quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2009 encerra com eclipse parcial da Lua

Três momentos distintos do eclipse total da Lua de 03 de Março de 2007.
Crédito: Sérgio Paulino.

A Lua vai oferecer um belo espectáculo na última noite do ano (ver animação aqui). Refiro-me ao próximo eclipse parcial da Lua, que desta vez coincide com outro fenómeno raro, a segunda lua cheia do mês, uma lua azul. Caso as condições meteorológicas sejam favoráveis, estarão certamente reunidos os ingredientes necessários para uma festa de fim de ano memorável.
A todos, um Feliz Ano Novo!

Efemérides do eclipse parcial da Lua de 31 de Dezembro de 2009, para Lisboa:
17:15 - A Lua entra na penumbra
18:52 - A Lua entra na umbra
19:23 - Meio do eclipse
19:54 - A Lua sai da umbra
21:30 - A Lua sai da penumbra
Fonte: Observatório Astronómico de Lisboa.

O eclipse parcial da Lua de 31 de Dezembro de 2009. A Lua vai atravessar a umbra da Terra quase tangencialmente, pelo que apenas se irá notar um ligeiro escurecimento na região do pólo sul.
Crédito: NASA/GSFC/Fred Espenak (adaptado por Sérgio Paulino).

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Uma lua acima da neblina


Reia reemergindo por detrás de Titã, numa imagem captada pela sonda Cassini, a 27 de Outubro de 2009.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Mundos tão distantes e, no entanto, tão familares... Esta magnífica imagem das duas maiores luas de Saturno traz-me à memória algumas fotografias do crescente da Lua suspenso acima da atmosfera da Terra, captadas por astronautas na órbita terrestre.
Reia tem um diâmetro consideravelmente inferior ao de Titã (respectivamente, 1.528 Km e 5.150 Km). No momento em que a imagem foi captada, Reia encontrava-se a mais do dobro da distância de Titã, o que torna ainda mais visível a diferença de tamanhos entre as duas luas.

A lua perdida de Urano

O crescente de Urano captado pela Voyager 2, a 24 de Janeiro de 1986, durante a sua épica passagem pelo gigante gelado.
Crédito: NASA/JPL/USGS.

Terá existido num passado distante uma lua gigantesca na órbita de Urano? Segundo uma nova teoria formulada por dois astrónomos do Observatório de Paris, sim.
Com uma inclinação de cerca de 97º, o eixo de rotação de Urano é quase paralelo ao plano da eclíptica, uma característica singular entre os planetas do Sistema Solar. Alguns astrónomos sugerem que esta inclinação invulgar do eixo de rotação de Urano possa ter tido origem numa violenta colisão com um protoplaneta do tamanho da Terra. No entanto, a teoria não explica a presença de satélites regulares em órbitas situadas no plano equatorial do gigante gelado. Com este problema em mente, os astrónomos franceses Gwenaël Boué e Jacques Laskar conceberam uma nova teoria (ver artigo aqui) que explica de forma eficiente a inclinação do eixo de rotação de Urano. Aparentemente, a presença de uma lua adicional com cerca de 1% da massa de Urano, a uma distância de 50 vezes o raio de Urano seria suficiente para desequilibrar progressivamente o eixo de rotação do planeta. Após 2 milhões de anos, a oscilação seria de tal forma pronunciada que a inclinação do eixo de rotação se aproximaria dos valores actuais.
Qual foi o destino da enorme lua de Urano? Caso tenha existido, poderá ter sido ejectada do sistema uraniano, devido a interacções gravitacionais com um dos gigantes gasosos, durante a fase de migração planetária ocorrida 500 a 600 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. Uma vez liberta da influência gravitacional de Urano, a gigantesca lua poderá ter colidido com um dos gigantes gasosos, ter sido enviado para o espaço interestelar, ou, ainda, ocupar uma órbita alongada em redor do Sol, escondendo-se, actualmente, algures além da órbita de Neptuno.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um presente de Natal para o Spirit!


Bem precisa de uma ajuda do Pai Natal!
Crédito: NASA/JPL/Stuart Atkinson.

As últimas tentativas de tirar o robot Spirit da sua prisão nas areias de Troy têm-se revelado infrutíferas. Talvez um empurrão do Pai Natal lhe traga melhores dias.
Um Feliz Natal para todos!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Reflexos de luz solar num lago titaniano


Imagem da região do pólo norte de Titã captada a 8 de Julho de 2009, pelo espectrómetro VIMS que viaja a bordo da sonda Cassini.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona/DLR.

Esta extraordinária imagem de Titã, captada pela sonda Cassini no início de Julho, mostra um primeiro vislumbre do brilho da luz solar reflectida num dos muitos lagos existentes na região do pólo norte. Imersos numa longa noite que durou cerca de 15 anos, os grandes lagos desta região apenas começaram a receber os primeiros raios de Sol, pouco antes do equinócio do passado mês de Agosto, altura em que se iniciou a Primavera no hemisfério norte. Após comparação da nova imagem com imagens de radar e de infravermelho próximo captadas entre 2006 e 2008, os cientistas da missão conseguiram determinar com precisão a proveniência do reflexo - um ponto algures nas margens sul de Kraken Mare. Com cerca de 400.000 Km2 de superfície (uma área comparável à do Mar Cáspio, o maior lago da Terra), Kraken Mare é o maior lago de hidrocarbonetos até agora descoberto em Titã.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Solstício de Inverno

O Inverno no Hemisfério Norte teve o seu início hoje às 17:47 (hora de Lisboa). Esta estação prolonga-se por 88,99 dias até ao próximo Equinócio que irá ocorrer no dia 20 de Março de 2010 às 17:32 (hora de Lisboa).

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Hubble descobre o mais pequeno objecto da cintura de Kuiper

Representação artística do novo objecto da cintura de Kuiper descoberto pelo Hubble, passando em frente duma estrela. Em baixo, um gráfico da difracção da luz de uma estrela durante uma ocultação.
Crédito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI).

A cintura de Edgeworth-Kuiper é um verdadeiro repositório de pequenos mundos gelados, dispersos numa vasta nuvem que se estende desde a órbita de Neptuno até distâncias ao Sol superiores a 50 UA. Geralmente apenas os gigantes desta população constituem notícia relevante no seio da comunidade científica. No entanto, desta vez, o destaque ressalta para um pequeno objecto da cintura da Kuiper, detectado por um grupo de investigadores americanos liderados por Hilke Schlichting, a partir dos dados reunidos pelos sensores de navegação FGS (Fine Guidance Sensors) do telescópio Hubble, ao longo de 4,5 anos (ver artigo na revista Nature aqui). Invisível através do sistema óptico do telescópio espacial (brilho 100 vezes inferior ao limite de detecção), a descoberta do novo objecto só foi possível graças à detecção de um fenómeno de ocultação, com duração de 0,3 segundos, numa das cerca de 50.000 estrelas monitorizadas pelo sistema FGS durante mais de 12.000 horas, escolhidas para escrutínio pela equipa de investigadores. A análise da duração e da intensidade da ocultação permitiu ao investigadores inferir para o pequeno objecto um diâmetro de apenas 1 Km (diâmetro 50 vezes inferior ao do menor objecto da cintura de Kuiper anteriormente conhecido)! Esta nova descoberta faz-me pensar quantas mais pequenas bolas de gelo estarão escondidas nessa imensa e distante região do Sistema Solar?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

WISE já se encontra em órbita terrestre

Lançamento do observatório espacial WISE a partir da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia.
Crédito: United Launch Alliance.

