sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

SOHO descobre 2000º cometa

O 2000º cometa descoberto pelo SOHO.
Crédito: SOHO/Karl Battams.

Adivinhava-se para breve a descoberta do 2000º cometa do SOHO. Em actividade no espaço à quase 15 anos, o observatório solar tornou-se o mais prolífico caçador de cometas de sempre. Apesar de ter sido concebido para a monitorização da coroa solar, o seu coronógrafo LASCO mostrou-se particularmente eficiente na detecção de cometas com órbitas tangenciais ao Sol. Nos últimos anos, a crescente participação de astrónomos amadores na observação das imagens disponibilizadas pelo LASCO acelerou o ritmo de descobertas, atingindo só neste último mês de 2010 o impressionante número de 37.
O 1999º e o 2000º cometa foram ambos identificados pelo estudante polaco de Astronomia Michal Kusiak, em imagens captadas a 26 de Dezembro. Curiosamente, Kusiak tem sido ele próprio um dos grandes responsáveis pelo sucesso do SOHO, contando com mais de 100 cometas descobertos nas imagens do LASCO.
Mais de 85% dos cometas descobertos pelo SOHO pertencem à família Kreutz, um grupo de objectos resultantes da fragmentação de um cometa gigante que regularmente se desintegram na atmosfera solar (ver dois exemplos aqui e aqui).

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Cassini observa uma gigantesca tempestade em Saturno!

A Cassini fotografou no passado dia 24 de Dezembro de 2010 uma brilhante tempestade no hemisfério norte de Saturno. Imagem captada em infravermelho próximo (752 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

No início de Dezembro surgiu no hemisfério norte de Saturno uma mancha esbranquiçada que rapidamente se expandiu para formar uma gigantesca tempestade. O fenómeno foi observado pela primeira vez por astrónomos amadores e tem sido fotografado, desde então, pelo conhecido astrofotógrafo australiano Anthony Wesley.
Na semana passada foi a vez da sonda Cassini observar a estranha forma na face da Saturno. O sistema estende-se agora ao longo das latitudes médias do hemisfério norte, a partir de um foco brilhante com cerca de 6 mil quilómetros de diâmetro (cerca de metade do diâmetro da Terra!).

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Natal em Santa Maria

A cratera Santa Maria domina esta paisagem marciana fotografada pelo robot Opportunity a 16 de Dezembro de 2010 (sol 2451 da missão). Ao longe são visíveis as colinas da orla da cratera Endeavour.
Crédito: NASA/JPL-Caltech.

O robot Opportunity interrompeu a sua longa jornada através de Meridiani Planum para observar mais de perto Santa Maria, uma profunda cratera relativamente recente com cerca de 90 metros de diâmetro. A paragem coincide com as férias de Natal da equipa da missão e deverá estender-se até depois da próxima conjunção solar de Marte, que ocorrerá entre o final de Janeiro e meados de Fevereiro.
Durante grande parte da sua estadia em Santa Maria, o Opportunity deverá permanecer na orla da cratera, investigando pontos específicos em seu redor com os instrumentos do seu braço robótico. Esta será a última grande paragem antes do explorador marciano retomar a sua viagem até à cratera Endeavour, local onde irá encontrar pela primeira vez filossilicatos (minerais formados na presença de água líquida).

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Os penhascos de gelo de Dione

O terreno fracturado de Dione num mosaico de duas imagens captadas pela sonda Cassini a 20 de Dezembro de 2010. O norte está à direita.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/Sérgio Paulino.

Faltavam pouco mais de oito horas para o encontro de anteontem com Encélado quando a Cassini sobrevoou a superfície acidentada de Dione, a cerca de 100 mil quilómetros de distância. Como a aproximação foi realizada pelo lado nocturno da lua, a equipa de imagem da missão aproveitou a oportunidade para procurar possíveis jactos difusos de vapor de água e de partículas de gelo que pudessem denunciar a presença de fissuras activas semelhantes às encontradas em Encélado. Existem fortes suspeitas de que Dione é uma importante fonte de plasma na magnetosfera de Saturno, pelo que a Cassini tem sido instruída a realizar estas observações sempre que as passagens pela lua se mostrem favoráveis.
No entanto, o encontro não terminou sem antes a Cassini obter mais uma série de imagens, desta vez, cobrindo parte do complexo sistema de brilhantes desfiladeiros e penhascos que adorna um dos hemisférios de Dione. Formadas por falhas e fracturas, estas estruturas são a recordação dos múltiplos eventos tectónicos que moldaram a superfície desta lua de Saturno. Na imagem em cima são visíveis: Palatine Chasmata, rasgando a superfície de sul para norte em direcção ao terminador; Eurotas Chasmata, partindo da cratera Silvius em direcção a norte, até Clusium Fossae; e Chartage Fossae, estendendo-se para oeste através da grande cratera Turnus (visível a meio, quase de perfil).

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cursos de Astronomia e Astrofísica no OAL

O edifício do Observatório Astronómico de Lisboa, na Tapada da Ajuda, em Lisboa.
Crédito: Sérgio Paulino.

Estão abertas as inscrições para os Cursos de Astronomia e Astrofísica, organizados pelo Observatório Astronómico de Lisboa (OAL). Cada curso tem um número limitado de vagas (25 para cada), pelo que quem estiver interessado em se candidatar, deverá apressar-se a preencher o formulário de pré-inscrição. Os cursos decorrem a partir do fim de Janeiro, aos Sábados de manhã, no OAL, na Tapada da Ajuda, e custam entre 100 € para os Cursos Avançados e 200 € para o Curso de Iniciação (mais 25 € de taxa de pré-inscrição). Para mais informações consultem a página do OAL.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Imagens do eclipse total da Lua desta madrugada!

Esta madrugada em Portugal, o mau tempo não deu tréguas, pelo que poucos terão sido aqueles que conseguiram observar as primeiras fases do eclipse total da Lua (as únicas visíveis a partir do território nacional). Noutros locais do mundo a história foi diferente. Nos Estados Unidos não faltou quem desafiasse as baixas temperaturas da época para registar belas imagens do fenómeno. Na Austrália e na América do Sul, as últimas horas da Primavera garantiram a muitos boas condições para assistir a pelo menos parte do espectáculo.
Para quem não pôde beneficiar da clemência dos elementos, ou para quem queira apenas recordar a beleza do fenómeno, fica aqui o link para uma galeria recheada de fotografias captadas em diversos pontos do mundo. Deixo-vos também este belo vídeo de William Castleman com todas as fases do eclipse.

O eclipse total da Lua de 21 de Dezembro de 2010. As diferentes tonalidades visíveis durante a totalidade resultam de fenómenos de refracção e de dispersão da luz solar na atmosfera terrestre.
Crédito: William Castleman.

Solstício de Inverno

Ocorre hoje pelas 23:38 (hora de Lisboa) o Solstício. No Hemisfério Norte, este instante marca o início da estação mais fria do ano, o Inverno, e corresponde ao momento em que o Sol atinge a declinação mínima (altura mínima em relação ao equador). Esta estação prolonga-se por 88,99 dias até ao próximo Equinócio que ocorre no dia 20 de Março de 2011 às 23:21 (hora de Lisboa).
A palavra Solstício tem origem latina (Solstitium) e está associada à ideia que o Sol ficaria estacionário ao atingir os pontos extremos de declinação.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Eclipse total da Lua em dia de Solstício de Inverno

As diferentes fases do eclipse total da Lua de 21 de Dezembro de 2010, com respectivo horário na hora de Lisboa. O meio do eclipse ocorrerá logo após o ocaso da Lua em Portugal continental e na Madeira. As regiões mais populosas do Brasil poderão observar grande parte da fase de totalidade no final da madrugada.
Crédito: Larry Koehn (Shadow & Substance).

