia Gaia, a 19 de Dezembro de 2013.
Crédito: ESA/S. Corvaja.

Foi lançado anteontem, pelas 09:12 (hora de Lisboa), a partir do porto espacial europeu, em Kourou, na Guiana Francesa, um foguetão Soyuz VS06 transportando o observatório espacial Gaia, uma ambiciosa missão da ESA que irá estudar durante 5 anos mais de mil milhões de estrelas.

Equipado com uma câmara CCD com mil milhões de pixels, Gaia é o telescópio mais sensível alguma vez enviado para o espaço. A sua missão tem como objectivo principal a criação do mapa mais preciso de sempre da Via Láctea. Partindo de medições precisas da posição e movimento de 1% da população total de aproximadamente 100 mil milhões de estrelas, Gaia irá responder a questões fundamentais acerca da origem e evolução da nossa galáxia.



A separação dos três primeiros andares do foguetão ocorreu sem quaisquer problemas. O módulo superior Fregat accionou o seu propulsor cerca de 10 minutos após o lançamento, colocando o observatório europeu numa órbita temporária a uma altitude de 175 km. 11 minutos depois foi realizada uma segunda queima, o que impulsionou Gaia até à órbita de transferência. Esta manobra foi seguida da separação do módulo Fregat, cerca de 42 minutos após a descolagem.

A activação dos sistemas do observatório ocorreu logo após a aquisição da telemetria e do controlo de altitude pelos controladores da missão, no centro de operações em Darmstadt, na Alemanha. O escudo solar que mantém Gaia na temperatura ideal de funcionamento, e onde se encontram os painéis solares que alimentam os seus instrumentos, foi aberto numa sequência automática de 10 minutos, manobra que terminou cerca de 88 minutos após o lançamento.

Neste momento, Gaia encontra-se numa trajectória que a levará até uma órbita Lissajous em torno do ponto L2 do Sistema Sol-Terra, um ponto de estabilidade gravitacional situado a 1,5 milhões de quilómetros de distancia da Terra. Os engenheiros da missão realizaram ontem a primeira de duas manobras de correcção de trajectória. A segunda manobra ocorrerá dentro de 19 dias, e encaminhará Gaia até à sua órbita operacional em L2.



A fase científica da missão terá início dentro de 4 meses, quando todos os sistemas e instrumentos estiverem devidamente ligados e calibrados. Os seus sofisticados instrumentos científicos serão mantidos durante toda a missão num ambiente estável, protegido pelo escudo solar da luz e do calor do Sol e da Terra.

"A missão Gaia segue o legado da primeira missão de mapeamento de estrelas da ESA, a missão Hipparcos, lançada em 1989, para revelar a história da galáxia onde vivemos", afirma Jean-Jacques Dordain, director-geral da ESA. "É graças à perícia da indústria espacial e da comunidade científica da Europa, que esta missão está agora a caminho de fazer descobertas revolucionárias sobre a nossa Via Láctea."

Gaia irá examinar a esfera celeste repetidamente. Em média, cada estrela será observada 70 vezes ao longo dos 5 anos de missão. Os instrumentos de Gaia irão medir a posição e as principais propriedades físicas de cada estrela, incluindo o seu brilho, temperatura e composição química.

Tirando partido das mudanças de perspectiva proporcionadas pela sua órbita em redor do Sol, Gaia irá medir a distância a que se encontram as estrelas. Ao observá-las ao longo de toda a missão, o observatório irá registar, ainda, o seu movimento próprio no céu. Estes dados, em conjunto com as propriedades de cada estrela, providenciarão aos cientistas ferramentas essenciais para construírem a "árvore genealógica" da nossa galáxia.

Representação artística do observatório Gaia, com a Via Láctea como pano de fundo.
Crédito: ESA/ATG medialab (imagem de fundo: ESO/S. Brunier).