Foi hà mais de 12 horas que o mais recente observatório espacial da NASA na banda do infravermelho médio, se elevou nos céus, a bordo de um foguetão Delta II, até à órbita terrestre.

Depois de atingir o espaço, após um lançamento sem incidentes, o WISE reorientou com sucesso os seus painéis solares em direcção ao Sol, e abriu as válvulas da câmara de hidrogénio super-arrefecido, iniciando o arrefecimento dos componentes ópticos e dos respectivos detectores de infravermelhos, procedimento necessário para que o telescópio possa detectar o brilho de luz infravermelha de milhares de asteróides, e de centenas de milhões de estrelas e galáxias.

Neste momento, o WISE encontra-se a viajar numa órbita polar, a cerca de 525 Km da superfície terrestre, prevendo-se o início da fase operacional da missão logo após a estabilização e calibração do telescópio. A missão primária de mapeamento de todo o céu no infravermelho médio deverá estar terminada ao fim de nove meses, pouco tempo antes da câmara de arrefecimento esgotar toda a sua carga de hidrogénio.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A louca espiral norueguesa explicada em vídeo



Animação 3D produzida por Doug Ellison (unmannedspaceflight.com), demostrando como uma fuga de combustível num foguetão poderia ter produzido o bizarro padrão em espiral, observado nos céus no norte da Noruega, no passado dia 9 de Dezembro.
Crédito: Doug Ellison (unmannedspaceflight.com).

Fobos e Deimos juntos na mesma sequência de imagens

As luas marcianas Fobos e Deimos juntas numa sequência de 130 imagens captadas a 5 de Novembro de 2009 pela sonda europeia Mars Express.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

Impressionante e inédita são os adjectivos que eu escolheria para esta bela sequência de imagens captada pela Mars Express. Apenas possível devido a um invulgar alinhamento entre a sonda europeia e as duas luas marcianas, a sequência regista, pela primeira vez, em simultâneo, as formas irregulares de Fobos e de Deimos, captadas por uma sonda na órbita de Marte. Na altura, as duas luas encontravam-se, respectivamente, a 11.800 Km e a 26.200 Km da Mars Express.


Localização de Marte, das luas marcianas e da sonda Mars Express, no momento da captação da sequência de imagens.
Crédito: FU Berlin.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Lançamento do WISE adiado

Más condições atmosféricas ditaram o adiamento por 24 horas do lançamento do foguetão Delta II e da sua preciosa carga, o observatório espacial WISE. A NASA prevê nova janela de lançamento para sábado, dia 12 de Dezembro, entre as 06:09:33 e as 06:23:51 (hora local).
Actualização (12 Dezembro): Lançamento do WISE reagendado para segunda-feira, dia 14 de Dezembro, entre as 6:09 e as 6:23 (hora local), devido a uma anomalia no foguetão Delta II.

Confirmado o lançamento de um míssil balístico no Mar Branco

Confirma-se a hipótese, anteriormente adiantada, para a origem do estranho fenómeno atmosférico que surpreendeu milhares de noruegueses na madrugada de quarta-feira. O ministro da Defesa russo lançou esta manhã um comunicado oficial à agência de notícias Itar-Tass, onde confirma a falha no lançamento de um míssil balístico intercontinental Bulava, na madrugada do dia 9 de Dezembro. O míssil terá sido lançado a partir do submarino nuclear Dmitry Donskoi, algures no Mar Branco. Esta é apenas mais uma das embaraçosas falhas técnicas que têm sido registadas durante os vários testes de lançamento de mísseis balísticos Bulava, desde o seu início em 2003.
Com esta comunicação oficial das autoridades russas ficam goradas as teorias formuladas por alguns orgãos de comunicação social, onde relacionam a estranha espiral de luz com pretensas actividades de naves extraterrestres.

Uma estranha espiral de luz nos céus da Noruega


Espiral luminosa nos céus matutinos do norte da Noruega.
Crédito: Jan Petter Jørgensen.

Milhares de noruegueses foram surpreendidos, na madrugada passada, por um estranho fenómeno atmosférico. Pouco antes das 8 horas locais, uma gigantesca espiral de luz manifestou-se no céu em direcção a norte, durante largos minutos, até se dissipar por completo. A espectacular aparição foi observada em várias localidades do norte da Noruega (ver mais imagens aqui), facto que atesta a veracidade deste acontecimento.
Informações difundidas à poucas horas na internet sugerem que o fenómeno poderá ter sido provocado pelo lançamento mal sucedido de um foguetão russo, a partir de um submarino estacionado algures no Mar Branco. Aparentemente, alguns fotógrafos registaram o que parece ser um rasto de foguetão, logo abaixo da espiral. Este indício é, ainda, corroborado pela emissão de uma proibição à navegação áerea e marítima no local, para os dias 7 a 10 de Dezembro. As autoridades russas não confirmaram, no entanto, até ao momento, qualquer lançamento de foguetões na região.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Lançamento do WISE agendado para sexta-feira

Montagem do observatório espacial WISE na parte superior do foguetão Delta II.
Crédito: NASA/Vandenberg Air Force Base.

Já se encontra colocado em posição no Complexo de Lançamentos Espaciais 2 da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia, o foguetão Delta II que irá transportar o observatório espacial WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) até à órbita terrestre. Segundo a NASA, o lançamento na próxima sexta-feira, dia 11 de Dezembro, dependerá apenas de condições meteorológicas favoráveis.
O WISE vai mapear todo o céu numa estreita faixa do espectro electromagnético conhecido por infravermelho médio, em busca de objectos pouco brilhantes, como asteróides, anãs castanhas e estrelas mais frias que o Sol.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A paisagem montanhosa de Cabeus

A vertente norte da cratera Cabeus fotografada pela Lunar Reconnaissance Orbiter, dois dias e meio depois do impacto da LCROSS.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University.

Será esta uma das visões que aguarda a próxima geração de exploradores humanos da Lua? Provavelmente... Por agora, esta belíssima vista sobre uma porção da vertente norte da cratera Cabeus encontra-se reservada apenas ao explorador robótico americano Lunar Reconnaissance Orbiter. Captada dois dias e meio depois do histórico impacto da sonda LCROSS, a imagem revela, ainda, parte da paisagem montanhosa que ladeia a vertente meridional da gigantesca bacia Pólo Sul-Aitken (visível ao fundo da imagem). Escondidos nas sombras permanentes da vertente norte de Cabeus encontram-se os locais de impacto da sonda LCROSS e da parte superior do foguetão Centauro. Resultados preliminares recentemente anunciados pelos cientistas da missão parecem confirmar a presença de depósitos de água nestas regiões permanentemente escondidas da luz solar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Borboletas monarca emergem das respectivas pupas em condições de microgravidade


Larvas de borboleta monarca na Estação Espacial Internacional.