Amanhã Portugal vai despertar com um eclipse total da Lua. O mais provável é que a intempérie não permita a observação do fenómeno. No entanto, se o mau tempo der umas tréguas, poderão assistir ao nascer do Sol acompanhado a oeste pela Lua em pleno eclipse (caso não tenham sorte, a NASA vai transmitir aqui todo o espectáculo em directo).
Ao contrário do que acontece com os eclipses solares, não é necessário qualquer equipamento especial para observação dos eclipses da Lua. Apenas são recomendáveis céus limpos e bons agasalhos em noites frias como esta.
Curiosamente, o eclipse de amanhã ocorrerá no dia do solstício de Inverno no Hemisfério Norte. Tal coincidência só aconteceu uma vez nos últimos 2 mil anos, no dia 21 de Dezembro de 1638!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Juntem-se à caçada aos planetas extrasolares!


Tem sido um desafio monumental para a equipa da missão Kepler analisar a montanha de dados produzida em cerca de um ano e meio pelo primeiro telescópio espacial caçador de planetas extrasolares. São quase 150 mil estrelas a serem continuamente monitorizadas pelo Kepler em busca de pistas que possam denunciar em cada uma, um ou mais companheiros planetários.
Para tornar mais célere tal tarefa, os criadores do Galaxy Zoo e do Moon Zoo lançaram um novo interface para a partilha de dados científicos da missão com o cidadão comum. Denominado PlanetHunters, o projecto vai oferecer a todos os que queiram participar, a oportunidade de analisar as curvas dos espectros luminosos das estrelas observadas pelo Kepler, em busca de depressões que possam denunciar um planeta em trânsito. Extrair um objecto candidato destes dados será extremamente difícil. No entanto, caso algum participante tenha sucesso, partilhará os créditos da descoberta com a equipa da missão. Deixo-vos um vídeo com as instruções básicas para a utilização do site.
Boa caçada!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um mapa da iluminação solar no pólo sul da Lua

Mapa da região do pólo sul da Lua mostrando a negro os locais permanentemente sombrios. O pólo sul encontra-se aproximadamente a meio da imagem, encostado ao rebordo exterior da cratera Shackleton (19 km de diâmetro). Estão incluídas neste mapa todas as regiões a sul dos 88ºS de latitude.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

A equipa de imagem da Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) publicou ontem no seu blog este magnífico mapa da iluminação solar na região do pólo sul da Lua. Baseado em cerca de 1.700 imagens obtidas pela sonda americana num período de seis meses, o mapa identifica um conjunto de locais permanentemente escondidos da luz solar. O fenómeno resulta da pequena inclinação do eixo de rotação da Lua (1,5º em comparação aos 23,5º da Terra), que deixa o interior de muitas crateras polares submersas na escuridão ao longo de todo o ano. Actuando como verdadeiras armadilhas frias para a água e outros compostos voláteis, estes locais poderão oferecer no futuro recursos fundamentais para o sucesso de missões tripuladas à Lua.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sonda IKAROS completa viagem até Vénus

De acordo com informação da Emily Lakdawalla no blog da Sociedade Planetária, a missão IKAROS assinalou na semana passada outro marco de sucesso. Depois de ter velejado durante mais de 6 meses ao sabor do vento solar, a sonda nipónica executou no passado dia 8 de Dezembro uma passagem a cerca de 80 mil quilómetros de Vénus. Infelizmente a IKAROS não dispõe de qualquer câmara para assinalar o momento, pelo que vos deixo aqui os únicos dados disponíveis deste encontro: um gráfico publicado no blog da missão mostrando o desvio na trajectória da sonda provocado pela passagem a curta distância do planeta.

Trajectória da sonda IKAROS durante a passagem pelo planeta Vénus a 08 de Dezembro de 2010.
Crédito: ISAS/JAXA.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Descoberta uma espiral de poeira em redor do asteróide (596) Scheila

(596) Scheila e a sua nuvem de poeira.
Crédito: Associazione Friulana di Astronomia e Meteorologia.

A União Astronómica Internacional publicou ontem um telegrama (CBET nº2583) com o anúncio da descoberta de uma nuvem de poeira em redor do asteróide (596) Scheila. Steve Larson do Lunar and Planetary Laboratory (Universidade do Arizona) foi o primeiro a notar a forma difusa em imagens captadas através de um dos telescópios do programa Catalina Sky Survey. O fenómeno já foi, entretanto, confirmado por outros observadores.
Concorrem duas hipóteses para explicar a aparência cometária de Scheila. A primeira recorre à possibilidade do impacto de um pequeno objecto poder gerar grandes quantidades de rocha vaporizada em torno de um grande corpo rochoso (à semelhança do que aconteceu com P/2010 A2 (LINEAR)). Para o efeito bastaria um objecto com apenas 1 metro de diâmetro.
A segunda hipótese coloca em causa a própria identidade do asteróide. Provavelmente, Scheila é um dos elusivos cometas da Cintura de Asteróides, objectos com órbitas semelhantes à dos asteróides, mas cujas características físicas são típicas das dos cometas. Nesse caso, a causa da súbita aparição da nuvem de poeira seria a exposição de bolsas de materiais voláteis à radiação solar.
Scheila tem cerca de 113 km de diâmetro. Descoberto a 21 de Fevereiro de 1906 por August Kopff, recebeu o nome de uma aluna inglesa sua conhecida, estudante na Universidade de Heidelberg.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cavernas em Marte?

A Mars Reconnaissance Orbiter fotografou no passado dia 01 de Novembro de 2010 estes dois grandes buracos (respectivamente, da esquerda para a direita, 180 e 310 metros de diâmetro) no planalto vulcânico de Tharsis, a noroeste de Ascraeus Mons. A imagem foi reprocessada de forma a revelar pormenores do seu interior.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

A câmara de alta resolução HiRISE da Mars Reconnaissance Orbiter continua a fotografar uma variedade impressionante de paisagens na superfície de Marte. Recentemente, observou no planalto a norte de Tharsis Montes, um par de profundos buracos alinhados com o que parece ser uma série de depressões erodidas pelo vento. Ambas as estruturas têm paredes verticais a este e uma inclinação mais suave no rebordo oeste. No seu interior é possível observar grandes blocos rochosos contornados por dunas de areia nos locais mais expostos ao vento. Serão estas estruturas entradas para sistemas de cavernas?

sábado, 11 de dezembro de 2010

Adeus, Vénus...

O planeta Vénus fotografado a 09 de Dezembro de 2010 pela Akatsuki, a 600 mil quilómetros de distância. Imagem captada pela câmara de ultra-violeta (365 nm de comprimento de onda).
Crédito: ISAS/JAXA.

A JAXA continua a investigar de forma exaustiva as causas da falha técnica que impediu a entrada da Akatsuki na órbita de Vénus. Entretanto, a equipa da missão encontra-se ocupada a testar vários componentes da sonda, incluindo três das cinco câmaras destinadas à observação da atmosfera venusiana. As imagens resultantes deste teste demonstram que, pelo menos, parte do equipamento científico está em excelentes condições. No entanto, são também o espelho de uma triste realidade. Mostram um planeta cada vez mais distante da sonda nipónica; um local que a Akatsuki não voltará a alcançar senão daqui a 6 anos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sonda japonesa Akatsuki falhou entrada na órbita venusiana

Representação artística da sonda Akatsuki em Vénus.
Crédito: JAXA/Akihiro Ikeshita.