Os movimentos das estrelas poderão ser "rebobinados" de forma a desvendarem mais acerca da sua origem, e de como foi construída a Via Láctea ao longo de milhares de milhões de anos, a partir da fusão de galáxias mais pequenas. Os mesmos dados poderão ser também usados para avançar rapidamente as trajectórias das estrelas, de forma a mostrarem o seu destino final.

"Gaia representa um sonho para os astrónomos ao longo da história, desde as observações pioneiras do astrónomo grego da antiguidade Hiparcos, que catalogou a posição relativa de cerca de mil estrelas, apenas com observações a olho nu e geometria simples", diz Alvaro Giménez, director da Ciência e Exploração Robótica da ESA. "Mais de 2.000 mil anos depois, Gaia irá não só produzir um censo estelar sem rival, como também terá o potencial para desvendar novos asteróides, planetas e estrelas em fim de vida."

Através da comparação de repetidas observações do céu, Gaia irá descobrir, ainda, dezenas de milhares de supernovas, bem como, revelar a presença de planetas na órbita de estrelas distantes, através da detecção de oscilações periódicas na sua posição. O observatório europeu irá também revelar novos asteróides no Sistema Solar, aperfeiçoar os parâmetros orbitais dos asteróides já conhecidos, e realizar testes precisos à Teoria Geral da Relatividade de Einstein.

A missão deverá reunir em 5 anos mais de 1 Petabyte de dados (aproximadamente, 1 milhão de Gigabytes), o equivalente a 200 mil DVD de dados. A tarefa de processar e analisar esta montanha de dados ficará a cargo do Consórcio de Processamento e Análise de Dados da missão Gaia, que envolverá mais de 400 pessoas em instituições científicas em toda a Europa.

"Enquanto a Hipparcos catalogou 120 mil estrelas, Gaia irá examinar quase 10 mil vezes esse valor, e com uma precisão aproximadamente 40 vezes superior", afirma Timo Prusti, cientista da missão Gaia. "Em conjunto com dezenas de milhares de outros objectos [...], este vasto tesouro irá dar-nos uma nova visão da nossa vizinhança cósmica e da sua história, o que nos permitirá explorar as propriedades fundamentais do nosso Sistema Solar e da Via Láctea, bem como o nosso lugar no Universo mais abrangente."

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

LRO observa uma nova cratera na Lua

Jovem cratera fotografada recentemente pela Lunar Reconnaissance Orbiter, em quatro condições de iluminação distintas.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Cientistas da NASA observaram no passado dia 17 de Março uma das mais brilhantes explosões alguma vez registadas na superfície da Lua. A intensidade e duração do flash de luz sugeriam que o fenómeno teria sido produzido pelo impacto de um meteoróide com cerca de 40 centímetros de diâmetro, viajando a uma velocidade de 90 mil quilómetros por hora, pelo que a cratera formada não deveria ter mais de 20 metros de diâmetro.

11 dias depois, a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) sobrevoou o local e... adivinhem? Na mesma área onde tinha sido observada a explosão, encontrava-se uma cratera com um aspecto muito fresco, com 18 metros de diâmetro. Uma comparação entre imagens obtidas antes e depois da explosão confirmou que esta era, de facto, uma das mais jovens crateras observadas pela sonda da NASA.

Comparação entre duas imagens obtidas no local onde se deu o evento de 17 de Março. A primeira data de 12 de Fevereiro de 2012, mais de um ano antes da explosão. A segunda foi obtida a 28 de Julho de 2013 e mostra uma cratera recém-formada com 18 metros de diâmetro.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

A pequena cratera localiza-se no sul de Mare Imbrium, a oeste da cratera Pytheas, e é apenas uma das centenas de recentes alterações observadas pelas câmaras da LRO na superfície da Lua. A equipa da missão tem procurado, de forma sistemática, nos seus arquivos, novas imagens que lhes permitam detectar mais estruturas como esta. Os resultados obtidos até agora foram apresentados na Reunião de Outono da União Americana de Geofísica, que decorreu na semana passada, em São Francisco, nos EUA.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

China concretiza a primeira alunagem do século XXI!