Primeira borboleta monarca a emergir da pupa.

Uma das experiências científicas instaladas pelos membros da Expedição 22 na Estação Espacial Internacional, tem como principais protagonistas três borboletas monarca (Danaus plexippus). Os insectos são mantidos numa pequena câmara no módulo japonês Kibo, desde a sua chegada a bordo do vaivém Atlantis. Com o objectivo de estudar a influência da microgravidade nas diferentes fases do seu desenvolvimento, as três borboletas têm sido continuamente monitorizadas, em particular, desde a formação da primeira crisálida no início da semana passada. Entretanto, dois dos indivíduos já emergiram das respectivas pupas, aparentemente sem dificuldades de locomoção e de alimentação.
A experiência está a ser reproduzida em paralelo na Terra, em diversas escolas norte-americanas, com o objectivo dos alunos aprenderem a conduzir uma experiência científica, treinando, no processo, as diferentes etapas do método científico.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O ponto mais baixo da Lua

Projecção em perspectiva da superfície lunar no interior da Bacia Pólo Sul-Aitken, realizada com imagens estereoscópicas obtidas pela câmara TC (Terrain Camera) que viaja a bordo da sonda nipónica Kaguya.
Crédito: JAXA/NHK.

Visível em primeiro plano nesta imagem recentemente disponibilizada na internet pela JAXA, encontra-se uma cratera sem nome, que alberga, no seu interior, o ponto mais baixo da Lua (segundo os dados recolhidos pelo altímetro da Kaguya, cerca de 9.060 metros abaixo da altitude média). Situada no interior da cratera Antoniadi, na face mais distante da Lua, a pequena cratera parece ter sido distorcida após a sua formação, provavelmente, por intrusão de material magmático a partir do seu interior.

sábado, 28 de novembro de 2009

A aurora boreal de Saturno em filme

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Imagens da aurora boreal de Saturno captadas pela sonda Cassini nos dias 5 a 8 de Outubro de 2009, a uma distância média de 2,8 milhões de quilómetros do planeta. Embora as imagens tenham sido captadas a preto e branco, a aurora encontra-se representada com uma coloração falsa para a distinguir do ruído de fundo (desconhece-se ainda a verdadeira cor da aurora saturniana).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

A NASA disponibilizou na internet, na semana passada, um belo filme da aurora boreal de Saturno, que congrega um conjunto de 472 imagens captadas pela sonda Cassini durante 4 dias, no início do mês de Outubro. Com uma altura superior a 1.200 Km acima da atmosfera do planeta, estas são as mais altas auroras observadas até hoje no Sistema Solar. A sua altura deve-se, essencialmente, à abundância de hidrogénio na atmosfera da Saturno, um gás extremamente leve, que ao contrário dos gases presentes na atmosfera terrestre, se propaga a altitudes muito elevadas.
As auroras surgem, normalmente, em latitudes próximas dos pólos magnéticos dos planetas com atmosfera, locais onde a magnetosfera mergulha em direcção às altas camadas atmosféricas. As cortinas de luz que constituem a aurora são formadas pelo brilho resultante da excitação das moléculas da atmosfera induzida pela sua interacção com partículas carregadas do vento solar aceleradas pelo campo magnético planetário.

Estação Espacial Internacional atravessa céus de Lisboa


Estação Espacial Internacional atravessando os céus de Lisboa, ao início da noite. Ao lado, uma Lua gibosa embeleza o cenário. Detalhes: máquina Canon PowerShot S5 IS, ISO 80, f/8,0, 15 segundos de exposição.
Crédito: Sérgio Paulino.

Finalmente, consegui um pouco de disponibilidade (e céus limpos!) para observar a travessia da Estação Espacial Internacional (EEI) nos céus de Lisboa. Apesar de já não contar com a companhia do vaivém Atlantis (que, entretanto, já aterrou em segurança na Florida, EUA), a EEI continua a surpreender qualquer observador na Terra pela intensidade do seu brilho e pela sua rapidez.
Pergunto-me: estaria alguém a olhar para baixo no momento da fotografia?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

UAI aprova nome para pequena lua de Júpiter

Foi aprovado recentemente pelo Grupo de Trabalho para a Nomenclatura dos Sistemas Planetários da União Astronómica Internacional (UAI), o nome Herse para a quinquagésima lua de Júpiter. Descoberta em 2003 por um grupo de investigadores liderados pelo astrónomo canadiano Brett J. Gladman, a pequena lua Herse tem apenas 2 Km de diâmetro e segue uma órbita retrógrada irregular, a uma distância média de Júpiter de 22,134 milhões de quilómetros.
A escolha do novo nome cumpre a tradição da UAI de baptizar os recém-descobertos satélites jovianos com nomes retirados das inúmeras personagens da mitologia greco-romana (principalmente, amantes e descendentes) ligadas à figura de Zeus ou de Júpiter. Herse era a deusa do orvalho, nascida da ligação entre Zeus, o senhor dos céus, e Selene, a deusa grega da Lua.
A propósito... Como que a reencenar o fugaz encontro entre Zeus e Selene, Lua e Júpiter protagonizaram uma belíssima conjunção nos céus crepusculares, ao início da noite da passada segunda-feira.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cassini capta novas imagens do pólo sul de Encélado

Estas são, provavelmente, as mais belas fotografias captadas pela sonda Cassini em toda a sua missão. Obtidas durante a sua recente aproximação a Encélado, as espectaculares imagens mostram com uma resolução sem precedente, o terreno caótico que circunda os quatro grandes sulci do pólo sul. Em algumas das novas imagens são visíveis, ainda, os famosos jactos de vapor de água e gelo emanando directamente dos respectivos sulci!

Mosaico construído a partir de duas imagens da região do pólo sul de Encélado, obtidas pela sonda Cassini durante a sua passagem a 21 de Novembro de 2009. O Sol ilumina apenas uma pequena porção da superfície da pequena lua de Saturno. Alinhadas com os quatro grandes sulci existentes no pólo sul de Encélado (da esquerda para a direita, Alexandria, Cairo, Baghdad e Damascus), encontram-se as famosas colunas de vapor de água e gelo, descobertas em 2005 pela sonda Cassini.
Crédito: NASA/JPL/SSI/mosaico por Emily Lakdawalla.

Um dos sulci ou "listas de tigre", representado num mosaico construído com quatro imagens individuais obtidas durante a recente passagem da sonda Cassini por Encélado.
Crédito: NASA/JPL/SSI/mosaico por Astro0 (unmannedspaceflight.com).

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Engenheiros da JAXA restabelecem voo da Hayabusa

Representação artística da sonda Hayabusa colhendo amostras na superfície do asteróide Itokawa.
Crédito: JAXA.