Foi ontem confirmado pela JAXA: a Akatsuki falhou a entrada na órbita de Vénus. De acordo com a agência espacial japonesa, a manobra de inserção orbital foi interrompida permaturamente por uma anomalia que colocou a sonda em modo de segurança.
A Akatsuki encontra-se actualmente numa órbita solar, com cerca de 80% do combustível inicial. Apesar de todos os intrumentos permanecerem operacionais, a sonda adquiriu uma lenta rotação que limita o contacto rádio com a Terra por períodos de 40 segundos. Os engenheiros da missão tem estado a trabalhar na sua estabilização, de forma a poderem recuperar em pleno todas as comunicações. Se tudo correr bem, a Akatsuki terá nova oportunidade para realizar a inserção orbital em Vénus na próxima passagem pelo planeta em Dezembro de 2016.
A JAXA criou, entretanto, uma equipa de investigação para averiguar as causas desta falha. Está também em estudo a programação de algumas actividades científicas alternativas, para o caso da sonda nipónica não conseguir abandonar a sua actual trajectória.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Erupção de megafilamento observada pelo SDO

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Espectacular erupção de um gigantesco filamento, ilustrada aqui numa animação construída com 40 imagens captadas a 06 de Dezembro de 2010 pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) do Solar Dynamics Observatory, através do canal de 304 Å (He II).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/animação de Sérgio Paulino.

O Solar Dynamics Observatory observou anteontem a erupção de um megafilamento magnético com cerca de 700 mil quilómetros de comprimento! A gigantesca estrutura manteve-se estável acima da superfície solar durante pelo menos uma semana, antes de colapsar perto do rebordo sudoeste do disco solar. Apesar de violenta, esta erupção não deverá produzir qualquer alteração significativa na actividade geomagnética.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Vida baseada no Arsénio

GFAJ-1, uma estirpe de gamaproteobactérias da família Halomonadaceae, crescendo em meio rico em arsénio e sem fósforo.
Crédito: Jodi Switzer Blum.

Foi uma longa semana de intensa especulação até ao anúncio oficial da NASA, na passada quinta-feira, da descoberta de uma bactéria extremófila que pode substituir o fósforo (P) por arsénio (As) em todos os seus processos metabólicos. Depois de um sem número de mentiras disseminadas pela internet (a maioria relacionando a conferência de imprensa com a descoberta de vida extraterrestre), a verdadeira notícia revelou-se igualmente bombástica em muitos aspectos. Nos meios científicos foi recebida com grande entusiasmo - aqui estava uma forma de vida que aparentemente poderia sobreviver sem um dos seis elementos considerados essenciais para a vida: carbono, oxigénio, hidrogénio, azoto, enxofre e fósforo. Nos meios de comunicação social foi repeditadamente mal interpretada, perdendo grande parte dos pormenores que a tornavam importante - a notícia nada tinha a ver com vida extraterrestre, apenas tinha fortes implicações na forma como definimos vida e como a procuramos em ambientes fora da Terra.
Não vou divagar mais sobre a importância desta (alegada) descoberta, porque outros já o fizeram de forma exaustiva em português aqui, e em inglês aqui, aqui e aqui. No entanto, passados alguns dias, achei que valeria a pena pronunciar-me um pouco sobre a validade do trabalho apresentado pelo grupo de investigadores do Instituto de Astrobiologia da NASA.
Não sou um perito em Microbiologia, mas bastou uma leitura cuidadosa do respectivo artigo para que a minha opinião inicial sobre a dimensão desta descoberta fosse afectada. Pareceu-me que, tal como já havia acontecido com o anúncio da descoberta de estruturas fossilizadas com possível origem biológica num meteorito proveniente de Marte, a NASA montou rapidamente um circo mediático com base num trabalho pouco sustentado pela evidência científica. São demasiado grandiosas as conclusões a que os investigadores chegam, tendo em conta que não apresentam uma prova definitiva de que as bactérias usadas no estudo tenham, de facto, incorporado o elemento As em moléculas tão vitais como o ADN, o ATP ou os fosfolípidos. Sem esta permissa, penso que o aparato da passada quinta-feira não faz qualquer sentido.
É lamentável que uma instituição como a NASA (e, já agora, uma revista conceituada como a Science) suporte e promova trabalhos científicos com pouca resistência à crítica fundamentada como a que é apresentada, por exemplo, neste artigo. Este tipo de atitude foi prática corrente, por exemplo, em missões emblemáticas como a missão Galileo, onde o apoio incondicional a um grupo restrito de investigadores promoveu o mediatismo de conceitos fracamente fundamentados (e, provavelmente, incorrectos) sobre a geologia de Europa (para mais pormenores, aconselho a leitura deste livro). É uma atitude que mistura política de financiamento com jogos de poder, e que em nada benificia a ciência e a sua imagem na sociedade. Neste campo ganharíamos todos se a NASA aprendesse com os seus próprios erros, e usasse apenas o rigor científico para promover os seus colaboradores e respectivas instituições.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sobrevoando belas paisagens marcianas

Já vos tinha falado aqui e aqui de algumas das espectaculares animações 3D criadas por Adrian Lark. Recentemente, Adrian publicou no seu canal do YouTube mais animações simulando voos sobre paisagens marcianas. Deixo-vos aqui as minhas favoritas.

Zumba, uma cratera bastante recente com cerca de 3 km de diâmetro, localizada em Daedalia Planum, a sudoeste dos grandes vulcões de Tharsis. Animação 3D criada por Adrian Lark (Mars3D.com), a partir de modelos topográficos digitais e imagens da NASA.
Crédito: Adrian Lark (animação)/NASA /JPL/UA(dados topográficos e imagens).

Uma duna com 200 metros de altura e a evidência de uma avalanche de areia. Animação 3D criada por Adrian Lark (Mars3D.com), a partir de modelos topográficos digitais e imagens da NASA.
Crédito: Adrian Lark (animação)/NASA /JPL/UA (dados topográficos e imagens).

Estranha Hiperião

Hiperião, a oitava maior lua de Saturno. Para criar esta composição em cores aproximadamente verdadeiras, foram combinadas imagens captadas a 28 de Novembro de 2010, a uma distância de cerca de 113 mil quilómetros, pelo sistema de imagem da sonda Cassini, através de filtros de ultravioleta (338 nm), verde (568 nm) e infravermelho próximo (752 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/composição a cores de Sérgio Paulino.

Depois de ter permanecido mais de 3 semanas em modo de segurança devido a um erro grave no computador de bordo, a sonda Cassini regressou na semana passada ao seu normal funcionamento. A actividade científica da missão foi reiniciada no passado dia 26 de Novembro, primeiro com uma pequena série de observações da lua Titã a uma distância de 1,94 milhões de quilómetros, e posteriormente com a captação de imagens do pólo sul de Saturno, em busca da esquiva aurora austral. No domingo, a Cassini efectou uma passagem não programada por Hiperião, uma grande lua de forma irregular localizada numa órbita exterior à de Titã.

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Animação composta por 7 imagens captadas pela sonda Cassini a 28 de Novembro de 2010, durante a sua aproximação a Hiperião.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/animação de Sérgio Paulino.

