quarta-feira, 13 de maio de 2015

New Horizons observa Estige e Cérbero

Estige, Nix, Cérbero e Hidra, vistas pela sonda New Horizons entre 25 de abril e 01 de maio de 2015.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute.

A New Horizons fotografou, pela primeira vez, Estige e Cérbero - as mais pequenas e menos brilhantes luas de Plutão. Depois de ter detetado Caronte, em julho de 2013, e Nix e Hidra, em julho de 2014 e janeiro de 2015, respetivamente, a sonda da NASA consegue agora observar todos os membros conhecidos do sistema plutoniano.

As novas imagens foram obtidas pela câmara LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), entre os dias 25 de abril e 01 de maio, quando a New Horizons se encontrava ainda a mais de 88 milhões de quilómetros de distância. Para detetar as duas pequenas luas foi necessário combinar 5 imagens diferentes, captadas cada uma com uma exposição de 10 segundos. As imagens resultantes foram depois processadas de forma a subtrair o intenso brilho de Plutão, Caronte e das inúmeras estrelas em segundo plano.

Cérbero e Estige foram descobertas, respetivamente, em 2011 e 2012, pelos membros da equipa da New Horizons, em imagens obtidas pelo telescópio espacial Hubble. Estige completa uma órbita em redor de Plutão a cada 20 dias e tem 7 a 21 km de diâmetro. Cérbero é ligeiramente maior (10 a 30 km de diâmetro) e tem uma órbita com um período de 32 dias. Ambas têm um brilho 20 a 30 vezes inferior ao de Nix e Hidra.

A pouco mais de 2 meses do seu encontro com Plutão, a New Horizons vai agora iniciar a sua primeira busca por novas luas ou anéis. Esta nova fase da missão terá como objetivo principal a deteção de objetos que possam ameaçar a integridade da sonda durante a sua rápida passagem pelo sistema.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Dawn completa primeira órbita de mapeamento da superfície de Ceres

O hemisfério norte de Ceres visto pela sonda Dawn, a 4 de maio de 2015.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA.

A Dawn concluiu no passado sábado uma órbita com um período de 15 dias dedicada às primeiras observações científicas da superfície de Ceres. Localizada a uma altitude de 13600 quilómetros, esta primeira órbita permitiu a realização de uma análise preliminar à variedade de formações geológicas identificadas pela equipa da missão durante a fase de aproximação.

A animação de cima foi criada com imagens captadas pela Dawn na semana passada e mostra as duas proeminentes manchas brilhantes do hemisfério norte de Ceres, numa resolução aproximada de 1,3 km/píxel. As imagens revelam que as duas estruturas são, na realidade, compostas por numerosas manchas mais pequenas. Permanece, contudo, por esclarecer a sua verdadeira natureza.

"Os cientistas da Dawn podem agora concluir que o intenso brilho destas manchas se deve à reflexão da luz solar por materiais altamente refletivos na superfície, possivelmente gelo", explica o investigador principal da missão Christopher Russell.

A Dawn viaja agora em direção à sua segunda órbita de mapeamento, que se iniciará a 6 de junho, quando a sonda atingir uma altitude de 4400 km. De acordo com os responsáveis da missão, a Dawn deverá efetuar duas pausas durante a descida para captar imagens ainda mais detalhadas da superfície de Ceres.

Os canhões brilhantes de Dione

A lua Dione vista pela sonda Cassini, a 09 de maio de 2015.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

Nesta imagem, captada no passado sábado pela sonda Cassini, podemos ver o complexo sistema de canhões que rasgam o extremo leste do hemisfério subsaturniano de Dione. Criadas por fraturas tectónicas, estas estruturas possuem encostas alcantiladas muito brilhantes, que contrastam com a coloração mais escura dos terrenos em redor.

A coloração desta região é provavelmente produzida pelo contínuo bombardeamento da superfície de Dione com partículas energéticas provenientes da magnetosfera de Saturno. O hemisfério oposto encontra-se coberto por uma fina camada de partículas de poeira do anel E, pelo que é significativamente mais brilhante. Estas partículas são formadas a partir de pequenos fragmentos de gelo ejetados do polo sul de Encélado.

sábado, 9 de maio de 2015

Pôr do Sol na cratera Gale

Um pôr do Sol visto pelo robot Curiosity, a 15 de abril de 2015 (sol 956 da missão).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

Esta magnífica imagem mostra um pôr do Sol visto pelo robot Curiosity a partir do interior da cratera Gale, na superfície de Marte. Captada em plena época de tempestades de areia, a imagem revela uma intensa matiz azulada no céu vespertino junto ao Sol - um efeito resultante da dispersão de Mie provocada pela presença de finas partículas de poeira em suspensão na atmosfera.

Processos geoquímicos favoráveis à vida em Encélado?

A lua Encélado, vista pela sonda Cassini a 14 de abril de 2012.
Crédito: NASA/JPL/SSI/Gordan Ugarkovic.