Afectada pelos graves problemas de propulsão desde que abandonou o asteróide Itokawa, a sonda Hayabusa tem contado sempre com a criatividade dos engenheiros da JAXA para a manutenção de uma trajectória que a devolva à Terra em segurança, no menor tempo possível. A recente perda do propulsor iónico D, um dos dois que se encontravam ainda em funcionamento, ameaçava, mais uma vez, comprometer o resto da viagem até casa. Para resolver este novo desafio, os engenheiros japoneses engendraram uma solução arrojada. Depois de diagnosticarem uma falência no neutralizador de electrões do propulsor iónico D (um problema que, anteriormente, já havia condenado o propulsor B), decidiram combinar o neutralizador do propulsor A (nunca antes usado por se ter mostrado instável após o lançamento) com o motor do propulsor B. Aparentemente o plano resultou! Se os dois motores se mantiverem estáveis durante o resto da viagem, a Hayabusa poderá concluir com sucesso a sua missão em Junho de 2010.
Força, Hayabusa!

Bola de fogo rasga os céus nos Estados Unidos

Uma colossal bola de fogo atravessou ontem, pela meia-noite (hora local), o céu nocturno dos estados norte-americanos do Colorado, do Utah, de Wyoming e de Idaho, lançando o pânico nas populações locais. A explosão do objecto gerou violentas ondas de choque na atmosfera, que se propagaram até ao solo. O fenómeno foi registado em vídeo por diversas câmaras de vigilância, localizadas ao longo do percurso do objecto.

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Vídeo captado por uma câmara de vigilância de uma casa, mostrando o intenso brilho produzido pelo objecto durante a sua passagem pela atmosfera.
Crédito: Ryan Lunt (disponível em ksl.com).


Podem encontrar mais vídeos aqui.

Sociedade Planetária reactiva projecto da vela solar


Representação artística da sonda LightSail-1.
Crédito: The Planetary Society/Rick Sternbach.

A Sociedade Planetária reactivou o projecto da vela solar, depois de ter recebido uma doação anónima de um milhão de dólares. Idealizada por alguns como o futuro da exploração interestelar, a vela solar é um tipo de propulsão que utiliza a pressão de radiação dos fotões sobre uma superfície reflectora, para gerar aceleração. Embora a tecnologia já tenha algumas décadas de existência, a vela solar nunca foi testada no espaço.
Empenhada em viabilizar o uso deste tipo de propulsão em missões interplanetárias, a Sociedade Planetária desenvolveu, durante anos, em parceria com a Cosmos Studios, o projecto Cosmos-1, a primeira tentativa séria de testar a vela solar numa sonda sub-orbital. Lançada a 21 de Junho de 2005, a partir do submarino russo Borisoglebsk, a sonda nunca chegou a atingir a órbita terrestre, despenhando-se algures no Mar de Barents, devido a uma falha no foguetão que a transportava.
Apesar do insucesso do projecto Cosmos-1, a Sociedade Planetária manteve a vela solar como um dos seus projectos científicos prioritários. A recente doação milionária vem agora impulsionar o sucessor do Cosmos-1 para a fase de execução. Renomeado LightSail, o renovado programa irá testar o conceito da vela solar em três fases distintas. A primeira fase será materializada já no final de 2010, com o lançamento da sonda LightSail-1, um microsatélite destinado a atingir e a manter uma órbita terrestre de 800 Km de altitude, utilizando apenas como propulsor a vela solar. O programa culminará com o lançamento da sonda LightSail-3 em direcção ao ponto L1 do sistema Terra-Sol, local onde irá realizar em permanência, a monitorização de tempestades geomagnéticas induzidas pela actividade solar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Um olhar sobre Penélope


Tétis, a quinta maior lua de Saturno, fotografada recentemente pela câmara de alta resolução da sonda Cassini, através de um filtro sensível à luz ultravioleta.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Visível no centro desta imagem obtida recentemente pela sonda Cassini, encontra-se Penélope, uma das maiores crateras de impacto observadas na superfície de Tétis. Pejada de outras pequenas crateras no seu interior, Penélope é, também, provavelmente, uma das mais antigas estruturas de impacto do sistema saturniano.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Mais imagens da Terra captadas pela sonda Rosetta

A ESA publicou na passada sexta-feira mais um conjunto de belas imagens captadas pela sonda Rosetta durante a sua passagem pela Terra. O lote inclui mais um maravilhoso crescente da Terra, e uma vista nocturna sobre a América do Norte.


Um crescente azul da Terra visto pela Rosetta, poucas horas antes de sobrevoar o ponto de maior aproximação. São visíveis na estreita faixa de superfície iluminada, partes da América do Sul e da Antártida.
Crédito: ESA/equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA.


Exposição de 10 segundos captada pelo sistema de imagem OSIRIS da sonda Rosetta, mostrando a iluminação nocturna de algumas cidades norte americanas. São discerníveis na imagem grandes metrópoles como Miami, Atlanta, Chicago e Detroit.
Crédito: ESA/equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O crescente da Terra visto pela Rosetta


A Terra fotografada ontem pelo sistema de imagem OSIRIS que viaja a bordo da sonda Rosetta.
Crédito: ESA/equipa OSIRIS/MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA.

Faltam pouco menos de 6 horas para a sonda europeia Rosetta sobrevoar a superfície terrestre, naquela que será a sua última visita ao planeta azul. A passagem será executada a uma altitude de 2.481 Km a sul da ilha de Java, na Indonésia, e fornecerá o impulso necessário para a sonda prosseguir o seu trajecto em direcção ao seu objectivo primário, o cometa 67/P Churyumov-Gerasimenko. Prevê-se que durante o encontro, a sonda Rosetta realize algumas observações científicas do sistema Terra-Lua, e obtenha belíssimas imagens, como a desta vista sobre o lado nocturno da Terra captada a uma distância de 633.000 Km.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mais problemas para a Hayabusa no regresso a casa


Representação artística da sonda Hayabusa na sua missão ao asteróide Itokawa.
Crédito: JAXA/Akihiro Ikeshita.

A agência espacial japonesa JAXA anunciou na passada segunda-feira, uma grave avaria num dos dois propulsores iónicos que ainda se encontravam em funcionamento na sonda Hayabusa. Depois de uma série de anomalias ocorridas durante a missão no asteróide 25143 Itokawa em Novembro de 2005, que conduziram à falha permanente dos propulsores A e B, e à momentânea perda de comunicações com o centro de controlo da missão, a sonda japonesa deslocava-se nos últimos meses numa longa órbita de regresso à Terra. Com este incidente, a operação de entrega da cápsula das amostras, originalmente prevista para Junho de 2010, encontra-se agora seriamente comprometida, uma vez que o propulsor ainda em funcionamento, poderá ser insuficiente para garantir a manutenção da actual órbita. Apesar da grave situação em que a missão se encontra, os engelheiros da JAXA continuam a tentar encontrar soluções criativas para manter o voo da Hayabusa em direcção a casa.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Uma janela para o mundo


Uma imagem da região sudoeste da bacia hidrográfica do rio Amazonas, captada a 6 de Outubro de 2009, a partir da Estação Espacial Internacional, pelos astronautas da Expedição 20.
Crédito: Expedition 20 ISS crew/NASA/JSC.