Hiperião é talvez a lua mais estranha de Saturno. A sua superfície encontra-se coberta por crateras profundas que lhe conferem o aspecto de uma esponja. No fundo de grande parte das crateras é possível observar a presença de um material escuro: provavelmente compostos orgânicos acumulados pela lenta sublimação de materiais voláteis nestes locais.
No entanto, a semelhança de Hiperião com uma esponja vai além do seu aspecto. Dados obtidos pela sonda Cassini durante as suas passagens pela lua em 2005 e 2006 confirmaram que Hiperião tem uma porosidade superior a 40%, o que sugere uma estrutura interna semelhante a uma pilha de fragmentos de gelo e poeira fracamente acrecionados pela força da gravidade.

sábado, 27 de novembro de 2010

Bolas de neve em Hartley 2

Nuvem de partículas de gelo em redor do núcleo do cometa 103P/Hartley 2. Imagem captada pela câmara de alta resolução HRI da sonda EPOXI durante a sua aproximação ao cometa a 4 de Novembro de 2010.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UMD.

A equipa científica da missão EPOXI organizou na semana passada uma conferência de imprensa para anunciar alguns dos primeiros resultados do encontro da reciclada sonda Deep Impact (agora formalmente conhecida como EPOXI) com o cometa 103P/Hartley 2. De acordo com Jessica Sunshine, a investigadora principal da missão, os dados obtidos no encontro de 4 de Novembro revelaram que, apesar de Hartley 2 ser o cometa mais pequeno alguma vez visitado por uma sonda, é também certamente o mais interessante de todos. As imagens de alta resolução desvendaram um núcleo cometário com jactos de gás extremamente activos, expelindo grandes partículas de gelo com a consistência de bolas de neve!

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Animação composta de duas imagens captadas pela EPOXI a 4 de Novembro de 2010 com alguns segundos de diferença. Reparem na estrutura tridimensional da nuvem de partículas ejectada da superfície do cometa Hartley 2.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UMD/Brown University.

A equipa estimou um diâmetro de algumas dezenas de centímetros para os fragmentos de maior dimensão. A análise da telemetria da EPOXI revelou, pelo menos, nove impactos de pequenos pedaços de gelo na estrutura da sonda durante os dez minutos em redor do ponto de maior aproximação à superfície do núcleo do cometa. Aparentemente, não foi provocado qualquer dano em nenhum dos instrumentos.
Outro aspecto surpreendente, notado logo de imediato nas imagens de alta resolução pelos cientistas da missão, foi o facto dos violentos jactos observados no cometa estarem a ser alimentados por grandes quantidades de dióxido de carbono. Curiosamente, este comportamento foi observado apenas nos dois lobos distais do núcleo. O estreito pescoço que liga estas regiões mais activas apresentou uma actividade mais contida, muito semelhante ao observado em 2005 na superfície do núcleo do cometa Tempel 1, durante a visita da missão Deep Impact.

A dupla personalidade de Hartley 2. Dados obtidos pelo espectrómetro de infravermelhos da sonda EPOXI revelaram diferentes materiais nos jactos do núcleo do cometa. Nos jactos observados nos dois lobos distais foi detectada uma mistura de dióxido de carbono, partículas de gelo e de poeira, enquanto que em redor da região intermédia verificou-se apenas a presença de uma nuvem de vapor de água.
Crédito: NASA/JPL/UMD.

A EPOXI vai continuar a observar o cometa Hartley 2 até ao próximo dia 30 de Novembro, captando imagens ao ritmo de 3.000 por dia. O encontro deverá então totalizar cerca de 2 Gb de dados, uma pilha de informação a ser explorada pelos cientistas da missão durante os próximos tempos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Instabilidade atmosférica na Cintura Equatorial Sul de Júpiter está a alastrar

O gigante Júpiter numa imagem captada na banda do infra-vermelho pelo astrónomo amador Anthony Wesley. A anomalia atmosférica observada pela primeira vez no passado dia 9 de Novembro, multiplica-se agora numa série de nuvens negras alongadas (assinaladas com um círculo vermelho), na região da Cintura Equatorial Sul.
Crédito: Anthony Wesley.

Júpiter parece estar definitivamente a recriar a sua Cintura Equatorial Sul (CES). Astrónomos amadores em todo o mundo têm observado nas últimas duas semanas a expansão do foco de instabilidade atmosférica identificado no passado dia 9 de Novembro. Aparentemente, a estrutura tem vindo a desdobrar-se numa série de células convectivas que se elevam agora bastante acima do topo das nuvens em redor.
Mantenham-se atentos a mais novidades!

domingo, 21 de novembro de 2010

Um final alternativo para o filme Star Trek

Gostei bastante do último filme da saga Star Trek. Penso que os argumentistas foram bem sucedidos na criação de uma realidade alternativa para as personagens da série original. Certamente só não se lembraram deste final para o filme...

sábado, 20 de novembro de 2010

Espectaculares vídeos captados pela sonda chinesa Chang'E-2

A responsável e principal contribuidora do blog da Sociedade Planetária Emily Lakdawalla publicou esta semana cinco espectaculares vídeos captados pelas câmaras de monitorização de alguns sistemas vitais da sonda Chang'E-2. Os vídeos foram captados em momentos chave da viagem da sonda chinesa à Lua e mostram algumas das manobras críticas da missão emolduradas por belos cenários espaciais.

Abertura dos paíneis solares da Chang'E-2 a 1 de Outubro de 2010, pouco depois do lançamento da sonda para o espaço. Primeiro é mostrada uma simulação computorizada da manobra, seguida das imagens captadas pela câmara. A sonda reposiciona-se após a abertura dos paíneis solares, trazendo a orbe brilhante da Terra para o campo de visão da câmara.
Crédito: CNSA/tv.people.com.cn.

Sistemas de propulsão em funcionamento durante a primeira manobra de inserção orbital executada a 6 de Outubro de 2010. Depois da simulação computorizada da manobra, o vídeo mostra a queima de combustível por um dos propulsores da Chang'E-2 sobre uma paisagem lunar que entretanto mergulha na escuridão do lado nocturno.
Crédito: CNSA/tv.people.com.cn.

Primeira manobra de ajuste da órbita lunar da Chang'E-2, executada a 8 de Outubro de 2010. Reparem no brilho do propulsor pouco depois da entrada da sonda no lado nocturno da Lua.
Crédito: CNSA/tv.people.com.cn.

Segunda manobra de ajuste da órbita lunar da Chang'E-2, executada a 9 de Outubro de 2010. A sonda completa uma série de reposicionamentos antes do propulsor iniciar uma queima de combustível.
Crédito: CNSA/tv.people.com.cn.

A superfície lunar na região de Sinus Iridum, observada pela Chang'E-2 a 29 de Outubro de 2010, a uma altitude de 15 km.
Crédito: CNSA/tv.people.com.cn.

JAXA confirma a presença de pequenos fragmentos de Itokawa na cápsula de amostras da Hayabusa!

A JAXA já tinha confirmado a presença de pequenas partículas microscópicas no interior da cápsula de amostras da Hayabusa; faltava verificar se a sua origem era terrestre ou se seriam amostras da superfície de Itokawa. Foi este o trabalho minucioso que ocupou os cientistas nipónicos durante os últimos meses, e que agora culmina com a anúncio oficial de que as partículas são, de facto, oriundas do pequeno asteróide.

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Sequência de 39 imagens de Itokawa captadas pela sonda Hayabusa a 27 de Setembro de 2005, mostrando algumas das regiões mais acidentadas do pequeno asteróide de 535 m de comprimento.
Crédito: JAXA/ISAS/processamento e animação de Sérgio Paulino.

