quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Solar Dynamics Observatory - 4 anos a observar o Sol

Comemorou-se ontem o quarto aniversário do lançamento do Solar Dynamics Observatory (SDO), um sofisticado observatório espacial que tem como objectivo a contínua monitorização da estrela mais próxima da Terra, o Sol. Para assinalar a data, a NASA divulgou um espectacular vídeo onde incluiu alguns dos melhores momentos captados pelas suas câmaras durante os últimos 12 meses. Vejam em baixo:



O SDO regista a actividade solar a cada 0,75 segundos em 10 comprimentos de onda distintos, cada um evidenciando diferentes regiões da atmosfera solar. Todos os dias, o observatório envia para a Terra cerca de 1,5 terabytes de dados - o equivalente a aproximadamente 380 filmes de longa duração!

Podem encontrar aqui informações detalhadas acerca de cada sequência exibida no vídeo.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Perspectiva sobre Dürer

Dürer e o antigo terreno a leste, numa imagem obtida pela sonda MESSENGER, a 16 de Novembro de 2013.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

A bacia de Dürer surge em primeiro plano nesta belíssima perspectiva sobre a região a sudeste de Sobkou Planitia, em Mercúrio. Com cerca de 195 quilómetros de diâmetro, Dürer exibe uma anel de montanhas concêntrico bem definido, ponteado por brilhantes concavidades.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O lado nocturno de Prometeu

Prometeu e o anel F, numa imagem obtida pela sonda Cassini a 05 de Fevereiro de 2014.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Nesta imagem podemos ver o lado nocturno da pequena lua Prometeu iluminado pelo brilho de Saturno.

Prometeu é a mais exterior interior das duas luas pastoras do anel F, uma das mais dinâmicas estruturas do Sistema Solar. Com uma forma elipsoidal extremamente alongada (135,6 × 79,4 × 59,4 km) , Prometeu aponta sempre o seu maior eixo na direcção de Saturno. A sua densidade é muito inferior à da água (cerca de 0,48 g/cm3), o que sugere que o seu interior é bastante poroso.

Podem ver aqui uma belíssima imagem de Prometeu interagindo com as partículas do anel F.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Uma cratera recém-formada em Terra Sabaea

Cratera recém-formada na superfície marciana, numa imagem obtida a 19 de Novembro de 2013, pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Esta imagem recentemente obtida pela câmara HiRISE da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) mostra uma jovem cratera de impacto com 30 metros de diâmetro, localizada no antigo planalto de Terra Sabaea, em Marte. Imagens da região obtidas antes e depois do impacto sugerem que a cratera deverá ter sido formada entre Julho de 2010 e Maio de 2012.

Imagem de contexto mostrando toda a extensão do sistema de raios desta jovem cratera marciana.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Dados obtidos pela MRO ao longo de quase 8 anos mostram que a superfície do planeta vermelho sofre cerca de 200 impactos por ano, no entanto, a maioria produz crateras muito mais pequenas. A violência deste recente impacto é denunciada pelo manto de detritos que irradia da orla da cratera, e que se estende até cerca de 15 quilómetros de distância.

A Terra num céu extraterrestre

Na passada sexta-feira, o Curiosity presenciou um momento mágico na superfície do planeta vermelho. Pouco depois do pôr-do-sol, um pequeno ponto azulado fez uma aparição fugaz acima da orla ocidental da cratera Gale. Esse ponto era um mundo familiar - o nosso planeta espreitando num céu extraterrestre!

Apreciem:

A Terra vista pelo Curiosity, num mosaico construído com imagens obtidas pela MastCam34, a 31 de Janeiro de 2014 (sol 529 da missão), pelas 18:47 na hora local (22:23 na hora de Lisboa). Na altura, o nosso planeta encontrava-se a cerca de 159 milhões de quilómetros de distância de Marte.
Crédito: NASA/JPL/MSSS/Damia Bouic.

Actualização:

Entretanto, a NASA publicou a sua versão do mosaico, onde inclui uma pequena imagem ampliada da Terra acompanhada de perto pela Lua. Vejam em baixo:

A Terra e a Lua vistas da superfície marciana. A imagem no centro foi obtida pela MastCam100 e evidencia a separação e o brilho relativos dos dois objectos na altura, no céu vespertino de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/TAMU.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Desvendada pela primeira vez a estrutura interna de um pequeno asteróide

Estrutura do asteróide Itokawa.
Crédito: ESO/JAXA.