Em órbita a poucas centenas de quilómetros da superfície terrestre, a Estação Espacial Internacional oferece aos seus ocupantes uma magnífica vista sobre a Terra. A imagem que aqui vos trago é um excelente exemplo dessa realidade. Centrada na faixa azul que separa a atmosfera terrestre do negrume do espaço, a imagem captada pelos astronautas que integram a Expedição 20, mostra parte da floresta amazónica brasileira imersa numa densa neblina, algures perto da fronteira com a Bolívia. Rasgando a imensa cobertura florestal, encontra-se o rio Madeira, um dos grandes afluentes do Amazonas. À distância, são visíveis grupos de cumulonimbos, densas nuvens geralmente associadas a instabilidade atmosférica e à formação de tempestades.

Em memória de Carl Sagan

Carl Sagan.
Crédito: The Planetary Society.

Nascia à 75 anos o astrónomo Carl Edward Sagan. Consultor e conselheiro da NASA desde os anos 50, Sagan esteve envolvido nalgumas das mais emblemáticas missões da agência espacial americana. Instruiu os astronautas do programa Apollo antes dos seus voos à Lua, e idealizou e concebeu várias experiências científicas para as históricas expedições Mariner, Viking, Voyager e Galileo aos planetas. Sagan ajudou, ainda, a esclarecer vários enigmas da ciência planetária. Percebeu o extraordinário efeito estufa que se encontrava na origem das altas temperaturas de Vénus, e foi o primeiro a admitir a existência de complexas moléculas orgânicas na atmosfera alaranjada da lua Titã.
No entanto, Carl Sagan é lembrado pela maioria, pela sua série televisiva Cosmos. Vista por mais de 500 milhões de pessoas em 60 países, a série tornou-se fonte de inspiração para uma geração inteira de astrónomos profissionais e amadores, em todo o mundo. Lembro-me vagamente da série na televisão portuguesa; era muito jovem na altura. Tive mais tarde o prazer de descobrir a genialidade de Sagan, nas suas obras As Ligações Cósmicas, Um Mundo Infestado de Demónios, e Cosmos, esta última baseada na série com o mesmo nome. Foi com elas que dei os meus primeiros passos na Astronomia.
Carl Sagan desapareceu cedo demais. Faleceu a 20 de Dezembro de 1996, depois de completar 62 anos, vítima de uma pneumonia secundária a um transplante de medula (a terceira na sua longa luta contra um síndrome mielodisplásico). Em sua memória, deixo-vos uma mensagem sua (bem actual) à humanidade, extraída do seu livro de maior sucesso, a obra intemporal Cosmos:
O Cosmos foi descoberto apenas ontem. Durante um milhão de anos todos aceitaram que só a Terra existia. Depois, no último milésimo de vida da nossa espécie, nesse instante entre Aristarco e nós, verificámos com relutância que não éramos nem o centro nem o objectivo do Universo, mas que vivíamos num mundo pequeno e frágil, perdido na imensidade e na eternidade, à deriva num grande oceano cósmico semeado aqui e ali de cem mil milhões de galáxias e milhões de biliões de estrelas.
Sondámos corajosamente as águas e achámos o oceano ao nosso gosto, de acordo com a nossa natureza. Algo dentro de nós reconhece o Cosmos como sua casa. Somos feitos de cinza estelar, a nossa origem e a nossa evolução estão ligadas a acontecimentos cósmicos distantes. A exploração do Universo é uma viagem de auto-descoberta.
Já o sabiam os antigos construtores de mitos: somos filhos do céu e da Terra. Desde que iniciámos a ocupação do planeta acumulámos uma perigosa bagagem no decurso da nossa evolução: propensões hereditárias à agressão e ao ritual, submissão aos chefes e hostilidade para com os estranhos, que põem em perigo a nossa própria sobrevivência. Mas, em contrapartida, também ganhámos a compaixão pelos outros, o amor pelos nossos filhos e pelos filhos dos nossos filhos, um desejo de aprender a partir da História e uma inteligência apaixonada sempre a tentar chegar mais longe - tudo instrumentos de sobrevivência e prosperidade.
Quais os aspectos da nossa natureza que irão prevalecer - não o sabemos: sobretudo quando nos esforços de compreensão e nos nossos projectos nos limitamos à Terra, quando não mesmo a uma pequena parte da Terra. Ora, na imensidade do Cosmos esperam-nos perspectivas que não podemos ignorar. Não possuímos ainda nenhum sinal óbvio da existência de inteligências extraterrestres. Deveremos concluir disso que civilizações como a nossa acabam sempre por mergulhar, inevitavelmente, na autodestruição? As fronteiras nacionais são pouco evidentes quando do espaço se observa a Terra: é difícil apoiar entusiasmos fanáticos, sejam eles étnicos, religiosos ou nacionalistas, quando ante nós o nosso planeta surge como um frágil e evanescente crescente azulado, prestes a tornar-se um ponto indescernível no meio do bastião, da cidadela das estrelas. Viajar enriquece os espíritos.
Existem mundos em que a vida nunca surgiu. Existem mundos que foram queimados e reduzidos a ruínas por catástrofes cósmicas. Tivemos sorte: estamos vivos, somos poderosos, temos em mãos o bem estar da nossa civilização e da nossa espécie. Se não formos nós a defender a Terra, quem o fará? Se não nos empenharmos na nossa sobrevivência, quem se empenhará por nós?

A Terra, um ponto azul pálido perdido na imensidão do espaço. A ideia da obtenção desta foto partiu de Carl Sagan. Captada em 1990 pela sonda Voyager 1, a uma de distância de mais de 6 mil milhões de Km de casa, a imagem faz parte de uma sequência de fotografias, com as quais se pretendeu ilustrar o nosso Sistema Solar visto do exterior.
Crédito: NASA/JPL.

domingo, 8 de novembro de 2009

Mais um encontro próximo da Terra com um asteróide

Foi na passada sexta-feira, pelas 21:32 (hora de Lisboa), que o asteróide 2009 VA sobrevoou a superfície terrestre a uma altitude de apenas 14.000 Km, bem no interior da órbita dos satélites geostacionários. Demasiado pequeno para sobreviver ao atrito provocado pela sua deslocação a alta velocidade através da atmosfera terrestre, o pequeno asteróide de 6 metros de diâmetro teria produzido uma espectacular bola de fogo nas camadas superiores da atmosfera, caso tivesse colidido com o nosso planeta.
2009 VA foi descoberto por astrónomos do Catalina Sky Survey, um programa americano de vigilância de NEOs (objectos próximos da Terra), apenas 15 horas antes de atingir o ponto de maior aproximação à Terra!

sábado, 7 de novembro de 2009

Um par de sombras nos anéis de Saturno


Sombras nos anéis de Saturno, numa imagem obtida pela sonda Cassini, a 8 de Setembro de 2009.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Pouco menos de um mês após o equinócio de Saturno, são ainda longas as sombras projectadas pelas pequenas luas no gigantesco sistema de anéis. Visíveis nesta bela imagem, atravessando o anel B na sua totalidade, encontram-se duas sombras de pequenas luas saturnianas: Jano (ao centro) e Mimas (em baixo). Ao centro distingue-se, ainda, um subtil conjunto de raios: manchas escuras formadas pela dispersão de luz nas partículas de poeira constituintes dos anéis.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A surpreendente geologia de Mercúrio

Imagem a cores de Mercúrio, obtida durante a terceira passagem da sonda MESSENGER pelo planeta, no passado dia 29 de Setembro.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.