Quais foram os critérios usados para a verificação da origem das partículas?
Convém referir que apenas foi recolhido e analisado material particulado do compartimento A da cápsula das amostras (o compartimento B deverá ser analisado posteriomente). Foram identificados nesse material, através da sua observação e da análise por microscopia electrónica de varrimento, cerca de 1.500 fragmentos rochosos, a maioria dos quais com um tamanho inferior a 10 μm.

Imagem captada através de um microscópio electrónico de varrimento mostrando uma porção da espátula de teflon usada para a recolha do material particulado do interior do compartimento A da cápsula das amostras da Hayabusa. São visíveis entre alguns artefactos de alumínio (setas azuis), uma partícula de olivina e outra de piroxena (setas vermelhas).
Crédito: JAXA.

Contam-se entre os minerais mais abundantes identificados nos fragmentos rochosos a olivina e a piroxena, seguida da plagioclase e do sulfureto de ferro. Embora estes sejam minerais comuns na crusta terrestre, os cientistas nipónicos verificaram que a abundância relativa dos elementos Fe e Mg nas amostras, não só é diferente da encontrada nas rochas da Terra, como é semelhante à observada na superfície de Itokawa pelos instrumentos da Hayabusa. Não foi identificado nas amostras fragmentos de rocha ígnea, pelo que se excluiu qualquer possibilidade de contaminação das amostras com material de origem terrestre.

Gráfico mostrando a abundância relativa de Fe e de Mg: na olivina e na piroxena das partículas isoladas do interior do compartimento A, em material de referência (rochas típicas do manto terrestre), e na superfície de Itokawa. Reparem na concordância entre a composição medida na superfície do asteróide pela sonda Hayabusa e a detectada nas amostras.
Crédito: JAXA.

Estas foram as primeiras amostras da superfície de um asteróide devolvidas à Terra, pelo que depois de tamanho sucesso a JAXA tem agora de centrar os seus os esforços numa análise mais detalhada da composição química dos pequenos fragmentos. Dado o tamanho das amostras, este será certamente um trabalho difícil que exigirá o desenvolvimento de técnicas especiais de manipulação. No entanto, como já demonstraram todos os que estiveram envolvidos nesta espectacular missão, não existem impossíveis, pelo que em breve teremos certamente novas e excitantes notícias.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Divulgadas as primeiras imagens da sonda chinesa Chang'E-2

Reconstrução tridimensional da cratera Laplace A na Lua, obtida a partir de imagens captadas pela sonda Chang'E-2 a 28 de Outubro de 2010.
Crédito: CNSA/CLEP.

A Administração Nacional Espacial da China (CNSA) divulgou na semana passada as primeiras imagens da superfície lunar captadas pela sonda Chang'E-2 (ver mais imagens aqui). Entre as regiões até agora fotografadas conta-se Sinus Iridum, um dos locais candidatos para a alunagem do robot que irá ser transportado pela futura sonda Chang'E-3 (a ser lançada em 2013).

O primeiro-ministro da República Popular da China Wen Jiabao mostrando numa cerimónia oficial uma das imagens captadas na região de Sinus Iridum pela sonda chinesa Chang'E-2 a 28 de Outubro de 2010.
Crédito: CNSA/CLEP.

A Chang'E-2 deverá completar a sua missão de mapeamento da Lua nos próximos 6 meses. Ainda não se sabe, no entanto, qual será o seu destino final. A CNSA pondera entre outras hipóteses, o regresso da sonda à Terra ou a incursão numa nova missão a um asteróide próximo do nosso planeta.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Uma noite de Outono vista do espaço

O território nacional ao início da noite, visto a partir da Estação Espacial Internacional.
Crédito: Douglas H. Wheelock/NASA.

À imagem do que já havia sido feito pelo astronauta nipónico Soichi Noguchi, o comandante da Expedição 25 à Estação Espacial Internacional Douglas H. Wheelock tem partilhado no Twitter algumas belas fotografias da superfície do nosso planeta (e não só) captadas a cerca de 350 km de altitude. Recentemente, Wheelock apontou a sua câmara em direcção ao território nacional para fotografar este magnífico cenário imerso na escuridão das primeiras horas da noite. Apesar do negrume dominar a imagem, reconhecem-se facilmente os contornos da costa portuguesa desde a região de Aveiro (em baixo) até ao Algarve (a meio da imagem), pela intensa luminosidade dos grandes centros urbanos costeiros.

SDO observa fusão de manchas solares

O Sol tem estado bastante activo nas últimas semanas, produzindo algumas das mais intensas erupções observadas este ano. Apesar de se manifestar com erupções pouco energéticas, a região AR1117 contou-se entre as regiões mais dinâmicas dos últimos tempos. Durante três dias, a região duplicou a sua área, fundindo alguns dos seus núcleos activos em manchas solares com um diâmetro comparável ao da Terra. O Solar Dynamics Observatory registou toda acção neste espectacular vídeo construído com imagens obtidas pelo instrumento HMI.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um olhar sobre o planeta azul

A astronauta Tracy Caldwell Dyson observa a Terra a partir da cúpula da Estação Espacial Internacional, numa imagem captada em Setembro passado.
Crédito: Douglas H. Wheelock/NASA.

O astronauta Douglas H. Wheelock tem partilhado via Twitter belas imagens captadas na Estação Espacial Internacional desde a sua chegada em Junho passado. A maioria são magníficas fotografias do nosso planeta, mas talvez nenhuma capte tão bem a essência da aventura humana no espaço como esta imagem da astronauta americana Tracy Caldwell Dyson contemplando a Terra a partir da cúpula da Estação Espacial Internacional. É uma imagem poética que transpira emoção, a emoção das viagens e da exploração longe da única casa que conhecemos.

sábado, 13 de novembro de 2010

Estará a Cintura Equatorial Sul de Júpiter a reaparecer?

Em Maio passado escrevi aqui sobre o recente desaparecimento da Cintura Equatorial Sul (CES) de Júpiter, uma das duas proeminentes bandas escuras visíveis na face do gigante gasoso. Este é um fenómeno recorrente que já terá acontecido pelo menos 14 vezes desde a sua descoberta no início do século XX. Geralmente, a CES recupera o seu aspecto normal ao fim de 1 a 3 anos, após uma complexa sequência de fenómenos meteorológicos globais que se desenvolvem a partir de um pequeno e súbito foco de instabilidade atmosférica na região equatorial de Júpiter (ver o artigo de 1996 de A. Sanchez-Lavega e J. M. Gomez "The South Equatorial Belt of Jupiter, I: Its Life Cycle" para mais informações).

Duas imagens de Júpiter obtidas pelo astrónomo amador Anthony Wesley, com cerca de um ano de intervalo. A Cintura Equatorial Sul (CES) desapareceu este ano, deixando a Cintura Equatorial Norte (CEN) como única banda escura visível através de pequenos telescópios.
Crédito: Anthony Wesley / anotações e montagem de Sérgio Paulino.

Desde que o desvanecimento da CES foi notado, os astrónomos têm monitorizado o planeta em busca desse primeiro foco de instabilidade. Aparentemente a espera terminou esta semana. No dia 9 de Novembro, o astrónomo amador Christopher Go localizou uma mancha esbranquiçada anómala acima das nuvens jovianas equatoriais, que poderá corresponder ao início do tão aguardado fenómeno. A mancha já foi observada entretanto por outros astrónomos, que não só confirmaram a sua presença como também verificaram mudanças dramáticas no seu aspecto. Será mesmo este o início do regresso da CES à face de Júpiter?