Cientistas descobriram a primeira evidência directa do quão complexas podem ser as estruturas internas dos pequenos asteróides. Partindo de observações realizadas no Observatório Europeu do Sul, no Chile, e em outros observatórios nas Canárias e na Califórnia, EUA, a equipa liderada por Stephen Lowry, da Universidade de Kent, no Reino Unido, identificou detalhes intrigantes na estrutura interna do asteróide (25143) Itokawa.

Através da medição precisa do seu brilho ao longo de pouco mais de 11 anos, Lowry e colegas desvendaram não só a velocidade de rotação do pequeno asteróide, como também a taxa a que esta velocidade varia ao longo do tempo. Estas observações foram, em seguida, combinadas com o conhecimento da forma e topografia do asteróide, o que permitiu revelar a complexidade da sua estrutura interna.

“Esta é a primeira vez que conseguimos determinar como é o interior de um asteróide”, explicou Lowry. “Podemos ver que Itokawa tem uma estrutura extremamente variada – este achado é um importante passo em frente na nossa compreensão dos corpos rochosos do Sistema Solar.”

Itokawa é um asteróide Apollo de tipo espectral S, com uma órbita que cruza as órbitas da Terra e de Marte. Em 2005, a sonda japonesa Hayabusa visitou o asteróide, revelando a sua estranha forma semelhante à de um amendoim.

O asteróide Itokawa visto pela sonda Hayabusa em Setembro de 2005.
Crédito: JAXA.

Itokawa tem apenas 535 metros de comprimento, pelo que o seu eixo e velocidade de rotação podem ser fortemente afectados pela luz solar. Este fenómeno, conhecido por efeito de Yarkovsky-O’Keefe-Radzievskii-Paddack (YORP), ocorre quando a radiação solar absorvida por um pequeno objecto irregular é reemitida pela sua superfície sob a forma de calor. O efeito foi medido pela primeira vez em 2007, no asteróide (54509) YORP, e é um processo determinante na evolução dos parâmetros físicos dos pequenos corpos do Sistema Solar.

A equipa liderada por Lowry descobriu que o efeito YORP está a acelerar lentamente a taxa de rotação de Itokawa. A variação no período de rotação do pequeno asteróide é mínima - uns meros 0,045 segundos por ano – no entanto, o desvio é muito diferente do esperado, e só pode ser explicado se o asteróide for constituído por duas partes com diferentes densidades. Este resultado sugere que Itokawa poderá ter sido formado pela coalescência de dois asteróides no resclado de uma colisão catastrófica na Cintura de Asteróides, ou como consequência do colapso de um sistema binário.

“Descobrir que os asteróides não têm um interior homogéneo tem implicações muito profundas, em particular para os modelos de formação de asteróides binários”, afirma Lowry. “[Esta descoberta] poderá ser igualmente importante em trabalhos que visam diminuir as colisões de asteróides com a Terra, ou no planeamento de futuras viagens a estes corpos rochosos.”

Podem encontrar mais pormenores relativos a este trabalho aqui.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Vulcanismo recente em Valles Marineris

A presença de vestígios de vulcanismo recente no interior de Valles Marineris foi proposta, pela primeira vez, há algumas décadas, com base em estruturas fotografadas pelas duas sondas orbitais da missão Viking. Mais tarde, os potenciais vestígios vulcânicos viriam a revelar-se em imagens de alta-resolução, como formações de natureza distinta, como, por exemplo, complexas dunas de areia.

Cones vulcânicos em Coprates Chasma. Imagem obtida a 07 de Novembro de 2013, pela câmara HiRISE da sonda Mars Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Imagens recentemente obtidas pela Mars Reconnaissance Orbiter têm, no entanto, permitido aos cientistas reconhecer inegáveis edificações vulcânicas nesta região de Marte. Na imagem de cima podemos apreciar, um conjunto de cones com depressões no topo em Coprates Chasma, um dos gigantescos canhões que formam o sistema de Valles Marineris. Estas estruturas assemelham-se muito a cones de escórias, como os que podemos encontrar, por exemplo, na ilha de São Miguel, nos Açores. As poucas crateras de impacto acumuladas na sua superfície sugerem uma formação muito recente, provavelmente, inferior a algumas centenas de milhões de anos.

Imagem de contexto mostrando o conjunto de cones vulcânicos que povoa a região central de Coprates Chasma.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.