Apesar de assombrada por uma falha no sistema informático de bordo, a terceira passagem da sonda MESSENGER pelo planeta Mercúrio proporcionou, ainda assim, uma série de surpreendentes descobertas científicas, que relembram o quão pouco os astrónomos sabem acerca do mais pequeno planeta do Sistema Solar. As descobertas mais mediáticas foram, sem dúvida, as novas estruturas geológicas localizadas na faixa de território observada, pela primeira vez, a 29 de Setembro.

Duas depressões localizadas no hemisfério norte de Mercúrio, na área recentemente cartografada pela sonda MESSENGER durante a sua terceira passagem pelo planeta. As cores foram manipuladas de forma a evidenciar subtis variações de cor, geralmente relacionadas com a composição química das diferentes estruturas geológicas.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

As duas novas depressões visíveis na imagem (acima), foram as que mais entusiasmaram os investigadores da missão. A primeira é uma depressão irregular, envolvida por uma área brilhante, suspeita de ter sofrido intensa actividade vulcânica. A estranha mancha brilhante e a respectiva depressão, vão ser alvo de estudo aprofundado durante a fase operacional da missão.
Situada a sul da primeira depressão, encontra-se uma jovem bacia de impacto com anel duplo, semelhante à bacia Raditladi (uma depressão descoberta na primeira passagem da MESSENGER pelo planeta, a 14 de Janeiro de 2008). Estima-se que, tal como Raditladi, a nova bacia de impacto tenha sido formada à apenas mil milhões de anos (!) - supreendentemente recente em termos geológicos, quando comparada com a esmagadora maioria das bacias de impacto observadas em outros objectos do Sistema Solar. Visível no seu interior, distingue-se uma área mais clara e aparentemente mais jovem que a própria bacia de impacto. Esta área interior parece ter tido origem em fenómenos de natureza vulcânica, constituindo provavelmente o material vulcânico mais recente até agora observado em Mercúrio!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

1 minuto de Astronomia

1 minuto de conversa sobre um tema relacionado com a Astronomia, é o que a RTP nos propõe a partir de amanhã no programa 1 minuto de Astronomia. Cada episódio será apresentado por uma figura conhecida do público português, proveniente dos mundos do teatro, da música ou da televisão.
Não percam. O arranque será já amanhã às 9:27 (hora de Lisboa), na RTP1.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O lado mais distante da Lua visto pela Kaguya

A JAXA continua a disponibilizar regularmente no YouTube, espectaculares vídeos captados pela sonda Kaguya durante a sua missão na Lua. São particularmente interessantes as imagens da face lunar mais distante, uma região caracterizada pela presença de múltiplas crateras de impacto e pela quase inexistência de maria. Invisível a partir da Terra, o lado mais distante da Lua foi observado pela primeira vez a 7 de Outubro de 1959, durante o voo pioneiro da sonda soviética Luna 3.

Cratera Aitken (extremo norte da bacia de impacto Pólo Sul-Aitken).

Bacia de impacto Apolo (interior da bacia de impacto Pólo Sul-Aitken).

Cratera Oppenheimer e cratera Nishina (interior da bacia de impacto Pólo Sul-Aitken).

Lado norte do Mare Moscoviense.

Bacia de impacto Birkhoff no hemisfério norte.

Estão disponíveis mais vídeos aqui.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Impacto de um asteróide na Indonésia

A população da pequena localidade indonésia de Latteko (ilha de Celebes) assistiu pelas 11 horas da manhã do passado dia 8 de Outubro, ao impacto atmosférico de um pequeno asteróide rochoso com cerca de 10 metros de diâmetro. O objecto desintegrou-se a cerca de 20 Km da superfície, pelo que não se registaram quaisquer danos materiais.
Estima-se que a explosão tenha libertado uma energia equivalente à detonação de 50 quilotoneladas de TNT (cerca de 3 vezes a energia libertada pela bomba de Hiroshima). A onda de choque foi detectada por cinco sensores de infra-sons da CTBTO (Organização do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares), localizados num raio de 10.000 Km, e por um sexto localizado a cerca de 18.000 Km do local! O ruído produzido pela explosão foi ouvido a mais de 11 Km, lançando o pânico na população local, que se refugiou nas suas casas temendo a ocorrência de um terramoto.
Junta-se mais este acontecimento ao role de recentes avistamentos que têm surpreendido os habitantes de zonas densamente povoadas, um pouco por todo o planeta (ver aqui e aqui).

Reportagem de uma estação de televisão indonésia, mostrando um vídeo amador onde se vê o rasto deixado pelo asteróide, antes deste se desintegrar na atmosfera.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Envie uma mensagem a Vénus

Representação artística da sonda Akatsuki em Vénus.
Crédito: JAXA/Akihiro Ikeshita.

Akatsuki é o novo nome da sonda japonesa Venus Climate Orbiter (também designada PLANET-C), que irá ser lançada no próximo ano numa viagem ao planeta Vénus. Segundo a agência espacial japonesa JAXA, a nova designação foi escolhida no seio da equipa responsável pela missão, e reflecte o seu principal propósito: ser um projecto inovador na exploração da peculiar atmosfera venusiana. O nome Akatsuki (amanhecer, em português), transporta ainda, em si, não só a beleza cénica do amanhecer, como também os pensamentos e a determinação dos membros da equipa no sucesso da missão.
Como promoção adicional da missão, a JAXA propõe-se lançar uma campanha mundial de envio de mensagens a Vénus. Quem quiser participar, poderá enviar via internet, ou por correio (ver morada aqui), o nome e a respectiva mensagem num máximo de 40 caracteres romanos ou 20 kanji (para quem quiser aventurar-se no japonês), até 25 de Dezembro de 2009. Todas as mensagens serão gravadas numa placa de alumínio, que será colocada a bordo da sonda.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Noites (tempestuosas) de Galileu

Chegaram finalmente as primeiras chuvas de Outono a Portugal, justamente nas vésperas das Noites de Galileu! Um verdadeiro pesadelo para quem tinha programado participar no evento, partilhando algumas sessões de observação do céu nocturno...
Posso dizer-vos que não está tudo perdido. Para quem quiser, ainda assim, realizar algumas observações, pode utilizar um dos vários observatórios remotos que vão estar disponíveis (gratuitamente!) na internet, durante as Noites de Galileu (ver informações aqui). Existem também outras actividades alternativas. Por exemplo: que tal um belo jantar temático na companhia de amigos, com a Astronomia como tema principal?
Com a meteorologia a ajudar ou não, divirtam-se durante as próximas três noites, celebrando Galileu e as suas descobertas!
Céus limpos!

domingo, 18 de outubro de 2009

Palas: mais um protoplaneta na cintura de asteróides

Imagens de alta resolução do asteróide 2 Palas, obtidas pelo telescópio espacial Hubble. À esquerda, a forma tridimensional do asteróide, num modelo 3D construído com base nas observações.
Crédito: NASA.