Pequena instabilidade atmosférica na região equatorial de Júpiter, numa imagem captada através de um telescópio amador a 12 de Novembro de 2010.
Crédito: Christopher Go.

domingo, 7 de novembro de 2010

Visita ao Novo Planetário Digital de Atenas

O Novo Planetário Digital da Fundação Eugenides, em Atenas.
Crédito: Sérgio Paulino.

Estou numa rápida visita à histórica cidade de Atenas, por coincidência, em pleno fim-de-semana de eleições regionais! Como é óbvio, planeei a visita a alguns pontos de interesse, como por exemplo, o Museu Arqueológico Nacional e a Acrópole. Infelizmente hoje, devido às eleições, os monumentos nacionais em Atenas estavam encerrados, pelo que tive tempo para fazer uma visita ao Novo Planetário Digital da Fundação Eugenides, um dos mais modernos planetários do mundo. Confesso que fiquei surpreendido com a qualidade das instalações e com o leque de espectáculos que oferece na sua cúpula de 25 metros de diâmetro.
"A Grande Aventura" foi a sessão que escolhi para assistir, entre as 20 disponíveis em diferentes horários. Nesta sessão, durante cerca de 40 minutos, o público é transportado numa espectacular viagem tridimensional pela aventura humana da exploração espacial. São explicados, numa primeira fase, alguns detalhes do rigoroso treino dos astronautas, dos efeitos que a longa exposição à microgravidade tem no corpo humano, e da vida dos astronautas na Estação Espacial Internacional. A sessão termina com uma viagem a Marte e aos planetas exteriores, focando o papel de missões robóticas como a Mariner 9 ou as Voyager, no conhecimento que temos destes mundos. Ficou-me particularmente na memória uma fenomenal passagem pelo interior dos anéis de Saturno!
Recomendo que, caso passem por Atenas, não deixem de visitar este planetário. Fica um pouco longe do centro, em direcção à região portuária de Pireu, mas vale a pena a viagem até lá. Apenas lamento não termos algo semelhante em Lisboa.

sábado, 6 de novembro de 2010

Hartley 2 em movimento!


Daniel Machácek, um dos membros do UnmannedSpaceflight.com, criou esta surpreendente animação do Hartley 2 com apenas as primeiras 5 imagens disponibilizadas pela NASA logo após o encontro da EPOXI com o cometa na passada quinta-feira.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Hartley 2!

Montagem de 5 imagens captadas pela sonda EPOXI, mostrando o cometa 103P/Hartley 2 durante a sua passagem a 04 de Novembro de 2010.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UMD.

A NASA somou ontem mais um sucesso com a passagem da EPOXI pelo cometa 103P/Hartley 2. Apesar de viajar a mais de 44.000 km/h, a sonda americana conseguiu recolher imagens nítidas da superfície do núcleo do pequeno cometa. Aparentemente, existem duas regiões em Hartley 2: uma primeira muito rugosa e com intensas erupções, correspondente aos dois lobos distais; e uma segunda inactiva e lisa, distinguível no estreito pescoço que liga os dois lobos.
A EPOXI vai agora prosseguir com a monitorização da actividade do núcleo do cometa, um trabalho que deverá estar concluído daqui a três semanas.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

EPOXI visita amanhã o cometa 103P/Hartley 2

A EPOXI vai executar amanhã pelas 13:50 (hora de Lisboa) o primeiro encontro próximo de uma sonda terrestre com o cometa periódico 13P/Hartley 2. A passagem da sonda a 700 km do núcleo cometário vai permitir à câmara de alta-resolução HRI a recolha de imagens com uma resolução máxima de 7 metros/pixel.
Segundo observações de radar realizadas recentemente pelo Observatório de Arecibo, o cometa possui um núcleo muito alongado, com cerca de 2,2 km de comprimento, e um período de rotação de cerca de 18 horas. A EPOXI deverá encontrar o pequeno núcleo num período de intensa actividade, depois da recente passagem de Hartley 2 pelo periélio. A sonda pôde já presenciar na semana passada uma série de espectaculares erupções, algumas particularmente surpreendentes pela sua intensidade.

Sequência de imagens do núcleo cometário de Hartley 2 captadas a 26 de Outubro de 2010 pela câmara HRI da sonda EPOXI, durante um período de 16 horas. Ambos os páineis mostram a mesma sequência. No painel da direita a coma do cometa foi subtraída de modo a evidenciar os jactos emanados pelo núcleo.
Crédito: Donald J. Lindler, Sigma Space Corporation and NASA/JPL-Caltech/UMD.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O ponto mais elevado da Lua

A seta vermelha aponta para o ponto mais elevado da Lua nesta imagem obtida pela Lunar Reconnaissance Orbiter no passado 12 de Agosto de 2010.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Qual é o ponto mais elevado da Lua?
O Lunar Orbiter Laser Altimeter (LOLA), o instrumento da Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) responsável pela construção de um modelo topográfico tridimensional da superfície lunar, definiu recentemente a sua localização precisa - um ponto 10786 metros acima da altitude média da Lua, situado nas proximidades de Engel'gradt, uma cratera com cerca de 44 km de diâmetro localizada no lado mais distante da Lua. Ao contrário do Monte Everest, a montanha mais alta da Terra, o ponto mais elevado da Lua é muito antigo. A região onde se situa, deverá ter sido formada em poucos minutos pela acumulação de ejecta resultante do impacto cataclísmico que escavou a gigantesca bacia Pólo Sul-Aitken.

Mosaico de imagens captadas pela LRO mostrando a cratera Engel'gradt e o local onde se situa o ponto mais elevado da Lua (marcado com uma seta branca).
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SDO observa filamento gigante em erupção

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Um gigantesco filamento magnético eleva-se acima da superfície solar nesta sequência de 44 imagens captadas a 27 e 28 de Outubro de 2010 pelo instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA), a bordo do Solar Dynamics Observatory (SDO), através do canal de 304 Å (He II).
Crédito: SDO(NASA)/AIA consortium/animação de Sérgio Paulino.

Um gigantesco filamento elevou-se ontem, ao início da madrugada, no rebordo oeste do disco solar. A estrutura pairou durante algumas horas a mais de 350 mil quilómetros acima da superfície solar, antes de produzir uma espectacular erupção. A nuvem de plasma foi lançada no espaço numa direcção perpendicular à da Terra, pelo que não deverá produzir alterações significativas na actividade geomagnética.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

LCROSS encontra água e outros compostos voláteis no pólo sul da Lua

Esta foi uma notícia amplamente divulgada na semana passada nos meios de comunicação social em todo o mundo. Foram finalmente publicados na revista Science os resultados da missão da NASA Lunar CRater Observation and Sensing Satellite (LCROSS), a mesma missão que no ano passado conduziu a parte superior de um foguetão Centauro a uma colisão directa com a superfície de uma das crateras permanentemente sombrias do pólo sul da Lua.
Como já havia sido antecipado nas semanas que se seguiram ao impacto, a sonda LCROSS detectou quantidades substanciais de água no interior da cratera Cabeus. Localizada nas proximidades do pólo sul da Lua, esta cratera é um dos poucos locais da superfície lunar permanentemente escondidos da luz solar. Consequentemente, Cabeus encontra-se entre os locais mais frios conhecidos no Sistema Solar.