O robot chinês Yutu na superfície da Lua.
Crédito: CNSA/CCTV.

A China alcançou no passado Sábado um momento histórico no seu programa espacial. Eram 13:11 (hora de Lisboa) quando a sonda chinesa Chang'E-3 poisou na superfície lunar, concretizando assim a primeira alunagem suave dos últimos 37 anos.

A descida até à superfície da Lua foi realizada cerca de meia hora antes do previsto, pelo que a Chang'E-3 poisou a leste do local programado. De acordo com a equipa de imagem da missão Lunar Reconnaissance Orbiter, a alunagem ocorreu na porção noroeste de Mare Imbrium, numa área muito perto da fronteira entre dois tipos de basaltos - um rico em titânio e o outro com baixas concentrações deste elemento.

Local de alunagem da sonda chinesa Chang'E-3 (centro), numa imagem obtida a 15 de Julho de 2009, pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

O robot Yutu tocou na superfície lunar aproximadamente 7 horas após a alunagem da Chang'E-3. As primeiras imagens foram enviadas pouco depois, e mostram um local rico em potenciais alvos científicos. O pequeno robot chinês deverá começar hoje a explorar a paisagem em seu redor.

Vejam em baixo este espectacular vídeo mostrando a descida da Chang'E-3 até às planícies basálticas de Mare Imbrium:


domingo, 15 de dezembro de 2013

NASA divulga um novo mapa da região do pólo norte de Titã

A mais completa visão sobre a região do pólo norte de Titã, num mosaico colorido construído com imagens obtidas pelo radar da sonda Cassini entre 2004 e 2013.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASI/USGS.

A equipa da missão Cassini divulgou na semana passada, na Conferência de Outono da União Americana de Geofísica, em São Francisco, um novo mapa das regiões mais setentrionais da lua Titã. Construído com imagens obtidas pelo radar da sonda da NASA, o novo mapa inclui todos os mares e a maioria dos grandes lagos que povoam esta região, num detalhe nunca antes alcançado.

"A aprendizagem acerca de estruturas da superfície, como lagos e mares, ajuda-nos a compreender como os líquidos, sólidos e gases de Titã interagem entre si para fazerem com que esta lua tenha uma aparência tão próxima à da Terra", afirma Steve Wall, líder da equipa responsável pelo radar da Cassini. "Embora estes dois mundos não sejam exactamente iguais, à medida que obtemos novas imagens, estas estruturas mostra-nos mais e mais processos [geológicos] semelhantes aos terrestres."

As novas imagens revelam que Kraken Mare é mais extenso e complexo que o assumido anteriormente. As imagens mostram, ainda, que quase todos os mares e lagos de Titã se encontram confinados numa área com somente 900 por 1.800 km. Apenas 3% da superfície líquida de Titã se localiza no exterior desta área.



"Os cientistas têm-se questionado porque se encontram os lagos de Titã no sítio onde estão", diz Randolph Kirk, um dos membros da equipa do radar da Cassini. "Estas imagens mostram-nos que o leito rochoso e a geologia criaram, certamente, no interior deste rectângulo, um ambiente particularmente convidativo para os lagos."

A equipa aplicou, ainda, de forma inovadora, um método anteriormente usado na análise de dados obtidos em Marte, para determinar, pela primeira vez, a profundidade de um mar ou lago de Titã. Baseados nesta nova análise, os cientistas conseguiram medir uma profundidade de cerca de 170 metros em Ligeia Mare, a segunda maior superfície líquida da lua de Saturno. Esta descoberta só foi possível porque o líquido é bastante puro, permitindo a passagem do sinal de radar até ao leito marinho. A superfície de Ligeia Mare deverá ser tão lisa quanto a pintura de um automóvel, pelo que provoca interferências mínimas no radar. Estes novos resultados indicam que Ligeia Mare deverá ser constituído predominantemente por metano, com uma pequena fracção de etano.

Podem assistir à apresentação destes resultados na Conferência de Outono de 2013 da União Americana de Geofísica aqui.