Imagens obtidas pelo telescópio espacial Hubble confirmam que, tal como Ceres e Vesta, o asteróide Palas é um protoplaneta.
Um grupo de investigadores, liderados por Britney E. Schmidt, identificou em imagens de alta resolução captadas em Setembro de 2007, distintas variações de cor e albedo na superfície do segundo maior objecto da cintura de asteróides. As imagens do Hubble permitiram-lhes, ainda, obter novas medições do seu diâmetro e criar o primeiro modelo 3D do asteróide. Com uma forma elipsóide e com diâmetros nos três eixos de 582 (±18), 556 (±18), e 500 (±18) Km, Palas poderá ser mais que um grande pedaço de rocha e gelo à deriva no espaço. Com base nos novos dados obtidos a partir das imagens do Hubble, os investigadores encaram agora o gigantesco asteróide como um objecto dinâmico, que cedo sofreu processos de diferenciação geológica interna semelhantes aos verificados nos planetas telúricos.
O trabalho possibilitou, ainda, a identificação, pela primeira vez, de uma grande depressão (com cerca de 240 Km de diâmetro) na superfície de Palas. Embora não tenha sido possível determinar a sua natureza, a depressão poderá corresponder à cicatriz do grande impacto que gerou uma pequena família de asteróides de tipo espectral e com características orbitais semelhantes a Palas.
Este trabalho foi publicado recentemente na revista Science (ver artigo).

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ecoli, o pequeno astrónomo (parte II)

- Ei, pessoal! Existe VIDA para além da lâmina! Existe um UNIVERSO enorme lá fora!
- MORTE AO HEREGE!!!
- Estranha a forma como se concentram todas essas bactérias no mesmo ponto da lâmina...
Crédito: Nick D. Kim (Nearing Zero).

Arte em Marte

Imagem da superfície de Marte, obtida pela câmara de alta resolução da sonda Mars Reconnaissance Orbiter, a 24 de Agosto de 2009.
Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Não! Não é uma tatuagem. O que estão a ver na imagem são dunas no interior de uma cratera situada no hemisfério norte de Marte, a norte de Syrtis Major Planum (ver aqui o contexto da imagem). As riscas escuras que atravessam o cenário em várias direcções, resultam da passagem de pequenas colunas de ar em rotação semelhantes a tornados. Fenómenos atmosféricos vulgares no verão marciano, os redemoinhos de poeira ou torvelinhos, levantam à sua passagem, a fina camada de poeira avermelhada que cobre grande parte da superfície de Marte, expondo a areia basáltica existente por baixo. É a diferença de tonalidades entre o terreno exposto e o circundante que gera os belos e intrincados rabiscos nas dunas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Descoberto um novo anel em Saturno

A NASA anunciou na semana passada a descoberta de um ténue disco de partículas de poeira e gelo em redor de Saturno. Com uma extensão que vai desde os 128 aos 207 RS (1 RS corresponde ao raio de Saturno, ou seja, cerca de 60.330 Km) e uma espessura vertical com cerca de 2,4 milhões de quilómetros, o novo anel ultrapassa de longe as dimensões de qualquer outro anel planetário conhecido no Sistema Solar. Apesar de gigantesco, a densidade de partículas de poeira no interior da estrutura não ultrapassa as 20 partículas por Km3, facto que o torna demasiado difuso para poder ser observado em luz visível. A sua descoberta só foi possível graças à câmara de infra-vermelhos do telescópio espacial Spitzer, que detectou em Fevereiro passado as fracas emissões térmicas geradas pelas minúsculas partículas do anel.


Representação artística de uma visão em infra-vermelho do gigantesco disco de grãos de poeira descoberto pelo telescópio espacial Spitzer. Saturno surge na imagem como um pequeno ponto no meio do difuso anel. Inserida na figura encontra-se uma imagem de Saturno em infra-vermelho, obtida no Observatório W.M. Keck, no Hawaii.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/W. M. Keck Observatory.

Segundos os autores da descoberta (ver artigo publicado on-line na revista Nature), as finas partículas do gigantesco disco terão provavelmente origem em material ejectado da superfície de Febe, a maior das luas irregulares de Saturno. Esta conclusão resulta do facto da inclinação orbital e da espessura vertical do disco coincidirem quase na perfeição com a órbita da pequena lua. Provavelmente, a população de partículas existentes no anel mantém-se estável devido ao contínuo bombardeamento da superfície de Febe com micrometeoritos provenientes não só do próprio anel, como também do espaço interplanetário.

A lua Febe vista pela sonda Cassini durante a sua aproximação a 11 de Junho de 2004.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.


Demasiado distante de Saturno, o novo disco sofre fracas perturbações gravitacionais, pelo que conserva uma inclinação de 27º relativamente ao equador de gigante gasoso. Neste cenário, a radiação solar assume-se como a principal força perturbadora da órbita das partículas. Simulações de computador levadas a cabo pelos investigadores demonstraram que a libertação da radiação absorvida pelos grãos de poeira exerce uma força que os impele para órbitas progressivamente mais próximas de Saturno e, consequentemente, mais próximas da órbita da lua Jápeto. Assumindo que se movem numa órbita retrógrada (semelhante à de Febe mas contrária à de Jápeto), as pequenas partículas em migração para o interior do sistema saturniano acabam por ter grandes probabilidades de colidirem directamente com o hemisfério líder de Jápeto, precisamente aquele que apresenta um brilho e composição comparáveis aos da superfície de Febe. Este mecanismo poderá ser a chave para um velho enigma com séculos de existência: o aspecto bi-tonal de Jápeto.

A aparência exótica de Jápeto num mosaico construído com imagens captadas pela sonda Cassini, durante a sua passagem em Setembro de 2007. Visível à direita, encontra-se a região de transição entre o hemisfério brilhante e o escuro hemisfério líder.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

sábado, 10 de outubro de 2009

Um primeiro olhar nos dados e nas imagens da LCROSS

O desfecho da missão LCROSS foi provavelmente uma desilusão para a maioria dos que (tal como eu) acompanharam na NASA TV, a transmissão em directo da viagem da sonda americana até à cratera Cabeus na Lua. O impacto da parte superior do foguetão Centauro acabou por não produzir uma nuvem de ejecta visível nas câmaras da LCROSS, e nos muitos telescópios que estiveram apontados ao pólo sul da Lua. No entanto, a NASA tem todos os argumentos que necessita para afirmar que a missão foi um sucesso. Apesar de não existir uma única confirmação visual do impacto, a câmara de infra-vermelhos da LCROSS detectou não só o brilho produzido pelo impacto do Centauro e como também a respectiva cratera. Durante os cerca de 4 minutos que antecederam a sua própria colisão na superfície lunar, a LCROSS conseguiu reunir ainda um volume apreciável de dados espectrométricos que após análise detalhada, poderão responder às principais questões da missão.

Imagem em infra-vermelhos do impacto da parte superior do foguetão Centauro, obtida pela câmara MIC (mid-infrared camera) instalada a bordo da sonda LCROSS. As duas pequenas imagens interiores são ampliações sucessivas da zona de impacto.
Crédito: NASA/LCROSS Mission Team.

Espectro obtido pelo espectrómetro de luz visível da LCROSS, durante a sua passagem pelas vertentes iluminadas da cratera Cabeus e pela zona de impacto do Centauro (assinalado por um pequeno pico sinalisado a vermelho).
Crédito: NASA/GSFC/anotações de Emily Lakdawalla.