Mapa das temperaturas observadas na região do pólo sul da Lua durante os meses de Setembro e Outubro de 2009, pelo Diviner Lunar Radiometer Experiment, um dos sete instrumentos científicos da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter. O mapa revela algumas das regiões mais frias da superfície lunar. Situados nos fundos sombrios das crateras mais profundas da região, estes locais poderão funcionar como armadilhas frias para a água e para outros compostos voláteis. O local de impacto da sonda LCROSS encontra-se sinalizado no interior de Cabeus, uma cratera com temperaturas inferiores a 100 K (-173 ºC).
Crédito: UCLA/NASA/JPL/GSFC.

Depois de um ano de análise detalhada dos resultados recolhidos pela sonda LCROSS e pela Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), os investigadores da missão concluiram que o impacto da parte superior do foguetão Centauro criou uma cratera com cerca de 25 a 30 metros de diâmetro no interior da cratera Cabeus. Logo após o impacto, a sonda LCROSS observou cerca de 4 a 6 mil quilogramas de detritos a elevarem-se acima das montanhas que delimitam Cabeus. Cerca de 155 quilogramas de material da nuvem de ejecta foram identificados como água sob a forma de vapor e de gelo, o que permitiu à equipa da missão estimar que aproximadamente 5,6% (±2,9%) do total da massa localizada no interior da cratera corresponderia a água no estado sólido. O vapor de água foi detectado sob duas formas de moléculas de hidróxilo: uma primeira resultante do calor do impacto, e uma segunda formada por fotólise das moléculas de água (por exposição à luz solar).

A vertente norte da cratera Cabeus fotografada pela Lunar Reconnaissance Orbiter a 12 de Outubro de 2009, dois dias e meio depois do impacto da LCROSS.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

A água não foi o único composto volátil identificado nos dados recolhidos pelos instrumentos da LCROSS. Observações realizadas com o instrumento LAMP (Lyman Alpha Mapping Project) permitiram a identificação na nuvem de ejecta de outros materiais, alguns completamente inesperados. Em termos de massa, os compostos voláteis mais abundantes (para além da água) foram o monóxido de carbono e o ácido sulfídrico. O LAMP detectou ainda em menores quantidades: dióxido de carbono, dióxido de enxofre, metano, formaldeído, hidrocarbonetos (provavelmente etileno), amónia, mercúrio e prata. Curiosamente, o metano e a amónia surgem em concentrações relativas à massa total da água, semelhantes ao que se observa nos cometas, o que sugere a participação de impactos cometários na acumulação destes compostos no interior das crateras lunares permanentemente sombrias. As elevadas concentrações de metano e de ácido sulfídrico indiciam, por outro lado, a presença de actividade química no solo lunar, apesar das baixas temperaturas detectadas nestas regiões. Quais as fontes de energia envolvidas na manutenção de reacções químicas nestes lugares extremos da superfície lunar, mantém-se um mistério.
Em resumo, a missão LCROSS foi um verdadeiro sucesso. A sonda encontrou água em abundância na interior da cratera Cabeus, quantidades aparentemente suficientes para, em teoria, poderem suportar missões tripuladas prolongadas à Lua. A detecção de outros compostos voláteis sugere a participação de complexos processos dinâmicos na sua acumulação e na sua distribuição ao longo das crateras permanentemente escondidas da luz solar.
Para mais informações consultem os respectivos artigos publicados na revista Science.

sábado, 23 de outubro de 2010

Assistam em directo à montagem do próximo robot a visitar Marte!

O JPL (acrónimo inglês de Laboratório de Propulsão a Jacto) instalou esta semana uma webcam na sala limpa onde está a ser montado o Curiosity, o próximo robot a visitar a superfície marciana. Poderão assistir em directo a toda a actividade de montagem e teste de um robot que em 2012 estará a explorar a superfície de Marte!


Durante todo o fim-de-semana, como é óbvio, vão encontrar a sala sem qualquer actividade. No entanto, como tive oportunidade de confirmar ontem, nos dias da semana poderão observar vários engenheiros da NASA vestidos com fatos e máscaras brancos, trabalhando arduamente na complexa estrutura do robot; alguns com bastante estilo...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Momentos derradeiros da vida de um cometa

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Sequência de 48 imagens mostrando um recém-descoberto cometa num aparente mergulho vertiginoso em direcção ao Sol. As imagens foram captadas nas primeiras horas do dia 21 de Outubro de 2010, pelo coronógrafo LASCO, um dos 11 instrumentos científicos que se encontram a bordo do SOHO.
Crédito: LASCO/SOHO Consortium/NRL/ESA/NASA/animação de Sérgio Paulino.

O SOHO observou ontem o mergulho suicida de um cometa em direcção ao Sol. Aparentemente, o objecto volatizou-se pouco antes de completar o seu voo rasante pela escaldante atmosfera solar.

O cometa kamikaze foi descoberto no passado dia 19 de Outubro pelo caçador de cometas chinês Bo Zhou, em imagens captadas pelo coronógrafo do SOHO. O novo objecto é provavelmente um membro da família Kreutz, um grupo de cometas resultantes da fragmentação de um cometa gigante há pelo menos 2.000 anos.

São mais de 1.900 os cometas descobertos até hoje em imagens do SOHO. Para comemorar tal desempenho, a equipa da missão lançou recentemente o SOHO 2000th Comet Contest, um concurso que propõe a todos os que estejam interessados em participar, a realização de uma previsão da data e da hora da descoberta do seu duomilésimo cometa. O vencedor será aquele cuja previsão se aproxime mais da verdadeira data desse acontecimento. Para mais informações consultem a página do concurso.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Primavera em Titã

Duas imagens de Titã captadas pela sonda Cassini a 18 de Outubro de 2010, a cerca de 2,5 milhões de quilómetros de distância. A imagem da esquerda é uma composição em cores naturais obtida a partir da combinação de imagens captadas através de filtros para comprimentos de onda no visível. A imagem da direita mostra o aspecto de Titã na banda do infravermelho próximo (a 938 nm).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/ composição a cores e montagem de Sérgio Paulino.

A sonda Cassini realizou na passada segunda-feira uma nova sessão de observação do complexo sistema de nuvens descoberto no final de Setembro sobre a região de Senkyo. Aparentemente, o sistema evoluiu para uma extensa banda que cobre agora grande parte das áridas regiões equatoriais. A formação é acompanhada a sul por pequenos sistemas nebulosos em deslocação para latitudes médias.
O aparecimento de densas nuvens de metano na atmosfera de Titã resulta provavelmente das alterações climatéricas induzidas pela chegada da Primavera ao hemisfério norte. Serão, no entanto, necessárias novas sessões de observação para verificar se o sistema de nuvens produziu precipitação suficiente para provocar pequenas inundações nas regiões mais planas.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cassini observa a "Estrela da Morte" de Saturno

A sonda Cassini captou esta imagem de Mimas no dia 16 de Outubro de 2010, quando se encontrava a 102.694 km da pequena lua de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

No passado fim-de-semana, a sonda Cassini realizou uma série de encontros não planeados com algumas das luas geladas de Saturno. No sábado iniciou a ronda com uma passagem pela lua Mimas a cerca de 70 mil quilómetros da sua superfície. Apesar de distante, o encontro permitiu a realização de um conjunto de observações das regiões que rodeiam a gigantesca cratera Herschel, à medida que estas emergiam do lado nocturno da lua. O baixo ângulo de iluminação observado nestas regiões durante o encontro vai possibilitar à equipa de imagem da missão uma melhor compreensão da topografia local.
Com quase um terço do diâmetro de Mimas, Herschel confere à pequena lua de Saturno um aspecto muito semelhante à icónica Estrela da Morte, a temível estação espacial imperial da saga cinematográfica Guerra das Estrelas. A semelhança entre os dois objectos é, no entanto, pura coincidência. Herschel só seria descoberta três anos depois da estreia do primeiro filme da saga, película onde a Estrela da Morte realiza a sua primeira aparição.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

P/2010 A2 (LINEAR): uma colisão de asteróides em câmara lenta

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Animação construída com sete imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble, mostrando a evolução da morfologia de P/2010 A2 (LINEAR) ao longo dos 5 meses que sucederam à sua descoberta.
Crédito: NASA/ESA/David Jewitt (UCLA)/ animação de Sérgio Paulino.