Uma equipa de cientistas norte-americanos usou dados recolhidos pela sonda Cassini para construir um novo modelo químico do oceano interior de Encélado. O modelo demonstra que os géiseres de Encélado têm origem num reservatório de água com um pH de 11 a 12, e uma concentração de cloreto de sódio (NaCl) idêntica à dos oceanos terrestres. No entanto, a presença de concentrações substanciais de carbonato de sódio (Na2CO3) sugere que o oceano da pequena lua de Saturno tem uma composição química mais semelhante à das águas alcalinas do lago Mono, nos Estados Unidos, e do lago Magadi, no Quénia. Este trabalho foi publicado no passado mês de abril na revista Geochimica et Cosmochimica Acta e traça o esboço de um ambiente extraterrestre potencialmente favorável ao desenvolvimento da vida tal como a conhecemos.

"A determinação do pH melhora a nossa compreensão acerca dos processos geoquímicos [que ocorrem] no oceano de Encélado", explica Christopher Glein, investigador do Instituto Carnegie, nos Estados Unidos, e primeiro autor deste trabalho.

O modelo criado por Glein e colegas sugere que o elevado pH do oceano de Encélado resulta de um processo geoquímico conhecido por serpentinização. Na Terra, este processo ocorre quando rochas ígneas pobres em sílica e ricas em ferro e magnésio ascendem desde as camadas superiores do manto até ao fundos oceânicos, locais onde interagem quimicamente com a água. Esta interação produz alterações profundas na estrutura e composição mineralógica destas rochas, e conduz à formação de fluídos aquosos extremamente alcalinos.

"Porque é a serpentinização [um processo] de tão grande interesse? Porque as reações entre as rochas ricas em metais e a água do oceano produzem também hidrogénio molecular (H2), [uma molécula] que constitui uma fonte de energia química essencial para a manutenção de biosferas profundas na ausência de luz no interior de luas e planetas", afirma Glein. "Este processo é central para uma ciência emergente como a astrobiologia, porque o hidrogénio molecular tanto pode levar à formação de compostos orgânicos, como os aminoácidos, que podem conduzir à origem da vida, como pode também servir de [fonte de] alimento para a vida microbiana (exemplo: bactérias metanogénicas). Como tal, a serpentinização providencia uma ligação entre os processos geológicos e os processos biológicos. A descoberta da serpentinização torna Encélado um candidato ainda mais promissor para uma génese independente da vida."

Uma génese independente não implica, porém, necessariamente, uma continuidade da vida até aos dias de hoje. A verdade é que os cientistas nada sabem acerca da atual disponibilidade de H2 no interior de Encélado, pelo que é possível que o sistema tenha atingido no passado um estado de completo equilíbrio químico, o que inviabilizaria a sobrevivência de uma biosfera baseada neste processo. Esta será certamente uma questão importante a ter em conta na avaliação da habitabilidade de oceanos interiores em pequenos mundos como Encélado e Europa.

Podem encontrar todos os detalhes deste trabalho aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A última imagem da MESSENGER

O interior da cratera Jókai, vista pela sonda MESSENGER, a 30 de abril de 2015 (resolução: 2,1 metros/pixel).
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

A MESSENGER terminou a sua missão na passada quinta-feira com um violento impacto na superfície de Mercúrio. Originalmente planeada para orbitar o planeta por apenas um ano, a missão acabou por se prolongar por mais de 4 anos, completando um total de 4105 órbitas e recolhendo mais de 10 terabytes de dados acerca de Mercúrio, incluindo mais de 270 mil imagens da sua superfície.

A imagem de cima foi a última a ser captada e transmitida para a Terra, e mostra uma pequena área no interior de Jókai, uma cratera com 93 km de diâmetro localizada a norte de Suisei Planitia, no hemisfério norte do planeta.

New Horizons observa primeiros detalhes da superfície de Plutão

Plutão e Caronte numa animação construída com 13 imagens captadas pela sonda New Horizons, entre 12 e 18 de abril de 2015.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute.

Imagens divulgadas na semana passada pela equipa da missão New Horizons mostram, pela primeira vez, variações de brilho na superfície de Plutão. Ainda com apenas alguns pixels de diâmetro, Plutão revela já detalhes desconcertantes no hemisfério norte, incluindo o que poderá ser uma calote polar!

As novas imagens foram captadas pelo sistema de imagem LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), a uma distância de pouco mais de 100 milhões de quilómetros, durante aproximadamente 6 dias e meio - um período correspondente a uma rotação completa de Plutão. A equipa da missão usou uma técnica matemática de pré-processamento de imagem, designada deconvolução, que permite diminuir o efeito das distorções óticas criadas pelas lentes e detetor CCD da LORRI, extraindo assim o máximo de informação possível até ao limite de resolução imposto pelo sistema ótico. Com a aplicação desta técnica, as imagens ficam com uma resolução superior à das melhores imagens de Plutão captadas a partir da Terra, pelo telescópio espacial Hubble.

A mancha brilhante observada na região do polo norte de Plutão deverá ter centenas de quilómetros de diâmetro. A sua composição é ainda desconhecida, mas deverá ser revelada pelo espetrómetro da New Horizons, quando a sonda sobrevoar a região dentro de pouco mais de dois meses. Estudos anteriores sugerem que a fina atmosfera de Plutão é constituída por azoto (N2), metano (CH4) e monóxido da carbono (CO), pelo que é possível que estes compostos se encontrem em abundância sob a forma de cristais de gelo altamente refletivos, em algumas regiões da superfície plutoniana.