Seguir-se-ão certamente longos meses até todos os dados terem sido devidamente compilados e analisados. Só nessa altura os cientistas da NASA poderão responder à questão da existência de água nas vertentes permanentemente sombrias do pólo sul lunar. Por agora ficam certamente na memória de todos os que acompanharam o desfecho da missão, as fabulosas imagens do pólo sul da Lua, captadas pela LCROSS nos momentos finais da sua viagem.

Uma visão invulgar da Lua. Imagem do pólo sul lunar captada pela sonda LCROSS durante a sua aproximação à cratera Cabeus.
Crédito: NASA/GSFC.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Últimos momentos da LCROSS em directo!

Faltam pouco mais de 11 horas para o desfecho da missão LCROSS. Podem acompanhar a espectacular descida da sonda e da parte superior do foguetão Centauro até à cratera Cabeus em directo na NASA TV a partir das 10:15 (hora de Lisboa). Não percam!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Impacto de Apófis na Terra menos provável

99942 Apófis é um NEO (acrónimo em inglês para objecto próximo da Terra) com cerca de 270 metros de diâmetro, que provocou alguma preocupação na comunidade científica pouco tempo após a sua descoberta. Com base nas primeiras observações do asteróide, cientistas da NASA descobriram em 2004, um risco de impacto relativamente elevado para a aproximação de Apófis à Terra no dia 13 de Abril de 2029 (sexta-feira!). Em Dezembro do mesmo ano, durante vários dias, as probabilidades de impacto foram crescendo sucessivamente até atingirem um máximo de 1/37. Nesta fase, Apófis quebraria um recorde perturbador: seria o primeiro objecto a atingir o nível 4 da escala de Torino. Observações posteriores afastaram definitivamente qualquer hipótese de impacto para 2029. No entanto, esta aproximação à Terra deixaria ainda no ar a possibilidade da trajectória da Apófis atravessar no espaço uma janela gravitacional (com cerca de 600 metros de diâmetro), redireccionando-o para um novo encontro com o nosso planeta a 13 de Abril de 2036. Esta possibilidade manteve o asteróide no nível 1 da escala de Torino até Agosto de 2006, altura em que observações adicionais o colocariam no nível 0, com uma probabilidade de impacto para 2036 de cerca de 1/45.000.
Baseados na análise de novos dados resultantes de observações efectuadas entre 2004 e 2008, no observatório da Universidade do Hawaii, cientistas da NASA anunciaram ontem novas previsões para a trajectória de Apófis, que reduzem significativamente as probabilidades de impacto do asteróide em 2036. O novo conjunto de dados permite agora fixar as hipóteses de impacto em 1/250.000 (demasiado insignificante para alarmar a comunidade científica).
Apesar de Apófis não constituir uma séria ameaça ao nosso planeta nas próximas décadas, a sua descoberta serve de recordação para a existência destes objectos nas vizinhanças do nosso planeta, e para a importância que programas como o Near Earth Object Program da NASA têm na prevenção de catástrofes naturais resultantes da colisão destes objectos com a Terra. Foram descobertos até hoje 1.075 asteróides com trajectórias potencialmente perigosas. Nenhum deles se encontra neste momento em rota de colisão com a Terra. No entanto, novos NEO's potencialmente perigosos são continuamente descobertos pelos astrónomos, pelo que será apenas uma questão de tempo até nos cruzarmos com um destes gigantescos pedaços de rocha espacial.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Susto na passagem da MESSENGER por Mercúrio

A MESSENGER beneficiou na passada terça-feira de uma última assistência gravitacional de Mercúrio, abrandando a sua velocidade o suficiente para que realize com sucesso a manobra de inserção orbital no próximo encontro com o planeta, no dia 8 de Março de 2011. Como bónus, esta terceira passagem constituiu uma excelente oportunidade para a captação de imagens de porções da superfície de Mercúrio nunca antes observadas, e para uma série de observações científicas valiosas, incluindo entre outras: a observação detalhada de estruturas geológicas descobertas pela sonda nas duas anteriores passagens, a procura de satélites mercurianos, e o estudo do campo gravitacional e da exosfera do planeta.

O mais pequeno planeta do Sistema Solar fotografado durante a aproximação da sonda MESSENGER no passado dia 29 de Setembro. A imagem mostra porções da superfície de Mercúrio nunca antes observadas por outra sonda.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

No entanto, nem tudo correu de acordo com o previsto. Minutos antes da MESSENGER atingir o ponto de aproximação máxima à superfície de Mercúrio, o centro de controlo da missão perdeu subitamente o contacto rádio com a sonda. Durante mais de 1 hora (que incluiu a perda de sinal por cerca de 52 minutos, devido à passagem da sonda por detrás de Mercúrio), a equipa responsável pela missão viveu momentos de grande ansiedade. A análise dos dados devolvidos pela sonda após a recuperação do sinal providenciou indícios que apontam para a ocorrência de uma falha no sistema informático da MESSENGER, falha essa que terá despoletado a sua transição autónoma para o modo de segurança (modo de funcionamento em que são canceladas todas as operações não essenciais à sobrevivência da sonda).
Apesar do incidente ter provocado a perda irremediável da maior parte das observações científicas programadas, a terceira passagem da MESSENGER por Mercúrio cumpriu o seu objectivo primário: colocar a sonda em condições para a execução da inserção orbital no planeta em 2011. A captação de imagens durante a sua aproximação a Mercúrio permitiu também preencher a lacuna de conhecimento que existia relativamente a uma grande porção da superfície de Mercúrio (cerca de 5% da superfície total). Seguem-se agora pouco mais de 17 meses de viagem interplanetária até novo encontro com o planeta em Março de 2011.
Boa viagem MESSENGER, e até 2011!

Mapa Global da superfície de Mercúrio após a terceira passagem da MESSENGER. Restam cerca de 5% de terra incognita. As porções de superfície mapeadas pela sonda Mariner 10 e pela MESSENGER durante as três passagens encontram-se evidenciadas com diferentes cores.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.


Bacia de impacto com cerca de 260 Km de diâmetro descoberta pela MESSENGER durante a última passagem por Mercúrio, a 29 de Setembro.
Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Novo local de impacto para a LCROSS

Baseada numa nova análise dos dados recolhidos pelas diferentes sondas que têm patrulhado a órbita lunar nos últimos meses, a equipa científica da NASA responsável pela missão LCROSS anunciou ontem a mudança do local de impacto da cratera Cabeus A para a vizinha cratera Cabeus. A decisão teve como principal motivação garantir o sucesso da missão no que diz respeito à detecção de água na nuvem de ejecta que se espera ser gerada pelo impacto da sonda, e resulta essencialmente de uma nova compreensão das concentrações de hidrogénio existentes na região de Cabeus. Os modelos 3D da superfície lunar obtidos pela sonda japonesa Kaguya, e os dados recolhidos recentemente pelo altímetro LOLA que viaja a bordo da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), foram também cruciais no processo de decisão, uma vez que permitiram identificar no interior da cratera, condições topográficas e de contraste ideais para que a nuvem de ejecta possa ser facilmente observada na Terra por astrónomos profissionais e amadores.