Recordam-se de P/2010 A2 (LINEAR), o estranho objecto de aspecto cometário descoberto em Janeiro passado na Cintura de Asteróides?
Na altura, o somatório de alguns aspectos invulgares na sua órbita e na sua morfologia levaram os astrónomos a suspeitar que P/2010 A2 seria o resultado de uma violenta colisão entre dois asteróides. Imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble algumas semanas mais tarde confirmariam a presença de um pequeno núcleo com cerca de 120 metros de diâmetro ligado por um fino filamento de poeira a uma cauda difusa onde se observava uma complexa estrutura de filamentos entrelaçados, aspectos morfológicos que reafirmavam um cenário de colisão muito recente.
Um grupo de astrónomos liderados por David Jewitt veio agora anunciar novas informações que revelam algumas surpresas acerca deste objecto. Baseados na evolução morfológica de P/2010 A2 observada através do telescópio Hubble nos 5 meses que sucederam à sua descoberta, Jewitt e colegas verificaram que a dispersão das partículas de poeira da cauda realizou-se muito mais lentamente que o esperado. O estudo do movimento de pequenos núcleos identificados nos filamentos da cauda revelou ainda que a colisão entre os asteróides deu-se meses antes do que havia sido inicialmente sugerido (provavelmente, algures entre os meses de Fevereiro e Março de 2009).
Podem ler mais acerca deste trabalho na edição de hoje da revista Nature (ver artigo aqui).

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Asteróide recentemente descoberto passará hoje a cerca de 46.000 Km da superfície da Terra!

Trajectória do asteróide 2010 TD54 durante a sua passagem pela Terra.
Crédito: NASA/JPL.

Começa a ser já uma rotina a descoberta de pequenos asteróides em trajectórias interiores à orbita da Lua. Desta vez a Terra receberá a visita de um objecto com cerca de 5 a 10 metros de diâmetro, descoberto no passado Sábado pelo Catalina Sky Survey.
Denominado provisoriamente 2010 TD54, o pequeno asteróide fará uma aproximação ao nosso planeta hoje pelas 11:50 (hora de Lisboa), a cerca de 46.000 km da superfície terrestre, algures sobre a região de Singapura. Demasiado pequeno para ser observado a olho nú, poderá ser acompanhado através de um telescópio amador ao longo das constelações de Peixes e de Aquário (ver efemérides aqui), podendo brilhar no ponto de maior aproximação à Terra a magnitude 14.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Seis luas numa única imagem

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Seis luas de Saturno passaram em simultâneo em frente da câmara de ângulo estreito da sonda Cassini no dia 06 de Outubro de 2010. Fazem parte desta animação duas longas exposições, a segunda repetida com anotações.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute/animação e anotações de Sérgio Paulino.

A sonda Cassini realizou na passada quarta-feira uma série de observações astrométricas de algumas das pequenas luas de Saturno. Estas observações têm como objectivo melhorar o conhecimento relativo aos respectivos movimentos orbitais. Por vezes, por coincidência, cruzam-se outras luas saturnianas no campo de observação da Cassini. Embora raro, este fenómeno proporciona sempre uma oportunidade para a equipa de imagem da missão programar a Cassini para o registo de belas fotografias.
Na imagem que aqui vos trago, foram seis as luas fotografadas em simultâneo. Encélado e Jano surgem logo abaixo dos anéis com o seu lado nocturno iluminado pelo brilho de Saturno. Embutidas nos anéis encontram-se a lua Atlas, à direita, e as luas Pã e Dafne, à esquerda. Por fim, logo acima dos anéis, paira a pequena lua Epimeteu.

sábado, 9 de outubro de 2010

Melas Chasma: um profundo abismo em Marte

Melas Chasma, uma das depressões mais profundas de Marte. Imagem captada a 01 de Julho de 2006 pela câmara estéreo de alta resolução da sonda europeia Mars Express.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

Melas Chasma constitui uma fracção do complexo sistema de desfiladeiros de Valles Marineris, uma gigantesca depressão que rasga a superfície marciana ao longo de cerca de 4.000 km. É também um dos locais mais profundos do planeta vermelho, mergulhando cerca de 9 km abaixo da superfície circundante.
São abundantes os vestígios da passagem de grandes quantidades de água líquida em Melas Chasma. Além dos evidentes canais formados pelo fluxo de água corrente, existem ao longo das paredes do desfiladeiro depósitos de cor clara formados por compostos de sulfato, provavelmente precipitados no fundo de um antigo lago.
A Mars Express captou em 2006 um conjunto de imagens de uma parte do extremo norte de Melas Chasma. A imagem que aqui vos trago (em cima) cobre cerca de 20.000 km2 de superfície, uma área comparável à do Alentejo. São inúmeros os deslizamentos de rocha nesta região do desfiladeiro. A sua textura indica que terão sido formados pela acção de água líquida, gelo ou lama.

O chão do desfiladeiro de Melas Chasma nesta imagem em perspectiva construída a partir das imagens captadas pela Mars Express a 01 de Julho de 2006.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

Hubble prepara visita da sonda Dawn a Vesta

Quatro imagens em cores falsas do asteróide Vesta captadas a 28 de Fevereiro de 2010 pela nova câmara WFC3 do telescópio espacial Hubble, através de filtros para comprimentos de onda curtos (ultra-violeta próximo e azul).
Crédito: NASA/ESA/J.-Y. Li (University of Maryland, College Park)/L. McFadden (NASA GSFC).

A NASA publicou ontem um conjunto de imagens do asteróide Vesta, o primeiro dos dois objectos da Cintura de Asteróides a ser visitado pela sonda Dawn. Captadas em Fevereiro passado, através do telescópio espacial Hubble, as imagens mostram variações no brilho e na cor ao longo da superfície de Vesta, em particular, em latitudes que não haviam sido observadas anteriormente. As novas imagens permitiram ainda redefinir a localização do eixo de rotação de Vesta, uma informação importante para o correcto planeamento do encontro do próximo mês de Julho da sonda Dawn com este asteróide.
Pensa-se que Vesta é um dos poucos protoplanetas sobreviventes na região interior do Sistema Solar. A visita da Dawn a este pequeno mundo deverá elucidar os astrónomos acerca das condições e dos processos que determinaram a evolução dos planetas.

Vídeo resultante da combinação de 73 imagens de Vesta obtidas pelo telescópio espacial Hubble no período de 25 a 28 de Fevereiro de 2010. Vesta completa uma rotação a cada 5,34 horas. São visíveis algumas variações de cor que não correspondem ao que seria observado pelo olho humano. As áreas mais escuras são interpretadas como regiões ricas em basalto, enquanto que as áreas mais avermelhadas serão provavelmente regiões preenchidas por poeira fina ou regolito.
Crédito: NASA/ESA/J.-Y. Li (University of Maryland, College Park)/L. McFadden (NASA GSFC).